CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

quarta-feira, abril 04, 2018

PMAM - 181 ANOS (VI)

Bandeiras no mastro
A Polícia Militar do Amazonas festejou hoje pela manhã seu aniversário. No pátio do comando-geral, em Petrópolis, a formatura que deveria começar às oito, foi adiada por duas horas a fim de atender ao comandante-supremo, o governador do Estado.
Houve a concessão de medalhas e a presença maciça até de reformados, pois esperavam todos que o governador anunciasse o índice de reajuste da classe policial. 
O discurso de sua excelência, todavia, foi desestimulante, ficou no ramerrão das dificuldades reinantes no Estado.

Acima, apenas o pátio do 1º Batalhão, em 1975
Nesta manhã, o mesmo pátio agora do Comando-Geral

terça-feira, abril 03, 2018

PMAM - 181 ANOS (V)



Jornal A Crítica, edição de 4 de maio de 1965
 No dia de ontem, a Policia Militar do Amazonas comemorou o seu 89º aniversário de fundação. Fizeram-se presentes às solenidades o governador Arthur Reis e esposa, comandante Gilberto Ferraz, Capitão dos Portos, presidentes da Assembleia Legislativa e do Tribunal de Justiça, Secretários de Estado e outras autoridades.
Ao desfile das tropas em continência à Bandeira, cujo hasteamento foi ponto inicial das programações, passou-se a leitura da Ordem do Dia, feita pelo Coronel Nardi de Souza, que enalteceu as tropas do Amazonas através dos anos, salientando a figura de Cândido José Mariano, um dos heróis da guerra de Canudos.
Já no Salão Nobre, a corporação ouviu a palavra do governador Arthur Reis que, ao enaltecer a Polícia Militar, dispensou as punições aplicadas aos militares e prometeu para o ano vindouro a construção de um novo quartel.
A seguir, inaugurou-se o quadro do herói amazonense de Canudos, cerimonia que teve por complemento um coquetel oferecido aos presentes.


Observações sobre o relato:
A festa ocorreu em 3 de maio, então a data do aniversário da PMAM. Tanto que estava comemorando 89 anos de existência. Arthur Reis era o governador ao tempo do Governo dos Generais. Historiador competente e educador de respeito, soube aproveitar a data para perdoar as transgressões dos policiais. Este procedimento constituía-se numa praxe, nada de sobrenatural.
O major EB José Jorge Nardi de Souza era o comandante desde o final do ano anterior. E neste permaneceu até o mês de novembro, quando transferiu o comando ao tenente-coronel PM Neper Alencar.
Zuavo provincial

O governador, sabedor da história republicana da corporação, tomou algumas medidas: uma, já mencionada, perdoando as punições. A segunda, nominando o efetivo da corporação de Batalhão Amazonas. Enfim, inaugurando um quadro com a fotografia de Cândido Mariano que, sabe deus, onde anda.
Bem, em 1972, uma publicação do historiador Mario Ypiranga mudou a data de criação da Força Estadual. Por isso, amanhã ela completa 181 anos.

PMAM - 181 ANOS (IV) E A OPERAÇÃO REBRACA

Coronel Lucy Coutinho em reunião no Auditório da PMAM,
A Crítica, 21 dezembro 1974

No finalzinho de 1974, a Polícia Militar do Amazonas (PMAM) foi encarregada de uma atividade inusitada: coordenar a Operação Rebraca. Tratava-se da Repatriação de Brasileiros de Caiena. Após entendimentos diplomáticos, o governo brasileiro aceitou retirar seus nacionais da vizinha Guiana Francesa, cuja capital é Caiena, na fronteira com o então Território Federal do Amapá. 
Não obstante ter a maioria dos brasileiros saído do Amapá, estes foram distribuídos pelas capitais do Pará e Amazonas, além do município de Santarém (PA). Já não recordo, e o jornal consultado apesar da longa matéria, não especifica a motivação da retirada dos brasileiros. Certamente entraram pela longa fronteira e passaram a executar atividade ilegais. Suponho. Isso levou à disputa entre guianenses e brasileiros, levando-os ao desfecho físico e ataques com mortes.
O transporte deste pessoal foi realizado pela Marinha do Brasil, que utilizou o navio Barroso Pereira, sob o comando do CMG Robério Cardoso Brochado, bastante conhecedor de Manaus, pois tem realizados constantes viagens transportando mercadorias para órgãos do Governo do Estado e das Forças Armadas.

