Ao meu entender, este consagrado da Igreja é o único concebido em imagem bastante incomum, pois vem montado a cavalo e perseguindo um dragão. Nenhum outro santo mereceu tantas referências. Até São Sebastião morto a flechadas não se destaca tanto. Assisti uma imagem deste santificado no quartel do comando-geral da Policia Militar, instalado na Praça da Polícia.
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| Imagem de S. Jorge no acervo do Palacete Provincial |
A fim de ilustrar a data e marcar a
presença da efígie de São Jorge na PMAM, vou relembrar dois episódios hilariantes:
Em certa data, quase ao final do meu serviço
ativo, combinei com o padre capelão o restauro da imagem do santificado. Para a
realização do serviço, autorizado pelo chefe do Estado-Maior, retiramos a peça do
quartel pelas dependências do Museu Tiradentes, portanto, sem passar pelo
portão principal. Dias depois, o coronel comandante Mael Sá, ao chegar ao
quartel, assustou-se ao subir a escada porque, olhando na direção do oratório,
não viu o santo. Convocou o sargento comandante da guarda, responsável pela entrada
e saída do aquartelamento, e o interrogou pela imagem. O sargento mais
assustado ainda confessou ignorar. O comandante decidiu, recriminando a
guarnição que não viu “o santo montado a cavalo, açoitando um dragão, fugir do
quartel”, o expediente somente será encerrado com a notícia do santo. O
incidente resultou um corre-corre espantoso, até que os “caçadores” chegaram a
mim, que expliquei a “fuga”.
Outra recordação do Dia de São Jorge
foi a devoção que o tenente Silvestre Torres lhe dispensava. O fato ocorria sempre
que este oficial orientava o pessoal de serviço do trânsito, no longínquo biênio
1982/83. Antes de dispensar a turma, diante do oratório, Torres entoava uma
oração bem estapafúrdia, mais ou menos nessa direção:
Meu São Jorge, / fazei que eu tire um bom serviço / possa bem orientar o trânsito / zelar pela dignidade da polícia / atender as orientações de meus superiores / e... adiante, que os soldados perfilados repetiam. E seguiam-se tantas baboseiras até a finalíssima, quando o oficial em tom de voz mais destacado bradava: Fazei com que eu não pegue propina! Essa jaculatória nenhum policial repetia.
Em nossos dias, no
comando-geral da PMAM existe o Oratório Policial Militar; seria oportuno que a
imagem de São Jorge fosse acolhida nesse sítio religioso. Atualmente a imagem
encontra-se no restauro do Palacete Provincial, sem qualquer destaque. No Oratório,
todavia, a religião católica e as evangélicas se topam, daí o impasse para o
retorno do Santo do Dia.
Salve Jorge!
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