CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

segunda-feira, dezembro 05, 2022

PMAM: DIRETORIA DE FINANÇAS (DF)

O Governo Militar de 1964 estabeleceu um organismo para direcionar o serviço policial militar, incluído o dos bombeiros: a Inspetoria Geral da Polícias Militares (IGPM). As normas impostas às corporações alcançaram a Força do Amazonas, que tratou de cumprir as orientações. Neste sentido, abandonou a Tesouraria Geral para criar a Diretoria de Finanças (DF), consoante o decreto 3426, de 21 de abril de 1976. 

A implantação ocorreu algum tempo depois, como se observa pela data de nomeação do primeiro operador da DF, que ainda segue funcionando, obviamente com a incorporação de novas regras. Tratei de recolher os oficiais que dirigiram a seção, cuja coleta se estende até o nomeado no ano 2000. Espero que alguém complete a falha.

Segue abaixo os diretores com a indicação do Posto, do Nome (em negrito, o nome de guerra) e da Data de nomeação. 

Sentido horário: Osias Lopes, Ronaldo Toledano,
Galisa de Lucena, Nogueira Jr e Moreira Nunes

                                         

Capitão

Roosevelt Jobim

16/09/1976 

 

Major

Osias Lopes da Silva

03/07/1979 

 

Major


Odorico Alfaia Filho

 

24/09/1981

 

Tenente Coronel

Romeu Pimenta de Medeiros Filho

01/07/1985 

 

Tenente Coronel

Antônio Guedes Brandão

14/04/1987 

 

Major

Jaime José Galisa de Lucena

26/04/1989

 

 

Tenente Coronel

Luis Gonzaga Rodrigues Oliveira

30/08/1990 

 

Tenente Coronel

Eber Bessa Rebello

 

14/05/1991

 

Coronel

Antônio Carlos Cardoso Pereira

13/04/1993 

 

Tenente Coronel

Ronaldo Francisco Albuquerque Toledano

28/12/1993

 

 

Tenente Coronel

Jaime José Galisa de Lucena

20/01/1995 

 

Tenente Coronel

Wilde de Azevedo Bentes

15/05/1995 

 

Tenente Coronel

Alcides Ferreira Costa

01/03/1996 

 

Tenente Coronel

 

Jaime José Galisa de Lucena

 

14/04/1997

 

Tenente Coronel

José Alves de Lima

08/03/1999 

 

Major

 

Raimundo Gonçalves Nogueira Júnior

24/06/1999 

 

Tenente Coronel

José Moreira Nunes

12/04/2000

 

 

PMAM: SEUS PRIMÓRDIOS (13)

Acerca da evolução da Polícia Militar do Amazonas no período provincial, reproduzo outro tópico do pretendido livro Guarda Policial (1837-1889).

Recorte da capa do livro

1855

Força Pública

Ao deixar a direção da Província, em 11 de março, o presidente Ferreira Pena volta a expor a condição da Força Pública (denominação conferida às tropas federais na guarnição do Amazonas). Assinala que, em 9 de setembro de 1854, instalou o Corpo da Guarnição da Província, com a posse do coronel Inácio Corrêa de Vasconcelos, organização criada no ano anterior.

Lamenta que a insuficiência da tropa de linha na região obriga-o a manter em exercício uma tropa da Guarda Policial na localidade de Ega (atual Tefé). E indica seu efetivo: “um tenente e 81 praças de pré”. Unicamente.

Assume em caráter temporário a presidência do Amazonas, João Pedro Dias Vieira, 1º vice-presidente (nascido em Guimarães (MA), em 1820, e bacharelado pela Faculdade de Direito de São Paulo, em 1841. Magistrado, também exerceu a política. Morreu no Rio de Janeiro, aos 50 anos).


Dois anos: três presidentes


Em menos de dois anos – 1856-57, passaram pelo Amazonas três presidentes. Certamente, não havia interesse dos empossados em arrostar as dificuldades de toda ordem da longínqua província, ou apenas buscavam títulos? Seja como for, não havia como pretender um progresso administrativo. Pouco ou quase nada registram sobre a Guarda Policial, que seguramente já ofegava.

João Pedro Dias Vieira

A 28 de janeiro de 1856, assume a presidência João Pedro Dias Vieira, que se afasta da administração um ano depois. Vieira registra na Exposição com que passou o governo em 17 de novembro de 1856, que determinou a dissolução da Guarda Policial no município de Maués. No mesmo mês de seu afastamento, foi a vez da “Guarda Policial do município de Vila Bela da Imperatriz”, a hodierna festiva Parintins. Em ambas as localidades, restabeleceu a Guarda Nacional.

O segundo foi Ângelo Tomaz do Amaral (jornalista e político, nascido e morto no Rio em 1822-1901), que toma posse em 12 de março de 1857. Ao assumir, tem conhecimento de que dezesseis dos 23 oficiais destacados para ativar o Corpo da Guarnição da Província já se encontravam em Manaus, “inclusive o tenente-coronel comandante Pedro Nicolau Freguerstein (sic) e o major de artilharia Carlos de Moraes Camisão”. Já em maio, Amaral retira-se de Manaus e retorna em setembro.

