CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

domingo, maio 03, 2015

HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO AMAZONAS (2)


Tenreiro Aranha, presidente
No segundo governo dos irmãos Nery (1904-07), circulava em Manaus a “Revista destinada a vulgarização de documentos geográficos e históricos do Estado do Amazonas”, intitulada ARCHIVO PÚBLICO. Tais documentos constituíam o acervo desta repartição que, ainda em nossos dias, sem o brilho anterior, prossegue funcionando.
Em 17 de outubro de 1907, Bento de Figueiredo Tenreiro Aranha (filho do 1º presidente da Província amazonense e dirigente do referido órgão), proferiu uma palestra sobre a História e Geografia do Amazonas. Essa alocução, realizada no Ginásio Amazonense diante de respeitável plateia e do próprio governador, Constantino Nery, foi reproduzida no volume II, datado de 23 de janeiro seguinte.

Abaixo, a II Parte.

 O rio Amazonas, um dos principais do mundo, é o mais caudaloso da América do Sul e dos conhecidos até hoje na Europa, Ásia, África, América e Oceania. A sua bacia com o Tocantins, formando toda a Amazônia, tem de dimensão, segundo calculou Chichko, 6.430.000 quilômetros quadrados.

Diz Eliseé Reclus na sua “Geografia, etnográfica e estatística do Brasil”, sobre o Tocantins que: “O sistema hidrográfico do Tocantins prende-se estreitamente ao do Amazonas. Se é verdade, como tudo parece indicar, que em consequência de alterações do fundo do mar, as águas do Atlântico invadiram as terras, hoje ocupadas pelo golfo amazônico, tempo houve em que o Tocantins, que atualmente se comunica com o rio mar por furos e igarapés, unia diretamente a sua corrente com a dele por uma confluência situada a leste da ilha Marajó: era então simples tributário do Amazonas”.

Ela, sem o Tocantins, mede 5.594.000 quilômetros quadrados; só sob a denominação de brasileira 3.620.000, limitada ao estado do Amazonas 1.720.060, e ao do Pará 1.070.000. O seu curso, menor que o do Nilo, Missouri-Mississipi, e Yang-Tsé-Kiang, tem de extensão, partindo do Nupe, que se lança no tributário do Lauricocha, até sair no Atlântico, 5.710 quilômetros e, só no Brasil, 3.200.
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As grandes crescentes das suas águas ou extraordinárias baixantes, cada qual delas com duração de seis meses a um ano, tornam variável e por isso mesmo incalculável a dimensão de sua maior ou menor largura. No período da sua crescente ficam submergidas as partes mais baixas de sua margem, e a maior parte das ilhas do imenso arquipélago, formado em todo o seu leito; e por este motivo não se pode determinar com exatidão a dimensão da largura do rio.

O contrário disto dá-se com a grande baixante (sic) das águas, a vista da parte baixa das margens, que se achando submergidas, surgem barrancosas com a altura de 16 e mais metros, e as suas praias que avançam para o meio do rio, mais de três quilômetros.

Herndon avaliou em 1,5 milha (3.332 metros) por hora a corrente do Amazonas, que se torna maior em tempo da sua máxima enchente e menor na vazante; entretanto, a sua velocidade em muitos lugares é calculada, próximos das embocaduras de rios, pedras e cachoeiras de 5 a 6 milhas por hora.

Em frente a Óbidos, onde mais estreita-se o Amazonas, mede de largura 1566 metros, de profundidade no meio 132, e junto às margens 44; e de corrente mede também uma velocidade média, de 0,63m a 1,34m por segundo, parecendo-me todavia haver engano neste último cálculo.

Onezime Reclus avalia a profundidade do rio em 50 a 100 metros. A extensão da influência das marés, que no Amazonas é de 750 quilômetros, chega só até Óbidos, onde a preamar atinge 0,33m; e segundo Wappeus 500 milhas da embocadura do Amazonas até Óbidos. O rio começa a encher, como diz Saint Adolphe, em novembro e atinge a sua máxima elevação em junho.

No mar a sua embocadura partindo da ponta de Tigioca até Macapá, e a ilha de Marajó de permeio, segundo Ayres do Casal na sua “Geografia Brasileira ou Relação histórica-geográfica do Brasil”, 50 léguas, e até o cabo Norte, como calculou Wappeus, 180 milhasBaena no seu “Ensaio Corográfico da Província do Pará” mede a largura da embocadura da ponta do Maguary, a N. E. da ilha do Marajó, ao rio Arauari (Araguari) – 56 léguas e 2/3.

Corre o Amazonas de oeste para leste, atravessa proximamente a mesma latitude, possui o mesmo clima as suas margens, e as suas chuvas não caem ao mesmo tempo em toda a sua extensão, havendo mesmo uma diferença de seis meses entre o norte e o sul.

