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quarta-feira, setembro 21, 2011

PARINTINS, SUAS IGREJAS |3|

Extraído do livro Clarões de fé no Médio Amazonas, de Dom Arcangelo Cerqua, publicado em 1980. O texto a seguir relembra, em parte, a construção da Catedral de Nossa Senhora do Carmo, padroeira de Parintins (AM).

N. S. do Carmo

1958 - A 6 de abril, no salão provisório do Colégio N. Sra. do Carmo, monsenhor Arcangelo, perante muitos convidados, fala da necessidade de lançar a campanha da construção da Catedral. Aproveitando o entusiasmo geral, escolhe imediatamente a comissão encarregada: presidente, padre Jorge Frenzzini; vice-presidente, Luiz Lourenço de Souza; secretário, Abrahão Fadul; membros, João do Lago, Olímpio Guarany, José Menezes Ribeiro e Agenor Dinelly.

- 4 de maio, no encerramento das Santas Missões dos Redentoristas, ao fim da procissão, na praça da Matriz, o prelado lança publicamente a campanha, apresentando a comissão ao povo, que imediatamente coloca nas bandeiras marianas uma generosa contribuição.
- 24 de julho, decide-se construir a Catedral na praça do Cemitério, no centro da cidade, eliminando assim, por providenciais dificuldades, a ideia de construí-la no lugar da velha Matriz.

1959 - Em janeiro, a comissão compra tijolos e estoca-os na área escolhida. Os Marianos oferecem quase 300 m3 de pedra jacaré, trazendo-a do Uaicurapá e levando-a ao lugar da construção; tudo de graça.
- a 4 de fevereiro, o prefeito Lourival de Albuquerque sanciona a Lei 2/58, que coloca a praça do Cemitério à disposição da prelazia para a Catedral.
Durante o ano, com paciência, tato e dinheiro, adquire-se toda a área da futura igreja, com praça e obras paroquiais ao lado, servindo-se do intermediário José Rodrigues dos Santos, "o Celeiro". Todos os ocupantes de casas e terrenos receberam trocas vantajosas. Em alguns casos valeu muito o apoio moral do prefeito José Esteves, que até doou uma sua casa em favor de um ocupante. 

Pe. Jorge Frenzzini
1960 - No encerramento do mês de maio, o Pe. Jorge inventa a cerimônia do "primeiro golpe de picareta", dado pelo prefeito no lugar da Catedral, para alimentar o entusiasmo do povo.
A 16 de julho, coloca-se a pedra fundamental da Catedral, ao término da procissão de Nossa Senhora do Carmo. Na hora, a Comissão recolhe boas ofertas dos que assinam o “pergaminho lembrança”.
26 de setembro - O governador Gilberto Mestrinho visita as obras em andamento, e deixa seu óbulo.

1961 – a 20 de agosto, Pe. Jorge traz o projeto completo de São Paulo, de autoria do engenheiro italiano Giovanni Butori, que o prepara gratuitamente em amizade aos nossos padres e em homenagem à Maria Santíssima.
Passando por Recife, Pe. Jorge compra uma boa quantidade de cimento.
5 de novembro – inicia-se a construção da Capela da Catedral provisória. Um que morava há dois anos de graça no lugar, só saiu quando viu cavar os alicerces no meio da barraca.

1962 - 1º de maio - Bênção da Capela da Catedral provisória, e nomeação do Pe. Pedro Vignola, vigário da Paróquia da Catedral. A velha matriz fica sede da nova paróquia intitulada do Sagrado Coração de Jesus e, como seu vigário, é nomeado o Pe. Januario Cardarelli.
- Os festejos de julho realizam-se na praça da velha matriz; mas a procissão final conclui-se na praça da nova Catedral.

1963 - Em fevereiro sobem as paredes da ábside e das alas laterais. Em abril, na Semana Santa, as santas cerimônias dividem-se entre as duas igrejas. A Procissão do Encontro, entretanto, concentra-se na praça da nova Catedral.
Em julho, organiza-se o arraial dentro do terreno da paróquia, à direita da capela provisória; por sinal desenvolve-se muito ordeiro e poético no meio do arvoredo.

