CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

segunda-feira, maio 31, 2021

ALMIR DINIZ & O CHÁ DO ARMANDO

Almir Diniz, falecido na semana passada, participou com entusiasmo do Chá do Armando, a extinta entidade etílica-filosófica, que se reunia à cada sexta-feira, para dialogar motivada pelo uísque (chá) e os petiscos fornecidos pelo saudoso Armando de Menezes, daí a pomposa designação.

Morto o fundador e patrocinador, Diniz bem que intentou refazer o grupo e o papo de cada sexta. Foram poucas as novas oportunidades, porém. Desse modo, quero lembrar com a postagem destas fotos os apetitosos encontros chazistas.

Há promessa para um breve  reencontro, para solenizar os dois primeiros membros desta confraria. Descansem em paz!

Confraternização no Ideal Clube (acima e abaixo)


A grande mesa da residência de Anísio Mello

Logo da agremiação

Local de fundação: Academia de Letras


domingo, maio 30, 2021

ALMIR DINIZ DE CARVALHO (3)

 A memória do poeta Almir Diniz, anteontem falecido aos 91 anos, segue aberta e categórica. A minha homenagem prossegue hoje, compartilhando o soneto de Jorge Tufic, inserido em seu livro Dueto para sopro e corda (2ª edição, 2014). Os dois poetas-amigos já não necessitam de cartas para a conversação, são hoje astros a iluminar nossas leituras. Gracias. 

Jorge Tufic


SONETO AO POETA ALMIR DINIZ

(respondendo sua carta)

 

Almir Diniz, que em poucas linhas diz

tanto quantas imagens necessita

para saudar a quem, por essa dita,

vai ser agora muito mais feliz:

 

Não fora coincidência, a sorte quis

que a pluma nos unisse; estava escrita

esta amizade que entre nós habita,

sendo eu, do mestre, humílimo aprendiz.

 

A carta que recebo neste dia,

carta-poema desse velho amigo,

abre clarões na sombra que me guia.

 

Muito obrigado pelos teus florais

dourados, com que vês o que não digo,

fazendo ser o menos algo mais.

sábado, maio 29, 2021

ALMIR DINIZ DE CARVALHO (2)

A lembrança do poeta Almir Diniz, ontem falecido aos 91 anos, segue intenso e categórico. Desejo lembrá-lo por esta semana, ele merece, e para seguir este ritual, compartilho o Artigo do advogado Júlio Antonio Lopes, hoje circulado na edição de A Crítica. 


Faleceu ontem o jornalista, escritor e poeta Almir Diniz de Carvalho, membro, dentre outras instituições culturais do estado e do país, da Academia Amazonense de Letras (AAL), do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação dos Escritores do Amazonas (ASSEAM); da qual, inclusive, foi presidente. Diniz nasceu em 6 de novembro de 1929. Contava, portanto, com 91 anos, muito bem vividos. Ele foi prefeito e fundador do município do Careiro da Várzea. Era também advogado, inscrito na OAB/AM sob n° 266.

Eu estreitei meus laços com ele durante a gestão do nosso amigo comum Armando Andrade de Menezes na presidência da AAL, entre 2014 e 2015, quando, invariavelmente os dois, que coisa notável, ambos já em idade avançada, davam expediente diário na sede do Silogeu, para a qual, aliás, Diniz foi eleito em 24 de setembro de 1999, assumindo a cadeira de n° 5, cujo patrono era Araújo Filho, antes era Martins Jr, sucedendo a Paulo Pinto Nery.

Como ele próprio descreve no fantástico "Acadêmicos Imortais do Amazonas - Dicionário biográfico", de sua autoria, assumiu a titularidade em 24|09|1999, saudado pelo acadêmico José Braga, durante a gestão de Max Carphentier.

Como jornalista Almir Diniz foi agraciado com vários prêmios, inclusive, com dois Prêmios Esso de Reportagem, nos anos de 1956 e 1957. O Esso era uma espécie de Óscar do jornalismo brasileiro. Ele trabalhou nos jornais Folha do Povo, O Combate, A CRÍTICA, O Jornal, e, também, no Diário da Tarde.

Escreveu os seguintes livros de crônicas, contos e poesias: Encontros com a natureza, Caminhos da Alma, Andanças poéticas, Os deuses, O elogio do caboclo, Plumas humanas, Algemas de ternura, O império das águas, Minha roça de urtigas, Floradas do corpo, O pitoresco e o hilariante na Imprensa, Paiol de lembranças, Nos remansos da saudade, Sob a concha da Panacaria, O capineiro, Agenda literária do Amazonas, além do Dicionário biográfico, já mencionada. Era um dos próceres do famoso Chá do Armando.

Almir Diniz

Num de nossos encontros pela manhã, na sede da Academia, a meu pedido, pude ouvi-lo declamar algumas de suas poesias. Uma delas, a que mais encantou e enterneceu o coração, a que considero uma das mais belas de toda a literatura brasileira, chama-se "O JARDIM DA MINHA MÃE", que gravei no meu celular e disponibilizei na época na minha página de Facebook, e ontem repostei, porquanto foi um momento mágico e único que merecia e que merece ser compartilhado, melhor dizendo, merece ser eternizado.

A propósito, o movimento Manaus+Verde, que propugna pela rearborização de nossa cidade, fundado pela minha filha Laís, editou o poema e o distribuiu nas escolas e nos eventos ambientais, em parceria, também, com a ASSEAM. Diniz, no poema, fala da saudade de sua mãe Lídia, que cultivava aquele cantinho do céu em sua casa. Revisitando o espaço encantado e sentindo-se incapaz de cuidá-lo com o mesmo zelo, mas cheio de amor, resolve, afirma em seus versos, refazer o pomar, onde sua mãe ia orar, depois de saudar seu jardim...

Descanse em paz, amigo e irmão. Sentiremos a sua falta, mas somos gratos a Deus por ter compartilhado a luz de sua existência.  

sexta-feira, maio 28, 2021

ALMIR DINIZ DE CARVALHO (1929-HOJE)

Esta última sexta-feira de maio levou para o infinito o poeta e prosador Almir Diniz de Carvalho. Nascido no Careiro em novembro de 1929, onde foi o primeiro prefeito quando este município recebeu a emancipação. Seu currículo é extenso e respeitável, tanto no trabalho como jornalista, como prosador e poeta, como intelectual ocupante de Cadeiras nos principais sodalícios do Amazonas. 

Almir Diniz, 1958

A pandemia nos afastou danosamente, ainda efetuamos um reencontro dos integrantes do Chá do Armando, para lembrar o amigo que nos irmanou e nos precedeu com o sinal da amizade e da festividade. Almir o agora o encontra, para uma renovada conversa.

Como despedida de Almir Diniz, que tanto me ensinou a ler e apreciar os bons costumes interioranos, transcrevo um texto de L. Ruas, o padre-poeta, igualmente levado de nosso convívio. As "Palavras à árvore morta" foram escritas em A Crítica, edição de 19 de setembro de 1957.

E o fícus desprovido da inadvertência da mocidade, o fícus, abalado por tantos males, não resistiu à notícia. Sentiu que a seiva estacava dentro de seu tronco calejado pelas pedras duras do calçamento, sentiu que alguma coisa estava se rompendo e... com estalo de dor, tombou, abraçando a sua rua, acariciado pelo vento que, absolutamente, não compreendia a razão do colapso.

Mas, assim mesmo, chorava.   

Almir Diniz (ao fundo) observa o autor da postagem