Na extensão de mais ou menos 70.000 quilômetros é navegável o rio Amazonas por navios à vapor de 2 a 30 pés de calado, bem assim os seus paranamirins, paranás, lagos, igarapés, afluentes, tributários e subtributários dos afluentes, e secções encachoeiradas de alguns destes.

A sua navegação até 31 de dezembro de 1852 fazia-se com pequenas embarcações à vela ou a remo e sirga, a exceção de 5 viagens, que efetuaram nos anos de 1843, 1845, 1848, 1850 e 1851, os vapores da Marinha de Guerra Brasileira, Thetis e Guapiassu, tendo sido uma ao Xingu e Tapajós, uma a Vila Bela (Nova da Rainha), uma ao rio Branco, uma ao rio Negro até Tauapessassu, e ao Solimões até Tabatinga, e a última à Manaus.

Principiaram com regularidade as viagens a vapor do rio Amazonas entre Belém e Manaus em 1º de janeiro de 1853.

O vapor brasileiro “Marajó”, primeiro da Companhia de Navegação, Comércio e Colonização do Amazonas, incorporada por Irineu Evangelista de Souza (Visconde de Mauá), capitalista brasileiro e natural do Rio Grande do Sul, iniciou essas viagens, sendo precedido esse navio pelo vapor “Rio Negro”, da mesma companhia, a 7 de agosto do mesmo ano.

Este na sua 3ª viagem, em regresso de Manaus para Belém, encalhou no dia 14 de outubro, perto da embocadura do rio Madeira sobre as pedras que ficam abaixo da ilha do Espírito Santo a pouca distância acima de Serpa (Itacoatiara).

O 1º vapor que sulcou as águas do Solimões e Marañon entre Manaus e Nauta, depois da viagem a Tabatinga do vapor de guerra Guapiassu entre 1848 foi o “Marajó”, saindo a 23 de setembro do mesmo ano de 1853 do porto de Manaus, para iniciar a 3ª linha, na conformidade do contrato do referido Irineu Evangelista de Souza com o governo.

Depois desta navegação à vapor do Solimões e Marañon, a Companhia do Amazonas efetuou a do Rio Negro, entre Manaus e S. Isabel, fazendo seguir o vapor “Monarca” em 15 de janeiro de 1855. Esta viagem foi a 3ª, a vapor, que se fez ao Rio Negro, tendo sido a 1ª, até o Rio Branco, realizada em 9 de setembro de 1843, a 2ª, a 25 de maio de 1848 até Tauapessassu pelo vapor de guerra “Guapiassu”.
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As cores das águas do rio Amazonas e dos seus tributários são diversas, notando-se que as do Amazonas, propriamente dito, e do Xingu é [sic] parda, do rio Negro é preta, dos rios Madeira, Branco, Padauari, Japurá, Purus, Juruá e alguns mais é branca, do rio Tapajós é verde-castanha, do rio Tocantins é verde-clara, dos lagos em geral é preta e dos igarapés é de alguns preta e da sua maior parte branca cristalina. (segue)




HOSPITAL DO EXÉRCITO


Hospital da Guarnição do Exército, em construção na praça Floriano Peixoto, no bairro da Cachoeirinha, Manaus. Realizada no início da década de 1940, quando da II Guerra e o esforço norte-americano na região.




quarta-feira, abril 29, 2015

HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO AMAZONAS (1)


Ginásio Amazonense, ainda em construção
No segundo governo dos irmãos Nery (1904-07), circulava em Manaus uma “Revista destinada a vulgarização de documentos geográficos e históricos do Estado do Amazonas”, intitulada ARCHIVO PÚBLICO. Tais documentos constituíam o acervo desta repartição que, ainda em nossos dias, sem o brilho anterior, prossegue funcionando.
Em 17 de outubro de 1907, Bento de Figueiredo Tenreiro Aranha (filho do 1º presidente da Província amazonense e dirigente do referido órgão), proferiu uma palestra sobre a História e Geografia do Amazonas. Essa alocução, realizada no Ginásio Amazonense diante de respeitável plateia e do próprio governador, Constantino Nery, foi reproduzida no volume II, datado de 23 de janeiro seguinte.

Dado a extensão do texto, farei a publicação em partes.


Ilustre e seleto auditório, dando começo a minha tarefa submeto desde já à imparcialidade e justiça de vossa crítica, o seu produto, que outro merecimento não tem senão ser meu, e este mesmo ser proveniente da força de vontade que me caracteriza e de documentos autênticos que hei lido.