1964 - Durante os festejos de julho, operários voluntários em grande número lança a aguada no piso da Catedral, trabalhando de noite nas horas do arraial. Tanto que no dia 15 a novena celebra-se dentro da Catedral.

1965 - As cerimônias na Catedral em construção, na Semana Santa, enfrentam vento, que apaga o Círio, no sábado, e chuva, que obriga a encurtar o pontifical na tarde da Páscoa.
Todo o novenário dos festejos de julho celebra-se na Catedral em construção, e, no dia 17, o bispo lê na igreja os nomes dos 120 que ofereceram vales.

1966 - Por sugestão do Sr. José, da Casa Preferida, realiza-se em favor da Catedral o primeiro Festival Folclórico de Parintins, na quadra paroquial inaugurada no ano anterior, a 6 de junho.

1967 - No retiro do Carnaval, o bispo lança a campanha do madeirame para o telhado. Os marianos do interior oferecem mais de 15.000 palmos de itaúba de primeira. Com a posterior resolução de fazer a cobertura com armação de ferro, a venda da madeira cobre quase toda a despesa com o ferro.

1968 - A 15 de fevereiro, assina-se com o Cibresme o contrato da armação de ferro do telhado e, no dia 21 de maio, o engenheiro José Maria vem estudar melhor in loco o projeto, especialmente da ábside.

1969 - A 13 de março, começa a ser montada a estrutura metálica do telhado, que fica pronta no seguinte 3 de abril. A 24 de maio, uma boa salva de foguetes festeja o completamento da cobertura com telhas de amianto e cimento vindas da Colômbia.
10 de outubro, os marceneiros da cidade tomam o compromisso de oferecer as 13 portas da igreja e das sacristias.

1970 - em 20 de junho, é sentada a última porta, a central de entrada.

1971 - Neste ano e em 1972 rebocam-se as paredes internas. A capela do Santíssimo recebe um bonito altar de mármore de Carrara. Fora preparado para uma catedral da Birmânia [atual Myanmar], mas, devido a guerra e as mudanças políticas naquele país, ficou armazenado na Itália. Nosso bispo conseguiu que o Pe. Pascoal Zielio, seu conterrâneo, grande devoto da Virgem, o presenteasse a Nossa Senhora do Carmo.

1972 - em 6 de julho, chega da Itália o ferro de cantoneira e começam logo a ser montadas as janelas na oficina do Seminário.

1973 - a 5 de abril, chega da Itália também o acrílico, para as janelas. Durante o resto de 1973 e no ano todo de 1974 continuam os serviços das janelas e do reboco das paredes.

1975 - a 3 de maio, termina o nivelamento do piso com uma camada de massa. No entanto, o prefeito, Dr. Benedito Azedo, melhora a praça com calçadas e pavimentação da parte central.

1976 - a 23 de agosto,inicia a pavimentação do piso com tijolinhos da Olaria Pe. Colombo, seguindo o conselho do Dr. Severiano Porto, conhecedor da olaria e da Catedral.

1977 - O Irmão Miguel De Pascale, de 6 de janeiro até 22 de julho (dia que vai de férias a Itália), ilustra a Catedral com impressionantes pinturas: na capela da Eucaristia, desenha a “Ceia” no centro e, nos lados, a “Multiplicação dos Pães” e os “Discípulos de Emaús”. Na capela da Penitência, pinta a “Crucificação de Jesus”, no meio e, nos lados, o “Bom Pastor” e o “Filho Pródigo”.
A 25 de janeiro está pronta a pavimentação do transeto. A 11 de julho inicia a construção do trono de Nossa Senhora.

1978 - Para a festa de julho pinta-se o trono da Virgem e pavimenta-se o piso da nave principal e do átrio.

