CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

terça-feira, março 12, 2013

CORPO DE BOMBEIROS: APURAÇÃO


Coronel Dias, comandante do CBMAM,
mostra o tamanho do "pepino"
Por longo período, foi denominado de Centro de Atividades Técnicas (CAT) o setor do Corpo de Bombeiros encarregado de expedir certidão sobre normas de segurança. Todavia, sempre deu problemas de ordem financeira: a “caixinha” funcionava e nem os inquéritos administrativos já instaurados foram capazes de sanear a questão. Hoje, informa o noticiário, começa mais um, agora nomeado pelo governador Aziz.

Creio que, no início dos anos 1990, estive presidindo um deles, e conclui que acolá funcionava uma espécie de “ação entre amigos”. Os indiciados foram julgados, mas absolvidos. Para entender a situação atual, exponho pequena evolução desse serviço, que estou convicto não cabe aos Bombeiros, ao menos, na proporção que os interessados emprestam.

Em 1974, quando a Polícia Militar do Amazonas assumiu o serviço de extinção de incêndios, que era obrigação da Prefeitura de Manaus, não existia essa armadilha, a do atestado. Todavia, a legislação da prefeitura, entre tantas exigências descabidas, exigia dos Bombeiros um atestado de alguma coisa. Estava assim gerado esse pecado capital.

Dois anos depois, o comando do CB/PM estabeleceu uma comissão para implantar o serviço de “análise de projetos e instalações” etc. Logo passou à seção, com o prefixo de B/6. Adiante, macaqueando o CB de São Paulo, tomou a nomenclatura de Centro de Atividades Técnicas (CAT, para os íntimos), com séria agravante: a de receber as taxas pela análise de projetos. Em dinheiro vivo. Caixa dois. Deu-no-que-deu.

Houve evoluções, claro. O centro agora é uma Diretoria de Serviços Técnicos, empregando um bom número de bombeiros, em razão do crescimento das exigências na cidade.  As normas de conduta sofreram modificações, como exemplo, o pagamento é recolhido aos cofres do Estado.

Aproveito para registrar a minha palavra, de ex-comandante dos Bombeiros ao amigo coronel Antônio Dias. Pedir uma averiguação, como você fez, não trará grandes resultados. Sabe por quê? Porque os averiguadores, a comissão instalada é composta de elementos da corporação. Há sempre corporativismo. Nenhum técnico civil ou representante da Prefeitura está presente na investigação. Milagre não vale.

É preciso que a comissão não apenas averigue os malfeitos, mas importante, que apresente os meios para consertar, se houver desvio, a caminhada. Por isso, coronel Dias, mande este “abacaxi” para a Prefeitura de Manaus, ela sim tem obrigação e recursos para averiguar as edificações, os reparos, os elevados, a Ponta Negra (onde o senhor está quase solitário). O Cbmam deve participar disso, sim, mas com uma representação lá na sede do serviço montado pela PMM.

Não pense que não dará certo. Basta lembrar que a mesma Prefeitura tomou da Polícia Militar o encargo da circulação de veículos e vai levando (bem ou mal). Assim, aproveite a oportunidade para se livrar dessa encrenca, os futuros bombeiros vão lhe agradecer penhoradamente. Fogo!!!!!!!!!

domingo, março 10, 2013

NPOR – TURMA 1966


Em 10 de março  – Ocorreu no quartel do 27º BC (atual 1º BIS) a formatura da 1ª turma do renovado NPOR (Núcleo de Preparação de Oficiais da Reserva). Parte dos 17 concludentes dessa Turma Ajuricaba ingressou na Polícia Militar do Amazonas, os hoje coronéis da reserva Osório Fonseca Neto, Amilcar da Silva Ferreira, Ruy Freire de Carvalho, Odacy de Lima Okada e Manoel Roberto Lima Mendonça (autor deste post) e Ilmar dos Santos Faria, que morreu em 1999. Outros três experimentaram a então farda caqui da corporação estadual, porém a deixaram em pouco tempo. São eles: Antônio Germano Gadelha; Carlos Salustiano Coelho e Hélio dos Santos Graça.

