CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

terça-feira, abril 21, 2020

BRASÍLIA & ZEMANUEL AOS SESSENTANOS


Hoje, no feriado de Tiradentes, a cidade de Brasília e o Zemanuel (meu irmão) entram na década dos sessentanos.

Torre de TV Brasília

Quando a Capital Federal foi inaugurada, estava eu internado em colégio religioso de Manaus. Conheci o fato pelas notícias difundidas pelos jornais e rádios da cidade. Afinal, que me dizia a troca da sede do governo? Dois anos depois, creio, como leitor ávido de jornais, fui cutucado por um anúncio que prometia ao acertador um lote em Brasília. Para isso, bastava descobrir o “animal” escondido no desenho apresentado (artimanha ainda circulante). Todo empolgado, grifei o desafio e o enviei para a caixa postal. Dias depois, recebi a resposta vitoriosa, porém, com o valor a pagar. Lembro que meu pai fez divulgar na Voz de Constantinópolis esse mico. Foi quando o “animal” aqui, depois de alertado do golpe, abandonou o lote.

Somente em 1967, inaugurei a cidade de JK, ao efetuar a conexão na primeira viagem aérea com destino ao Rio. Retornei no final desse ano, em nova conexão. No ano seguinte, de fato senti a cidade, ao efetuar uma viagem a São Paulo parei em Brasília, de onde segui de ônibus. Era julho, e a repressão do governo militar apertava. A Universidade de Brasília fora tomada pelos estudantes.

Ao retornar de São Paulo, abriguei-me no quartel da PM/Distrito Federal. E, ao encontrar a tropa de prontidão, desconfiei de ter entrado em outra fria. Assim, logo na manhã seguinte, fui mandado para o aeroporto apesar de viajar somente à tarde, porque a PM partiu para resgatar a UnB. O resto da história é notória.

Retornei repetidas vezes àquela cidade como oficial da Polícia Militar do Amazonas. Porém, à época da Constituinte, em 1987-88, fui nomeado consultor parlamentar da corporação. Esse título pomposo me fez circular entre Manaus e Brasília com mais constância. Também à época, meus filhos migraram para Brasília, onde se estabeleceram.
Aparecem cinco netos, o primeiro é amazonense, os
demais nascidos em Brasília (foto 2018)
Há alguns anos aposentado, tenho anualmente visitado a capital do país, a fim de abraçar as filhas (Valeria e Gabriela) e os netos. Em nome dos netos brasilienses – Emanuelle, Rafaela, Caio e Gabriel – reverencio os 60 anos de Brasília.

Zemanuel Mendoza é meu irmão, um ano mais idoso que Brasília. Pertence ao segundo casamento de nosso pai Mendoza, tendo nascido no bairro de Educandos, no mesmo ano em que mudamos para o Morro da Liberdade. Mais adiante, na década de 1970, a família migrou para Santos (SP), onde ele estudou e ingressou na Petrobras.
Retornou a Manaus por birra do seu Mendoza, que recambiou a família, em 1980. Aqui assentou o trabalho e segue desfrutando da vida, ainda trabalhando. Abraços, meu irmão. Saúde e fique em casa. Depois comemoramos.

segunda-feira, abril 20, 2020

EMPRESA ARCHER PINTO: CORRIDA PEDESTRE

Jurandir Carvalho,
premiado

As corridas de ruas, ou melhor, o pedestrianismo em Manaus teve momentos de grandes disputas. As provas começaram a empolgar sob o patrocínio dos Diários, jornais da empresa Archer Pinto. No final de outubro, anualmente, eram realizadas duas corridas: uma pedestre, como saída e chegada em frente à sede do jornal, na avenida Eduardo Ribeiro. Atraía de autoridades a inúmeros torcedores. A outra prova era disputada pelos ciclistas.

A Polícia Militar do Amazonas sempre preparou bons atletas, em várias modalidades desportivas, contudo, a preparação dos corredores era disciplinar. Dispondo de oficial com formação especializada, tornou-se uma recordista em títulos.


