CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

quinta-feira, dezembro 12, 2019

DE NOVO É NATAL (7)




Cartão de Natal,
expedido pelos Correios,
comemorativo do nascimento
do Menino Jesus,
em 1987.

Com meus desejos de saúde,
ao amigo e companheiro de farda –

Odacy de Lima Okada





POESIA DE ALMIR DINIZ


Almir Diniz e Roberto Mendonça
Novamente remexendo meus alfarrábios revi esta pérola, que me presenteou o poeta Almir Diniz. Foi-me entregue na residência do saudoso Anísio Mello, quando em 14 de outubro de 2005, ali se reuniu o sempre lembrado Chá do Armando.
Obrigado, mestre do soneto, que o Natal lhe seja abençoado!








                 

                  Ao toque da campainha
pisando em seda, ela vinha
tremente o olhar, fria a mão...
No mesmo instante incendido,
o amor que traz, escondido,
fagulha no coração.

Ardendo em febre, abre a porta,
o medo que tinha, exorta,
o braço dourado, estende...
O amado a tremer, também,
pesquisa, não vê ninguém,
no peito dela se prende.

Sós, no sofá – deuses no Éden! –
Olham-se! Querem... Despedem
torrentes ébrias de beijos.
E emitindo sons esparsos
fundem-se, os braços nos braços,
segredam tensos desejos.

Marota..., finge fugir...,
mas retoma, em lingerie
de transparência estelar.
E malandra e sedutora
diz – e nisso é professora –
                  “mas como é bom namorar!”


                  E namoram, pois se adoram;
                  os lábios, tensos, exploram
                  fontes de eterno luar.
                  Depois, rumor de emoções,
                  doces cascatas de sons,
                  vozeando: é bom amar!...
                                              Almir Diniz

quarta-feira, dezembro 11, 2019

DE NOVO É NATAL (6)



Cartão de Natal,

expedido pelos Correios,
para lembrar a passagem 
dessa data (sem indicação 
de ano).


GRÊMIO GUANABARA

Capa do livro

Esta agremiação existiu à margem do igarapé do Mindu, nas proximidades do Parque Dez de Novembro, onde a gente de poder econômico de Manaus se reunia. Da reduzida junção de amigos, passou ao clube fundado em 24 de setembro de 1970. Em atenção ao regime legal, tornou-se uma associação privada, todavia, hoje não passa de empresa inativa. O local de congraçamento e curtição desapareceu, diante da modificação da estrutura local, em particular do curso d’água.
Uma lasca dessa história vai aqui contada por um dos frequentadores dos primeiros momentos – Waldir Garcia. Compartilhei-a de seu livro À sombra dos igapós (Manaus: Imprensa Oficial, 199) 


  
A princípio era um igarapé ermo de águas límpidas, escondidinho na sombra de velhas árvores, ladeado de buritizeiros, patauazeiros, e mais acima uma campina sombreada de muricizeiros, debaixo dos quais capins rasteiros formavam um tapete esmeralda, onde se podia deitar e contemplar o céu sempre plúmbeo nos meses chuvosos, ou olhar o sol aberto nos dias caniculares. Ali recolhiam-se nas horas de lazer, Aluízio Marques Brasil, Celino Menezes, Lucano Antony e outros destacados funcionários da Prefeitura Municipal de Manaus, do grupo do Lucano e Aluízio. O lugar ermo e acolhedor era então denominado “Tenda de Ali”.
Conheci o local pela primeira vez, levado pelo companheirismo de meus saudosos e pranteados amigos Danilo de Aguiar Corrêa e Ladislau Torres da Silva. Depois surgiu na área o Grêmio Guanabara, ponto de frequência do professor Lúcio Fonte de Rezende, Pietro Antonio Celani, Euclides Souza Lima e tantos outros distintos cavalheiros, que elaboraram, inclusive, o primeiro Estatuto do Clube, dando-lhe destinação de vida social.
No início o Grêmio Guanabara resumia-se num tapiri, coberto de palha branca, com bancos toscos de madeira e uma pequena praia à margem do igarapé do Mindu, onde nos reuníamos aos sábados e domingos para saborear o delicioso pirarucu assado na brasa por essa figura simples, prestativa e amiga, que ainda hoje serve ao Clube: o velho Chico. Seguindo à risca o gosto brasileiro, arranjamos num areal próximo um improvisado campo de futebol, e ali o praticávamos aos sábados à tarde e aos domingos pela manhã.
Lembro-me ainda dos companheiros de então: Luiz Monteiro, Douglas e James Souza Lima, Roberto, Adauto, Tiba e Iran Caminha, Ruy e Ari Gavinho, Ilmar Oliveira, Agobar Garcia, Roosevelt Pereira de Melo, Maurício Araújo, Oswaldo Gesta, Flaviano Limongi, Walmizão, Chico Tinoco Guedes, Teomário Costa, Waldir Pimenta, Rui Santos (Loide Aéreo), “Camisa Branca” e tantos outros craques consagrados.
No vôlei pontificavam com maestria Edgar Monteiro de Paula, Tical, Milton Marques, Tito Grangeiro e tantos e tantos. No dominó, Giacomo Arone, Wanderley, Clemente Simões, Manoel Octávio, Armando Freitas, Afonso Lima, José Cidade de Oliveira, Felipe Abrahim, Mário Sahdo. No carteado era frequente a participação de Acrisolda, Ilza Garcia, Helena de Paula, Alba, Dra. Dulce Costa. Havia também u'a mesa cativa de Afonso Lima, Cleomilton Braga, Manoel Lima, Francisco Monteiro de Paula, Mário Verçosa, Waldir Garcia, Agobar, Teomário Costa.
As manhãs de domingo eram sempre de uma confraternização sem par. Arnóbio Valente armava no meio do igarapé a sua tenda e ali servia aperitivos gratuitamente a todos os companheiros, ajudado por sua dedicada esposa, D. Zila Said Valente. Havia uma velha árvore caída sobre o igarapé, que servira de ponte de u'a margem à outra. Era denominada “O Pau dos Velhos”, que suportava aos domingos e feriados mais de seiscentos anos de vida sobre ele. Eram o coronel Auton Furtado, o comandante Montenegro, o Tabelião Antonio Marrocos, o Sr. César ltuassu, Sílvio Malheiros Franco, Senhor Almeron Caminha Monteiro, Euclides Souza Lima e Glicério Vieira, a desfilarem, num “papo” informal velhas estórias de sua mocidade, do ciclo da borracha, do comércio antigo de Manaus, da soledade de então, um recorde feliz da juventude de cada um. E o faziam sob o manto protetor de fraterna, cordial e sincera amizade.
As reuniões sociais realizavam-se em casas de amigos. Todos contribuíam com pratos e bebidas regionais. Dançava-se à vontade. Bebia-se, comia-se, conversava-se a valer; enfim, confraternizava-se à moda da época. Há quantos anos?
No dia 27 de abril último, o Grêmio Guanabara completou 30 anos de fundação. Cresceu e prosperou sob a égide de seus diretores e associados. De Euclides Souza Lima, seu primeiro presidente, a Clemente Simões, recentemente eleito e empossado, medeiam três decênios de vida e progresso. Hoje o Grêmio Guanabara tem um respeitável patrimônio: campo de futebol, de vôlei, piscinas, salão de dança, bar, enfim, é um clube de campo que merece a dedicação, o entusiasmo, mas, sobretudo, a reaproximação de todos os seus associados, velhos e novos, para seu maior progresso, para sua maior glória e de todos que o criaram, pelo seu sucesso cada vez maior.