CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

quarta-feira, abril 03, 2019

IGHA – HÁ 50 ANOS


Em outubro de 1969, a cidade de Manaus recebeu a visita do sociólogo Gilberto Freire, que cumpriu em dois dias variada programação. A descrição desse evento retirei de O Jornal (edição de 11 out. 1969). 

Recorte de O Jornal, 11 outubro 1969
 
PROCEDENTE de Georgetown, chegou ontem a Manaus, o sociólogo Gilberto Freire, tendo desembarcado no Aeroporto de Ponta Pelada às 15:30 horas, onde foi recebido por expressivo número de personalidades locais, à frente o Diretor Superintendente da Fundação Cultural, professor Elson Farias.
À noite, às 21 horas, o autor de “Casa Grande & Senzala” esteve no Teatro Amazonas, assistindo a peça LSD (Luar sobre Danúbio), na interpretação do Grupo 7, concorrente do III Festival da Cultura do Amazonas.

PROGRAMA E CONFERÊNCIA
No dia de hoje, o sociólogo Gilberto Freire cumprirá intensa programação em nossa capital, a qual está assim constituída: 9 horas – visita à Biblioteca e a Pinacoteca Pública; 15 horas – visita a Universidade do Amazonas; 16 horas – visita ao Governador Danilo Areosa; 17 horas – visita ao Prefeito Paulo Pinto Nery; 20 horas – Conferência no Auditório Alberto Rangel sobre tema: “Intelectual em época de transição”.
No dia de amanhã haverá às 8 horas, visita a Turislândia, a convite do Sr. Cosme Ferreira Filho; 12 horas – almoço oferecido pela Secretaria de Educação e Cultura, no restaurante Chapéu de Palha; 16 horas – visita as livrarias da cidade: 20 horas – visita ao Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas.
O retorno de Gilberto Freire se dará no dia 10 do corrente, devendo seguir ás 6 horas por via aérea com destino a Belém do Pará.

terça-feira, abril 02, 2019

PMAM - HÁ CEM ANOS

Recorte da Folha, acervo
Arquivo Público

 A folha de pagamento da então Força Policial do Amazonas, referente ao mês de dezembro de 1919, nos permite observar os soldos pagos e a relação de parte da oficialidade. Tentarei acrescer algo mais sobre alguns desses pioneiros.


Estão lá:   
Major Alberto Duarte de Mendonça, que deixou o comando dia 18. Trata-se de capitão do Exército, comissionado no posto acima, tendo permanecido na direção da Força exato um mês (17 nov. a 18 dez.) Não há registro sobre o motivo para tão exígua temporada.

Tenente-coronel graduado Octavio Sarmento era o subcomandante e, nessa condição, assumiu o comando interinamente. Filho de Joaquim Sarmento, havia passado pela Escola Militar do Exército, porém, ao desistir da Força Terrestre foi aproveitado na Força Estadual. Literato competente foi um dos fundadores da Academia Amazonense de Letras, em 1918. Sobre sua obra literária, veja A Uiara & outros poemas, de Zemaria Pinto (Manaus, 2007).

Major Fiscal Severino Correa da Silva, quando ainda capitão comandou o Corpo de Bombeiros. Era genitor do tenente Manoel Correa da Silva.
Capitão médico Turiano Chaves Meira, que restou sinalizado na crônica amazonense por ter sido deposto do governo do Estado, em 1924, pela rebelião de Ribeiro Junior.

Recorte da folha
Capitão Auditor Álvaro Botelho Maia, recordado como interventor e governador do Estado no século passado. Todavia, ao regressar ao Amazonas, bacharelado em Direito no Rio de Janeiro, foi acolhido pelo Governo que o nomeou Auditor da Polícia Militar. Como nada havia a realizar na repartição, Maia solicitou a extinção da vaga.

1º tenente Secretário Manoel Correa da Silva, quando tenente-coronel foi comandante da Polícia Militar do Estado entre 1951-53.

2º tenente Ensaiador Manoel Felix do Nascimento, fazia duplo exercício, era comandante de unidade operacional e condutor da Banda de Música.

