CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

Mostrando postagens com marcador Quipapa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Quipapa. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, janeiro 14, 2016

MAESTRO ALBINO DANTAS (2)

Albino Ferreira Dantas, tenente maestro da Banda de Música da Polícia Militar Amazonense, nascido em Quipapá (PE), publicou em jornal vários escritos, cujo tema fundamental era a Música.
Recorte do matutino
A publicação abaixo, com mais de sete décadas, foi veiculada no matutino O Jornal, edição de 10 de agosto de 1944, e relembra a casa de espetáculos amadora, que funcionava na sede do Luso Sporting, mantidos pela colônia portuguesa.

Teatro do Luso

Está sendo levado à cena pelo corpo cênico do Teatro do Luso, o drama em 2 atos – “A filha do estalajadeiro”. 
Antes de tudo, quero congratular-me com o grande esforço da diretoria e amadores do Luso, pelo muito que tem feito em prol do Teatro no Amazonas, levando sempre os seus dramas, conforme as possibilidades artísticas de cada um. 
Não obstante isto, devemos fazer nossa crítica sincera, sem ao menos pretendermos ferir nem de leve a sensibilidade de alguém procurando, apenas, apontar pequenos senões, que poderão ser facilmente corrigidos. 
Estive presente à estreia do drama que ora está sendo levado no Luso, motivo por que faço algumas apreciações quanto ao desempenho do mesmo.Começou mal o "ponto", no seu fatigante trabalho de orientador dos personagens em cena, causando assim um pouco de desânimo aos que compreendem mesmo superficialmente o teatro, pois, falava muito alto podendo ser reproduzidas fielmente as suas palavras, por quem se achava na décima fila de cadeiras. Sabemos que o “ponto" deve ser o indivíduo mais discreto da ribalta, e, para melhor assertiva, vive ele sempre escondido nas horas de trabalho. 
Mario Almeida, no papel de estalajadeiro, esteve bom e merece nossos elogios, precisando tão somente que o encarregado da maquilagem não lhe ponha as "costeletas" pretas quando os cabelos da cabeça estão completamente brancos. É contrariar as leis da natureza... 
Antonio Martinho, fazendo o papei do marinheiro Baltazar, mostrou alguma habilidade no desempenho do mesmo, saindo-se melhor se não procurasse tirar partido da plateia, levando o seu papel algumas vezes para ponto diferente do que imaginou autor, única vítima da falta de compreensão de alguns atores. 
Manoel Ayres promete e deve dedicar-se ao Teatro, sendo, ao meu ver, o melhor de todos. Esteve bem no primeiro e segundo atos, não sendo o mesmo no terceiro ato, em que aparecia bem doente, e, que dado o seu estado de saúde, o papel o forçava a modificar o seu timbre de voz, o que ele, infelizmente, não fez, destoando o final de seu trabalho. 
Eis minhas pequenas turras com referência ao Teatro do Luso, esperando, como amigo que sou de quem trabalha pelo soerguimento da Arte, que cada vez mais os amadores que honram a ribalta no Amazonas, neste ou naquele teatro, vejam acima das paixões o interesse pela arte de representar. 
Não direi aos que tomaram parte no desempenho da "A filha do estalajadeiro" que são perfeitos na arte que imortalizou João Caetano, porque seria, ao meu ver, deprecia-los. Direi apenas que prossigam com ardor e boa vontade, para gloria do Brasil.  

segunda-feira, dezembro 21, 2015

MAESTRO ALBINO DANTAS

Saudoso maestro da Banda de Música da Polícia Militar Amazonense (1942-45), o tenente Albino Ferreira Dantas, oriundo de Quipapá (PE), costumava publicar seus escritos, cujo tema fundamental era a Música. 

Em alguma oportunidade falhou ao elaborar seus esclarecimentos, sendo, por isso, apenado pelo regulamento militar.

A publicação abaixo, às vésperas de completar 70 anos, circulou no vespertino Diário da Tarde, edição de 24 de janeiro de 1946.


Regentes e Músicos!

Albino Dantas

Quem vive fora do meio musical, não faz o cálculo de quanto é difícil organizar ou manter, no mesmo plano, uma Banda de Música, que venha agradar a gregos e troianos nas tocatas realizadas. Reger qualquer organização musical não é somente ter nas mãos uma batuta e dispor dos elementos à vontade, para conseguir boa música.
Existem pormenores bem interessantes, que influem de modo acentuado nessas organizações de arte. Podemos conhecer harmonia muito bem, sermos os tais em teoria, fazermos bonitas instrumentações, tocarmos todos os instrumentos, nada, porém, dará resultado positivo se não existir o máximo que a música exige: bom gosto interpretativo.
Daí o conceito dos grandes mestres. Músico não é aquele que aprendeu a conhecer as notas sem ter o sentimento puro do artista, mas, o que, “não sabendo música, sente os eflúvios divinos da sublime arte dos sons!” Depois, vem o complexo, pessoal, que tem grande relação com o assunto. O músico, diga-se a verdade, é manhoso ao extremo. Tudo lhe ofende e ele toma a mínima coisa como a maior das ofensas. Precisamos de habilidade para conduzi-lo no ofício, do contrário todo nosso trabalho será improfícuo e, consequentemente, sem nenhum valor.
A música, como todas as artes, tem os dias aziagos, e, geralmente, quando tratamos de músicos, são eles os responsáveis por esses malditos dias... Desses erros e injustiças, ditados pelos regentes, vêm inevitavelmente a derrocada dos conjuntos musicais. Quando nos esforçamos para apresentarmos ao público números musicais de valor, como os clássicos, devemos reconhecer que os executantes dispendem de maior esforço que os regentes, pois, enquanto estes regem, aqueles forçam horas e horas os pulmões, esbanjando ar e sobrecarregando horrivelmente os rins. As nossas deduções a respeito do assunto ventilado não primam pela velha praxe do “ouvimos dizer”. Falamos tendo por base os longos tempos que enfrentamos o “batente”, agarrados aos instrumentos e às velhas estantes de ferro, sem respeitarmos feriados nem dia santo. O músico militar é o tipo do folgado para o resto da tropa, e apelidado até de “cadete”, quando recebe qualquer regalia. É bem verdade que ele não aprecia muito o aperto, e, quando pode ir dando um jeito no corpo, aguente-se quem quiser! Arranja dispensa, vai à visita médica, o ajudante liga... tudo isso serve pra azucrinar o mestre, que tinha uma peça na estante!
Mesmo assim, o mestre sabendo levar, não existe gente melhor no mundo. O superior deve manter de pé a disciplina funcional e mui especialmente a militar. Com o que não concordamos é que, pelo fato de ser o mestre, se julgue este uma pessoa estranha ao meio musical. Da boa compreensão do regente e dos músicos é que surgem os grandes conjuntos!.