CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

domingo, outubro 31, 2021

DIA DOS FINADOS (3)

Ainda ontem, as voltas com um resfriado impertinente, recebi de meu irmão Renato o soneto que compartilho. De outro modo, parei devido o estado de saúde a recuperação do jazigo (pode ser sepultura) da família LIMA MENDONÇA, situado no cemitério de São João Batista. Mas já foi um passo bem largo. 

De forma que o soneto Esperança tem a ver com o Dia de Finados, que se apresenta. 


A Esperança

Renato Mendonça 29.10.2021

 

Quem só espera, nunca alcança.

Isso é para os fracos, sem coragem.

Há que se adotar sempre a perseverança,

Para conseguir objetivos nessa dura viagem.

A esperança nunca morre! É uma eterna criança,

Que deseja uma rica prenda, feito uma miragem.

Ou um delírio que lhe traga almejada bonança.

Mas, é preciso força e fé para mudar essa imagem.

         Quando se fazemos adultos, não existe esse rito.

Vivemos apenas o agora, o momento fútil,

Tentando se desvencilhar do falso mito.

                 É preciso deixar Jesus reger nossa dança ao infinito,

        Para se chegar ao ápice do amor, o caminho fértil e útil;

        E se doar, servir ao nosso semelhante, como nos foi dito. 


Flores do cerrado em torno de Brasília



segunda-feira, outubro 25, 2021

ACERCA DE RAMAYANA(S)

A busca pelos ascendentes de Ramayana de Chevalier tem-me levado a repetir este nome onde me encontre. Foi num papo festivo, na noite de sexta-feira (21), que fui presenteado pelo autor deste texto expressivo, aqui compartilhado, sobre o distinto manauara. Agradeço a citação ao meu trabalho.

A publicação original de autoria de Pedro Lucas Lindoso ocorreu no Jornal do Commercio, edição de 6 de janeiro de 2015.

 

Detalhe da crônica de Pedro Lindoso, circulada no JC (6 jan. 2015)

Importante obra literária da Índia antiga, o Ramayana é um épico sânscrito atribuído ao poeta Valmiki. O belo texto tem profundo impacto na arte e na cultura da Índia. O poema Ramayama não se reduz a um simples monumento literário. É destaque na tradição do hinduísmo. A reverência é tal que o mero ato de lê-lo ou ouvir tem o poder de libertar os hindus do pecado. E mais. A sua leitura pode garantir todos os desejos do leitor ou de quem ouve o magnífico poema.

Um dos mais ilustres membros do IGHA (Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas), do qual tenho a honra de ser membro efetivo, foi o Dr. Ramayana de Chevalier. Imortalizado no IGHA onde têm sala com seu nome e outras honrarias, Chevalier foi médico e escritor. Produziu livros sobre a Amazônia e possuía destacada oratória.

Segundo Roberto Mendonça, outro nosso confrade no IGHA, Chevalier "graduou-se em medicina na Bahia, sem que exercesse a profissão, pois optou pelo jornalismo em sua forma mais abrangente, de redator contundente a polemista por vocação". Ramayana de Chevalier, que foi morar com a família no Rio de Janeiro, com certeza transmitiu essa verve, esse "savoire faire", a pelo menos dois de seus quatro filhos. Ronald de Chevalier e Scarlet Moon.

Ambos como o pai, jornalistas, polêmicos e de aguçada inteligência e sofisticação intelectual. Segundo conta Ruy Castro, no livro "Ela é Carioca", o economista Roniquito de Chevalier, irmão da jornalista Scarlet Moon, às vezes entrava num botequim e se anunciava: "Senhoras e senhores, aqui Ronald de Chevalier. Dentro de alguns minutos... Roniquito!". E tudo podia acontecer. Scarlet Moon foi casada com Lulu Santos por quase três décadas. Rita Lee escreveu a música "Scarlet Moeu", gravada por Lulu Santos para ela. Scarlet é citada na letra da canção "Língua" de Caetano Veloso.

Conheci pessoalmente outra filha de Ramayana, Barbara de Chevalier. Foi diretora de Eventos da Embratur, no início dos anos 90. Também brilhante como todos os Chevalier, foi minha dileta colega de trabalho. À época exercia o cargo de Procurador-Geral da Embratur.

O outro grande Ramayana foi meu tio avô Salim Daou. Assinava seus trabalhos jornalísticos com o pseudônimo de S.D. de Ramayana. “S”, provavelmente de Salim e “D” do sobrenome Daou. Também de inteligência sofisticada e personalidade cativante, Salim Daou, o Ramayana libanês, gaúcho, não ficou em Manaus. Seus irmãos Philippe Daou e José Daou ficaram por aqui. O primeiro, meu avô materno e o outro pai do Dr. Philippe Daou, presidente da Rede Amazônica de TV, primo de minha mãe, Amine Daou Lindoso.

