CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

sábado, maio 16, 2020

PALHETA NO SUPLEMENTO LITERÁRIO


O saudoso artista plástico Jorge Palheta (1953-2016) produziu e ilustrou inúmeros trabalhos e, vez por outra, encontro alguns desses perdidos pelos escaninhos. Como acaba de me ocorrer, ao revirar a coletânea do SLA (Suplemento Literário do Amazonas), publicação do Diário Oficial, no período de 1986-87.


Palheta assinou várias ilustrações, algumas das quais compartilho, com a indicação do título e do autor.

Meus avós, de Chloé Souto Loureiro,
em maio 1987

Segunda Elegia, de Guimarães de Paula,
em março de 1987

No Beco, os Gatos, de Lauro Vargas, em junho 1987

O Universo de Cobra Norato e a Antropofagia, de
Lígia Morrone Averbuck, agosto 1987

Poré - o pai do raio, de Altino Berthier, março 1987


quinta-feira, maio 14, 2020

MOMENTO CULTURAL (1)



Recorte da capa do SLA consultado 
Passeando pelas páginas do Suplemento Literário Amazonas (SLA), órgão do Diário Oficial do Amazonas, integrantes da coletânea que circulou entre novembro de 1986-87, encontrei de dois saudosos amigos essas pérolas. A produção poética pertence a Luiz Bacellar e as ilustrações, do artista plástico Jorge Palheta.

O Suplemento foi uma iniciativa de Alencar e Silva, quando diretor da folha oficial. De circulação mensal, reproduzia trabalhos literários de diversos autores; creio que sem remuneração. Bacellar colaborou em apenas duas oportunidades. Quanto ao Palheta, foi mais constante, tanto que estou recolhendo sua contribuição para uma publicação no Blog.

Merece relembrar a direção do SLA: editor – Alencar e Silva / programador visual – Artur Engrácio / secretária – Maria Lindalva de Mello / comissão editorial – Jorge Tufic, Anísio Mello, Rita Alencar e Silva e Socorro Santiago.

Este material compartilhei do SLA de dezembro de 1986 (Ano I número II).



quarta-feira, maio 13, 2020

EUCLIDES DA CUNHA EM MANAUS


Sobre Euclides da Cunha, em sua passagem por Manaus e fronteiras amazônicas, compartilho o artigo do falecido historiador Geraldo de Macedo Pinheiro, incluso na Revista da UBE/AM, maio de 1983. Efetuei a correção ortográfica e expus entre parênteses algumas correções, pois a revisão do magazine não foi adequada.








Geraldo de Macedo Pinheiro, jurista, ensaísta, pesquisador e historiador, pertence à União Brasileira de Escritores do Amazonas, ao Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas. Suas publicações, apesar de esparsa, já ultrapassaram as fronteiras do Brasil. Teto várias obras para encaminhar à editora. Em seu trabalho reflete a sobriedade, a verdade e o rigor histórico.


