Esta postagem, extraída da revista manaus... manaus, publicada pela editora Umberto Calderaro Ltda., em 1979, relembra duas marcantes obras do prefeito Jorge Teixeira (1975-79): a ponte de Educandos e a avenida Djalma Batista. Quando daqui ele foi removido, assumiu o governo do Território Federal de Rondônia, depois Estado, ainda na gestão do Teixeirão (como era conhecido).
CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS
quinta-feira, janeiro 13, 2022
MANAUS DO PREFEITO TEIXEIRA
sábado, janeiro 08, 2022
ACAPULCO CLUBE (3)
Nesta crônica, Ramayana de Chevalier registra mais um tópico sobre o extinto clube Acapulco, espaço que por décadas iluminou as noites manauaras e foi fartamente desfrutado pelo autor. Publicada no Jornal do Commercio (11 setembro 1958).
Recorte do mencionado jornal |
Manaus é um rasgão teimoso no ventre
da Amazônia. Criamo-nos, assistindo aos mais vibrantes fenômenos sociais do
Brasil. Crescemos, e, aos nossos ouvidos, crepitavam as rolhas da viúva
bendita, a Clicquot autêntica, numa saraivada europeia. Disse-me um dia o meu
compadre P. T. Barba [dentista peruano radicado em Manaus], que como os
bons parelheiros morrerá na pista, que, da esquina do atual Bar Americano, até
a outra, onde borborinhava o Leão de Ouro, todas as noites havia um tiroteio de
rolhas espoucadas, com o derrame desse leite do Olimpo, cujos efeitos levam o homem
ao convívio dos anjos ou da polícia.
Manaus era coração elástico da
selva. Crescemos ouvindo Lulu d'Alexandrowka (sic),
o maestro Franco, escutando histórias de Sarah Bernhardt e Eurico Caruso, no
Teatro Amazonas. O Lanfranc, o Ambrose, o Hilary [navios
da Boothe Line] nos traziam a melhor refrigeração de Londres, e levavam de volta,
aquela loirinha que era considerada por eles a melhor cerveja d0 mundo, a XPTO
do tempo do Antonino Miranda Corrêa, cevada e lúpulo da Eslováquia tranquila.
Mulheres? Oh! que mulheres!
Vinhos? Reno, falai, Itália, murmurai de amor! Música? Que professores! Que artistas!
Depois, a pobreza nos constrangeu. Não vivemos
de saudades. Mas não temos nada que aprender com ninguém. Basta lembrar-nos. Hoje, nossas mulheres
são elegantes de nascença, sabem pisar, sabem falar, sabem amar. Nossos rapazes
joviais e corretos, leais e amigos. Basta lembrar. Essa a grande fortuna do Amazonas.
Infeliz daquele que veio da sombra do vazio.
Mas, o motivo especial desta crônica
é abraçar ao Mário de Oliveira. O Acapulco é uma bênção na delícia
úmida da noite baré. Elegantíssimo, suave, seleto. Corre ao lado das grandes boates
do país. Mário de Oliveira forma ombro a ombro com Carlos Machado e Zilco Ribeiro.
É um dueño de la noche. A noite de Dalvinha de Oliveira foi excelente. Passou
a tempestade que impuseram a ela, nas intrigas cariocas. Inveja. De sua voz, de
sua bondade, do que ela já viu pelo mundo. Dalva é um padrão de glória da
música popular. Ela e a Sapoti, hoje madame. Linda noite.
Mas as anedotas do Abelardinho
Matos estiveram em sessão espírita. Incorporaram no homem, depois de um século n0 astral. Já caducou no Lidador, na velha Bhrama,
que hoje espera o seu arranha-céu. E sujas. Convenhamos, não é para uma boate exclusivamente
familiar, onde se reúne a fina flor da nossa gente. Não há preconceitos em
Manaus. Nós tesouramos uns aos
outros com rara habilidade e constantemente. Dá uma bruta saudade quando estamos fora, não sentir
as formigas nos tosando a pele. É gostoso... Até envaidece!
