CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

domingo, novembro 14, 2010

POLÍCIA MILITAR DO AMAZONAS (XV)

Zuavo, protetor do Quartel
da Praça da Polícia
Em 20 de junho de 1893, o governador do Amazonas, Eduardo Gonçalves Ribeiro, recebeu do comandante do Batalhão Militar de Segurança (hoje Polícia Militar), major Raymundo Affonso de Carvalho, o relatório seguinte.

É conveniente esclarecer que a Polícia Militar já ocupava o quartel da Praça da Polícia, mas este ainda não possuia a dimensão que conhecemos. A reforma, com a ampliação, ocorreu em 1895.
Affonso de Carvalho, depois coronel, foi eleito deputado estadual e, nessa condição, presidiu a Assembleia Legislativa. Quando Constantino Nery renunciou ao mandato, em 1907, Carvalho assumiu o governo do Estado, concluindo o período.

Ascendeu na caserna apoiando ao governador Eduardo Ribeiro e, na política, atrelado ao partido dos irmãos Nery. Nasceu no Ceará e morreu no Rio de Janeiro.

Dr. Eduardo G. Ribeiro, Governador deste Estado

Em obediência ao que determinastes em oficio circular de 4 de maio próximo findo, vou relatar-vos detalhadamente todo o ocorrido neste Batalhão de 1º de junho do ano passado até a presente data.
Comando do Batalhão: No dia 1º de junho do ano próximo findo tendo de tomar parte nas sessões do Congresso Legislativo deste Estado o tenente-coronel Raymundo de Amorim Figueira, comandante deste Batalhão, assumiu interinamente esse exercício, na mesma data, o major adido Carlos Cardoso Fernando de Sá, então comandante da Companhia de Bombeiros, que deixou tais funções interinas a 18 de agosto, entregando a mim o referido comando, que, na qualidade de major do Batalhão, fiquei exercendo-o interinamente, até o dia 7 de novembro, data em que apresentou-se o tenente-coronel Figueira, que assumiu o exercício de seu cargo.
No dia 9 de março [1893] do corrente ano assumi de novo o comando interino do Batalhão, por ter seguido para a Capital Federal, em comissão do Governo, o referido tenente-coronel comandante.
Demissões, nomeações e promoções de oficiais: Por ato desse governo, de 26 de setembro [1892] do ano findo, foi dispensado do cargo de alferes o ex-cadete do Exército, Rosselino Belleza, que servia em comissão.
Em data de 2 de janeiro do corrente ano foi também dispensado do cargo de alferes, o cidadão Roberto Mendes Pereira, por conveniência do serviço, conforme propôs este comando; e, por ato de 5 de março último, foi dispensado do cargo de capitão-ajudante deste Batalhão o cidadão Luthegardes Aureliano Poggi de Figueiredo.
A 14 de janeiro do corrente ano foram promovidos em comissão, ao posto de alferes, o sargento quartel-mestre Hermógenes Conrado Avelino e o 2º sargento Ricardo Vicente Cluny, ambos em atenção aos serviços relevantes que prestaram a causa pública a 30 de dezembro último e a 1º e 2 de janeiro do corrente ano, por ocasião da tentativa de sedição operada dentro e fora do quartel deste batalhão, por políticos desorientados e ambiciosos.
Por ato de 27 de março foi promovido ao posto de capitão-ajudante o tenente Nuno Nery da Fonseca, e ao de tenente o alferes Evaldo Rodrigues França Leite.
Por ato de 16 de maio próximo findo foi promovido ao posto de alferes, em comissão, o sargento-ajudante Manoel Ferreira Gomes Evangelista.
Disciplina: A disciplina do Batalhão tem sido mantida em toda a sua plenitude. Os fatos de indisciplina, raras vezes registrados no Batalhão, têm sido punidos conforme a sua gravidade, dentro da esfera traçada pelo Regulamento em vigor, que na parte puramente disciplinar, como criminal, abrange todas as infrações e delitos suscetíveis.
Além dos crimes de deserção, somente torna-se notório o de insubordinação em que incorreram os ex-sargentos Manoel Guedes Monteiro, João Francisco Pacote, Candido Serpa, Eurico Coutinho Canavarro e o ex-cabo de esquadra Francisco Guedes Monteiro, os quais foram devidamente punidos por sentença do Conselho Criminal a que responderam, e acham-se cumprindo as penas que lhes foram impostas.

