CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

quinta-feira, janeiro 04, 2018

CORONEL NEPER ALENCAR

O centenário de nascimento do coronel Neper da Silveira Alencar aproxima-se, acontecerá em junho, dentro seis meses. Acabo de me envolver numa 
homenagem que o Museu Tiradentes no Palacete Provincial organiza para relembrar o saudoso amigo e chefe. Para isso, reescrevi um surrado texto já aqui postado (29 agosto 2011).

Neper da Silveira Alencar, coronel da Polícia Militar do Amazonas, nasceu em Manaus a 6 de junho de 1918 e aqui morreu em 7 de março de 1994, estando sepultado no cemitério de São João Batista. Era filho do professor Abílio de Barros Alencar, “cuja inclinação deste era pelo magistério, ensinando matemática”, e de Judith da Silveira Alencar. Após concluir o ensino médio em Manaus, frequentou com êxito o curso de infantaria do Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR), em Belém (PA), no ano de 1940.

De regresso a capital amazonense, ingressou com o posto de 2º tenente na Polícia Militar estadual, por decreto de 30 de junho de 1941. Acredito que foi o primeiro oficial R/2 a ingressar nos quadros da PMAM. Quando no posto de tenente-coronel, assumiu o comando da corporação, sendo em 1955, nomeado chefe da Casa Militar do governador Plínio Coelho.

Retornando ao quartel da Praça da Polícia, durante o Governo Militar, e como oficial mais antigo esteve secundando o comandante-geral até que, em 9 de 
junho de 1969, foi criada a chefia do Estado-Maior. Foi empossado neste cargo, 
em 9 de outubro, após sua promoção ao posto de coronel. Possui o mérito de ter sido o primeiro coronel na ativa, pois, até então, este posto era privativo de oficial da reserva.

Homem de educação esmerada, distinguia-se pela fidalguia com que tratava tanto seus companheiros quanto os inúmeros amigos. Alcançou relevância na Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP), quando ali frequentou o Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais (CAO), em 1972.

Igualmente desportista, esteve vinculado ao Nacional Futebol Clube e, nesta condição, prestou colaboração ao Palmeiras paulista. Agraciado com um número expressivo de condecorações, 35 no total, tanto  de entidades militares, quanto de civis, destacam-se as seguintes: Ordem dos Cavaleiros da Concórdia (Cavaleiro), do Poder Judiciário de São Paulo; Grã Cruz da Ordem do Mérito Cultural do Estado de São Paulo; Tempo de Serviço (ouro) da PMAM; Medalha Tiradentes das Polícias Militares do Amazonas, do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e de São Paulo; Medalha da Sociedade de Veteranos de 32 (Revolução Constitucionalista), de São Paulo; Grã Cruz do Mérito, do Exército Brasileiro. 

Deixou ampla descendência. Seu nome, por projeto do deputado José Cavalcanti (coronel da reserva), sancionado pela Assembleia Legislativa do Estado, foi consagrado como patrono da Academia de Polícia, criada na corporação e em 
pleno funcionamento.

quarta-feira, janeiro 03, 2018

CLUBE DOS SARGENTOS PMAM

Capa do exemplar
Ao tempo, os membros de organizações militares e auxiliares ao se agregarem para fins diversos, adotaram a denominação de clube, e assim prosseguiram até que a legislação pátria estabeleceu em contrário. Na Polícia Militar do Amazonas (PMAM), o Clube do Oficiais nasceu em 1953, o dos Sargentos, dez anos depois, às vésperas da instalação do Governo Militar. E o dos Cabos e Soldados, ainda mais adiante, em 1985. Em nossos dias, subordinados aos ditames da legislação nacional, intitulam-se Associação.

A postagem não tem o condão de narrar a trajetória da Associação dos Sargentos e afins, para isso existe um site corporativo, apenas pontuar alguns fatos. Lembro-me que o clube teve uma sede (a primeira?) situada na rua Major Gabriel, entre as ruas Dr. Machado e a Leonardo Malcher. E mais, que seu presidente era o sargento Elesbão Pereira Cordeiro (genitor do coronel Euler Carlos Cordeiro).