1979 - O Irmão Miguel pinta na ábside, à direita, cenas do Novo Testamento (Anunciação, Natal, Caná da Galiléia) e, à esquerda, episódios do Antigo Testamento (Elias no Monte Carmelo, A Promessa no Paraíso Terrestre, Ester).
Coloca-se novo aparelho de som e procede-se às escavações da torre. A fachada da Catedral é revestida de ladrilhos de barro, produto de nossa olaria.
Dom Arcangelo, governador Lindoso e prefeito Reis, 1980
1980 - A 24 de março, terminam os trabalhos de fundição dos alicerces da torre, cujo estudo técnico foi preparado pela Suplan, por ordem do engenheiro Dr. Simão Assayag, que dá toda a assistência técnica à construção da torre.
Sendo modesta demais a renda da festa de julho de 1980, o bispo, em companhia de Sebastião Araújo e outros voluntários, consegue com um “Livro de Ouro” bom auxílio para a torre, que vai subindo lentamente.

sexta-feira, setembro 16, 2011

PARINTINS, SUAS IGREJAS |2|

Capa do livro
Sigo reproduzindo o livro Clarões de fé no Médio Amazonas (1980), de Dom Arcangelo Cerqua, que foi o primeiro bispo de Parintins, e exerceu forte influência na comunidade daquele município.

Igreja do Sagrado Coração 
(matriz de Nossa Senhora do Carmo, até 1962)



Para um breve resumo histórico da atual igreja do Sagrado Coração, nos servimos do citado livro Memória do Município de Parintins, de Antonio Clemente R. Bittencourt, e do [livro] Tombo da Paróquia.
Já lembramos que a primeira igreja na praça do Cristo Redentor tinha sido declarada irrecuperável pelo engenheiro Alexandre Haag [de nacionalidade russa, o qual promoveu várias lambanças na região, inclusive na Polícia Militar do Pará].

Consequentemente, na Assembléia Legislativa, a 20 de maio de 1881 foi votada a Lei nº 529, "autorizando a edificação de uma Igreja em Parintins", "tendo sido votado para esse fim o crédito de trinta e cinco contos de réis". (Bittencourt, p.60).
Na Lei Orçamentária para 1883-1884 aparece outro crédito de vinte e um contos de réis "para a conclusão das referidas obras". Quanto ao projeto da construção, "a 22 de agosto de 1882, o Tesouro Provincial recebeu cinco propostas para construir a Igreja segundo o projeto do engenheiro Lauro Bittencourt, e foi aceita a proposta de José Felix Videira Braga, com o qual foi assinado o contrato a 19 de outubro do mesmo ano”.

Marcado o lugar pelo engenheiro projetista, as obras iniciaram a 2 de janeiro de 1883. Pelo contrato, a igreja deveria ficar pronta a 19 de março de 1884, mas as diversas prorrogações fizeram com que o edifício estivesse pronto apenas a 1° de agosto de 1888, quando "o diretor de Obras Públicas oficiou ao presidente da comissão fiscalizadora da construção, composta de cidadãos de Parintins e presidida pelo coronel José Augusto da Silva, para entregar as chaves do edifício ao vigário da paróquia, padre João Maria Freydfont" (Bittencourt, p. 61). 
Padre Cerqua, 1948
"O edifício estava concluído no quadro das paredes e cobertura, faltando tudo quanto era indispensável ao culto: não tinha coro, altares, pia batismal e sinos”. Por isso não pode ser logo inaugurado. O vigário, dedicado, recorreu à população católica e mandou fazer o coro e os altares. E enquanto funcionava na antiga igreja, procurava equipar a nova: do necessário.

O Sr. Antonio Rodrigues Vieira Junior ofereceu o sino Lindina, nome de sua primogenita; e o Sr. José Pereira Barbosa mandou vir de Portugal outro sino, ao qual deu o nome de sua neta Isaura.
O padre Victor, no livro do Tombo (p. 13), assegura não ter encontrado esses sinos, mas sim os da igreja velha, que foram levados para a nova, depois de sua demolição. Foi encontrada, sim, a pia batismal de mármore, em forma de taça, oferecida pelo capitão Antonio Simplício Valente de Menezes.

