Obra da minha visita à Biblioteca Mário Ypiranga,
no CC Povos da Amazônia, compartilho um poema de Violeta Branca (1912-2000),
publicado na revista Cabocla, em agosto de 1937. Com tal, volto a preencher o
domingo com uma produção poética.
Onde estás, meu amor?
Em que mar distante tu estás, meu amor,/ que meu pensamento não te encontra?/ Em que porto de sombras/ o teu barco ancorou na noite erma?/ (...) Onde estás, meu amor,/ que a minha aflição e o meu sonho/ caminham em vão na asa do vento/ pelas distâncias sem te encontrar?
Dize-me onde estás/ e eu irei com o primeiro clarão do sol/ da madrugada que se aproxima azul,/ esperar-te amorosa, de braços abertos/ numa ânsia de voo e de abraços/ no silêncio branco/ da praia coberta de conchas e de sargaços.
Dize-me ande estás, meu amor,/ e eu irei boiando nas espumas alvas/ como uma estrela diurna iluminando/ um céu mais claro que os teus olhos verdes,/ esperar-te perdida/ no embalo da vaga/ que subindo alto/ te encontra e te afaga/ numa carícia dolorosa de amante arrependida.
Em que mar distante tu estás, meu amor,/ que o meu pensamento/ e o meu beijo/ não te encontram?
