CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

domingo, dezembro 01, 2013

PAÇO DA LIBERDADE: VISITA


Folder da Visitação
O Paço da Liberdade foi construído para servir de Palácio da Presidência da Província. A construção se deu de 1874 até 1884, bem antes das transformações urbanísticas que Manaus sofreu no apogeu do ciclo da borracha. Em 1879, ele passa a abrigar oficialmente a sede do governo provincial. Posteriormente passou a sediar o governo republicano e ficou conhecido como Paço Municipal.

Em 1905, o prédio passou por uma ampliação no governo de Constantino Nery, que construiu junto ao palácio sua residência. Até 1917 o Paço Municipal serviu ao governo estadual, que então passou sua sede para o Palácio Rio Negro, e com isso voltou a sediar o governo municipal.


Paço da Liberdade, fachada
O Paço sofreu um incêndio em 1937, causando muito danos à sua estrutura, como por exemplo, o desmoronamento do teto. Depois de reconstruído, integrou as repartições públicas do município até 1995.

A edificação é considerada como “parte integrante do Patrimônio Histórico do Município de Manaus” pela lei nº 565, de 26 de maio de 1956. E em 1957 foi denominado oficialmente de Paço da Liberdade.

Sua arquitetura é marcadamente neoclássica, sendo um dos raros monumentos no Brasil que manteve seu estilo após a Proclamação da República, quando foi adotado o gosto eclético nas construções.

Em 2005 deu-se início aos trabalhos de restauro do prédio com recursos internacionais, federais e municipais, sendo entregue a obra definitiva no dia 11 de abril passado.

 Todas as quartas-feiras, as Portas Abertas permitem uma Visita Guiada.

 

sexta-feira, novembro 29, 2013

HISTÓRIA CARETA DE MANAUS



Ramalho Junior
A crônica abaixo foi extraída do livro Histórias caretas de Manaus, do finado Mário Ypiranga Monteiro. O personagem, bastante identificado na história do Amazonas, por ter sido governador do Estado (1898-1900), sucessor de Fileto Pires. Coube-lhe a honra de inaugurar o Palácio da Justiça, na avenida Eduardo Ribeiro. De fato, possuía traços favoráveis ao trabalho de um caricaturista. Morreu no Rio de Janeiro.
 

CARA DE LEÃO, BARBA DE BODE
Na parede do fundo do "Café Leão de Ouro" havia um grande quadro óleo sobre tela, assinado pelo pintor popular Cavalcanti, o mesmo que pintava as cenas do teatrinho "João Redondo”, do Colégio Salesiano. Cavalcanti era um curioso, pintava, mas não conhecia desenho geométrico nem o senso das proporções.
O quadro representava um leão africano de juba monumental inscrito na letra "C" de café, em atitude um tanto indefinível, talvez de espera, de alerta. O que era engraçado e chamava logo a atenção era a cara do bicho.
Uma fisionomia séria de "rei", mas a barba era caprina, contrariando a natureza da espécie, que lhe deu bigodes, mas não barba espessa. E então um daqueles críticos de botequim, que os havia ontem mais do que hoje, descobriu ser a cara do coronel José Cardoso Ramalho Júnior cagada e cuspida, o que de fato era.
Assediado, o Cavalcanti contou que o coronel Ramalho Júnior, quando governador, contratara seu pai, também artista pintor, para fazer o "céu" da sala de visitas de sua casa na rua de 24 de Maio (a casa, de estilo, foi posta a baixo, depois de sediado ali o convento dos Beneditinos com igreja-capela). O coronel nunca pagou o serviço, pois foi um dos maiores caloteiros que Manaus possuiu.
 

quinta-feira, novembro 28, 2013

CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO AMAZONAS

Há 15 anos, em 26 de novembro, a Assembleia Legislativa do Estado, aprovando uma Emenda Constitucional, concedeu a emancipação do Corpo de Bombeiros, então subordinado à Polícia Militar do Amazonas. Essa decisão veio coroar a luta dos Bombeiros em prol da autonomia; foram dez anos, depois que a Constituição Estadual foi promulgada.

Quartel do comando-geral dos Bombeiros
QDesde então a expansão vem sendo observada e, melhor ainda, usufruída pela sociedade; ontem, apenas a de Manaus, mas hoje, em bom número de municípios. A solenidade ocorreu na sede principal do CBMAM. Programada para o pátio do quartel, a chuva caída pouco antes, obrigou que os convidados se reunissem no Auditório local.
Na ocasião, o comandante-geral dos Bombeiros proclamou o contentamento que segue estimulando os soldados do fogo amazonenses. O documento vai abaixo transcrito.

