CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS
terça-feira, junho 07, 2022
DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE
sábado, junho 04, 2022
SEGURANÇA PÚBLICA: 1942
Mais um tópico explanado pelo interventor Álvaro Maia ao presidente Getúlio Vargas, em Exposição referente a 1942, tratando de setor da Ordem Pública, no tocante aos "soldados da borracha".
ORDEM PÚBLICA
Intensificaram-se as providências de acautelamento e de fiscalização no que se refere à manutenção da ordem em todo o Estado. Foram encaminhados para os seringais milhares de trabalhadores nordestinos na maior parte solteiros, probos e respeitadores em grande número, mas, também com uma leva avultada de elementos acostumados ao vício ou revoltados pelas circunstâncias do momento.
Recusavam-se a seguir
para os seringais, desligando-se do Serviço de Abastecimento do Vale Amazônico (SAVA),
estabelecendo pouso em Manaus e em outras cidades. A atuação vigilante da
Polícia impediu que manifestassem as suas atividades.
São informações da
Chefatura: "dos elementos estatísticos colhidos pela Secção competente,
verifica-se que, em comparação com o ano anterior (1942), houve um decréscimo
de cerca de 28% no total das prisões correcionais, chegando esse decréscimo, em
alguns dos motivos, a atingir mais de 50%".
Em um movimento de
tantas incertezas, em viagens por motores, navios, lanchas, em loteamento em
seringais longínquos, onde os trabalhadores iam encontrar seringueiros antigos,
houve 13 homicídios em todo o Estado e 73 ferimentos.
Há a notar que o
policiamento no interior é feito por Delegados Gerais de Polícia nos municípios,
auxiliados por subdelegados, inspetores e agentes distritais; apoiam-se
ordinariamente em uma guarda municipal composta de 3 a 4 homens. Somente nas
sedes municipais em que há pavilhões da SAVA, para distribuição de
trabalhadores, há elementos da Guarda Civil e da Força Policial do Estado.
A Interventoria
solicitou ao coronel [Exército] Nelson de Melo, então diretor do
Departamento de Segurança Nacional, a designação de um técnico para reformar os
serviços policiais no Amazonas: exerceu essas funções com superior critério o
doutor Alberto Tornaghi, que apresentou os planos necessários à organização de
uma polícia completa. A execução depende de situação financeira.
![]() |
Barranco do rio Jutaí (foto Guenter Hengel) |
O movimento dos
estrangeiros eixistas [relativo ao Eixo] foi pequeno no Amazonas,
conforme atesta a Delegacia de Segurança Política e Social. Basta dizer que
foram concedidas apenas 9 guias de trânsito, sendo 3 a súditos japoneses, 3 a
italianos e 1 a alemão. Entraram 33.818 passageiros; saíram 28.331. (...)
A Delegacia de Ordem Política
e Social exerceu severa vigilância entre os elementos eixistas e indivíduos
suspeitos de quinta-colunismo, sobre os quais pairavam denúncias de trabalho
sobre o terreno contra o aumento da produção de borracha, agindo entre as correntes
de trabalhadores aliciados para os seringais. Não houve propriamente casos
concretos, de vez que a fiscalização coube também aos prefeitos, às autoridades
espalhadas pelo interior e aos próprios seringalistas.
Relíquia do "mestre" Bala, que operava na ilharga de Manaus |
sexta-feira, junho 03, 2022
DONA DORA: 02 JUNHO 1992
Perdão, Dona, a postagem deveria ter circulado ontem, não que eu tenha esquecido, até lembrei demais. Uma coisa e outra, vai hoje essa lembrança de que há 30 anos a senhora se foi. Não esqueço o velório e o sepultamento no cemitério São Francisco, quando efetuamos o cortejo à moda antiga, carregando o caixão pelas ruas do Morro da Liberdade. Sua ida desarmou esses "moleques", seus filhos, que se espalharam pelo país. Estamos bem, cada qual a seu modo, a senhora breve vai receber uma tetraneta, a primeira, Até o final do ano, vou reunir a família na sepultura existente no São João Batista, perto de casa. Encerro recebendo sua benção.
A mansão da rua Amazonas, 29 Morro da Liberdade, local de tantas lembranças e saudades |
Há algum tempo venho percebendo o emprego de “boadrastra”, em substituição ao termo madrasta. Quem o emprega, certamente, deseja ressaltar a grata presença e o tratamento auferido da nova companheira paterna. Envolvido por este sentimento, lembro aqui a minha “boa”, ainda que nessa data, a de seu falecimento, ocorrido em 1992.
quarta-feira, junho 01, 2022
MANAUS: FATOS DE 1962 (2ª PARTE)
Em complemento ao enunciado, exponho a segunda parte de fatos que marcaram a cidade de Manaus naquele distante 1962
Por sua relevância, ressalto este
registro de 2 de agosto: o governador do Estado exonera o Dr. José Bernardo
Cabral do cargo de Chefe de Polícia, “em virtude de haver se candidatado a um
cargo eletivo”. Cabral foi eleito deputado estadual pelo PTB. Detalhe expressivo:
em substituição, “nomeia ao capitão médico do Exército Nacional”, comissionado
no posto de tenente-coronel PM, para o cargo mais importante da Segurança
Pública, não importavam pré-requisitos profissionais, bastava ser um homem de
confiança do governante. Lembrando que a campanha eleitoral prosperava com acirrada
disputa: o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) de situação, com Plinio Coelho,
e o PSD (Partido Social Democrático) de oposição, com Paulo Nery. Que
proporcionaria fortes emoções.
Recorte de O Jornal, 9 de setembro de 1962 |
Em 9 de setembro, a cidade ganhou
a central de eletricidade pertencente a CEM (Companhia de Eletricidade de
Manaus), instalada no bairro de Aparecida, no barranco do igarapé de São Raimundo.
“Era o fim de 15 anos de escuridão e prejuízo ao nosso desenvolvimento”, glorificava
o governo em editorial. Ao final de setembro, o
comício de encerramento da campanha oposicionista ocorreu no bairro de
Educandos, e desencadeou seríssimo atrito entre o governador e o comandante do
GEF, cujas consequências envolveriam os “caciques” do 31 de março de 1964. Em
síntese, a altercação ocorreu quando os “situacionistas” desarmam o palanque
adversário e bloqueiam o trânsito no mencionado bairro. O comandante do GEF,
general Moniz do Aragão, alertado por um subordinado (sargento Ritta Bernardino),
interferiu na segurança do local, resultando em disputa brutal entre as partes,
até mesmo com tiros em direção ao vigário local, padre Antonio Plácido. As duas
autoridades travaram um bate-boca deselegante, o qual provocou a substituição
do general – segundo o “canto do fuxico” – por prestígio do governador Mestrinho
junto ao presidente Jango.
Em 7
de outubro ocorreu a eleição geral no Estado, sendo eleito governador o
candidato do PTB Plínio Ramos Coelho (1920-2001), que tomaria posse em 31 de
janeiro seguinte, para cumprir o segundo mandato. Era o chefe do Executivo, encerrando
o mandato, Gilberto Mestrinho de Medeiros Raposo (1928-2009), a ele coube a
tarefa de apoiar aos expedicionários empenhados na busca dos destroços. Para
tanto, Mestrinho encarregou o capitão médico Chefe de Polícia, para representar
o governo.