Aqueles oficiais inferiores, aliciados por um capitão do Exército e pelos chefes de um partido sem orientação patriótica, nutrindo sanguinolentos projetos contra seus superiores, prepararam-se traiçoeiramente para dar auxílio a uma sedição intentada com o fim de depor o governo deste Estado, sedição que, felizmente, foi abortada no dia 30 de dezembro do ano findo, véspera do dia em que estava detalhado, pelos inimigos da ordem, segundo os depoimentos dos seus cúmplices, para a referida deposição.
Este fato, vulgarizado em todo o País, é bastante conhecido por vós; portanto, julgo desnecessário relatá-lo circunstancialmente.
Armamento: O batalhão acha-se armado com carabinas a Comblain. Entretanto, o número dessas armas existente em carga ainda não é suficiente, e por isso torna-se necessário o fornecimento de mais 200 armamentos completos, desse sistema.
O armamento Westey Richards acha-se completamente imprestável. Há também em arrecadação armas do sistema Winchester.
Munições: Há em arrecadação munições dos sistemas Westtey Richards, Comblain e Winchester. É necessário maior fornecimento de munição a Comblain.
Fardamento: Existe em arrecadação o necessário para pagamento das praças no exercício corrente.
Música [Banda de]: Após grandes dificuldades está, finalmente, organizada a banda de música do Batalhão, que promete atingir muito breve a grandes proporções.
Quartel da Polícia Militar, fundos, 2002
Rancho: Tem funcionado regularmente, sendo designado mensalmente um oficial subalterno para servir de Agente. Entretanto, não há ainda compartimentos apropriados para satisfazer as todas as necessidades de modo que está servindo provisoriamente de arrecadação de gêneros, refeitório e cozinha, um alpendre coberto de zinco, que fica completamente inundado nos dias chuvosos e não oferece acomodação alguma para os fins a que está sendo aplicado.
Quartel do Batalhão: Desde 1890 acha-se o Batalhão aquartelado no edifício sito à praça da Constituição, antigamente denominada de 28 de Setembro. No pavimento inferior do edifício funcionava o antigo Tesouro Provincial e no superior a Secretaria e Paço da antiga Assembléia Provincial que ficou servindo ultimamente para as reuniões do Congresso Constituinte. Atualmente o Batalhão ocupa os pavimentos superior e inferior.
São necessárias algumas modificações para que o edifício fique apropriado para o aquartelamento provisório do Batalhão, por quanto se ressente da falta de compartimentos para a escola regimental, aula de música, arrecadação de gêneros, refeitório e cozinha etc.

O barracão construído no flanco direito do Quartel, destinado a acomodar voluntários agenciados para o Batalhão, está servindo provisoriamente para os ensaios de música.
Piquete de Cavalaria: Existem 30 cavalos, inclusive os da montada do comandante, do fiscal e do ajudante. As baias onde permanecem os cavalos ficam no fundo do prédio deste quartel, em um local acanhado, que só provisoriamente pode servir para esse fim. Seria assaz conveniente destinar outra acomodação para aquartelamento do piquete e baias.
Instrução Militar: Os oficiais e praças do Batalhão exercitam-se, sempre que o serviço permite, pelo método moderníssimo adotado para a arma de infantaria do nosso Exército. Seria melhormente ministrada a instrução neste Batalhão se não fora o grande número de destacamentos e diligências em que são freqüentemente detidas muitas praças.
Vencimentos dos oficiais: Os que percebem os oficiais deste Batalhão são assaz insuficientes para as suas subsistências, em qualquer época, máxime agora, com a considerável carestia de todos os gêneros necessários.
Submeto a vossa apreciação a respectiva tabela a esta anexa, extraída da dos Oficiais do Exército, com algumas modificações que julguei econômicas.

Quartel em Manaus, 3 de junho de 1893
Raymundo Affonso de Carvalho, major comandante interino

sábado, novembro 13, 2010

Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas

Na noite de ontem, o Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (Igha) deu posse a duas sócias efetivas: Veralucia Ferreira e Jane Clotilde. As duas novas associadas são museólogas e, outra coincidência, chegadas em Manaus há mais de 30 anos.

