CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS
quarta-feira, outubro 24, 2018
MANAUS: 349 ANOS
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Prefeitura de Manaus
PM AMAZONAS: EFETIVO
CONSIDERANDO
que o atual efetivo da PMEA é bastante reduzido, para atender às necessidades
de manutenção da Ordem Pública em todo o Estado do Amazonas;
CONSIDERANDO
que a Inspetoria Geral das Polícias Militares, órgão que tem por finalidade a
Coordenação e Controle das Polícias Militares do Brasil, após inspeção feita na
Polícia Militar do Amazonas, autorizou o aumento de seu efetivo para dois mil
homens;
CONSIDERANDO
que no momento torna-se impossível dar à Polícia Militar um efetivo ideal, para
aplicação de suas funções e finalidades impostas pelo Decreto-Lei 317, de 13 de
março de 1 967;
CONSIDERANDO
ainda a inadiável necessidade de deixar a PMEA com um efetivo que pelo menos
satisfaça as funções mais necessárias e urgentes no que diz respeito à
Segurança Pública do Estado;
DECRETA:
Art.
1º — Fica o efetivo da Polícia do Amazonas, fixado em mil e duzentos homens,
assim distribuídos nos postos e graduações:
POSTOS
GRADUAÇÕES
–
Coronéis ……………….. 2
– Subtenentes …… 11
–
Tenentes-Coronéis .... 4 – 1º
Sargentos ….. 30
–
Majores …………………. 7
– 2º
Sargentos ….. 38
–
Capitães ………………. 12 – 3º Sargentos …. 104
– 1º
Tenentes …………. 15 – Cabos …………..… 164
– 2º
Tenentes …………. 14 – Policiais ……….... 799
–
Aspirantes (variável – estagiários)
Art. 2º – Fica ao Poder Executivo atribuída a competência para
fixar os Quadros de Organização do Efetivo proposto pelo Comandante Geral da Corporação.
Fac-símile da assinatura governamental |
Notas acerca deste decreto:
1. A Polícia Militar do Amazonas ainda
não possuía mil homens, apesar da previsão. Ou seja, havia a licença legal para
tanto, porém, na prática ainda não alcançara este objetivo. Somente em 1972, o
primeiro milhar foi alcançado; em nossos dias, passam de dez mil policiais.
Cabe a pergunta: qual a motivação
para que a instituição não incluísse tantos policiais? Acredito que o
fundamento era a ojeriza pela pobreza da corporação, ainda cercada de maus
presságios. Os ocupantes, pejorativamente alcunhados de “mata cachorros” e
“meganhas”, possuíam um índice de escolaridade baixíssimo. Em nossos dias,
predominam os bacharéis de todos os cursos.
2. Atuava então de forma
rigorosa sobre a Força Policial um órgão nacional, a IGPM (Inspetoria Geral das
Polícias Militares). Daí a indicação desta no preâmbulo do decreto. Ainda
existe este organismo, porém sem a força ditatorial daquele período.
3. O texto legal propunha a existência
de dois coronéis. Um, o comandante-geral, provindo do Exército; a outra vaga
acabava de ser criada, para ser ocupada pelo Chefe do Estado-Maior. Ocupou-a o
mais antigo, o tenente-coronel Neper da Silveira Alencar (1918-1983) que, dessa
maneira, tornou-se o primeiro coronel na ativa.
4. Enfim, os soldados
tomaram a denominação de Policiais, cuja abreviatura era “Pol”. Não sei indicar
o quanto, porém esta inovação pouco perdurou. Ainda hoje são conhecidos por
soldados.
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PMAM
terça-feira, outubro 23, 2018
BANDA DE MÚSICA PMAM
NUNCA FOI OPM, MAS É A MAIS ANTIGA
![]() |
Banda de Música com o mascote, anos 1950 |
A Banda de Música é a mais antiga organização da Policia Militar
do Amazonas, por incrível que pareça. Desde a sua criação, não deixou de operar
mesmo quando a PM esteve desativada (1930-36). Ainda que aos emboléus, a Banda
permaneceu tocando pelas esquinas de Manaus, até ser amparada pelo Corpo de
Bombeiros Municipais, enquanto sua alma
mater penava.
A
força policial, ao desfrutar da pomposa denominação de Regimento Militar do
Estado (1897-1912), usufruía de expressivo efetivo. Dispondo de tanto pessoal
engajado, foi exequível organizar duas bandas de música. Advirto que eram
tempos de “vacas gordas”, de borracha farta fluindo pelos rios, cuja riqueza possibilitou
construir a belle époque manauense.
Quando
essa riqueza se liquefez, a corporação policial do Estado foi igualmente se derretendo.
De Regimento, apequenou-se em Batalhão. Depois, designada por Força Policial e,
mais adiante, de Polícia Militar do Estado do Amazonas (PMEA). A cada mudança,
padecia uma acelerada diminuição do efetivo, backup do que acontecia com a população de
Manaus. No beiradão, objeto de vindoura parte de sua história, nem se imagina
como a Polícia mantinha seu pessoal.