Manaus para Euclides não passava de “uma cidade de dez anos sobre uma tapera de dois séculos.” Realmente quando ele chegou à capital do Amazonas, viu-a transformada “na metrópole da maior navegação fluvial da América do Sul”. Vinha presidindo uma comissão de limites, por indicação do barão do Rio Branco, nomeado a 9 de agosto de 1904. E de lá anuncia a Luís Cruls a sua próxima partida para Manaus.
O Peru discutia as suas fronteiras com a Bolívia, e o Brasil, embora alheio à contenda, mostrava-se vigilante. Em menos de um mês, fora assinado um acordo estabelecendo um modus vivendi nos rios do Alto Juruá e Alto Purus. Euclides chefiaria a missão de reconhecimento deste último rio.
Foram seus companheiros de viagem: os engenheiros Arnaldo Pimenta da Cunha, seu primo, e Silva Lima; o tenente Ângelo Mendes; o dr. Tomas Catunda; os alferes Fernando Lemos e Antônio Cavalcante e mais Egas Florence e R. Nunes. O navio aporta em Manaus no penúltimo dia do ano de 1904. Antes de pisar a capital amazonense, ainda a bordo, escreve a seu pai, Manoel Rodrigues Pimenta da Cunha, temeroso de perder a mala postal.
Fala nas atenções recebidas em Belém do Senador Lemos – o Eduardo Ribeiro paraense – e dos rapazes de talento e sobre o êxito alcançado pelo seu livro – Os Sertões. E acrescenta: “Nada lhe diria sobre o Amazonas”.
Não há notícia de ter recebido em Manaus qualquer recepção festiva. Compreende-se... Utilizamos a expressão de Alberto Rangel: “As roupas de Euclides desconheciam os recortes da tesoura de Pool...” Pensa demorar-se apenas pouco mais de um mês, devido a desarranjos nas lanchas da missão peruana. Sua estada, porém, foi dilatada por três longos anos (sic).
Isola-se no bairro hoje conhecido por Adrianópolis, numa casinhola, que “sobranceava o mar de frondes e o algodoal de névoas” (Rangel). Na cidade somente procura um ponto – os Correios, onde deposita carta e mais cartas e parentes, intelectuais e amigos.
Entre as primeiras missivas do ano novo de 1905, duas são endereçadas a Afonso Arinos e a José Veríssimo. A este reclama o calor de 30° à sombra – dizendo o seguinte: “quem resiste a tal clima tem nos músculos da elástica firmeza das fibras dos buritis e nas artérias o sangue frio das sucuruiubas”. E adianta: “Levo – nesta Meca tumultuária dos seringueiros – vida perturbada e fatigante”. E escreve sonetos.
Em março envia longa carta a Machado de Assis, avisando-lhe que havia remetido os votos para vagas ocorridas na Academia de Letras: Souza Bandeira para a de Martins Júnior e para a vaga de José do Patrocínio dois nomes, o do poeta Vicente de Carvalho e o do escritor Heráclito Graça. E confessa o seu mal-estar: “não posso contar as preocupações que me lavram o espírito”.
Coelho Neto, outro grande amigo e confrade da Academia, distinguindo com várias epístolas. Quando Euclides veio a falecer foi o primeiro a se lembrar da sua passagem em Manaus, exibindo a um dos jornais do Rio de Janeiro a preciosa correspondência declarando, em sua entrevista: “São trechos de uma grande existência de poucos anos”.
Dirige-se também a Alberto Rangel, desta vez para participar a sua ida para o Acre, com a frota de duas lanchas, um batelão e seis canoas, ancorada no igarapé de São Raimundo. Não se esquece do Rio Negro: “Nunca imaginei que este rio morto, escondesse, traiçoeiramente, ondas tão desabridas”. Vale dizer que a expressão “rio morto”, dada ao Negro, é bem antiga em nossa bibliografia, figurando no livro de viagem do casal Agassiz e repontando na carta de Euclides por lhe ser familiar a literatura estrangeira sobre o Amazonas. A 5 de abril parte para as nascentes do Purus. Chega a 15 de maio em Boca do Acre, e a 25, na foz do Chandless. A 3 de junho no Curanja, rio fronteiriço, verifica-se o episódio do seu simbólico protesto contra a ausência da bandeira brasileira.

Tremendamente nervoso, deveria ter sentido, nessa viagem, os mais fortes choques. E alucinações visuais e auditivas, tal era a solidão. Depois de trinta anos, recorda um dos seus companheiros:  Euclides, após as observações astronômicas, “ouvia e via, à noite”... um vulto de mulher, nada amorosa, porém, muito sublime, a chamá-lo. Apresentava-se vestida elegantemente tendo na cabeça uma espécie de barrete, a semelhança da figura com que simbolizamos a República, a dizer-lhe sempre: Olhe!.
As impressões e apontamentos da sua viagem podem ser lidos nos livros A margem da história e Contrastes e confrontos. Sendo que os resultados técnicos dos seus estudos estão enfeixados no Relatório apresentado ao Itamarati e na sua obra Peru versus Bolívia. Em 23 de outubro [1905] regressa a Manaus, onde, dias depois, publica um relato da expedição para o público amazonense nas páginas do Jornal do Commercio, documento que vem a ser mais tarde estampado em vários órgãos cariocas.

Em dezembro, finalmente, encerra a sua missão oficial no Amazonas. Lavrada a ata de encerramento dos trabalhos, deixa a nossa cidade. A Amazônia continuou, porém, a preocupar-lhe o espírito. Querem a sua volta. Oferecem-lhe os cargos de prefeito do Acre e de inspetor da Madeira-Mamoré. Rejeita a ambos, pois estava empenhado em escrever outro livro-vingança, do porte de Os Sertões, sua obra imortal.
Quando se aproxima tragicamente a morte, Euclides se ocupava em dar aumentos (sic) de Lógica e em rever as provas tipográficas de seu livro póstumo – A margem da História –, editado em Portugal, onde se encontram as mais cores expressivas páginas escritas sobre o Amazonas.

REVISTA DA UBE/AM (2)



A Revista da UBE (União Brasileira de Escritores), seção do Amazonas, circulada em maio de 1983, ilustra sua capa com o trabalho de dois saudosos artistas plásticos: Moacir Andrade e Áureo Melo. Expressam suas habilidades como cartunistas, expondo notórios personagens de nossa história.


O mais avultado foi o fundador do jornal A Crítica, Umberto Calderaro, revelado pela pena de Áureo Melo. Na tira inferior, vê-se a partir da esquerda: 1) Moacir expõe o Áureo, que elabora as demais, sendo 2) Moacir Andrade; 3) Jayme Pereira (presidente da UBE/AM); 4) Borges (será o argentino Jorge?) e 5) Jorge Tufic.