Foto oficial com alunos, comandantes e auxiliares, em
frente ao comando do 1º BIS
Quando me refiro à renovação do NPOR, torna-se necessário explicar que ocorreu uma etapa deste curso em Manaus, durante a II Guerra Mundial. No biênio 1942-43, o mesmo 27º BC preparou a pioneira, vastíssima turma de jovens, visando apoiar obviamente o esforço de guerra em que se metera o Brasil. Preparou 100 (isso mesmo, uma centena) oficiais da reserva, e com isso envolveu filhos das famílias mais distintas da cidade. Acredito que, dos mais conhecidos, o último destes oficiais R/2 a morrer foi o doutor Samuel Benchimol, em 2002.

É praxe militar dar números aos integrantes de curso; assim foi efetivado com a turma do NPOR da II Guerra. Em decorrência dessa providência, os componentes do novo curso também foram designados por números e na ordem alfabética, começando pelo Al (aluno)101 Amilcar da Silva Ferreira. Porque me chamo Manoel Roberto, tomei o número 111. Já o Renato de Azevedo Tribuzy, doutor em Matemática da Ufam, respondia pelo número 113.

Da turma pioneira, três concludentes passaram pela Polícia Militar do Amazonas.  Nessa ordem: Omar Gomes da Silveira, que foi incluído como tenente em fevereiro de 1947. Quando tenente-coronel, Omar assumiu o comando-geral da Força Policial (de novembro 1967 a março 1968), no interregno entre oficiais do Exército, como era praxe no Governo Militar. Depois veio Alcimar Guimarães Pinheiro, falecido coronel. Incluído na corporação em Bastante conhecido no bairro da Praça 14 e no Palácio Rio Negro, aonde serviu na Casa Militar dos governadores Arthur Reis e Danilo Areosa. Graduou-se em 1961 na Faculdade de Direito do Amazonas.
O terceiro foi Francisco de Assis Albuquerque Peixoto, na condição de coronel comandante da Polícia Militar, nomeado pelo governador Gilberto Mestrinho, em 1959. Tornou-se o último paisano a dirigir esta instituição militar. Já postei algumas informações sobre o comando do coronel Assis Peixoto, especialmente ressaltando a reforma e o embelezamento que empreendeu no quartel da Praça da Polícia. Cabe-lhe a primazia de matricular três alunos na Escola de Formação de Oficiais da Guanabara, constituindo a primeira turma. Seu comando durou até 1963.
A turma que hoje completa 47 anos de conclusão do NPOR, apesar do pequeno número de concludentes, nunca mais se encontrou. Semana passada, ensaiei com outro colega um movimento para que isso ocorresse. Não ocorreu. Talvez o cinquentenário, que se aproxima, seja a última oportunidade.

sábado, março 09, 2013

NAVEGANDO PELO RIO SOLIMÕES, DE CAIAQUE


Coronel Hiram Reis

Para homenagear ao chefe da expedição pelo rio Juruá, coronel da reserva do Exército Hiram Reis, reproduzo dele sua penúltima postagem, que narra a etapa vencida entre as cidades de Codajás e Anamã, no rio Solimões.

Com chegada marcada para a tarde deste domingo, 10 de março, a expedição encerra seus trabalhos de campo. É preciso destacar que este trabalho foi realizado em embarcação exótica para a dimensão de nossos rios, de caiaque, cobrindo vasta extensão do rio Juruá e parte do rio Solimões. Trabalho extenuante, que somente a dedicação e o empenho e a brasilidade de Hiram Reis e seus parceiros de luta poderiam vencer.

Selva, camaradas, até o próximo desafio.


