CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

quarta-feira, janeiro 18, 2012

BANCO DO BRASIL, EM MANAUS



A primitiva agência, de 1908 
Em Manaus, a primeira agência deste banco foi instalada em 14 de janeiro de 1908, para aproveitar e amparar a exportação da borracha. Ocorreu no governo de Afonso de Carvalho (1907-08), que substituía ao titular Constantino Nery.

A construção foi levantada no Largo da Matriz, onde hoje se encontra sua agência Praça XV de Novembro. Foi levantada em terreno onde existira o Seminário São José, criado em 1848, pelo bispo do Pará, dom Moares Torres.

O Jornal, 14 fev. 1965 
Nessa época, o seminário já estava desativado e o governo do Estado aproveitou para indenizar a Igreja pelo prédio, contribuindo assim para a instalação do Banco do Brasil. Dois detalhes: o Seminário São José somente seria reinstalado em 1943, por Dom João da Matta. E  esta agência do BB foi a segunda instalada, desde sua fundação em 1808. 

 A década de 1920 marcou o desastre da produção da borracha, que determinou a decadência de Manaus. Mas, este banco seguiu operando. Em 1949, quando da instalação de A Crítica e da viagem dos primeiros seminaristas para estudar em Fortaleza, além deste Banco, existiam apenas outros três na praça de Manaus.

A sede construída no início do século veio abaixo em 1964, para ser substituída por outra mais moderna. Esta que conhecemos. No entanto, a direção do BB levou longo tempo para levantar a filial, que inspirou a reclamação postada em jornal local. Foram cinco anos para se usufruir da evolução bancaria. 

Sede atual (1998) da agência 002 do Banco do Brasil 

segunda-feira, janeiro 16, 2012

Teatro de Bolso


Consultado pelo amigo Ed Lincon sobre a localização do teatro que ilustra esta postagem, não soube lhe responder. Para isso, estou recorrendo aos “mais velhos” ou estudiosos da cidade de Manaus. Quem souber, ganha o prêmio da Avianca.
Recorte de A Crítica, 18 março 1968
Para contribuir com a lembrança, a reportagem publicada em A Crítica (18 mar. 1968) mencionava que o Teatro de Bolso estava reabrindo as portas, sob a direção do saudoso teatrólogo Alfredo Fernandes.

Que, para estimular a presença de espectadores, instituiu duas novidades: a primeira, a venda de permanente ao custo de dez cruzeiros novos (NCr$), “com o qual o espectador poderia assistir aos espetáculos diários do TB”, além das sessões no final de semana. Enfim, todas as sessões.

E a segunda, o frequentador poderia ser premiado com uma viagem à Bogotá pela Avianca.

No ano anterior, o TB fizera algum sucesso. Encerrou a temporada de revistas com as peças “Que calor faz um biquíni” e “Brasil 67”. Por isso, a pretensão de Fernandes era estender essa campanha do TB pelos bairros de Manaus. Entendia que a venda de permanente a preços vantajosos, poderia “criar uma mentalidade teatral em Manaus”. Desconheço os resultados.

Enfim, indica o matutino que o Teatro de Bolso estava situado “ao lado do Palácio Rodoviário”, no bairro da Cachoeirinha. Para melhor sintonia, este imóvel, que abrigou a direção maior do Deram e a residência oficial de governadores, hoje é ocupado pela Faculdade de Ciências Médicas da UEA.

Suponho que o TB esteve localizado ao lado do Hospital Adriano Jorge, então destinado à cura da tuberculose, e após o beco que levava à Vila Mamão (os ingressos na terceira idade lembram a posição e o valor da vila). 

domingo, janeiro 15, 2012

MANÁOS vs MANAUS

Acredito que foram nossos pais que denominaram o cruzamento da avenida Sete de Setembro com a Joaquim Nabuco, de Canto do Quintela (sobrenome de um português que possuía no local uma taberna).

Depois, nós conhecemos e frequentamos uma dependência da Casas do Óleo, supermercado que a família Assayag manteve no local. Para enfrentar a presença da carioca Casas da Banha (CB), Assayag abreviou o nome de seu comércio para CO. E foi sob esse designativo que ele encerrou suas portas.

Em 1972, tendo o comércio da Zona Franca em plena efervescência, a avenida Sete mostrava um trânsito tumultuado, pois a circulação de veículos era feita em mão dupla.

Com os Fuscas tomando conta da artéria, apenas alguns Chevrolet pontuando, o trânsito já mostrava dificuldades tanto para os veículos quanto para os transeuntes. O Jornal do Commercio observava se tratar de “problema de educação”, que seria solucionado quando “nosso povo atingir um grau mais avançado”.

Canto Quintela, Jornal do Commercio, 12 jan. 1972
Pelo visto, 40 anos depois, com a mão de circulação na mesma avenida reduzida a mão única, os condutores e pedestres seguem cada vez mais “deseducados”. Sonha-se que a Copa de 2014 tenha o dom de realizar esse prognóstico. Será?

sábado, janeiro 14, 2012

Academia de Letras: novo presidente


Símbolo acadêmico
Ocorreu na manhã deste sábado, a posse do acadêmico Arlindo Augusto dos Santos Porto na presidência da Academia Amazonense de Letras, sucedendo ao confrade José dos Santos Pereira Braga. O cerimonial anunciou a presença de 16 associados; detalhe: nenhum representante da oposição na última disputa.
Convém registrar que a eleição passada, em dezembro, marcou a história desta instituição. Trata-se da primeira disputa voto a voto pela presidência, vencida pelo Arlindo Porto, situação, contra Elson Farias, pela oposição.

Na solenidade, houve inicialmente a apresentação de projeto da Secretaria da Cultura, que vem atender aquele sodalício na divulgação do acervo biobliográfico.
Mesa diretiva da sessão de posse de Arlindo Porto
 
Antes da transmissão do cargo, o ex-presidente José Braga leu, para conhecimento de seus pares e da comunidade em geral, festivo relatório. Nele, listou suas realizações. Deu números a vários eventos, aos frequentadores da Casa; aos eleitos e empossados; aos livros editados; palestras e visitas de estudantes de todos os níveis.

Lembrou com efusiva satisfação a vitória da Escola de Samba que, comemorando os 90 anos da Academia, permitiu que membros da Casa de Adriano Jorge desfilasse na passarela do samba em Manaus. Esse fato, para José Braga, representa o encontro dos sisudos acadêmicos com a cultura popular, portanto, o encontro com o povo.

A seguir, o Conselho Fiscal, na palavra de Armando de Menezes, deu notícia da aprovação das contas da diretoria, dos períodos de 2008-09 e 2010-11.

Empossado o novo presidente, Arlindo Porto se dirigiu aos presentes com um discurso brando e sereno, de harmonia e chamamento. Afinal, é sabido que a Academia de Letras atravessa certo divisionismo, daí sua palavra de convocação a todos os membros em benefício da centenária Casa.
Capa do livro

O derradeiro evento: lançamento do livro Imponderável silêncio, do acadêmico Armando de Menezes, criador e mantenedor do Chá do Armando, que discorreu sobre oito saudosos integramtes do silogeu.

Passava do meio-dia  quando o novo presidente encerrou os trabalhos, convidando a todos para uma “merenda”, na sala das Memórias. De fato, foi uma merenda, pois servida somente com sucos e refrigerantes.

Sucesso ao novo presidente Arlindo Porto e seu vice, Almir Diniz.