A motivação deste post veio do Estatuto aprovado em 1979, substituindo, creio, ao original. A presidência era exercida pelo sargento José Paulo Ferreira e o diploma legal foi elaborado pelo associado Castriciano Gomes de Castro Alves. Sargento Paulo foi presidente por alguns mandatos e não escondia sua participação em partido político, no caso o PSDB, que não se constituía infração.

ST Castriciano, nome excêntrico, oriundo da Paraíba, marcou sua passagem pela corporação, tanto pelo valor intelectual, quanto pela “danada da cachaça” que o vitimou. Poderia ter ido mais longe. Atento, todavia, para sua participação na área administrativa, onde pode usar seus recursos cerebrais. Escrevia bem e até versejava. Disposto no Arquivo da Força, bem mais cuidado que o atual, então subordinado ao Ajudante-geral, prestou bons serviços que desconheço se foi compensado.

Ao rever seu nome grifado neste exemplar de Estatuto, como agradecimento da diretoria, não tive dúvidas, vou iniciar uma busca pelos alfarrábios legados, a fim de encontrar seus descendentes. Vou ao Clube, ops, à Associação e a Amazonprev. Que Deus me ajude!

Abaixo, tópicos do derrogado Estatuto.

ESTATUTO DO CLUBE
DOS SUBTENENTES E SARGENTOS
DA POLÍCIA MILITAR DO AMAZONAS

Considerado de utilidade pública pelo Decreto Estadual nº 611, de 13 de julho de 1966, de acordo com Art. nº 86 de 4 de dezembro de 1963.

Parte Geral
Art. 1º – O Clube dos Subtenentes e Sargentos da Polícia Militar do Amazonas, fundado em 28 de março de 1964, é uma entidade de caráter sociocultural, recreativo e esportivo, organizado pelo regime das sociedades civis, com duração ilimitada e ilimitado número de sócios.
Art. 2º – O Clube dos Subtenentes e Sargentos da Polícia Militar do Amazonas, com personalidade jurídica reconhecida, com sede foro na cidade de Manaus, Estado do Amazonas, constitui-se de Subtenentes e Sargentos da Polícia Militar do Amazonas, podendo aceitar em seu quadro social os Suboficiais, Subtenentes e Sargentos das Forças Armadas e civis de honorabilidade comprovada, desde que sejam brasileiros, sem distinção de cor, crença religiosa ou facção política legalizada, e será representada em Juízo e fora dele pelo seu Presidente. (...)

Das Disposições Gerais
Art. 84 – Serão adotados no Cube, um Escudo e um Pavilhão Social, idealizados por um dos sócios.
§ 1º – Durante as sessões das Assembleias-Gerais, o Pavilhão será hasteado.
§ 2º – Nos dias de festas nacionais, de aniversário da Policia Militar do Amazonas, hastear-se-á o Pavilhão ao lado da Bandeira Nacional, sendo, que no dia 19 de novembro será hasteado no horário previsto no Regulamento Militar.
§ 3º – Será também hasteado, à meia verga em sinal de pesar pelo falecimento de um dos membros da Entidade, ou quando um evento justificar esta medida.
Art. 85 – O capital do Departamento Financeiro, será depositado no Banco do Estado do Amazonas, em conta corrente, em casos de movimentação do capital será feita pelo Tesoureiro, mediante o visto do Presidente.
Parágrafo único – Após empossada a nova Diretoria, o presidente enviará ao Estabelecimento em que o Clube tenha conta corrente, uma relação nominal dos Diretores, o seu autógrafo e do Tesoureiro. (...)
Art. 88 – Os casos omissos neste Estatuto, serão resolvidos pela Diretoria, e, quando escaparem a sua alçada, pela reunião da Diretoria e o Conselho Deliberativo, em última instância pela Assembleia-Geral.
Art. 89 – Este Estatuto entrará em vigor na data de sua publicação em Diário Oficial, ficando revogado o anterior.
Manaus, 14 de julho de 1979

Este Estatuto foi elaborado pelo associado CASTRICIANO [GOMES] CASTRO ALVES e revisado pela Comissão abaixo:

José Paulo Ferreira — Presidente
Antônio da Costa Franco — Membro
Roberto Hayden de Farias — Membro
Francisco Belmiro da Silva — Membro


O presente Estatuto foi aprovado pela Assembleia-Geral realizada dia 14 de julho de 1979.  

terça-feira, janeiro 02, 2018

CENTENÁRIO DE GENESINO BRAGA

Autor recebendo o prêmio de
Ursulita Alfaia, filha de
Genesino Braga
Formalizando o registro postado, estou iniciando a divulgação do meu trabalho premiado pela Academia Amazonense de Letras, vencido por ocasião do centenário de nascimento do saudoso acadêmico, cronista e memorialista Genesino Braga (1906-88). Sem olvidar seu esforço na consolidação da Biblioteca Pública. 

