CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

sexta-feira, janeiro 21, 2011

PM AMAZONAS: 5º BATALHÃO DE POLÍCIA MILITAR (1)

O monumento pode ser visitado no quartel do CPA, antigo 5º Batalhão. Postagem anterior. Volto, para contar da situação deste batalhão, que passou por transformação, abrigando hoje o Comando de Policiamento de Área Oeste.

Também contei sobre a evolução da Polícia Militar para explicar o desaparecimento da Radio Patrulha. Assim aconteceu com várias organizações policiais. Vez em quando o quadro organizacional tomava novo aspecto, mas isso é próprio da administração.
Charge do saudoso Miranda.
A Crítica, 12 fev. 1980
Em julho de 1978, a Polícia Militar pretendendo expandir sua atuação pelos bairros de Manaus, estabelece duas novas companhias na Capital. A 2ª, que interessa nesse retrospecto, foi instalada no Conjunto residencial Ajuricaba, ocupando provisoriamente um galpão, cedido pela construtora. Em outros termos, o comando da PM explorava a parcela militar de seu pessoal para manter o local de serviço. Quem viveu aquela fase sabe que foi necessária muita disposição para consolidar o quartel.

No comando, estava o capitão Antonio Pereira Santarém, que colocou sua energia no empreendimento. Foi preciso superar múltiplos entraves, pois a própria corporação ainda não dispunha de unidade de apoio. Daí a improvisação que se exigia de cada comandante. Dizia-se, jocosamente, que aquela era a “Segunda sem lei”, em razão de que, distante da cidade, e para a qual selecionaram uns “maus” elementos. Transformou-se, dentro da PM, em local de castigo.
Coronel Santarém, 2010

Apesar dos empecilhos, o capitão Santarém levou em bons termos seu comando, que se encerrou em 19 jul. 1983. Os demais comandantes, conforme data de nomeação, foram o capitão Narcélio Estevam de Freitas (5 jul. 1984); capitão Alfredo Ferreira Braga Neto (14 fev. 1985); capitão Ary Renato Oliveira da Silva (21 out. 1985); 1º tenente Raimundo Mário Belchior Andrade (9 jun. 1987); e o capitão Moacir da Fonseca Carioca (17 jun. 1987).

Próximo de completar um decênio, em abril de 1988, a 2ª Companhia foi transferida para a cidade de Tabatinga, na fronteira colombiana.

Aproveitando as instalações da Segunda, a Polícia Militar instalou no local o 5º Batalhão de Polícia Militar (BPM). O comando inicialmente coube ao tenente-coronel Jétero Silva de Menezes, nomeado em 15 abr. 1988.
Coronel Gutemberg, 2010

Depois, vieram o tenente-coronel Nazareno Melo Benfica (20 dez. 1988); major Wilde de Azevedo Bentes (19 jun. 1989); Raimundo Gutemberg Soares (19 jan. 1990); tenente-coronel Nestor Arnaud Barbosa (14 jan. 1991); Wilde de Azevedo Bentes (29 nov. 1991); tenente-coronel Adson José Costa Silva (29 abr. 1992); tenente-coronel Raimundo Gutemberg Soares (27 out. 1992).

Na virada do ano de 1994, o batalhão ocupou a nova sede no bairro da Compensa. (segue)

quinta-feira, janeiro 20, 2011

PMAM: RÁDIO PATRULHA E O FUSCA

A solenidade hoje na Polícia Militar despertou atenção pelo inusitado. A inauguração de um Sedan Volkswagen, o prosaico Fusca, como um monumento à Rádio Patrulha. O veículo mais homenageado pelo mundo recebe agora do Comando do Policiamento da Área Oeste (CPA), situado no bairro da Compensa, novo registro.

Monumento ao Fusca da Rádio Patrulha, no CPA, em Manaus

O monumento pode ser visitado no quartel do CPA, antigo 5º Batalhão.

Coronel Fábio Pacheco
A memorável idéia e a realização do projeto pertencem ao tenente-coronel Fábio Pacheco, comandante desta unidade da PM. Oficial entusiasmado com a memória da corporação vem se empenhando em materializar alguns semelhantes planos.
Na ocasião, foram cumprimentados os ex-comandantes (apenas dois prestigiaram, coronel Fernando Oliveira e o autor desse post) e outros integrantes da extinta Rádio Patrulha. Esta unidade da PM operou entre 1972 e 1988. Vejamos alguns detalhes dessa presença.

A Polícia Militar do Amazonas (Pmam), com o advento de o Governo Militar (1964-1985) vinha prosperando. Ainda assim, seu efetivo na Capital cabia no quartel da Praça da Polícia, e seu melhor desempenho estava no policiamento a pé executado pelo Cosme e Damião. A capital amazonense, no entanto, crescia com velocidade espantosa devido a instalação da Zona Franca de Manaus. Em especial, o comércio da Zona Franca.

Em 1972, o comandante da PM, coronel Paulo Figueiredo, decidiu ampliar o serviço de policiamento. Havia necessidade de atendimento mais rápido, portanto, em veículo. A primeira operação foi realizada com picape Ford, onde na carroceria foram instalados bancos de madeira. Diante ao atual código de transito, aquilo era um atentado a segurança, não passaria em qualquer vistoria. Mas, era preciso operacionalizar o serviço.

A solução foi singular para montar o serviço de radio patrulhamento: a aquisição de prosaicos Fuscas, os quais, dotados de um rádio simples para comunicação com o Centro de Operações. Conduziam dois patrulheiros para dois turnos de serviço, com intervalo de seis horas. Ao menos, era essa a escala inicial.

