CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

sexta-feira, novembro 28, 2014

PADRE NONATO PINHEIRO | 1


Padre Nonato Pinheiro

No próximo dia 7 de dezembro, véspera do Dia da Padroeira do Amazonas, completam-se 20 anos do falecimento do padre Raimundo Nonato Pinheiro. Em sua homenagem, pretendo postar algumas matérias sobre este versátil homem de letras, que pontificou sobremodo como intelectual, e quase nada do exercício sacerdotal, posto que foi impedido por longo período, os últimos de sua vida, dessa atividade. 

Também proponho-me a relembrar sua participação na seara cultural, ele que integrou ativamente dois dos maiores grêmios culturais amazonenses: Academia Amazonense de Letras e Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas.

Nascido em 1922, ingressou na Casa de Adriano Jorge, onde exerceu por anos a secretaria-geral, aos 27 anos, tornando-se um dos mais jovens a assumir uma Cadeira acadêmica amazonense. Mais jovens dois fundadores, Nunes Pereira e, sem que haja comprovação, Odilon Lima, aos 21 anos.
Nessa condição, manteve-se na Academia por 44 anos, idade abaixo para ter seu nome inscrito no painel dos imortais cinquentenários. 

Sua produção literária tem duas vertentes: o único livro que escreveu, biografando Dom João da Mata, que foi bispo desta Terra. E pode-se assinalar um opúsculo mais, sem muita categoria. Entretanto, sua marca excepcional foi nos jornais de Manaus, acredito que ele escreveu em todos os periódicos, incluindo revistas, durante longo tempo. Em tempo integral, utilizando a “aposentada” máquina de escrever.

Certa festa, comprometi-me a sacar dos jornais em arquivo o trabalho de Nonato Pinheiro. Não devo ter alcançado a metade de sua obra, mas que já proporciona substância para edição de livros, movimento que a Academia podia lançar em homenagem a esse Acadêmico.  

Transcrevo abaixo uma breve opinião de DANILO DU SILVA, intitulado

NOVO FILÓLOGO DA AMAZÔNIA (*)


Exegeta da expressão vernácula da pátria imortal de um Camilo Castelo Branco, ou de um Luís de Camões, aí o temos — considerando-se exato julgamento deste observador comum — no seu mais aurifulgente ciclo de produção literária, em que as ideias escachoam da mente fértil; mente que, vigorosa, argamassa pensamentos vivos.

Trata-se do Sr. Raimundo Nonato Pinheiro, ou, como queiram os leitores, do padre Nonato Pinheiro. 

Inquestionavelmente, nesta oportunidade jornalística, estamos diante de um cidadão de alto gabarito intelectual da grandiosa bacia potamográfica do mundo, que é distinguido como um dos maiores filólogos já nascidos nesta região, e que faz, do saber, culto à imortalidade.

Filho de Raimundo Nonato Pinheiro e de Dona Diana de Macêdo Pinheiro — ambos falecidos —, nasceu o nosso entrevistado nesta Manaus, no dia 10 de maio de 1922. Talhado para as coisas que dizem respeito à intelectualidade, no termo universal de conhecimentos humanos, desde menino Nonato Pinheiro revelou gosto às Artes em geral. Fez o curso primário na escola de sua genitora, com brilhantismo; matriculando-se a seguir no Colégio Dom Bosco, onde cursou humanidades, também com louvor, tendo concluído o Ginásio em 1938.

Nonato Pinheiro realizou estudos superiores nos Seminários de Belém e São Luís do Maranhão. Ordenou-se sacerdote no dia 27 de outubro de 1946, retornando a esta Capital para as práticas religiosas.

Prosador e poeta de grande clientela, é membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico do Amazonas.
 
(*) publicado em O Jornal, de 21 mar. 1965

domingo, novembro 23, 2014

BAIXO AMAZONAS PROVINCIAL



As gravuras que ilustram esta postagem mostram os municípios de Itacoatiara, Parintins e Urucurituba, em 1883. Foram realizadas por Antonio Lopes Mendes e reveladas no Boletim de Ciências Humanas, v.9 n.2 maio/agosto de 2014, do Museu Emílio Goeldi (PA).