Dois meses depois, em 10 de novembro, desembarca em Manaus para exercer a presidência da província, o juiz e político Francisco José Furtado (nascido em Oieras (PI), em 1818, e morto no Rio, em 1870; além desta presidência, foi ministro da Justiça entre 1862-65).


domingo, dezembro 04, 2022

ÔNIBUS DE MANAUS

 Alguns modelos de ônibus que circularam pela cidade




sexta-feira, dezembro 02, 2022

BENCHIMOL: CANUDOS E O ACRE

 

Ainda me impressiono com textos sobre a tragédia canudense (1897), que atraiu a Força Policial amazonense para aquela luta fratricida. Estudando o episódio, cheguei a Sena Madureira (AC), que foi inaugurado com a presença de Candido José Mariano, condutor da tropa contra os conselheiristas, e o segundo prefeito daquele município (1905-10).

Hoje esbarrei com este trecho do falecido mestre Samuel Benchimol, componente de seu livro O Romanceiro da batalha da borracha, inserido no Amazônia: um pouco-antes e além-depois (1977), que bastante me comoveu. Detalhe importante: a ilustração do livro foi feita pelo saudoso artista Jorge Palheta.

Dedico esta postagem ao Isaac Melo, pela dedicação aos estudos da Amazônia. 

Capa do livro de Benchimol

(...) Um dos cortes psicológicos predominantes no perfil do sertanejo feito imigrante é o destino. À primeira vista parecerá que esta expressão não possui valor; mas, analisando bem, poderemos apanhar o profundo interesse sociológico que ela contém. Todo imigrante tem um destino. E acredita nele. Existe em função dele e não gosta de contrariá-lo. "Ninguém esbarra o meu destino. Eu vou para o Acre". A frequência com que eu ouvi dizer — "o meu destino é o Acre" — fez-me pensar até na existência de uma espécie de messianismo sertanejo. Gostam de ver até onde o destino será capaz de conduzi-los. Deixam-se levar por ele: "Eu tomei o bonde errado, agora vou até o fim da linha. Eu sigo para o Acre mesmo".

A carga psicológica do destino talvez seja uma sobrevivência mística do sertão. Mística e beata. Uma espécie de sebastianismo messiânico, crendo, em vez do rei ou do Messias, no ouro-negro. O Acre tem alguma coisa de Juazeiro e Canudos.

Canudos na ilustração de
Palheta

De Plácido de Castra fizeram um arremedo de Antônio Conselheiro e Padre Cícero. Repare-se, por exemplo, neste veterano da guerra do Acre, Sérgio Bernardo Pinto: "Eu tenho honra em ser veterano do Acre. Lutei com Plácido de Castro. Aquilo é que era homem de verdade". Envolveram-lhe em lendas, até deram-lhe uma aparência sobrenatural, quase divina: "A palavra dele era um tiro, parecia que ele tinha um imã dado pela providência, para cativar a gente". Ele me disse que Plácido, ao morrer, mandou arrancar o coração para fazer presente à sua noiva...

O Conselheiro era a mesma coisa. A sua palavra também era um evangelho. Contagiava delírio na multidão beata. O Acre, assim, tem de Juazeiro a fé no destino. O misticismo da riqueza, a esperança de enricar, é uma tradução material da fé e do fanatismo. A seringa é a versão do milagre. Em vez da reza, o tiro; da promessa, a pontaria. De Canudos ele tem a reação violenta, audaciosa e única.

Plácido tinha, para isso, alguma coisa de bárbaro, pelo menos assim esse cearense o interpreta: "Era um homem como poucos, assisti ele mandar uma sentinela abrir a sua própria cova porque deixara passar um boliviano pelo seu posto..." O Acre também veio do "tirocínio brutal da fome, da sede, das fadigas, das angústias recalcadas, das misérias fundas".

Por isso ele deve ser estudado em função desse misticismo econômico que até hoje ainda não passou. "O Acre vai ser a nossa salvação" — "eu vou ser feliz no Acre". "Aquilo é uma terra santa", disse-me Sérgio Bernardo Pinto. O imigrante, portanto, não largou essa fé no destino, ainda continua, dizendo: "O meu destino é o Acre. Não quero contrariar o meu destino". Uma modalidade de fatalismo aplicado na Amazônia. Não se pense que o sertanejo tenha entre nós abandonado os seus caracteres conhecidos. Quando surge uma oportunidade, estes aparecem à tona. O Acre é um desses casos. (...)

A ressureição sertaneja acudindo à desilusão do cearense cansado. A procura do tempo perdido. O arrependimento de uma vida atribulada. A volta ao campo de onde partira. A roça, o galinheiro, o curral. A sua história termina assim: — "Minha mulher morreu no Acre. Minha filha casou-se aqui. Eu estou só. Vou ver se o Acre dá jeito. Se não der, não importa. Eu vim para enterrar os meus ossos nos barrancos do Acre". A terra prometida irrompe, afinal, na psicologia do seu destino: "O Acre é uma terra santa".