I

        
O Amazonas foi descoberto em 26 de janeiro de 1500 por Vicente Yanez Pinzon, data anterior ao descobrimento do Brasil por Pedro Alvares Cabral, que se realizou a 22 de abril do mesmo ano, achando-se este então em frente da serra dos Aimorés, a que deu o nome de Pascoal.
Alguns índios, nesse tempo, denominavam Paranayaçu (Paranaguaçu ou Paraná Guaçú) e outros Paranatinga  o Amazonas, e em vista da resposta: Mar ah non de Ayres Pinzon à pergunta: Ainda isto é mar? de Vicente Pinzon, foi que tomou o nome de Marañon, havendo, entretanto, à respeito a versão de ter provindo este nome de um capitão Marañon, que servia às ordens de Pizarro, citado como primeiro explorador de suas nascentes. Teve além deste mais o de Orellana, que lhe deu em 1540 Francisco Orellana, lugar tenente de Pizarro, na excursão deste feita ao rio Casca, próximo de Quito, ao rio Napo, com o fim de descobrir o País das Caneleiras, que se dizia estar no Paranayuaçu, onde aquele saiu, e por ele desceu até o oceano.
Este mesmo aventureiro, nesse ano, substituiu-o pelo nome Amazonas, em consequência de haver encontrado entre os rios Uatumã e Jamundás (Nhamundá) hostes intrépidas e valorosas de índios esbeltos e imberbes, que lhe pareceram mulheres guerreiras, armadas de arco e flechas e as quais investindo sobre ele e a sua força para impedir a sua navegação, arremessaram nuvens de flechas contra o seu bergantim, e de tal sorte, que o impeliram a fugir.
Depois disto, em 1560, foi que Pedro Ursua, encarregado pelo vice-rei do Peru de verificar as notícias levadas à Espanha por Francisco Orellana, sobre o rio das Amazonas, empreendeu a sua viagem de Cusco pelo rio Jutai (Hiutahy), donde passou ao rio Juruha (Juruá ou Hiuruha) destinado a descobrir o império do El Dorado.
Não logrou este os louros da sua aventurosa incumbência, em consequência de ter sido assassinado em meio da viagem por um seu soldado, que fazia parte da comitiva. Depois dessa malograda viagem só em 1636 partiu de Quito com destino aos Encabelados João de Palácios, onde por estes índios foi, no rio de igual nome, assassinado, e, nessa ocasião, podendo escapar da morte, fugiram os leigos, freis Domingos de Briebas e André de Toledo, que pertenciam à sua comitiva.
Desceram os dois leigos o rio Amazonas, arrastados pela sua vertiginosa corrente, conseguindo aparecer em Belém do Grão-Pará, donde partiram então em direção do Maranhão e ai expondo ao governador do Estado a sua aventura, esta lhe despertou o mais vivo interesse pelo descobrimento das terras do Amazonas, até então dos portugueses desconhecidas, e só por isso designou para esse fim a Pedro Teixeira, e fê-lo incontinente seguir de Belém a Quito, a frente de 70 soldados e 1200 índios armados de arco e frechas uns, e como remadores de 45 canoas outros, levando debaixo de suas ordens o coronel Bento Rodrigues de Oliveira, sargento-mor Felipe de Mattos Cotrim e capitães Pedro da Costa Favela e Pedro Baião de Abreu.
Comandante-geral da expedição, e revestido das honras e poderes de capitão-general governador do Estado, o famoso capitão Pedro Teixeira, deu este então execução a sua importante missão, partindo do porto de Cametá em 28 de outubro do mesmo ano de 1637.
Durante o tempo de sua excursão entrou no rio Tapajós, reconheceu as embocaduras dos rios Madeira, Negro e Coari, e subiu o Napo e seus afluentes Aguarico ou Ouro e dos Encabelados, deixando nestes, por prevenção, destacados os seus dois capitães com uma força suficiente, sob as ordens dos mesmos. A sua entrada em Quito foi em setembro de 1638, donde só retirou-se a 16 de fevereiro de 1639, chegando a Belém a 12 de dezembro deste mesmo ano.
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Antes desta extraordinária conquista, ainda no domínio colonial espanhol, e no reinado de Felipe III da Espanha, e II para Portugal, o governador e capitão general do Estado do Brasil baixou em 8 de outubro de 1612 as instruções para a Conquista e descobrimento das terras do rio Maranhão, a vista do projeto de Diogo Botelho submetido, quando governador geral, em 1604, ao governo de Lisboa,  cujo projeto tendo sido adotado pelo seu sucessor Diogo de Menezes em 1610, só depois disto executou-o Gaspar de Souza em 1612, ordenando que a sede das operações para o bom êxito dessa conquista devia ser Pernambuco, e sem perda de tempo transferiu-a para aí em 1613.