Codajás – Anamã (*) 


Ao passar pela Boca do Purus, minha memória, madrugando no passado, recolheu, no arquivo ancestral, a imagem de dois ícones de nossa história, em outubro de 1905, navegando no vapor Rio Branco, singrando este mesmo rio tendo como destino Manaus. José Plácido de Castro tinha comandado o vitorioso Movimento Revolucionário Acreano, que resultou na incorporação das terras “ditas” bolivianas ao Brasil.
Euclides da Cunha chefiara a Comissão Brasileira de Reconhecimento do Alto Purus, cuja missão era mapear o rio Purus desde a foz, no Solimões, até suas cabeceiras, definindo as fronteiras do país com a Bolívia e o Peru.
Novamente os cordiais Policiais Militares nos apoiaram na hora da partida. Quando chegamos ao flutuante do “Pisca”, ele já estava a postos para que pudéssemos carregar na lancha “Mirandinha”, o material que ficara sob seus cuidados.
Eu havia visitado Codajás, pela primeira vez em janeiro de 2009, na minha descida pelo Solimões. Deixamos para trás mais uma amazônica cidade que regrediu consideravelmente nos serviços prestados à comunidade, apresentando uma triste realidade que parece ser a tônica das cidades do rio Solimões pelas quais passamos, ao contrário do que observamos no Juruá.  

Partida para Anamã (05.03.2013)
Deixamos o cabo Mário para trás arrumando os badulaques na lancha Mirandinha e iniciamos nossa jornada. A noite emprestava à paisagem um toque de magia e mistério, eu me orientava pela claridade da cidade que ainda dormitava preguiçosamente e pelas luzes das embarcações que desciam placidamente o formidável rio. Os primeiros raios solares só surgiram no horizonte, depois de termos remado hora e meia, matizando as diáfanas nuvens.
Ao raiar do dia cruzamos por uma embarcação da Marinha do Brasil, a P20, que realizava manobras na área. O dia transcorreu sem grandes alterações, o calor era insuportável e foi necessário reabastecer nossos cantis por três vezes. Antes de entrarmos em um furo que conduzia à cidade de Anamã, solicitei ao Mário que fizesse algumas tomadas da Boca do lendário rio Purus. Como em 2009, cruzamos pelas enormes alfaces d’água (pistia stratiotes) de mais de 50 cm de diâmetro, do Purus.
O Furo, indicado ao Mário por um ribeirinho, diminuía consideravelmente a distância até Anamã e por ele enveredamos. As águas do Solimões penetravam velozmente pelo furo e chegando ao lago já tinham empurrado as águas negras mais para o interior tingindo-o totalmente com suas águas leitosas. Depois de remarmos uns dez minutos, avistamos a cidade das originais e multicoloridas casas de madeira, ao fundo, e picamos a voga para atingi-la.
Fomos direto para o Porto de Anamã, que por sinal encontra-se em péssimo estado de conservação. Guardamos nossos materiais em um flutuante da Prefeitura, sob custódia do Vovô, e contatamos o cabo PM Evandro Carreira, já orientado pelo seu comandante, Major PM Michel, que nos levou até o hotel e às dezenove horas até o restaurante do Soldado, que a Prefeitura havia-nos igualmente franqueado. 

Anamã e a Enchente de 2012
Para saber mais, consulte

 A maior enchente em mais de cem anos castigou uma das mais belas cidades do Amazonas. A alagação colocou o município de Anamã em situação de emergência, já que 100% das ruas da cidade estavam debaixo d’água e mais de 800 casas tinham sido inundadas, sendo que mais da metade delas precisou utilizar do recurso do assoalho levantado.
A maioria das casas de Anamã é de madeira e sua arquitetura requintada, riqueza de detalhes e pinturas vivas chamam a atenção de quem a visita. Os marceneiros locais são muito hábeis e os acabamentos são originais raramente repetidos em outra construção. A marca das águas nas paredes das residências não deixa dúvidas do estado de calamidade que assolou a pequena Anamã. Verificamos muitas obras sendo executadas e esperamos que o pico da cheia que se avizinha não venha a causar mais transtorno aos moradores. 

