CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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sábado, maio 18, 2019

EFEMÉRIDES FAMILIARES


As datas quase coincidem, nesses dois momentos da vida humana – nascimento e morte – que se cruzam na mesma família. Numa direção, lembramos a morte aos 98 anos de José Manuel Mendoza, ocorrida há cinco anos. Noutra, a comemoração dos deleitosos Setentanos de Ivo Manuel Barbosa Lima, em Santos-SP.

Manuel Mendoza
Hoje (18), lembra a morte de Manuel Mendoza, meu genitor, nascido no Peru e que, ao se casar com Francisca Lima, anverense – do lago, aportuguesou o sobrenome para inaugurar uma nova dinastia de Mendonça na região amazônica. Viveu bastante para, depois de dois casamentos e oito filhos, “entregar a alma ao Criador”. E, certamente o fez com méritos, pois era “católico, apostólico, romano” praticante.
Meu irmão Renato recomendou: “vamos aproveitar para elevar nossas orações a Deus, e que o mantenha iluminado pela luz divina; pedir-lhe proteção para nossos caminhos, assim como ele fez na primavera de nossas vidas”.

Acerca da vivência dele, escrevemos, eu e o mano Renato, o livro Entre duas viagens (2017).

***
Ivo Manuel (à esquerda) com o autor, saboreando o escocês 

Amanhã (19), festeja-se o aniversário de Ivo Manuel Barbosa Lima, meu primo materno. Não se trata de uma data qualquer, trata-se de seus SETENTANOS. Nasceu no bairro de Constantinópolis (hoje Educandos), mas residente em Santos (SP) há décadas, quando seu pai – Manuel Barbosa – dirigia a Padaria NS das Graças, edificada na “cabeceira” da Baixa da Égua. De frente para a baía do rio Negro. Portanto, Ivo é um homem chibata, desses nascidos unicamente em Manaus. Parabéns, primo.

Que são setenta anos, quando se vai viver outro tanto? Tencionei abraçá-lo por ocasião dessa festa. Para isso, preparei o fato e a fala, porém esqueci da passagem aérea. Esqueci que moramos longe, que aquele mesmo rio Negro que embelezava a manhã vista do sobrado de sua casa, nos afasta impiedosamente. Que nos obriga a unicamente pensar nos bons e poucos momentos de convívio, quando trocamos um papo. Assim é melhor, pois a cada visita há o que conversar e atualizar sobre a tribo, de preferência animado por aquele escocês.

Votos de sucesso com a família e com os amigos, magnifica conexão que nos anima a enfrentar as travancas da vida. Que venham mais SETENTA!

quinta-feira, junho 14, 2012

LAURO ADRIANO BARBOSA

O casal Barbosa e
o primogênito
Morreu na madrugada de hoje, Lauro Adriano Lima Barbosa, nascido em Manaus, mais precisamente no Educandos, em 1934.  Ainda quando este bairro se chamava Constantinópolis (em homenagem ao governador Nery) e os insulados moradores, sob a tutela de Jacques Souza Lima, construíam a estrada (hoje avenida Leopoldo Peres) que os ligariam ao bairro da Cachoeirinha. O governador Efigênio Sales completou a obra inaugurando a ponte, a primeira deste subúrbio, que perdeu sua finalidade com as obras do Prosamim.

Morreu na cidade de Jau (SP), mas será velado em São Vicente (SP), onde morava, depois de enfrentar com altivez um câncer que o acometeu por anos.

Lauro era o primogênito do seu Manoel Barbosa, de Pernambuco, e de dona Raymunda Lima, do Anveres, que apesar do nome excêntrico, existe à ilharga do Cambixe, um subúrbio do Careiro da Várzea. E, muito importante!, eu era seu primo, porque dona Raymunda e dona Francisca, minha mãe, eram irmãs.

Nasceu na Estrada, onde seu pai possuía uma padaria, isso mesmo, funcionando no térreo da casa de “dois andares” ou sobrado, que servia de residência. Esteve construída ao lado da fábrica de castanha. Um pouco depois do extinto cine Vitória. Lauro foi aluno do Colégio Dom Bosco, usando aquele uniforme militarizado, e do saudoso padre Agostinho.

Residência dos Barbosa, na
estrada de Constantinópolis
Mais adiante, ao tempo do serviço militar, obrigação que os pais, mais que o governo, impunham ao filho, para que este se tornasse homem, Lauro foi servir no 27º BC. Aproveitou a obrigação e seguiu no serviço. No meado dos 1950, teve sua primeira oportunidade na vida. O desastre árabe-sionista ofereceu o mote, quando o governo brasileiro cedeu uma tropa de paz, como a que frequenta hoje o Haiti, para manter a paz no Canal de Suez.

Lá esteve o sargento Lauro Adriano, acumulando tempo de serviço e uma reserva financeira. Obteve mais, sabedoria e disposição para enfrentar a vida. Primeiro, noivou. O cerimonial da época foi cumprido pelo “velho” Barbosa em casa da noiva. Veio o casamento com a Ada, vizinha da “estrada”, que o escoltou por toda a vida, dando-lhe as filhas Andrea e Adriana.

Em 1956, estando no Rio de Janeiro, recebeu os pais e os irmãos, na época uma dúzia. Cresceram e multiplicaram-se...  Hoje, espalham-se por alguns estados do País, cuidando de filhos e netos. Lauro seguiu no Exército, onde alcançou o oficialato na reserva. Mas, antes desse desiderato, concluiu o curso de bioquímica, e ingressou na loja maçônica, da qual sempre deu sinais de ativo e vibrante membro. A aposentadoria desfrutava na cidade de São Vicente (SP), ao lado da mulher, depois que as filhas cuidaram da vida própria.

Sargento Lauro, no início da
vida militar
Exercia sobre os irmãos e os descendentes a legítima autoridade do primogênito, vigiando para que a prole construída pelo seu Manoel e dona Raymunda não fenecessem, ao contrário, prosperassem com disciplina e com dignidade. Estou certo de que o Lauro alcançou. Mesmo gravemente enfermo, suas palavras, enquanto pode falar, e seus escritos depois, utilizando os vários meios da tecnologia, abonam minha perspectiva.

Despeço-me do primo Lauro, ecoando um dístico que encima o portão de um campo santo: Ide, em paz, que seus ossos descansem, “enquanto esperam pelos nossos”.