Detalhes da premiação
A postagem aqui compartilhada mostra a vitória maior do Jurandir Carvalho, e mais a de Luís Ferreira da Silva, em 3º lugar. O treinador era o major Humberto Soares, graduado na EsEFEx (Escola de Educação Física do Exército). A corrida aconteceu em 30 de outubro de 1969.

LEGENDA DAS FOTOS
Realizou-se manhã de ontem, com absoluto sucesso, a XV Corrida Pedestre “Henrique Archer Pinto”, como parte das comemorações do 39º aniversário de fundação de O JORNAL.
Ao alto, os primeiros colocados da prova, no Pedestal dos Campeões: Jurandir Carvalho, da Polícia Militar do Estado, 1º lugar; José Matos da Silva, do Acre, 2º lugar; Idilberto Ribeiro, do CIGS, 3º lugar; Luiz Ferreira da Silva, da Polícia Militar, 4º lugar; e Floriano Sebastião da Costa, do Acre, 5º lugar.
No outro flagrante, nossa Diretora, dona Lourdes Archer Pinto, quando colocava a faixa no campeão Jurandir Carvalho.

EMPRESA ARCHER PINTO: NOTAS


Quando a comunicação estava restrita a jornais e rádio, a família Archer Pinto inaugurou em Manaus, na década de 1940, sua empresa jornalística, composta inicialmente de O Jornal e o Diário da Tarde. A sede central estava na Capital Federal, de onde emanava o material para divulgação. Logo constituiu a preferência dos leitores, tanto que o periódico criou o slogan: “O matutino de maior circulação no Amazonas”.
Desenho da fachada do prédio
elaborado por Moacir Andrade,
veja assinatura
Em 1954, a empresa inaugurou a rádio Rio Mar, em ondas médias e curtas, com amplo alcance, não apenas no estado. Alguns anos adiante, esta foi adquirida pela Igreja católica que a segue dirigindo, porém, unicamente em FM.
Para harmonizar a empresa, os irmãos Archer Pinto decidiram construir uma sede de padrão para abrigar o jornal e a rádio. O edifício ocuparia um endereço na avenida Eduardo Ribeiro. Apesar de a matéria de O Jornal (domingo, 29 julho 1956) prometer a inauguração para novembro seguinte, não creio que aconteceu. Posto que as instalações dos Diários (como eram designados) não passaram do casarão antigo, ou está é a recordação que nos acompanha, consultado Ed Lincon, manauara de fina memória.
De fato, funcionavam na mencionada avenida, ao lado dos Associados, ou seja, do Jornal do Commercio e a Rádio Baré. Todavia, com a declínio dos Diários, primeiro desapareceu o vespertino (outubro 1975), em seguida seu parceiro (fevereiro 1977). Por fim, o prédio em 1980, transformado em agência bancária, primeiro do Real, agora do Santander.
A postagem compartilha a nota “oficial” da empresa, realçando o entusiasmo do editorialista, assim como a assinatura do falecido artista plástico Moacir Andrade, que então iniciava a vida como desenhista de plantas.

Recorte da capa do mencionado periódico 

No interesse de oferecer instalações condignas para os Diários da empresa, que superiormente dirige – O JORNAL e DIÁRIO DA TARDE —, e para os estúdios da ZYB-20 e da nova estação ondas curtas da Rio Mar [emissora de rádio, hoje pertencente à Igreja católica, operando em FM], da qual é um dos sócios, - o jornalista Aguinaldo Archer Pinto, numa iniciativa arrojada, está fazendo construir na avenida Eduardo Ribeiro, “a sala de visitas de Manaus”, em frente ao prédio onde temos localizadas nossa redação e oficinas, um edifício moderno, que contará com três andares.