Ordem do Dia
"Missão dupla o dever nos aponta: Vida alheia e riquezas salvar".
Com estas palavras, extraídas do Hino do Soldado do Fogo, exalto, juntamente com os nobres integrantes do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Amazonas, que completa 137 anos, e com as graças de Deus, o compromisso histórico da corporação com a sociedade amazonense.
Criado em 1876, por ordem do então presidente da Província, Nuno Alves Pereira de Mello Cardoso (oficial da Marinha, fundador da Capitania dos Portos), inicialmente sem caráter militar, dirigido pelo então diretor de Obras Públicas, coronel Leovegildo Coelho, nosso Corpo de Bombeiros foi o segundo organismo do gênero estabelecido no país, sendo o primeiro o Corpo de Bombeiros Provisório da Corte, criado em 2 de julho de 1856, no Rio de Janeiro, pelo Decreto nº 1.775, do Imperador Dom Pedro II, patrono dos Corpos de Bombeiros do Brasil.
A natureza militar do serviço só foi concebida no governo de Eduardo Ribeiro (1892-1896), quando da subordinação ao Batalhão Militar de Segurança, a PMAM de nossos dias. Após várias permutas de subordinação entre o Estado e o município da Capital, em janeiro de 1973 retornou à esfera do Estado sob a administração da PMAM.
Depois de um quarto de século subordinada à PMAM (1973-98), o Corpo de Bombeiros, em 26 de novembro de 1998, conquistou sua autonomia, tanto operacional como administrativa, desvinculando-se da briosa Polícia Militar do Amazonas, passando à denominação de Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM).
Os desafios da jornada foram enormes, porém, maiores foram as conquistas que seguiram e nos trouxeram até aqui.
Durante esse período, muitos foram os integrantes da corporação, cuja dedicação foi determinante para sua perenidade. Homens abnegados, que empenharam suas vidas com coragem e ousadia, a despeito de qualquer dificuldade ou perigo, para bem servir à sociedade nos diversos momentos de angústia e desespero. A esses heróis do passado, deixamos aqui registrado nossos sinceros reconhecimentos.
Enalteço também os relevantes serviços prestados pelos atuais integrantes, bombeiros militares e funcionários civis, motivos pelos quais os parabenizo e concito-os a permanecer com a mesma perseverança, para que possamos entregar aos futuros Soldados do Fogo uma corporação forte e coesa, na certeza de que, a cada geração, estágios ainda mais elevados possam ser alcançados.
Nesse momento de comemoração expressamos nossos agradecimentos ao Governo do Estado, nas pessoas do Excelentíssimo Senhor Governador Omar Aziz e do Vice-Governador Professor José Meio, pelo reconhecimento da importância da Corporação para o bem-estar da sociedade. Reconhecimento esse refletido nos investimentos tanto em viaturas e equipamentos como também na admissão de novos Soldados do Fogo.
Agradecemos também ao coronel Paulo Roberto Vital de Menezes que, como titular do Sistema de Segurança do Estado, no qual a corporação está inserida, tem disponibilizado o apoio necessário às ações do CBMAM.
Com a compreensão de que na vastidão de nosso Estado não se atua de forma individualizada, saliento a importância das parcerias com as Forças Armadas e com os demais órgãos Federais, Estaduais e Municipais que, tantas vezes, compartilharam conosco operações de busca e salvamento, resgate e prevenção em todo o território amazonense.
Aos agraciados com a medalha Imperador Dom Pedro lI, a maior comenda concedida pelo Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, nosso sincero agradecimento e reconhecimento pelas relevantes contribuições dispensadas a essa Corporação e à sociedade amazonense.
Aos Bombeiros Militares agraciados com medalhas de tempo de serviço nossos parabéns pela distinção merecida ao longo de anos de dedicação ao trabalho.
Enfim, nesta data, em que tempos muito a comemorar e nos orgulhar, reforçamos outro compromisso do Soldado do Fogo, o de que – "Nenhum passo daremos atrás", no momento de atender mais uma vez o chamado de socorro.
FOGO!!!

Antônio Dias dos Santos - Coronel QOBM
Comandante-Geral do CBMAM



quinta-feira, novembro 14, 2013

À SOMBRA DOS IGAPÓS (3)


GE Marechal Hermes (extinto), sede do NPOR
Nesta crônica de Waldir Garcia, sacada de seu livro À sombra dos igapós (Manaus: Imprensa Oficial, 1987, com ilustrações do artista Edemberg Jr.), o autor descreve a esdruxula situação de um integrante do NPOR. Como se sabe, esta unidade de ensino do Exército foi inaugurada em  Manaus, por ocasião da II Guerra Mundial. Mais precisamente, em 1942, portanto, há mais de 40 anos. No entanto, esteve desativado entre de 1945 a 1965.

