CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

domingo, outubro 03, 2010

Eleições no Amazonas

Resisti caboclamente para não entrar no debate, mas não deu. Depois de receber uma tonelada de emails de tantas coligações; de assistir a um amigo proclamar a vitória da sua candidata Dilma, no primeiro turno; e observar que o Amazonas havia perdido o senador Bernardo Cabral, registro aqui "minhas" lambanças e a grave derrota.
Começo pelo desastre: perdeu o Amazonas o senador Artur Neto (para nós), e agora possui no Senado uma trindade bem diversa, coincidentemente nascida fora do estado.

Poster de Artur, afixado na porta do pintor Moacir Andrade
As vitórias aconteceram na sova que aplicamos no candidato de Lula, o senador Nascimento, oriundo do Rio Grande do Norte. A outra, fica pelo segundo turno federal.  

sábado, outubro 02, 2010

Título eleitoral com foto

A decisão da Justiça Superior do País, de excluir a necessidade do Título de Eleitor para votar, causou apreensão. Pudera, os mais idosos sentiram mais, afinal já portaram ao menos dois modelos desse documento.
De minha parte, concordo com a decisão do Tribunal, pois, como já acontece com o CPF, basta incluir na Carteira de Identidade ou do Trabalho ou da CNH o número da seção e a zona de votação.
A ideia viria na esteira de se efetuar a inscrição única, que pudesse acompanhar cada indivíduo até a morte. A implantação já programada, por desvios diversos, não tem efetivação.
Como disse, a preocupação com o documento para votar me inquietou. Mas, a necessidade de registro com foto resolvi facilmente: desencavei meu título de eleitor com foto, que funcionou até a eleição de 1982, quando votei no falecido Gilberto Mestrinho para governador.

Na frente, identificação, local de votação e assinaturas
No verso, o registro das votações e, no rodapé,
o local de votação

sexta-feira, outubro 01, 2010

A TRAGÉDIA DO FREIRE II

1975 – Afunda na ilha do Marrecão, rio Solimões, próximo de Manacapuru, o barco Freire II, resultando em 58 mortos.

Jornal A Crítica. Manaus, 3 outubro 1975
Bombeiros recolhem corpos no rio Solimões. A Crítica.
Manaus, 3 outubro 1975
Em 1º de outubro, o barco Freire II marca encontro com a tragédia, quando, desrespeitando regras básicas de navegação e da natureza amazônica, afunda no rio Solimões, diante da ponta da ilha do Marrecão, próximo a cidade de Manacapuru. Estatística do infortúnio: 58 mortos e quase o triplo de sobreviventes.
Ao conhecer a extensão do acidente, o Governador do Estado, Henoch Reis, por sinal nascido naquele município, determina “a mobilização de todos os recursos de socorro, convocando a Polícia Militar do Estado e o Corpo de Bombeiros, recomendando que não medissem esforços no sentido de atender aos sobreviventes”.


O número de mortos impressiona, certamente a maior tragédia
A Crítica, 4 outubro 1975
Os Bombeiros deslocam para o local uma equipe de oito mergulhadores, aliás, os existentes na corporação, sob o tirocínio do tenente Jorge Levy. No primeiro dia, a equipe resgatou dezesseis corpos, operando até o final da tarde, quando suspendeu as buscas “diante da severa falta de condições, devido a correnteza e a péssima visibilidade e, ainda, a presença de peixes carnívoros”.
Foram dias de cenas duras, duríssimas, provocadas pelo estado dos corpos mutilados que o rio devolvia aos vivos. Três dias depois, “o resgate chega ao fim com 58 mortos”, propagava a chamada do jornal A Crítica que, em editorial, assegura que  
O Amazonas está de luto. As vítimas, na maioria mulheres e crianças, permanecerão na dor e na profunda saudade de todos os seus familiares, de todos nós que dificilmente poderemos algum dia esquecer o maior desastre fluvial até hoje registrado na Amazônia.


O desconsolo dos familiares ao enterrar seus mortos

4º ANIVERSÁRIO DE MORTE


Lembrança distribuída por ocasião do 7º dia

Ainda encontro amigos e, eventualmente, familiares que perguntam por você, apesar de passados quatro anos de sua morte. As explicações, claro, vão se diluindo com o tempo. A dor anestesia e a gente, para tocar a vida, vive. Sempre pensando em fazer algo que lembre o morto querido.

Falo de meu filho - Roberto Souza Mendonça - falecido em 1º de outubro, aos 34 anos. Era um domingo. E, nesse dia, os brasileiros acorriam às urnas para escolher novos governantes. Também fui, votei com você, conforme combinamos.

Apesar de sua saúde em frangalhos, na véspera havia prestado um depoimento para o jornal Em Tempo, que no domingo me brindou com página inteira, falando do pleito. Permaneci com a página nas mãos, até que a enfiei no caixão que o guardou.

Sigo fazendo o que gosto, "catando papéis e escrevendo histórias", sub título de um blog que administro. Aqui e ali, encontro suas marcas, pois você muito me ajudou a cavocar as páginas amarelas de tantos arquivos. Me ajudou a fotografar, enfim, a produzir alguma coisa em prol da literatura regional.

Na última investida, saiba, fui mal sucedido: queria a cadeira 15 da Academia, mas não deu. A propósito, leia a postagem de ontem.

Logo mais a gente se encontra para uma conversa muda, que de vez em quando resulta em lágrimas.