CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

terça-feira, junho 29, 2021

VILLEROY - 1º GOVERNADOR DO AMAZONAS

implantação administrativa do Estado do Amazonas, proclamada a República, foi um tanto esdrúxula. Não faltaram disputas de toda ordem, as políticas e as militares foram as mais destacadas, em algumas ocasiões engajando as duas vertentes. Vou lembrar o primeiro governador e sua excêntrica substituição, porquanto Villeroy “desertou” deste ofício, segundo pode-se inferir dos documentos expostos, encerrados no Arquivo Público local.

Augusto Ximeno de Villeroy

Chamava-se Augusto Ximeno de Villeroy (1862-1942) e foi promovido a capitão da Força Terrestre tão logo assumiu a governança. Possuía 28 anos incompletos. Nomeado pelo general Deodoro da Fonseca, presidente do Brasil, frustrou aos políticos locais que se bateram pela queda imperial e, concomitante, pela primazia deste emprego. Villeroy assumiu nos primeiros dias de janeiro e se retirou do Paço da Intendência Municipal e do encargo no Dia de Finados de 1890. Segundo narravam os bondes da cidade, viajou para a Capital Federal a fim de acudir a esposa que se encontrava em Manaus gravemente enferma. Segundo se pode deduzir a partir do registro em monumento existente no cemitério São João, no Ossuário ali construído encontra-se o nome do filho de Villeroy. Terá a esposa dele desenvolvido alguma enfermidade, decorrente do parto e da morte do rebento, deveras grave que a obrigou a se retirar de Manaus?

Circular de 1º nov. 1890 

Ao se retirar de Manaus, o governador fez circular dois documentos: um endereçado aos Chefes de Repartições em 1º de novembro, “convidando-os e aos demais empregados para assistirem, no dia 2, às 10h, a posse do cidadão Dr. Eduardo Gonçalves Ribeiro para governador deste Estado.”

"Bilhete" de Villeroy para Eduardo 
Ribeiro, em 02 nov. 1890

O segundo, qual um bilhete, escrito de maneira apressada pelo próprio governador, visto as correções ali assacadas, o subscritor assegura que se retira de Manaus “para o Sul da República, com permissão do Governo Central”. Prosseguindo, informa que foi autorizado “em vista de telegrama recebido” daquele Poder. Assim, convida ao Dr. Eduardo Ribeiro para assumir a administração (em seguida, borra esta palavra, e a substitui por “fazenda(?)”) do Estado. Saúda o convidado com S. F. (Saúde e Fraternidade) e rubrica - A. X. de Villeroy.

O desenrolar desta história, já conhecemos.

segunda-feira, junho 28, 2021

ASSIS PEIXOTO: CIVIL COMANDANTE DA PMAM

 SECRETARIA DO INTERIOR E JUSTIÇA

EXPEDIENTE DO DIA 19|09|61

DECRETO

O PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA, no exercício do cargo de GOVERNADOR DO ESTADO DO AMAZONAS, resolve

NOMEAR:

de acordo com o art. 15, item I, da Lei nº 494, de 16 de dezembro de 1949, o 2º Tenente R/2 do Exército Nacional, FRANCISCO DE ASSIS ALBUQUERQUE PEIXOTO, Procurador da Fazenda Pública da Procuradoria Jurídica e Fazendária do Estado, para exercer, em comissão, o cargo de Comandante da Polícia Militar do Estado, Padrão CC-1, nos termos do Decreto nº 13, de 21 de fevereiro de 1959. 

Fragmento do Diário Oficial

Este decreto tornou-se incompreensível. Explico: apesar de “nomear” o favorecido, os arquivos da Polícia Militar do Estado registram que naquela data ocorreu, ao contrário, a demissão do coronel Assis Peixoto, realizada pelo governador interino. Ao reassumir o posto, o governador Mestrinho manteve o comandante no devido ordenamento. Já escrevi sobre este imbróglio em dois posts, concluindo que ocorreu uma briga política-policial.

 

Todavia, o exposto decreto lido em nossos dias revela algumas incongruências: curiosamente foi assinado pelo governador em exercício, então o presidente da Assembleia Legislativa, Josué Claudio de Souza; assegura que nomeia ao 2º tenente R/2 do Exército. De fato, Assis Peixoto, como restou conhecido na crônica manauara, havia concluído o NPOR realizado em Manaus por ocasião da II Guerra, portanto, às vésperas de completar 20 anos da formatura. Essa trivial patente serviu unicamente como “cortina de fumaça” para ludibriar a Força, posto que Peixoto era um Civil bem caracterizado, como vê-se apontado no próprio edito.

Outra questão: o decreto não estabeleceu o posto do comandante, pode ter sido corrigido em edição posterior do Diário. De qualquer modo, Assis Peixoto foi tratado por coronel, tendo permanecido no comando por mais de dois anos e foi, para gáudio dos aquartelados na Praça da Polícia, um excelente chefe.

Enfim, a legislação empregada para esta finalidade servia exclusivamente aos funcionários civis. Os funcionários militares estaduais possuíam uma minguada legislação. De maneira que o decreto 494 aludido foi, na corporação de Assis Peixoto, empregado para acertos nem sempre “republicanos”.

Em síntese, o Dr. Assis Peixoto exerceu o comando da PMAM. De certo, o único paisano.

domingo, junho 27, 2021

HISTÓRIA DA PM DO AMAZONAS: NOTAS

Em 1993, comandava a Polícia Militar do Estado o coronel Antonio Guedes Brandão, oficial disciplinado e executor de objetivos planejados e, de modo respeitável, católico fervoroso. Ainda no serviço ativo, eu escrevi o texto que somente agora vai postado, certo de relembrar episódios dignos da história da corporação.

