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segunda-feira, outubro 11, 2021

NOTA SOBRE A BANDA DA PMAM

 Em janeiro de 1970, o comando da Polícia Militar do Amazonas aprovou a criação do Jazz-Band, obviamente na Banda de Música, então sob a regência do tenente Raimundo Bezerra. Destinava-se a atender os contratos com interessados, e não eram poucos, que se valiam do corpo musical da PMAM para animar suas festas. E, para atender à clientela, entregou essa fração com os mais destacados músicos à chefia do contramestre Pedro da Costa Soeiro.

Brasão do 1º BPM, quartel onde há anos a
Banda de Música está alojada  
Lamento informar que não obtive a data de sua dissolução, que deve ter se extinguido seja pela aposentadoria de integrantes, seja pela mudança na direção do próprio corpo de música.

 

Extrato do Boletim Interno, com a relação dos músicos

Pistonistas:  

1º sargento 3 - Francisco de Sales Araújo;

3º sargento 12 - Jehoshuá Peixoto dos Santos e

soldado 767- Flório Florêncio Queiroz.

 

Trombonistas:

1º sargento 5 - Antônio Francisco Gonçalves do Souza e

1º sargento 15 - Oscar Albuquerque dos Reis.

 

Saxofonistas:

2º sargento 26 - José Ribamar de Lima Melo;

2º sargento 37 - Raimundo Sena Ferraz;

3º sargento 63 – Rafael da Silva Teixeira e

3º sargento 95 - Evandro da Rocha Freitas.

 

Baterista:

3º sargento 59 - Paulo Ribeiro dos Santos.

 

Contrabaixista:

sargento 54- João Sacramento dos Santos

 

Guitarrista:

3º sargento 50- Carlindo Lopes dos Santos. 

 

Ritmista:

cabo 163 - João Ferreira Dourado.

 

quinta-feira, setembro 01, 2011

BANDA DE MÚSICA DA PM AMAZONAS

Publiquei este texto sob o título Centenário da Banda de Música, em A Crítica, 7 de setembro de 1993, quando catei um relatório centenário, o qual indicava a data da inauguração da Banda de Música da PM Amazonas. Reproduzo-o com várias correções, esperando que tenha melhor aproveitamento.

Banda sob a regência do maestro Antonio Franco

A Guarda Policial (hoje Polícia Militar do Amazonas) reorganizada em 26 de abril de 1876 prosperou, ainda que claudicante, quer pelo índice do efetivo quer pela expansão da tropa pelo interior, mas, até o advento da República a música ainda não havia sido organizada. "Julgo que a criação de uma música no Corpo Policial seria já oportuno", pretendia o comandante, major Tertuliano Mello, exposta em relatório de 5 de agosto de 1888.
Com a instalação da federação e, na primeira década de sua existência no Estado, a presença de governantes militares impulsionou amplamente a força policial estadual.
Em 1892, ao tomar posse no governo, Eduardo Ribeiro recebeu um relatório de comissão que apurou o Tesouro estadual. Neste, foi informado que, por ofício de 25 de janeiro, José Cláudio Mesquita, representante da casa J. H. Andresen, então na Europa, havia recebido através do London Bank, a quantia de sessenta e oito contos de réis para a aquisição de armamento e de instrumental destinado este para a banda de música do batalhão de polícia.

Assim, o anseio do comandante Tertuliano afigurava-se realizar. Quem nos científica é o comandante do Batalhão Militar de Segurança, major Raymundo Affonso de Carvalho, em Relatório de 3 de junho de 1893. Este é, pois, o comprovante da criação da Banda de Música, que ainda hoje desfila.
Mas, em razão de que neste relatório não foi apontada a data da inauguração da Banda, apenas delimitado o período, por que não estabelecer a data deste revelador documento como a da efeméride maior da corporação musical?

Membros da Banda de Música em atividades

Não sei se meu apelo obteve êxito, embora tenha escrito o texto original há oito anos. São múltiplas as razões para a homenagem: afinal, a secular organização, e rara ultrapassa tal idade, ainda projeta futuro venturoso, reverberando as entusiasmadas palavras do coronel Affonso de Carvalho.
Além de comandante da Polícia Militar, no período governamental de Eduardo Ribeiro foi deputado no Congresso Estadual e, sendo seu presidente, assumiu o governo do Estado. Possui méritos e há muito faz jus a ser reverenciado pela corporação, a ocasião é propicia, quando se celebra a primeira centúria da banda, nomeando-a de Banda de Música "Coronel Affonso de Carvalho.