Na
metade do século passado, a situação econômica do Estado bateu no fundo do
igarapé. Uma recordação assaz aflitiva: o reduzidíssimo fornecimento de energia
elétrica, forçava o apagão em
dias alternados. Manaus estava prestes a consolidar a decantada designação de
“porto de lenha” que, para nosso gáudio, não vingou.
A Polícia Militar era um simulacro de força, autêntico fantasma,
segundo proclamou o governador Plínio Coelho, ao tomar posse em 1955. A
organização, Força Auxiliar do Exército, reproduzia as linhas deste e
correspondia ao efetivo de um batalhão, seccionado em companhias adaptadas para
atender as imposições da Segurança.
Obviamente, nesse contexto encontrava-se a Banda de Música. Ora
puxando o desfile matinal ou comemorativo, ora, nos coretos, até encantando os
ouvintes. Houve liberalidade para adotar um mascote: um carneiro.
Nesse quadro sombrio, as Forças Armadas implantaram o Governo
Militar (1964-85), que os estudiosos alcunham de ditadura (seja lá!). O que
importa é que, empossado no governo do Estado, Arthur Cezar Ferreira Reis
(1964-67) reestruturou a Polícia Militar do Estado do Amazonas (PMEA),
começando por crismá-la de Batalhão
Amazonas. Recordou, a fim de sustentar o decreto nº 188/65, que um
batalhão da Força Estadual do Amazonas ajudou a sitiar Canudos, em 1897.
Um
mês antes deste empreendimento governamental, o comandante da corporação, major
EB Jorge Nardi, havia instalado o CIM (Centro de Instrução Militar) destinado,
como indica a própria nomenclatura, a capacitar os policiais ingressos na PMEA.
Este Centro tornou-se o embrião do CFAP (Centro de Formação e Aperfeiçoamento
de Praças), criado em 1980.
Não nesta ordem, mas a partir do desempenho do Governo Militar
provieram na Força Estadual sua expansão na Capital e nos afluentes do rio
Amazonas; o aumento da força de despersuasão (Choque) com suas variantes; o
serviço de extinção de incêndios; o policiamento motorizado, o montado, o
fluvial e, por fim, o aerotransportado. Alguns, substituídos, outros, extintos,
segundo impõe o progresso.
“Porém! há um caso diferente” (canta o poeta), destoante ou não:
a Banda de Música coronel
Afonso de Carvalho persiste. Nem tão altaneira, nem tão briosa
como se anseia, porém, consagrada como a Única OPM (Organização Policial
Militar) – a despeito de nunca ter sido assim legitimada – da Polícia Militar
do Amazonas a atravessar sem interrupção os policiais tempos – ora generosos,
ora tenebrosos – de sua existência mais que centenária.
Vida
longa ao hodierno Corpo Musical, legatários da Banda inaugurada pelo coronel Afonso de Carvalho e
seu primeiro regente, tenente Cincinato Ferreira.
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MANOEL SANTIAGO (1897-1987)
![]() |
Manoel Santiago |
Arquiteto Marcos Cereto, professor da Ufam, estudioso da produção de Severiano Mário Porto, organizou com apoio da classe uma semana de estudos. Uma das atividades ocorreu no Palacete Provincial, que abrigou a exposição de trabalhos de profissionais de diversos estados.
O
painel de abertura (foto) homenageou ao artista plástico Manoel Santiago,
amazonense que fez sucesso longe de sua cidade. A leitura do texto aqui compartilhado
mostra, a despeito das reduzidas notas biográficas, o valor do artista.
Nascimento: Manaus - AM, em 25 de março de 1897. Morte Rio de Janeiro - RJ, em 29 de outubro de 1987. Viveu no bairro da Cachoeirinha, em um casarão bem confortável, cercado de mata virgem, com varandas largas e perfumadas pelos pés de maracujá.Foi por aqui mesmo que ele estudou ainda menino, aos 6 anos pintou o retrato de seus avós, seus primeiros desenhos foram nos muros da casa do coronel Santiago, homem cheio de autoridade, mas que soube apoiar e ajudar a despertar os pendores do filho.Artista premiado, estudou em Belém (PA), ingressou no serviço público federal, seguiu para o Rio de Janeiro e estudou no Instituto Belas Artes onde conheceu a pintora Haydéa, com quem casou-se.Foi um artista dedicado aos estudos da arte, expondo, conhecendo outros mestres, fazendo amigos e marcando sua presença em meio deles.Foi professor na Escola Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro, onde contava histórias da Amazônia, seus feitos na pintura e sobre sua vida em Paris. Seu lema era "nasci pintando", foi bacharel em Direito e a par da pintura exerceu o cargo jurídico no Ministério da Fazenda, onde após 40 anos de trabalho se aposentou.Fama e segurança só vieram mesmo através da Arte, sua verdadeira paixão, como escreveu em carta à Haydéa "que linda a vida de pintor que só se dedica a interpretar a natureza". Sua arte é considerada por críticos como uma arte perfeita, arte da alma, e muito embora em sua paleta use pura todas as cores do prisma, sua preferência são pelos tons azuis e verdes que descrevem o mar e a vegetação, marcadamente em suas obras, característica do pintor brasileiro que foi, cujas cores e ambiente refletem sua pátria em toda a sua típica natureza.
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