Encarregado por Alexandre de Moura em 1615 Francisco Caldeira Castelo Branco do descobrimento do Grão-Pará, nome que deram os portugueses ao Amazonas, consegue este emissário ancorar na baia do Guajará em 3 de dezembro de 1616, fundar a cidade de Belém e instalar sob o governo das Conquistas do Maranhão e Grão Pará o da capitania do Grão Pará como seu conquistador, fundador e 1º governador e capitão mor.

O governo das Conquistas do Maranhão e Grão-Pará, formado pelas duas Capitanias do Maranhão e Grão-Pará, uma independente da outra, esteve subordinado diretamente ao governo geral do Brasil durante o tempo decorrido de 1616 a 1626, por passar, então, a Capitania do Grão-Pará a ser subordinada ao governo geral do Estado do Maranhão e Grão-Pará, inaugurado em virtude da posse do 1º governador e capitão-geral, em 3 de setembro de 1626, cuja nomeação fora de 23 de setembro de 1623.

A lista dos governadores e capitães-mores da Capitania do Grão-Pará, no governo das Conquistas do Maranhão e Grão-Pará, com as datas das suas posses, é a seguinte:
1.     Francisco Caldeira Castelo Branco
– 3 de dezembro de 1616
2.     Baltazar Rodrigues de Melo
– setembro de 1618
3.     Jeronimo Fragoso de Albuquerque
– 30 de abril de 1619
4.     Matias de Albuquerque
– 1º de setembro de 1619
5.     Custodio Valente, frei Antônio Marciano e Pedro Teixeira
– 20 de setembro de 1619
6.     Pedro Teixeira
– maio de 1620
7.     Bento Maciel Parente
– 18 de julho de 1621
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Anteriores às conquistas e descobrimentos enumerados até aqui, outras mais são citadas, que por ora não passam de crenças populares em toda a Amazônia, e de infrutíferas pesquisas científicas de viajantes sábios, que as empreenderam e ainda as exploram, após estudos profundos das duas Américas, da raça dos seus primitivos habitantes, da origem das suas línguas, usos, costumes, religiões, formas de governos, artes e civilização.

Em geral, crê-se, em toda a América, que a origem da população americana proveio do Oriente, do Velho Continente, por via do Estreito de Behring. Onesime Reclus, tratando de Cristovão Colombo e seus precursores escandinavos, no seu livro “A Terra”, avançou as seguintes proposições arrojadas: “No século X, muito antes do descobrimento de Cristovão Colombo, já o Novo Mundo ou Novo Continente, denominado América, havia sido visitado pelos europeus. Alguns noruegueses saídos da Islândia, que então florescia, a crer na história ou na lenda, estabeleceram-se por esse tempo na Groelândia,5 fizeram depois um reconhecimento na direção sul, e chegaram talvez até a colonizar o litoral a que puseram o nome de Vinland ou país da Vinha”.

Como Onesime Reclus, citam-se muitos outros da mesma opinião a respeito da descoberta da América, somente divergindo na era e nos descobridores. Visconte Onofri de Thoron, nos seus Les pheniciens a l’ile de Haiti, referindo-se a Diodoro da Sicilia transcreve deste, provavelmente no intuito de afirmar que aceitou a sua opinião, nela acreditou e repetiu que “aos 45 anos da era cristã, assinalava Diodoro a América, sob o nome de Ilha, por ignorar-lhe a configuração”.

Dele cita também, referente a essa Ilha, o seguinte: “Está afastada da Líbia muitos dias de navegação, e situada no Ocidente. Seu solo é fértil, de grande beleza e banhada por muitos rios navegáveis”.

Além disto, De Thoron atribui aos Cares, 1600aC, a descoberta da América, seguindo-lhes logo os cartagineses na navegação dos mares de Oeste; e, por último, Salomão, que incumbe aos marinheiros fenícios de Irã das viagens à Ofir e Tarschisch, situadas no interior do Amazonas, revestidos da missão de transportarem para Jerusalém, daquelas terras pouco conhecidas, todo o ouro necessário à construção do seu templo.

Destas viagens supõe ter provindo o nome de Solimões, dado ao Amazonas, desde a sua confluência com o rio Negro até a foz do rio Napo, o qual, segundo lhe parece, deverá ter sido primitivamente Salomão. (segue)     



domingo, abril 26, 2015

PONTE DE EDUCANDOS

Em outubro, a ponte que liga este bairro com o Centro de Manaus, intitulada de Padre Antonio Plácido de Souza, completa 40 ANOS (fotos). Trata-se da terceira ponte construída naquele subúrbio, e a denominação contempla o primeiro vigário da paróquia de Educandos.