Em 1935, o Pe. Paulo Raucci tentou remodelar a torre, e gostava de apreciar do meio do rio a torre subir. Mas, infelizmente, um dia a torre desabou e arruinou parte das paredes e do coro.
A nova torre foi construída pelo padre Victor, bem prático de construções, e foi inaugurada em 1941. Em 1942, o mesmo padre construiu a nova capela mor e duas capelas laterais.

Em 1944, ele restaurou as paredes, fazendo o novo telhado e o novo forro, dando pintura por dentro e por fora; e em 1945, depois de cinco anos de trabalhos deu "a obra por terminada". Praticamente fez uma igreja nova.

Mestre Raimundo Bentes foi um que muito trabalhou como carpinteiro com o Pe. Victor. Ele trabalhava também por devoção, mas o padre fazia questão de "paqar-lhe bem", como o mestre, aos 84 anos de idade em 1980, lembrava comovido.

A igreja adquiriu também novas imagens: a de Cristo morto foi ofertada por João Mello; a de Cristo crucificado, por Renato Baptista, enquanto Luiz Souza, os quadros da Via Sacra. Em 1948, Agenor Dinelli ofereceu a imagem de Nossa Sra. do Perpétuo Socorro; Maria de Nazaré Teixeira, a imagem de S. João Batista e o povo, a de Nossa Sra. das Graças (Tombo, p. 21).

Em 1951 a torre ganhou sinos novos: 1º - de 210 kg, oferecido por Renato Batista com o nome de "Deum laudo" (louvo ao Senhor); 2.0 - oferecido pelos paroquianos com o nome "Vivos voco" (chamo os vivos); 3º - ofertado por Homero Fonseca com o nome de "Mortuos plango" (choro os mortos).

No mesmo ano toda a igreja foi pintada de novo e a torre foi melhorada com dois pisos de massa e cimento. Em 1952, nos meses de setembro e outubro, durante a Missão dos padres redentoristas, foi levantado o Cruzeiro e colocado na torre o relógio, cuja metade do valor foi paga pelo Sr. Francisco Braga, "o Malagueta", esposo de Dona Clarina Bulcão.

Instituída e instalada a Prelazia, a 13 de novembro de 1955 esta igreja passou a ser a Igreja Catedral. Naturalmente seu decoro recebeu grandes cuidados por parte dos padres. O Pe. Jorge Frezzini, em 1956, mandou fazer o forro novo e pintura na capela à direita, no templo dedicado ao Sagrado Coração, com a colaboração de Olimpio Guarany e sua esposa Dona Nena. Foi feito um novo altar mor, dois altares laterais, dois nichos em marmorite; calçadas em redor da igreja e pintura interna e externa.

Em 1958, teve que ser escorado o templeto da torre dos sinos com viga e laje de concreto armado, pois os pisos de massa e cimento feitos em 1951 estavam cedendo. A 31 de maio de 1962, a imagem de Nossa Senhora do Carmo passou à capela provisória da Catedral, para onde foi transferida a Catedral e a paróquia Nossa Sra. do Carmo.

Entretanto, no mesmo dia, foi criada a nova paróquia do Sagrado Coração, e como sede foi escolhida a antiga igreja de Nossa Sra. do Carmo.
Nos anos de 1965-66, o vigário, padre Januário Cardarelli, seguindo um projeto do Pe. Silvio Miotto, construiu meia igreja completamente nova, desde os alicerces: isto é, transeto, altar mor, capelas laterais e sacristias. Em 1966, o padre Antonio Caliciotti terminou os serviços, mandando fazer reboco e pavimentação, e colocando em nicho apropriado o titular da paróquia, o Sagrado Coração.

É claro que de tempo em tempo vem sendo renovada a pintura. A última foi realizada, a custa de Jorge Kawakami e Luiz Lobato Teixeira em outubro de 1979, quando foi reformado o nicho do Sagrado Coração de Jesus, onde o irmão Miguel De Pascale pintou anjos na parede da ábside. (segue em |3|