CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

sexta-feira, abril 02, 2010

Memorial Amazonense


ABRIL, 2



1923 – Ocorre no cinema Palais (RJ) o lançamento de No Paiz das Amazonas,  de Silvino Simões Santos Silva. Filme rodado no Amazonas em 1921. Silvino Santos, produtor, nasceu em Portugal, e emigrando para o Brasil, chega a Belém (PA). Após vários contratempos, conquista o apoio do empresário J. G. Araújo, em Manaus, o qual financia vasta produção de filmes. Silvino morre, em Manaus, há 40 anos (14 maio 1970).


1937 – Inaugurado o Patronato de Santa Terezinha, dirigido pelas Irmãs Salesianas, e presidido por Dom Pedro Massa. Hoje, intitulado de Centro Educacional Santa Terezinha.


1941 – Assume o comando da Força Policial, o major EB Gentil João Barbato. Barbato marcou seu comando por forte disciplina imposta na caserna, e respeitada fora dela.


1949 – Instalado em Manaus (AM) o Comando de Elementos de Fronteira, subordinado a 8.ª RM, sediada em Belém (PA). Sua criação deu origem ao atual Comando Militar da Amazônia. Em 1957, passou a Grupamento de Elementos de Fronteira (GEF), agora subordinado ao CMA, criado em 1958. Em 1960, passa ter o comando de general, com sede no Quartel da praça General Osório, hoje Colégio Militar de Manaus. Em nossos dias, o CMA encontra-se aquartelado na Ponta Negra.

DEU EM... A CRÍTICA


Apenas curiosidade, para amenizar a Sexta-feira santa. A maioria dos descritos já nos precederam, e como proclama a madre Igreja, com o sinal da fé.

A publicação ocorreu em 23 de outubro de 1958.  

EU E ELES... CÁ DA TERRA

Um leitor nos enviou os seguintes aforismas:

Eu tenho lebre e o Plínio Coelho
Eu chupo laranja e o Vivaldo Lima
Eu cultivo cravos e o Moacir Rosas
Eu sou dos diabos e o Rayol dos Santos
Eu tenho cabra e o Hemetério Cabrinha
Eu tenho bigode e o P. T. Barba
Eu nada valho e o Adalberto Valle
Eu tenho igapó e o Aldévio Praia
Eu vivo triste e o Dr. Contente
Eu sou doce e o Benedito Azedo
Eu vendo telhas e o Claudio Palhas
Eu sou terrestre e o Jauary Marinho
Eu leio Horácio e o Arthur Virgílio
Eu vou na boleia e o Alfredo Aguiar
Eu tenho onça e o Miranda Leão
Eu tenho filhos e o Ulisses Paes
Eu tenho ferro e o Antonio Madeira
Eu sou cá da terra e o José Forasteiro
Eu tenho frango e o Freitas Pinto
Eu tenho avenidas e o Padre Ruas
Eu tenho goiaba e a Terezinha Morango
Eu tenho cedro e o Wanderley Pinho
Eu tenho vila e o José Cidade
Eu sou malvado e o Ismael Benigno
Eu tenho xícara e o Josafá Pires
Eu sou das virgens e o Cabral dos Anjos
Eu sou prata grossa e o Francisco Orofino
Eu sou fino e o Barbosa Grosso
Eu falo mentira e o José Verdade
Eu sou barbado e o Manuel Barbuda
Eu sou grande mestre e o Gilberto Mestrinho
Eu tenho gravetos e o Óscar Ramos
Eu sou lobo e o Milton Cordeiro
Eu tenho cachorro e o Taumaturgo Lobo
Eu toco piano e o Bastos Lira
Eu tenho trapiche e o Arlindo Porto
Eu fico parado e o Almeron Caminha

quinta-feira, abril 01, 2010

À MEMÓRIA DE L. RUAS


O texto abaixo pertence ao presidente da Fundação Djalma Batista que, brilhante como sempre, nos lembra o desaparecimento do poeta e prosador no "Dia da mentira". Foi produzido para festejar o cinquentenário de lançamento da obra magna de L. Ruas - Aparição do clown.

José Seráfico

Era novembro, se bem me lembro. Freqüentávamos interessante curso de Chefia e Liderança, promovido pela Escola de Serviço Público do Amazonas – a ESPEA. Dentre os professores, sabíamos incluir-se um padre. Seu sobrenome, como a denunciar o compromisso com a causa comum, não o tornava vulgar: Ruas. Afinal, eu teria a oportunidade de encontrar pessoa de cuja existência já sabia, embora ignorasse sua vitoriosa incursão pela literatura.