O lendário rio Purus
Pelo Purus havia passado alguns desbravadores em busca do conhecimento e da fortuna, muitos em busca da simples sobrevivência, idealistas buscando estender nossas fronteiras pela força do direito, e guerreiros tentando fazê-lo pelo direito da força. O Purus não é apenas um rio, mas um protagonista que, junto com homens de valor, gravou belas páginas na história da nossa nação.
Homens que enfrentaram o desconhecido, que subjugaram a mata, que a analisaram, estudaram, mas, também homens que tiveram suas vidas arrebatadas pela força da natureza e cujos destinos foram manipulados inexoravelmente pelas titânicas energias telúricas.
O Purus merece nosso respeito pelo que foi, pelo que é e pelas contraditórias passagens levadas a efeito na sua calha. Um rio patriota, que guarda nas suas águas as imagens imaculadas de um Plácido de Castro e de um Euclides da Cunha. Um rio de ambição e sem consciência, que reflete as carrancas dos ambiciosos seringalistas que escravizaram os seringueiros nordestinos e suas famílias.
O Purus pré-histórico é tudo isso e muito mais. Nas suas calhas, foram descobertos os restos de gigantescos animais, como o “Purusaurus brasiliensis” de 15 a 20 metros de comprimento, que dominava as águas no lago Pebas. O purusaurus viveu de 5 a 6 milhões de anos atrás e provavelmente foi o maior dos crocodilianos gigantes extintos.
Nosso preito de respeito a esta artéria viva da nacionalidade brasileira que reflete, nas suas águas, a pujança de uma raça do porvir, alicerçada no invulgar passado, mas com os corações e mentes voltados para o futuro.

Encerramento dos trabalhos de campo da Expedição GBM
Convidamos aos amigos que acompanharam fielmente nossa jornada cívica a comemorar nossa chegada às 15 horas, de 10 de março de 2013, no porto do Centro de Embarcações do Comando Militar da Amazônia. Participe e\ou convide seus amigos a fazer parte da escolta fluvial no Rio Negro ou do congraçamento nas instalações do CECMA. 

(*) Hiram Reis e Silva, Manacapuru (AM), 07 de março de 2013

sexta-feira, março 08, 2013

DIA DA MULHER

Capa do livro Ocaso, 1938
De caráter internacional, o dia foi celebrado ontem. Como obvio, preferi cultuar a mulher de casa, a do dia a dia. Por isso, para ela – Beatris – a minha homenagem.
Nossa festa contou com o poema A Cabocla (abaixo transcrito) quase oitentão, pois foi publicado em 1938, pelo poeta Júlio Olympio (sem identificação), inserido em seu livro Ocaso, cuja capa foi elaborada pelo artista plástico Branco Silva e o prefácio é de Péricles Moraes, então presidente da Academia Amazonense de Letras.
Mais três razões para esta escolha: o livro foi alcançado na biblioteca Mário Ypiranga; o poema é dedicado a um membro da Academia de Letras; e porque o cheiro “à priprioca” é amazônico.

O poema lembra muito uma temática desenvolvida pelo poeta Almir Diniz, frequentador-emérito do Chá do Armando. Presente à Casa do Noleto, ontem, sei que o autor de Na concha da panacarica desfolhou alguns de suas pérolas. Com a reconhecida desenvoltura, Almir bem contribuiu para o tributo às Damas deste semanal encontro. Beijos.

A Cabocla

À Alcides Bahia

 

O demo da cabocla era um feitiço,
Ditoso aquele que a possuísse um dia;
Porém, no amor, se lhe falavam nisso,
Voltava as costas e a sorrir fugia. 

De redondos quadris, tronco roliço,
Um cheiro à priprioca rescendia,
E o seio farto e ereto em pleno viço,
À volúpia da raça prometia. 

Dos lábios grossos os cheirosos pomos
Deixavam ver entre dois rubros gomos
Minúsculo teclado de marfim... 

Nos olhos prometia o paraíso,
Mas ai! nos dava o inferno num sorriso,
Nunca mais encontrei mulher assim!