Mas, daí a ouvir anedotas velhas,
arcaicas, reumáticas, e, além disso, indelicadamente obscenas, vai uma enorme
diferença. Essas anedotas são ótimas numa noite no Teatro República, em terça-feira
de carnaval, ou no bar do Belmiro, ali na República
Livre do Posto 6, pertinho da TV Rio. Só dá malandro,
resto de gente, a safra das profundas noites cariocas. Para o Acapulco, é pago,
a coisa é diversa. Quem não tem nada o que fazer em Manaus, toma um avião direto para o Rio. Antigamente, ia-se a Paris
e a Londres, para desfastio. Hoje, vive-se na Atlântica, como se fosse ali, na
BR17...
(*) Informando que o texto original sofreu a necessária correção ortográfica.
terça-feira, janeiro 04, 2022
PREFEITO JORGE TEIXEIRA (1975-79)
Ao final do seu governo na capital amazonense, o prefeito Jorge Teixeira (Teixeirão) ganhou da editora Umberto Calderaro uma homenagem. O resumo da administração de 4 Anos foi exposto na revista manaus... manaus (1979). Este exemplar (foto) me chegou às mãos pela amizade do Jorge Bargas, funcionário da Prefeitura de Manaus por largos anos.
A edição contém farto material sobre o inesquecível alcaide, pena que os responsáveis tenham esquecido de legendar a maioria das fotos. Todavia, os manauaras mais idosos podem muito bem suprir essa falha, ou estudiosos com o Ed Lincon.
A identificação das fotos deixo para trabalho dos moradores da capital amazonense. E para que eu não cometa algum desastre.
sábado, janeiro 01, 2022
CORONEL PM AMILCAR FERREIRA (1945-2022)
A chuva da manhã deste primeiro dia do Ano prestava-se a
restaurar os arroubos da noite anterior. Parecia. O primeiro telefonema
recebido me abalou, pois trazia a informação da morte de um companheiro de farda:
coronel Amílcar Ferreira da Silva.
Conheci o colega, oriundo do Colégio Estadual do Amazonas, no
NPOR ainda no 27 BC, quando aos dezoito anos fomos cumprir o dever militar.
Ele, o aluno 101, eu o 111. Nascido e criado na avenida Getúlio Vargas, Amílcar
conhecia ao coronel Neper Alencar que, àquela ocasião, era o comandante da
Polícia Militar estadual. Esse entrosamento possibilitou que a metade da turma
de R/2 fosse incluída na PMAM em junho de 1966.
Dois ou três desistiram nos primeiros dias no quartel da Praça
da Polícia, desse modo ficamos em sete (Osório, Amílcar, Carlos, Ruy, Okada,
Roberto e Ilmar, pela ordem de precedência). Um ano depois, Carlos graduou-se
em engenharia civil e foi cuidar do ramo, desistindo da corporação. Três foram
a óbito: Ilmar Faria (1999), Odacy Okada (2021) e, nesta manhã, Amilcar
Ferreira.Os sete "samurais" (Osório, Carlos, Roberto,
Ruy, Okada, Ilmar e Amílcar, a partir da esq.)
Sobre ele cabe registrar: esteve no comando da Companhia de
Rádio Patrulha (1976-77), em seguida, do 1º Batalhão (1979-81), depois a
direção do CPC (Comando do Policiamento da Capital) entre 1985-89; enfim, após
a gestão de repartições do comando, assumiu o Comando-Geral da corporação
(1991-92), empossado pelo governador Gilberto Mestrinho.Posse do coronel Amílcar, sob a
presidência do governador Mestrinho
Os cursos profissionais foram realizados nesta sequência: Psicotécnico
Militar-CEP (1967); Aperfeiçoamento de Oficiais-PMGuanabara (1971); Superior de
Polícia-PMRS (1977). Ainda nesse ano pode concluir o bacharelado em
Economia-Ufam. Outras atividades extra corporação: Diretor da Cosama (1983) e
Assistente Militar da Assembleia Legislativa (1992).
Coronel Amílcar foi um homem competente nos termos da Força
Estadual, apesar de bem-nascido sempre esteve ao lado dos colegas para obtenção
de melhores soldos. Integrava com agrado o almoço dos coronéis reformados, que intitulei
de AVC (Associação dos Velhos Coronéis), sendo o primeiro a comparecer. Enfim,
a chuva da manhã trouxe a infausta notícia, e a chuva vespertina à hora do
sepultamento reforçou a dolente despedida. Até a eternidade!
Sepultamento do coronel Amílcar no jazigo familiar, no cemitério São João Batista |