Luiz Augusto de Lima Ruas, o padre e o poeta, o religioso e o homem do povo, já visitara meus ouvidos, mesmo antes de eu aqui desembarcar. Se a notícia chegou na voz do também poeta Elson Farias, visitante tantas vezes de Belém do Pará onde eu morava; ou se provinha da conversa sempre agradável de outro religioso, padre Diomar Ferreira – asseguro que não sei.

O que conta é o fato de estar ali, naquela sala de aula cheia de bons colegas e de muitas esperanças, travando contato com um professor de que já ouvira falar. E que ansiava por conhecer.

Outra não era a disciplina sobre a qual discorreria o padre Ruas, se não a Psicologia. Ninguém melhor que ele, preocupado com a vida e o destino dos que, clowns espalhados pelo Mundo, riem quando se impõe chorar, ostentam a face alegre em que se esconde a dor, fingem a felicidade que levam aos espectadores.

Ninguém melhor que o autor de Aparição do clown para ensinar àquela turma de aprendizes de administração, do qual o menos capacitado certamente seria eu. Com a grande vantagem para mim de, ao mesmo tempo aprender as lições de Sócrates que ele tão bem sabia transmitir, aproximar-me de figura humana excepcional.

Depois, encontros ocasionais me puseram frente à frente com Luiz Augusto Lima Ruas. O quanto bastou para admirá-lo, o que não tem qualquer originalidade, tantos os que se abeberaram em sua sabedoria e contemplaram seu fazer poético.

Fui, portanto, dos que beberam os vinhos suculentos dos doces frutos colhidos no pomar onde se agasalhavam as aves agoirentas do soneto. Como elas, vim de longe; jamais o olhei com desdém, nem o espiei de cima das árvores crescidas, porque os ventos quem os trouxe até mim foi ele, o poeta Luiz Ruas. Por eles, não houve naufrágio, antes viagem a bom porto.

Quando partiu para a infinitude do silêncio dilatado, a Luiz Augusto Lima Ruas não foi dado sequer o tempo de colher o fruto de seu canto. Tão cedo se foi, quando havia tanto a fazer – e a ensinar. Convenhamos que antes dos setenta anos deveria ser crime morrer.

Talvez sua missão já se tivesse cumprido. Quem o saberá?

Se a parca encerra em si mesma, além do luto e da dor dos que ficam, o simbolismo tão parco na mente dos sobreviventes, ela não nos terá poupado da coincidência com que às vezes se manifesta: Luiz Ruas, perseguido pelo golpe militar de 1964, deixou-nos na mesma data em que a ofensa cívica ocorrera – era primeiro de abril do último ano do século XX.

Pena que, nesse caso, não havia mentira. Luiz Augusto Lima Ruas partia para nunca mais.

Belém, 25 janeiro de 2009

L. RUAS: DEZ ANOS


Há dez anos, em 1º de abril, morria o padre-poeta Luiz Ruas, depois de suportar por quase uma década as sequelas de um AVC.

A partir de 2004, venho me empenhando em reacender uma luz sobre a imagem deste homem, deste poeta e prosador, de reconhecida importância para a literatura amazonense. Apoiado pelos amigos e ex-alunos dele, organizo uma programação que, no decurso deste mês, vai reverenciar sua memória.

A Semana Santa, em decorrência de sua liturgia própria, fez adiar a missa em sufrágio da alma de padre Ruas. Mas, haverá muitas oportunidades.


Quero homenageá-lo nesta data lembrando seu livro Linha d´Água, publicado no início de 1970. Quarenta anos passados. Este livro é "um livro legendário", assegura o poeta Elson Farias:

                                                                                  
                                                                                                                            O Jornal. Manaus, 15 Fev. 1970


Outro apreciador da performance literária de L. Ruas, assim se manifesta. Reproduzo a publicação do Suplemento literário do Jornal do Comércio, do Recife, encontrado em O Jornal (Manaus, 24 Jan. 1971). Ali, Pessoa de Morais, abordando uma série de livros editados pelo governo do Amazonas, destaca o volume Linha d´Água. Assegura o articulista: "Há, em L. Ruas, sem o menor exagero, sutilezas ou lampejos de pensamento que lembram a penetração filosófica  e psicológica de autores famosos".