A Amazônia: há cem anos

As cidades de Manaus e de Santarém guardam certas peculiaridades entre si. Como todas as cidades regionais, estão chantadas à margem de rios, aqui o Negro, ali o Tapajós, ambos tributários do rio Amazonas, que as enlaça e, ao mesmo tempo, as distancia. Em tempos mais remotos, os desbravadores e os viajantes foram os mesmos que, singrando o curso natural das águas, visitaram suas sedes. Tem mais. Entre outras similitudes, durante largo período integraram a desmesurada província do Grão-Pará. Enfim, a presença de destacadas personagens da história amazônica, as quais, transitando pelas águas do rio mar, aproximaram bem mais estas cidades.

O trânsito fluvial teve início no período colonial. Arthur Reis ensina que, em 1626, Pedro Teixeira, à frente de uma tropa de Resgates, subiu o Amazonas, passando pelas localidades que um dia abrigariam essas mencionadas cidades. Outro personagem marcante é Francisco da Mota Falcão, que construiu os fortins de ambas as cidades. Mais adiante, Francisco Xavier de Mendonça Furtado veio governar a Amazônia, em 1751. Em 24 de outubro de 1848, Manaus e Santarém receberam o título de cidade. Ambas as cidades foram visitadas pelos cientistas Martius e Von Spix; assim como Alfred Russell Wallace e Henry Walter Bates e pelo brasileiro João Barbosa Rodrigues.

Placa comemorativa  entregue na Academia de Letras
A conquista espiritual da Amazônia alcançou o Amazonas, após autonomia do bispado do Pará, no final do século XIX. A prelazia de Santarém foi implantada somente em 10 de janeiro de 1907, quando tomou posse dom Amando Bahlmann, da ordem franciscana, que dirigiu seu rebanho por trinta anos.
Na virada do século XX, a existência amazônica se modifica, em função da exploração da borracha. Não se pode afirmar que todos os recantos da Amazônia receberam os benefícios econômicos, os mais abundantes que a seiva da seringueira derramou sobre o território. Não. Neste sentido, apenas as capitais do Pará e do Amazonas foram bem mais afortunadas, conhecidas não apenas pelos relatos acadêmicos e governamentais, melhor ainda pelos restos mortais de obras fincadas nestes territórios. Entretanto, algumas poucas cidades do interior receberam sua cota de participação. São exemplos: Sena Madureira, no Acre, que o acadêmico Antônio Loureiro descreveu com propriedade; e Santarém, que baliza o meio do caminho entre as principais capitais amazônicas, na embocadura do rio Tapajós. A importância estratégica desta cidade segue ressaltada sempre que se descortina a ideia de implantar novo Estado na região paraense.

Àquele tempo, a evolução da cidade de Santarém podia ser descrita pela consecução de medidas de caráter administrativo. Em 1900, em 31 de maio, foi inaugurado o Grupo Escolar de Santarém, por ser o primeiro levava apenas o nome do município. Nesta unidade de ensino eram ministrados os conhecimentos básicos, o Grupo preparava o educando para o ginásio (correspondente ao atual segundo grau), alcançado mediante o Exame de Admissão. Este estabelecimento ainda existe, mas teve sua denominação alterada para Frei Ambrosio.


Ao tempo do nascimento de Genesino, governava o estado do Pará, Augusto Montenegro, em dois mandatos sucessivos que se prolongaram até 1909; no entanto, a figura mais emblemática da época foi o Intendente Antonio Lemos, que administrou a cidade de Belém por mais de um decênio (1897-1908). No Amazonas, era governador, Constantino Nery (1904-07), e prefeito de Manaus, Adolpho Lisboa.  Administravam em temporada de finanças fartas sustentadas unicamente na exploração da borracha. Este período, estudiosos e saudosistas o denominam de belle époque.

segunda-feira, janeiro 01, 2018

PRIMEIRO DIA 2018


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