 

Gilberto Mestrinho

04 NOVEMBRO

VISITA HONROSA

Nesta data, esteve em visita funcional à corporação, no ensejo da posse do novo Comandante-Geral, o Dr. Mauro Campbell Marques, Secretário do Interior e Justiça e de Segurança Pública, em exercício, tendo sido recebido no auditório do Comando-Geral pelos oficiais chefes e diretores de OPM, à frente o coronel PM Antônio Guedes Brandão.

Discursou o coronel PM Brandão para saudar o ilustre visitante, oportunidade em que apresentou, como de praxe, os oficiais presentes. Finalizando, indicou o ilustre visitante, por sua dedicação à área de Segurança, como advogado da Polícia Militar junto ao governo do Estado.

Agradecendo, Dr. Mauro afirmou sua aspiração em dinamizar o setor da Segurança Pública. E ratificou sua condição de defensor dos anseios policiais militares.

***

05 NOVEMBRO

VISITA GOVERNAMENTAL

No Quartel do 1º BPM, presente representação de todas as OPMs sediadas na capital, foi recepcionado o Sr. Governador do Estado, Gilberto Mestrinho de Medeiros Raposo.

Constou a solenidade da apresentação da tropa por seu comandante, coronel Mael Rodrigues de Sá. Seguida das palavras do coronel Comandante-Geral, saudando o visitante e informando aos subordinados do motivo do encontro. Em prosseguimento, falou o Governador do Estado para anunciar a concessão de gratificação aos cabos e soldados, a partir do corrente mês.

Para finalizar, ocorreu o desfile da tropa em continência ao governador.

***

Dom Luiz Soares Vieira


10 NOVEMBRO

VISITA PASTORAL

Atendendo ao convite do Comandante-Geral, compareceu ao quartel da Praça da Polícia o Arcebispo de Manaus, Dom Luís Soares Vieira, acompanhado do vigário da Catedral, Mons. Francisco da Silveira Pinto.

Recebido inicialmente no gabinete do Comandante, foi em seguida conduzido ao refeitório de oficiais para o almoço. Ao final deste, falou o coronel PM Brandão dizendo de seu contentamento em ver o “pastor das almas” comparecer ao quartel central da Polícia Militar, abrindo com este gesto um novo contato entre a Igreja e a milícia amazonense. Concluiu afirmando que “o bom cristão também é um bom policial”. Agradecendo, o arcebispo ressaltou a alegria de reatar este diálogo com a autoridade policial, estendendo o convite para um almoço na residência arquiepiscopal.

Ao ensejo, aquela autoridade religiosa ofertou para sorteio entre os presentes um exemplar da Bíblia Sagrada, cabendo o brinde ao tenente-coronel Roberto Mendonça (administrador deste Blog).

quinta-feira, junho 24, 2021

AINDA MEUS 75 JUNHOS

Estas felicitações pelo meu natalício desembarcaram agora, enviadas pelo mano Renato desde a cidade de Niterói (RJ). Tenho somente que agradecer-lhe, sabendo que se esmerou para encontrar motivos para tantos confetes, que reconheço são frutos de sua sublime afetividade. 
Aniversariante

Um jovem aos 75

17.06.2021

Renato Mendonça

 

A pandemia não lhe esfriou o ânimo; os anos biológicos, também não. Vejo-o sempre como o equinócio daquela estação desejada, chamada vida, onde os dias e as noites se sucedem, em busca de alguém que lhes faça a melhor oferenda, para não permitir que a rotina oscile entre o marasmo e a letargia.

O tempo agradece; eu, também. Vejo-o antenado em busca dos assuntos que poderiam parecer corriqueiros e supérfluos para a maioria das pessoas, porém têm relevância para quem se encanta com o mundo das letras, da literatura amazonense ou com a História do Amazonas. O seu blog nos abastece de notícias e princípios; resgata a história de homens importantes na vida pública; rememora pessoas incomuns que deixaram um legado, para ser aproveitado na sua essência.

É esse o jovem de setenta e cinco, que abre quase diariamente o baú de reminiscências para nos disponibilizar um ruas em toda a sua íntegra, em toda sua elegância de escrita; ou um áureo com sua peculiar preciosidade de versos; ou o silêncio e a palavra de um thiago, emoldurado de merecidos adjetivos.

Aproveito o espaço e essa ocasião tão oportuna — seu aniversário! —, para agradecer-lhe a maneira cordata como me insere no seu blog, quando me disponho a externar algumas bobagens, que costumo chamar de crônicas.

Admiro a sua sagacidade em homenagear a família, os amigos de outrora ou os mais recentes. O Chá do Armando, do saudoso acadêmico Armando de Meneses, era figura frequente no painel do seu blog. Talvez porque havia ali uma constelação de asteroides frequentadores daquele firmamento. E, infelizmente — o tempo é um algoz desalmado! — , alguns deles, juntando-se ao Armando, se despedem, não sem antes deixar um adeus, através do “catando letras & escrevendo histórias”, com a habilidade do mano Roberto.

Quero aqui, denotar o meu regozijo pela recuperação do sobrinho, Eduardo, que contraiu o vírus da Covid. Creio que este é o melhor presente que se pode receber nestas circunstâncias: as graças de Deus! 

Que o Criador continue com as bênçãos sobre a família, e lhe dê muitos anos de vida, para continuar na sua missão de resgatar histórias.