Major graduado Sergio Rodrigues Pessoa Filho. Graduado em razão do exercício do cargo de major fiscal, na verdade era tenente. Sergio Rodrigues comandou a Força durante o mês de novembro de 1930, quando da Revolução de Vargas, em tempo de muitas desavenças políticas.

Capitão Luiz Carlos Augusto, então à disposição do governador. Esteve em Canudos e faleceu já reformado e cego.


Capitão José Rodrigues Pessoa, então comandante da 3ª companhia. Todavia, quando a Força Estadual foi restabelecida em 1936, este a comandou até 1941 e, interinamente, em 1945.

Sobre o soldo, nada posso argumentar, pois desconheço a conversão dos réis da época.

CASCO DE BRANCO SILVA


Já publiquei neste espaço sobre a morte do artista plástico Branco Silva, acontecida em 12 de fevereiro de 1959, portanto, há sessenta anos.


Pouco, muito pouco existe dele em Manaus, lembro de uns quadros no IGHA e outros na Pinacoteca do Estado. Há cinco anos, tomei contato com seu filho Vinicius Ruas (93a), que reside em Niterói-RJ. Em duas ou três visitas a este, conheci algo mais sobre o criador do Presépio Maravilha.
Nesses dias, graças a Internet, sou solicitado a escrever sobre nosso saudoso artista, quando Gustavo Gurgel, de Minas Gerais, me interpela sobre o achado em museu de Portugal.

Cheguei ao seu e-mail através de seu blog porque estive pesquisando sobre o artista Branco Silva. Chegou ao meu conhecimento a existência de uma peça disponível no Museu da Presidência da República, em Portugal, cuja descrição do artista cita esse nome, Branco Silva.
A peça é um óleo sobre carapaça de tartaruga disponível no salão de presentes de Estado daquele museu, ofertado aparentemente em 1957 pelo governo do Brasil ao Chefe de Estado de Portugal. Desejo conhecer mais sobre o histórico desse objeto.

Em outro e-mail, Gurgel envia o endereço da descoberta:

O casco de tartaruga está exporto no Museu da Presidência da República, em Portugal. Você pode vê-lo através do tour virtual existente no portal da instituição na internet.
Link do portal direcionando para a 

Completa Gurgel:
Está identificado como Óleo sobre casco de tartaruga, Branco Silva, 1957. Fiquei maravilhado com a peça. Alto nível de representatividade e informação; além, claro, da beleza singular. 

Feito o registro. Lembrando que o presente foi entregue ao presidente de Portugal, Craveiro Lopes, quando de sua passagem por Manaus, em 1957, ocasião em que efetuou uma visita ao Brasil.



segunda-feira, abril 01, 2019

EDUARDO, TECNÓLOGO

Ocorreu nesta tarde, na Faculdade Fametro, a colação de grau da nona turma de Técnicos em Gastronomia. Entre os agraciados com o diploma estava Carlos Eduardo Souza Mendonça, meu filho. Por esse fato, fui escolhido como seu paraninfo.
Foram dois anos de estudos (2017-18). Durante este período, acompanhei sua trajetória nesta escola superior, na conquista deste diploma, que está de acordo com sua atividade de chefe de cozinha na Escola Municipal Padre Agostinho Martin.

Conhecendo o jovem, conhecendo seu entusiasmo, sua implicância com os superiores, explicada por ver tudo no seu devido lugar, com os atores da Escola cumprindo as obrigações pertinentes, temia pelo seu sucesso. 
No entanto, foi capaz de suplantar as inúmeras dificuldades, em particular, as exponenciais para o estudante de turno da noite. No somente ele, pois, observando os formandos, me foi possível aquilatar o grau de dificuldades enfrentado por todos. 
Na plateia, pai e Eduardo e esposas e filhos

Para mim, confesso, foi um prazer renovado poder colocar o capelo sobre a cabeça do filho, um gesto nunca experimentado, razão pela qual a emoção andou me fustigando durante a cerimônia. 

Que fazer com este diploma? é a primeira pergunta. Agora, é hora de juntar o teórico com os recursos disponíveis e retomar a luta. Seja qual for o alcance futuro, Eduardo merece essa festa e nossos (da família) votos de pleno êxito. Conte conosco!