ROTATIVA
Nesse edifício, será montada (andar térreo) a nova impressora rotativa, da afamada marca alemã M.A.N. —, para atender as exigências da tiragem, dia a dia maior, de nossos Diários. Essa máquina, no gênero e em sua classe, a última palavra era matéria da eficiência e facilidade de comando, tem capacidade para imprimir 12 mil jornais numa hora, o que bem demonstra que a nossa empresa, dentro de pouco tempo (a montagem da rotativa será iniciada no próximo mês), estará perfeitamente em condições da atender aos reclamos de seus leitores, inclusive do interior do Estado e Territórios Federais vizinhos, oferecendo-lhes edições ampliadas e, graficamente, melhor confeccionadas.

ESTAÇÃO DE ONDAS CURTAS
No segundo pavimento, serão instalados os estúdios e a administração da Rio Mar, cujo novo transmissor de sete e meio quilowatts na antena (ondas de 31 metros, 9.695 quilociclos), já foi adquirido da conceituada e reputada marca Phillips, por intermédio de seus agentes, nesta praça, Braga & Cia.
Os novos transmissores da “mais ouvida” serão inaugurados no dia 15 de novembro deste ano, quando a Rio Mar completa dois anos de existência.
Por testemunho eloquente, indesmentível do arrojo, da capacidade de trabalho e realização, do interesse dos dirigentes da Rio Mar em oferecer ao povo amazonense, e à nação brasileira sempre o que há de melhor em matéria da radiofonia".
Obtendo a liderança do metiê, logo após os primeiros meses de seu funcionamento, pela boa qualidade de sua programação e pelas suas gigantescas e incomparáveis realizações, a Rio Mar se viu forçada a alargar o seu raio de operações para, dessa forma, através de campanhas memoráveis, destemidas, corajosas.
Já dispondo de aparelhagem de Frequência  Modulada [FM], para reportagem volantes; moderno estúdio de gravações de discos, inclusive long-play [LP], pela eficiente aparelhagem profissional REK-O-KUT; tudo Isso, aliado sus seus bons programas musicais, humorísticos, completas resenhas esportivas, magníficos informativos sobre os acontecimentos do estrangeiro, do país e do Estado, — elevou a Rio Mar à posição de grandeza e prestígio em que hoje se encontra.
Esse fato maravilhoso, não pertence à direção da Rio Mar, à cuja frente se encontra Charles Hamu, ladeado por Aguinaldo e Aloysio Archer Pinto. Pertence, isto sim, ao povo do Amazonas, pois foi para servi-lo, que se buscou a nova estação de ondas curtas, pela qual todos poderão ouvir a programação selecionada, variada, surpreendente e altamente moderna da Rio Mar.
Na sua nova sede, no edifício da avenida Eduardo Ribeiro, contará a Rio Mar com requisitos mais exigentes da técnica moderna e foram projetados por organização especializada do Sul do país.
Outra coisa, porém, é mais importante: operando em duas ondas — média e curta—, a Rio Mar apresentará programações distintas, variadas, atendendo, assim, a todos os gostos e preferências. Serão, portanto, duas estações em funcionamento, oferecendo defesa permanente aos interesses do povo e, igualmente, linhas de programas diferentes e bem diversas.
Cumprindo todo esse esforço, realizando todo esse corajoso empreendimento, os dirigentes da Rio Mar só desejam uma coisa: oferecer o melhor para um povo que, desde o aparecimento da emissora, lhe tem dado integral apoio, estimulando-os para novos embates, a favor da grandeza da radiofonia cabocla.

O NOVO EDIFÍCIO
O novo edifício de que falamos, e que receberá a nova impressora rotativa de nossos Diários e os novos estúdios da Rio Mar, estão sendo construídos, com toda a técnica, esmero e cuidado, pela conceituada empresa Sociedade de Obras Limitada, dirigida com proficiência e zelo pelo nosso amigo Joaquim Cunha.
O clichê que ilustra este registro, mostra-nos a fachada do referido prédio, pelo qual nossos leitores poderão aquilatar do quanto será enriquecido o patrimônio da cidade, com a sua próxima inauguração.