Sobre o pessoal, pouco ficou registrado, em especial o número de famílias e nomes. Unicamente o informativo assinala que chegaram a Manaus seiscentos e vinte brasileiros. No entanto, foram bem recepcionados, além dos membros da coordenação local do Rebraca, à frente o coronel Lucy Coutinho, da PMAM, grande número do povo, certamente parentes e amigos dos retirantes.

A Marinha dispôs efetivo do corpo médico para o atendimento na viagem. Curiosidade: entre as muitas senhoras repatriadas, apenas uma se encontrava gestante. Os demais repatriados pediram à senhora que quando do nascimento da criança, caso fosse menina, receba o nome de Rebraca. A futura mãe deu resposta positiva. Todavia, 44 anos depois, como saber se a promessa foi cumprida?  

Jornal A Crítica, 21 dezembro 1974

Desembarcados, os repatriados foram transportados por ônibus da saudosa empresa SOLTUR, para os locais residenciais. O prazo de permanência no local estava marcado para trinta dias. A acomodação destes restou assim especificada: as famílias, nos conjuntos residenciais Jardim Paulista e Jardim Brasil. Os jovens solteiros, no Quartel do 1º BPM, e as solteiras, no Instituto Benjamin Constant.
Servia eu no 1º BPM, que recebeu alguns solteiros, que foram rapidamente empregados e deixaram o quartel. Lembro-me de um jovem que passou a trabalhar no Armazém Reembolsável da PM, e que restou alcunhado de... Rebraca. Desconheço se alguma família ocupou o Jardim Paulista (bairro do Aleixo). Sei, contudo, que o conjunto residencial Jardim Brasil, situado na avenida Silves, estava prestes a ser entregue aos compradores. No entanto, as famílias chegadas foram as sortudas ao estrear os apartamentos, deixando em má reputação este conjunto.

Como tudo isso terminou? Com a inclusão de algumas famílias na cidade; outros empreenderam o retorno para suas cidades de nascimento; outros – quem sabe? – retornaram à Caiena. A palavra “rebraca” foi empregada por largo tempo com sentido pejorativo e discriminatório. E a PMAM retornou às suas atividades corriqueiras.

Amanhã, a PMAM completa 181 anos de presença no Amazonas.

domingo, abril 01, 2018

PMAM - 181 ANOS (III)

Ainda em sequência aos festejos de criação da Polícia Militar do Amazonas (PMAM), lembro que esta corporação, em dezembro de 1974, estava o comando do coronel Lucy Coutinho. Na oportunidade, recebeu o encargo de coordenar a “Operação Rebraca” (Repatriação de Brasileiros de Caiena). No próximo post detalharei a execução deste exercício mais de caráter diplomático.

Reescrevo a coluna sobre militares, encartada em A Crítica (22 dezembro 1974), em que divulga ralos acontecimentos sobre a PMAM.

O recorte da mencionada edição mostra a barraca da Rádio Patrulha

POLÍCIA MILITAR

OPERAÇÃO REBRACA
O ponto de convergência da “Operação Rebraca”, em Manaus, estará a cargo do Comando-Geral da Polícia Militar.
 CONCLUÍRAM CURSO DE APERFEIÇOAMENTO
Após terem concluído com êxito o Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais na Academia de Policia Militar de S. Paulo, regressaram a Manaus os capitães Mael Rodrigues de Sá e José Cavalcanti Campos.
(Ambos coronéis reformados, recordo que Mael Sá exerceu o comando da PMAM em duas ocasiões; e o segundo, também em duas oportunidades, chefiou a Casa Militar. Cavalcanti ocupou ainda a Assembleia Legislativa na condição de deputado).
 PM REALIZOU FESTA NATALINA
Com a presença de todos os militares daquela organização militar e de seus familiares, a PM proporcionou na última sexta-feira no 1º BPM, sua festa natalina, que contou com a presença do Papal Noel e de centenas de crianças. As barracas foram construídas com brincadeiras diferentes, assim como foram distribuídos brinquedos para a petizada.(A corporação deveria ter próximo de 1.200 homens, portanto, descontados os destacados, era fácil reuni-los no imenso pátio do 1º BPM, em Petrópolis, onde hoje assenta-se o Comando-Geral.