Vera Ferreira, de posse
do diploma

Vera (como é conhecida) nasceu em Feira de Santana (BA) e Jane veio de Porto Alegre (RS). Por força da formação acadêmica, sempre estiveram envolvidas com a organização e a revitalização de museus. Assim, pode-se afirmar que elas são as “progenitoras” de todos os atuais museus de Manaus.

A caminhada começou no próprio Igha, confessaram as duas novas associadas ao discursar na sessão, foi na vetusta Casa de Bernardo Ramos que ensaiaram seus conhecimentos técnicos. Depois, com o apoio do atual secretário de Cultura, então presidente da agremiação, cresceram, aprimorando a arte, e dessa maneira projetaram os museus da cidade.

Jane Clotilde, ao ser diplomada
A sessão foi conduzida pelo presidente Geraldo dos Anjos e pela secretária Marita Monteiro; a saudação do silogeu, entretanto, foi proferida pelo associado Antonio Loureiro, devido a impossibilidade do orador oficial. Vera Ferreira ocupa a cadeira 29, patronada por Johann Von Spix; Jane Clotilde, a cadeira 11, cujo patrono é o barão de Sant´ana Nery.

Ao final da assembleia, o presidente conduziu um “parabéns pra você”, para homenagear dona Francisca (Chiquinha), que há mais de 40 anos, de seus 86 ontem contados, zela com dedicação pelo prédio do Igha.

Em seguida, a Casa abriu o salão de recepção, onde uma farta mesa de doces e salgados e bebidas reconfortou aos poucos presentes, contados apenas oito sócios.

sexta-feira, novembro 12, 2010

NOSSO ENCONTRO

Há dias, vinha matutando nessa homenagem a Baby Rizatto, pelo seu aniversário. Para complicar, recorri aos sites e outros recursos deinformações; fui à internet. Acabei por me perder. São tantas as informações, melhor, quantos já disseram tanto sobre uma das fundadoras da TV no Amazonas. Penso eu que falei demais.

Vou evitar as datas, para não cometer um pecado mortal: indicar ou sugerir a idade de uma dama, e porque sei que a Baby não revela a sua por nada. Ao contrario, tenta inverter a roda do tempo.

Conheci a Baby no Palácio Rio Negro, ocasião em que ela dirigia o Cerimonial do governo Gilberto Mestrinho (1983-1987). Eu estava ali na condição de subchefe da Casa Militar. A dedicação e a competência com que conduzia aquela repartição impressionavam, sua maneira decidida e enfática, entretanto, produzia desagrados. Coisa de funcionário público, quase sempre reclamando do serviço e da remuneração.

Herculano e Baby, 1956

Fuçando nos arquivos públicos, recolhi algumas preciosidades sobre a aniversariante. E assim, conheci melhor sua ataução na arte do jornalismo. Alguns achados já os revelei a ela, outras vão breve ao espaço. Perdão pelo Castro e Costa do recorte. Grande Herculano.

Sobre a coluna Sempre às Quintas, de Baby Castro e Costa, o editorialista assegurava que a colunista era uma pessoa de nossa família, construida pela disciplina do trabalho, pelo compromisso do dever profissional e pela força da compreensão e do afeto. Encerrou com estas palavras mágicas: Baby era "a garota que parece ter um tigre no motor..."
Parabéns, Baby, e quando será mesmo a sua primeira comunhão? Sucesso em todas as dimensões pela data.

Espaço Cultural VII


A Prefeitura de Manaus por meio da Fundação Municipal de Cultura e Artes - MANAUSCULT promove a I Virada Cultural da Região Norte e leva à população de Manaus diversos segmentos da arte. Os palcos principais serão instalados na Praça da Saudade, Praça do Eldorado, Parque dos Bilhares, Estrada da Ponta e Jorge Teixeira.
A Virada ocorre uma vez por ano e tem como objetivo promover cultura e arte pela cidade durante 24 horas ininterruptas. Vários tipos de eventos culturais como espetáculos musicais, peças de teatro, exposição de artes, esporte, gastronomia entre outros acontecem em diferentes pontos da cidade.


A Virada não terá apenas Música, haverá espetáculos para todos os gostos. Para melhor orientação, consulte http://www.viradamanaus.com.br/