A única irmã dos Daou sêniores, que também era Amine, seguiu com o marido para Nova Zelândia, do outro lado do mundo. Tio Salim, S.D. de Ramayana, publicava crônicas e poesias semanalmente no jornal Correio do Povo, de Porto Alegre. Também era responsável pelo noticiário do interior do Rio Grande do Sul. Tio Salim teve dois filhos com tia Maria: Salim Junior e Daniel.

Ramayana de Chevalier faleceu no Rio de Janeiro em 1973. S.D. de Ramayana, Salim Daou, em Porto Alegre, em 1986. Ambos, homens de letras, jornalistas, intelectuais brilhantes e de forte personalidade. Portavam esse peculiar e sonoro nome: Ramayana, nome de herói, de divindade. A Enciclopédia Britânica ensina que ramayana é uma encarnação de um deus, partícipe da Trindade no hinduísmo. O principal propósito da sua encarnação é demonstrar o caminho correto, que eles intitulam de dharma, na vida na Terra.

Ambos os Ramayana, tanto o Chevalier quanto o Salim mostraram um caminho, não só correto, mas cheio de sabedoria, de belos e inesquecíveis textos jornalísticos e literários. Ambos encantaram sobremaneira àqueles que tiveram o privilégio de conhecê-los e saborear de suas verves, seus escritos e ensinamentos.

sexta-feira, outubro 22, 2021

FAMÍLIA PAULA & SOUZA

Há cerca de dois meses recebi um “prêmio” por uma postagem deste Blog. A jovem Jael Souza consultou-me sobre a família Paula e Souza, que integra o sobrenome de Ramayana de Chevalier, e sobre a qual nenhum relevo foi oferecido. Também eu me penitencio desse blecaute, pois já efetuei algumas publicações sobre o saudoso amazonense. Todavia, reconheço que somente fucei o apelido paterno: Chevalier.


Ramayana de Chevalier (1958)

É hora, pois, de ressuscitar a vertente materna - Paula e Souza.

Inicio pelo médico, jornalista, oficial do Exército e da Polícia Militar do Amazonas e, sabem deuses, que ofícios além disso ele exercitou. Seu nome completo: Walmiki Ramayana Paula e Souza de Chevalier (filho de José Chevalier e Raymunda de Paula e Souza). A fim de apurar sua ascendência fui ao 1º cartório e retirei a certidão de nascimento dele; para minha surpresa, ele foi registrado aos 24 de setembro de 1909 como Walmiki de Souza Chevalier (foto).

Certidão de Nascimento, observar o nome
aqui registrado

De pronto, cabe a indagação: quando e como e quem sofisticou a espaçosa alcunha pela qual é conhecido o falecido acadêmico do Silogeu Amazonense? Não sei. Os caminhos para essa descoberta são exíguos e exigem engenhosas pisadas. Já dei o primeiro passo...

Sobre o genitor de Ramayana há vastas notícias, o contemporâneo Agnello Bittencourt dispôs páginas em seu Dicionário Amazonense de Biografias, outros dados estão catalogados na Academia Amazonense de Letras. Porém, Dona Raymunda (sic) foi contemplada com somente duas linhas no mesmo Dicionário, uma, em página dedicada às “falangiárias do ensino primário e Normal”; a segunda, indicando sucintamente o casamento com Chevalier.

Adiante adquiri a certidão de casamento de José e Raymunda. Nada interessante, somente o trivial: que ela possuía 24 anos, ao se casar em dezembro de 1908, nascida no Amazonas (todavia, onde?) e era filha de Raymundo Paula e Souza e Benta Alves de Souza. Consoante a parentela, o progenitor de Raymunda seria o criador desta linhagem no Amazonas, originário ele de Portugal. Que, de Manaus se aventurou no rio Japurá, vivendo em Porto Órion, atual município de Maraã; e trabalhando para Benjamin Affonso, no Porto Afonso situado na boca do Mamoriá, foz do rio Jutaí. Vários foram os filhos, que se espalharam pela hinterlândia.

Certidão de Casamento

Um de seus descendentes foi Tupinambá de Paula e Souza (1915-95), que foi deputado estadual e prefeito de Borba, além de oficial da PMAM e funcionário da Fazenda estadual. Sobre este Paula e Souza escrevo o próximo capítulo.

domingo, outubro 17, 2021

DO FUNDO DO MEU SURRÃO

Em menino achei um dia

bem no fundo de um surrão

um frio tubo de argila

e fui feliz desde então;

Luiz Bacellar

Variações sobre um prólogo

in Frauta de Barro

 

e os primeiros achados são obras de Jorge da Silva Palheta (1953-2015). Palheta, com era bem conhecido, legou-me estas caricaturas de de alguns de nossos presidentes:

João Baptista Figueiredo

José Sarney

Tancredo Neves