Itacoatiara (acima) outros municípios (abaixo)


sábado, novembro 22, 2014

CLUBE DA MADRUGADA - SESSENTANOS


Armando de Menezes, Astrid Cabral e Zemaria Pinto

O sexagésimo aniversário do Clube da Madrugada ocorreu hoje, e sucedeu exatamente na Academia Amazonense de Letras, levando-se em consideração que foi a única solenidade deste dia. A mesma entidade cultural que, nos primeiros dias do CM e com registro no Manifesto, fora defenestrada, repulsada, acusada da inércia de seus quadros, pelos jovens madrugadenses.
  

Ninguém se lembrou da praça da Polícia e do Mulateiro, pois, quem sabe uma reunião no local da fundação, junto à placa comemorativa, seria uma ótima sugestão. A manhã esteve mais para se conservar na cama, devido a temperatura reduzida pela ameaça de chuvas. O próprio tempo, portanto, colaborava com a efeméride.

A Casa de Adriano Jorge, sob a presidência do acadêmico Armando de Menezes, teve a iniciativa dessa comemoração, que se estendeu por todo este mês. A coordenação geral deste programa coube ao diretor de Eventos, acadêmico Zemaria Pinto, que proferiu a palestre de hoje, tratando da Poesia no Madrugada.

Alencar e Silva
Experiente, conhecido poeta, Zemaria Pinto discorreu com brevidade, mas com solidez sobre as gerações deste movimento. Dos fundadores, ainda produzindo, foi lembrado o poeta Jorge Tufic. Passaram pelo inventário do palestrante, entre tantos, os nomes de Antístenes Pinto, Alencar e Silva, Farias de Carvalho, Moacir Andrade, L. Ruas, Luiz Bacellar, do primeiro tempo. 



Tomo a liberdade de acrescentar o nome de Djalma Passos, lembrando que Jorge Tufic, em seu livro sobre os 30 anos do Madrugada, registra o nome deste poeta. Talvez a atividade política de Passos, como deputado federal, o tenha afastado da cidade e dos atuantes membros do clube.
 
Almir Diniz
Também foram citados os sucessores, sem a intenção de encerrar a listagem, Zemaria Pinto, um dos incluídos, mencionou Alcides Werk, Max Carphentier, Astrid Cabral (presente à sessão), Elson Farias, Anibal Beça, Anísio Mello, Aldisio Filgueiras. Lembrou, em especial, o nome do vice-presidente da Casa, Almir Diniz, que não pertenceu ao CM, mas que tem idade para ter sido um dos fundadores, mas que não esteve no palco.  Diniz justifica tal ausência pela sua condição, à época, de repórter de O Jornal, cujo trabalho o obrigava a “entrar pela madrugada”. Desse modo, não teve tempo para juntar-se aos clubistas.


A sessão teve ainda a participação do músico e arranjador Maury Marques que, com o banquinho e o violão, mostrou o arranjo que elaborou para diversas composições poéticas. Este trabalho foi realizado em parceria com o diretor de Eventos, que assinou os comentários sobre os poemas escolhidos. Tudo caminhava para o lançamento do CD Lira da Madrugada, com a mencionada obra, porém a empresa gravadora não concluiu o serviço. Ficou para uma breve oportunidade.

O comparecimento dos membros do silogeu amazonense foi reduzido, além dos citados (presidente e diretor de Eventos), estiveram presentes Max Carphentier, Astrid Cabral, Marilene Corrêa e Renan Freitas Pinto. A plateia, no entanto, correspondeu em número respeitável, tanto assim, que o Presidente, emocionado, ao fechar a sessão manifestou sua satisfação pela presença do grande público.

Assim, pois, até os SETENTANOS do Clube da Madrugada.
Vou estar presente! Assim espero, assim seja.