Com ou sem esta nomeação, nem sempre a banda produziu tons uniformes, pois houve inúmeros momentos em que atravessou o ritmo. Houve outros, em que a praça esperou a banda passar e, quando esta desfilou, o "Bombalá" estava à frente.

- o -

Criada a banda de música, ao tempo do ciclo da borracha, a PM amazonense seguiu evoluindo, ampliando seus quadros. Em 1897, no governo de Fileto Pires, constituiu-se no Regimento Militar do Estado composto de dois batalhões, dos quais, o primeiro, sob o comando do tenente-coronel Cândido José Mariano, seguiu para combater em Canudos (BA).

Nesse mesmo ano, pelo decreto n.º 203, de 30 de outubro, foi dado regulamento provisório às bandas de música dos batalhões do Estado. Suponho que o provisório tornou-se definitivo.
Outro relatório consolida a legislação: "mantinha o Estado duas bandas de música nos dois batalhões, mais tarde, porém, houve V. Exa. por bem mandar organizar uma terceira banda para o Corpo de Bombeiros". Seguramente, a autoridade ficou nas intenções.

Encerrado o fausto produzido pela borracha, a metrópole involuiu e, conjuntamente, a corporação musical. Perseverou servindo à Força Policial, assim como às farras de Manaus; prestou as ordens de estilo às autoridades visitantes; do mesmo modo, animou os ágapes oferecidos; acompanhou contrita as procissões religiosas; exibiu-se no intervalo das peças em exibição no Teatro Amazonas.
Tenente Bezerra conduz a Banda, na praça da Polícia.
Entre outros feitos, realizou passeio pelas ruas centrais, sempre nas datas festivas, com acompanhamento do batalhão policial. Até que a revolução de 1930 extinguiu ambos, a Força e a Banda de Música.
Esta ainda prosseguiu sob o patrocínio da prefeitura de Manaus, porém, foram anos difíceis. Porque os componentes desta para sobreviver e alimentar aos seus, tocavam pelas esquinas para angariar donativos. Era intitulada a "banda dos abandonados".

Ainda carece de pesquisas mais fartas para se relacionar todos os regentes da banda, especialmente até a cessação em 1930. A dedicação de Márcio Páscoa e seus alunos podem aclarar esta quadra em nossos apontamentos.

Nesse sentido, transcrevo o convite publicado no Diário Oficial, de 18 de fevereiro de 1894 (domingo), para assistir a banda de música do Batalhão Militar de Segurança, sob a regência do maestro Aristides Bayma. Programada para as “quatro horas da tarde, no coreto do jardim da praça da República” (atual de Dom Pedro II). Aventuro-me afirmar ter sido este oficial o primeiro regente desta organização musical.

Somente para recordar, relaciono alguns maestros: tenente Albino Dantas, pernambucano que, em 1945, seguiu para o Nordeste em busca de músicos. Depois, veio o tenente José Arnaud, que assumiu a 3 de julho ainda de 1945. Outro foi o tenente Mirtilo Frick Lyra, em 1950, seguido pelo tenente Nicanor Puga, que me ensinou no colégio secundário os fundamentos desta arte.

E mais, o tenente Joaquim Henrique de Souza, que foi regente entre 1954-60, e, já na reserva da Força, formou um grupo de jovens músicos na Escola Técnica Federal do Amazonas. Morreu em 1993. Excelente profissional, ainda carece de homenagem.
A banda também privou da competência do maestro Dirson Costa, em 1962. Do tenente Ernany Puga (irmão do Nicanor), entre 1962-1967, que elaborou a regência da música do hino oficial da milícia estadual.
Assumiu outro cearense, tenente Raimundo Bezerra, durante quase uma década (1967-76). Bezerra trouxe do Ceará alguns dos atuais dirigentes da Banda.

Banda em cerimônia no quartel do 1º Batalhão, em Petrópolis
Para encerrar, valho-me do saudoso Artur Engrácio para rememorar um ainda lembrado regente, popularíssimo, que protagonizou desfiles memoráveis. "Como disse, ele não perdia um desfile de tropas da Polícia Militar. Nas datas das comemorações cívicas daquela corporação, era o primeiro a chegar ao quartel. De um pedaço de vara fazia a sua batuta e, iniciada a marcha, punha-se à frente da banda de música manejando imponente o seu instrumento de maestro improvisado”

Bombalá era esta figura excêntrica e, em seu nome, agradeço aos maestros todos pelos 100 anos de sonoridade derramada sobre Manaus.