O personagem desta página é o saudoso Vicente de Mendonça Júnior, que depois de desistir do curso, conquistou em 1949 a graduação na Faculdade de Direito do Amazonas. Tornou-se um advogado competente, tendo prestado serviço ao governo do Estado.  

Relembrando o NPOR, aproveito o ensejo para convocar seus integrantes para organizarmos um dicionário com os nomes dos ex-alunos.  

A DIREITA VOLVER DE MENDONCINHA
Mendoncinha sempre foi estúrdio e pávulo. Quando jovem, integrava o time de futebol, que denominaram de Itacoatiara, ao lado de Benjamim, João e Paulo Onety. Surravam no futebol, com frequência, ao Amazonas Futebol Clube, onde pontificavam os famosos jogadores Secundino e Parimé, que enalteceram o esporte bretão na Velha Serpa.
Mendoncinha quando veio para Manaus estudar, trouxe também o carinhoso epíteto de "Tim-Tim", mas aqui, pouca gente sabia disso, pois o singular apelido foi conquistado graças à forma como imitava a Matintaperêra, nas proximidades do aningal do Jauari, quando amedrontava os supersticiosos moradores para ficar a sós com uma cutuba que ali residia.

Em 1942, a Segunda Guerra Mundial continuava acirrada na Europa e na Ásia. Fundado o NPOR de Manaus, nele ingressaram os estudantes em idade de prestar o serviço militar, inclusive Mendoncinha, que, por sinal, aluno inteligente, obtinha notas elevadas em Topografia e Serviços Gerais, menos na prática de Educação Física, Ordem Unida e Tiro, porque quando jogador de futebol em sua terra natal, e no "Olho Mágico", aqui em Manaus, time organizado por Domingos Mourão e o português Antônio Coimbra, e que, nos domingos, treinava no campo do Parque Ajuricaba, onde o time chegava às sete da manhã, no saudoso bonde da linha de "Flores", Mendoncinha sofreu uma potente pancada no joelho esquerdo, danificando-lhe o menisco, contusão que o fez ficar diminuído em sua movimentação. Um reumatismo impiedoso, fê-Io sofrer ainda mais, até hoje.
Aconteceu que certa vez, no NPOR, num exercício de Ordem Unida, comandado pelo tenente Aníbal Gurgel do Amaral, as vozes de comando eram dadas assim: PeIotão, sentido! Ordinário, marcha!" E depois de alguns passos cadenciados, vinha a segunda voz de comando:
"Direita.a.a.a - Volverrr!" Todos voltavam para a direita, menos Mendoncinha, que saía em direção oposta.

O tenente Aníbal chamava Mendoncinha à ordem, corrigia-o severamente. Segundo tempo. As mesmas vozes de comando se repetiam. Agora, assim: "Esquerda.a.a., Volverr!" e Mendoncinha voltava-se para a direita. Isso irritava bastante o instrutor, que resolveu fazer uma parada para ensinar individualmente Mendoncinha, sob as vistas hilariantes e galhofantes de seus colegas Roberto Caminha, Octávio Mourão e Francisco Monteiro de Paula, o "Salgadinho".
Na praça São Sebastião, o tenente Aníbal desenhou na calçada o itinerário a marchar, e com flechas indicativas da direita e da esquerda. E começou a dar as vozes de comando, e Mendoncinha sempre errando.
O tenente irritou-se demais, e já bastante encabulado com a atuação do aluno, voltou-se para Mendoncinha e disse: "78 – esse era o número dele – você até parece recruta de Itacoatiara! De onde você é, 78?" - Mendoncinha respondeu trêmula e pausadamente: "Sou de ltacoatia... a... a... a... ra, seu tenente."

O tenente Aníbal puxou os cabelos e disse, desabafando sua irritação: "Eu logo vi... i... i... i, 78?! Só podia ser, não é?" A que Mendoncinha respondeu convicto: "É, seu Tenente... e do bairro de Jauari"...
Dias depois, noutra instrução de tiro ao alvo, a posição determinada pelo instrutor, tenente Facó, era de joelhos. Todos os fuzis, nas mãos dos alunos, em posição de tiro. Mendoncinha ao lado de Agobar, não conseguiu ajoelhar-se, em virtude do malfadado reumatismo, mas agachou-se, para ficar na posição de tiro. O tenente instrutor ao inspecionar a posição dos alunos, notou que Mendoncinha não estava ajoelhado, mas agachado, e determinou: "Seu 78, não atrapalhe a instrução! Saía daí! Mendoncinha, muito triste e acanhado, saiu do local e nunca mais voltou ao NPOR.
Foi cumprir o serviço militar no velho 27º BC, onde chegou até à graduação de cabo.