Capitão Fernando Oliveira, na extinta Rádio Patrulha, 1986
Ainda foi aquele comandante quem debuxou a “planta” do quartel. Localizada na avenida Duque de Caxias, em terreno do extinto Piquete de Cavalaria, ao lado da Maternidade Balbina Mestrinho. Concluídos esses preparativos, em junho de 1972, a Rádio Patrulha inaugurou o serviço. E foi um sucesso.
Surpreendeu a todos, porque atendia com uma presteza marcante. Não cabe aqui discutir os motivos, mas que todos temiam os comandados do capitão Fausto Ventura, seu primeiro comandante. Cinco anos depois, ganhou sede nova, agora pela rua Dr. Machado, onde hoje se aquartela o RAIO. Em 1978, tive o privilegio de comandar aquele pessoal.

A evolução da Cidade exigia cada vez mais e com rapidez maior e mais pronto policiamento. A corporação policial militar respondia como era capaz. Mas esse esforço, com novas unidades, com novos conceitos de segurança, com imposições federais, levou a mudanças. Até a Rádio Patrulha sentiu.
Em 24 de março de 1988, o major Wilde Bentes, comandante da Rádio Patrulha, encerrou a atividade daquele quartel, ainda que os Fuscas seguissem rodando.

quarta-feira, janeiro 19, 2011

MANÁOS vs MANAUS

Apesar de esforços de muitos, uma mudança surda e implacável ocorre na estrutura de Manaus. Na nomenclatura dos logradouros, por exemplo. Aqui, para ilustrar, tomo como paradigma a atual praça da Matriz, ou será de Osvaldo Cruz, ou ainda do Comércio.

Como a praça foi tomada pela circulação de coletivos (terminal central) e de vendedores ambulantes (camelódromo), nem sei como se deve intitular aquele espaço.
Praça do Comércio, Manaus, 1905
Dia desses, em entrada no Jornal do Commercio, recolhi sobre o assunto uma constante preocupação do mestre Mário Ypiranga. Ao tempo, em seus sessenta e quatro anos de jornada na historiografia. Comentava ele sobre o esquecimento das nomenclaturas dos logradouros de Manaus, assegurando que “este é um povo sem memória”. Bastou um decênio para que o povo esquecesse o passado, argumentou.

Para elucidar o que dizia, Ypiranga narrou um fato: “tenho lido nas gazetas referências a uma ponte dos Bilhares”. Acontece que esta apenas existe devido ao “ponto de reunião de pessoas amantes do bilhar”, que utiliza um botequim desse nome, localizado ao longo da outrora estrada de Constantino Nery.
Na verdade, ensina o mestre, aquele local “chama-se oficialmente Chapada de Eduardo Ribeiro, abreviada para Chapada”. Enfim, a ponte é legalmente de Eduardo Ribeiro e não dos Bilhares.

Igualmente, desejando apenas elucidar, seguem algumas fotos de uma praça. A mesma que nos primórdios era a Praça do Comércio, e hoje?
Praça Osvaldo Cruz. Manaus, c1950
Praça da Matriz, na inauguração do Obelisco, em 1942

Outro aspecto da Praça Osvaldo Cruz, anos 1950

terça-feira, janeiro 18, 2011

MEMÓRIAS AMAZONENSES (XLIII)

Janeiro, 18

1918 – Nasceu no Rio de Janeiro, Ormail Stockler de Oliveira Junqueira, falecido coronel do Exército. Quando major, em abril de 1962, assumiu o comando da Polícia Militar do Amazonas, a convite do governador Gilberto Mestrinho. O antecessor do coronel Stockler fora o doutor Assis Peixoto, nomeado coronel para a função.

Gov. Plínio Coelho, 1963
No ano seguinte, Plínio Coelho retorna ao Palácio Rio Negro, na condição de governador. Ao promover a mudança do comandante da PM, o substituto do coronel Stockler é o primeiro tenente PM Alfredo Barbosa Filho.

Quando em nosso cotidiano, a conversa paralela interroga-me sobre a mudança superior realizada na PM, costumo lembrar esses fatos. Apesar de pouco condizentes com as bases militares.


1962 – Por iniciativa do padre Lino, redentorista, é fundada a Sociedade Atlética Guarda de Aparecida (SAGA), de moderna arquitetura, situada a rua Wilkens de Matos, em Aparecida. Bem próxima da centenária Cervejaria Amazonense. Consta que o terreno foi adquirido pelos genitores deste sacerdote.
A sociedade promovia o congraçamento das famílias e, em especial, dos jovens do bairro. Algum tempo depois foi vendido, tendo desaparecido a edificação original, em seu lugar surgiu o espigão, onde funcionou, entre outros, a Companhia de Saneamento do Amazonas (Cosama), na década de 1980.

Cervejaria Amazonense, no bairro de Aparecida, ainda existente
1966 – Ocorreu a instalação do Banco de Produção e Fomento do Estado do Acre, melhor conhecido por Banacre. Esteve localizado a Rua Henrique Martins 286, ao lado da Papelaria Velho Lino, e do Banco do Estado do Amazonas (fundos).

1973 – Para concretizar os entendimentos, o Governo Estadual, pelo governador João Walter de Andrade, e o Municipal, sendo prefeito Paulo Pinto Nery, firmam o convênio que transfere o serviço de combate a incêndios e afins para a gestão da Polícia Militar do Amazonas.