CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

segunda-feira, julho 11, 2022

CBMAM: ANIVERSÁRIO DE FUNDAÇÃO

A festa de hoje pertence ao Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, condignamente cumprimentado pelo Estado por intermédio da Assembleia Legislativa, que realizou nesta manhã a sessão especial pela data. São 146 anos de atuação, tendo passado por momentos desastrados, ora integrante do Estado ora da Prefeitura. Hoje, sob  comando do coronel Orleilso Muniz, e com nova estrutura cuida com eficiência da capital e alguns munícipios.

Sua existência me proporcionou dois prazeres: de ter integrado em duas ocasiões a corporação dos "homens e mulheres do fogo"; e de ter produzido uma retrospectiva de sua existência, que o CBMAM mandou imprimir.

  

Capa do mencionado livro

O nonagenário Arlindo Porto emprestou-me sua memória para contar como os Bombeiros - no anteontem da atividade - eram informados da existência do Fogo!



 

sábado, julho 09, 2022

INSPIRAÇÃO DE PEDRO LINDOSO

 Vou compartilhar a crônica Inspiração do Pedro Lindoso, exposta na edição de hoje do Jornal do Commercio, por dois motivos: i) a observação realizada sobre selos postais e os ainda aficionados em colecioná-los; ii) o soneto ao qual ele recorreu, pois foi o único que eu decorei nos distantes anos do meu ensino médio.

Sobre a filatelia, estou bem situado, pois tento como presidente do Clube de Filatelia local manter acesa uma bruxuleante chama do colecionismo. O poema, como afirmei, repeti-o algumas vezes e concordo com o Lindoso, como há nele Inspiração. 

Inspiração

Nesse mês se comemora o dia do escritor. Escritores vivem procurando inspiração. Como sempre, estou à procura de uma inspiração. Quero fazer uma carta de amor. Não quero por e-mail. Nem tampouco uma mensagem de amor por WhatsApp ou Messenger. Gostaria de poder enviá-la pelos Correios. De preferência nos envelopes antigos os quais tinham uma borda com tracinhos verdes. Indicava que a carta era proveniente do Brasil mesmo. Se as bordas fossem azul ou vermelha, com certeza era uma carta vinda do exterior. Nos envelopes vinha impresso VIA AÉREA, PAR AVION ou AIR MAIL.

Carta recebida com o detalhe POR AVIÃO

Tempos em que as comunicações viajam somente de avião. Hoje elas viajam virtualmente. E pasmem, podem ficar arquivadas em nuvens! E para sempre! Gostaria de postar usando selos. Hoje também quase não se usa mais selos. Há agências dos Correios que não disponibilizam selos. Tudo é postado com código de barras ou carimbos. Mas os filatelistas continuam por aí. Uma amiga brasiliense possui uma coleção de selos temáticos. Tem uma coleção de selos de plantas e flores. Há selos de orquídeas, flores do campo, begônias e até de vitória-régia.

Selos de Natal

Imaginei como gostaria de postar a carta de amor. As inspirações para fazê-la foram muitas. Mas fiquei com medo de ser ridículo. Mas o amor não pode ser ridículo. Inspirar não pode ser somente inserir ar nos pulmões. Para respirar é preciso inspirar. Estou procurando aquela inspiração que nasce no coração e no espírito. Estou procurando um sentimento amoroso. Um pensamento que possa me guiar, me orientar a fazer uma carta de amor que não seja banal nem ridícula.

Sugestões não me faltam. No Google há mais de 2 milhões de resultados para o tema “cartas de amor”. Somente o Pinterest nos apresenta 660 ideias de cartas de amor. E ainda há dicas de como escrevê-las. Descartei tudo isso.

No mês do escritor peguei um soneto de Olavo Bilac, a mais alta inspiração em poesia. E o declamei para a amada:

 

Ora (direis) ouvir estrelas! Certo

Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,

Que, para ouvi-las, muita vez desperto

E abro as janelas, pálido de espanto...

 

E conversamos toda a noite, enquanto

A Via Láctea, como um pálio aberto,

Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,

Inda as procuro pelo céu deserto.

 

Direis agora: “Tresloucado amigo!

Que conversas com elas? Que sentido

Tem o que dizem, quando estão contigo?”

 

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!

Pois só quem ama pode ter ouvido

Capaz de ouvir e de entender estrelas.”

 

Grande Bilac. Quanta inspiração!

sexta-feira, julho 08, 2022

"DELEGADO DO DIABO" NO TRÂNSITO DE MANAUS

 Figura icônica em Manaus foi o delegado de Trânsito: José Ribamar Soares Afonso. Apenas Delegacia Especializada que funcionava próximo ao quartel da Polícia Militar. Melhor explicar: o quartel agora transformou-se em Palacete Provincial e a delegacia virou sucursal da Ramsons, que somente vende a atacado. Num importa se você não se localizou. 

Quero lembrar do trânsito de veículos no tempo do Delegado do Diabo, como o próprio se auto apelidou. A razão da recordação: circulei hoje pela Manaus Moderna, aos fundos do Mercado, e me vi em meio a cena de trânsito da Índia divulgada pelos canais de TV. A Prefeitura tentou organizar o local, porém, não há Polícia, policiamento, de qualquer modo. A esbórnia é qualificada.

Ribamar fiscalizava pessoalmente o trânsito (diminuto, claro), mas ordenado porque ele multava, guinchava, colocava correntes nos pneus de carro estacionado em local não permitido, era como ilustra o epiteto - o capeta. Todavia, querido pela comunidade, daí o prêmio recebido da Câmara Municipal, em agosto de 1980. 

Em sessão solene a ser realizada amanhã a Câmara Municipal de Manaus outorgará o título de "Cidadão de Manaus" ao Dr. José Ribamar Soares Afonso, o "Delegado do Diabo", em atendimento a proposta de autoria do vereador Walter Freitas, do PLS.

O autor da proposição, em sua justificativa, salientou que Ribamar Afonso, quando diretor do Detran, bem como à frente da Delegacia Geral de Polícia, deu tudo de si em prol da coletividade manauara, sobretudo em defesa dos motoristas de táxis.

Falando a respeito de sua atuação como primeiro mandatário do Departamento Estadual de Trânsito, o vereador Walter Freitas declarou que o famoso "Delegado do Diabo" revolucionou o trânsito em nosso Estado, dando uma maior dimensão, empregando, ao mesmo tempo, os seus conhecimentos adquiridos nos Estados Unidos.

Por outro lado, soube-se que os motoristas de táxis de nossa capital, por ocasião da solenidade, prestarão, também, significativa homenagem ao ex-diretor do Detran.

segunda-feira, julho 04, 2022

VINICIUS DE MORAES (1913-1980)

 Quando do falecimento do poeta Vinicius de Moraes, em 9 de julho de 1980, este acontecimento teve relevante repercussão. Não somente entre seus acompanhantes no bar do Caldeira, porém, com vitalidade entre intelectuais. 

Compartilho os textos de dois acadêmicos sobre o saudoso Vinicius, ambos poetas, escritos em jornais da cidade. Um, de Homero de Miranda Leão (Jornal do Commercio, 23|07|1980) e dois, do padre Nonato Pinheiro (Jornal do Commercio, 17|08|1980).


1 - VINICIUS DE MORAES -

padre Nonato Pinheiro

A recente morte de Vinicius de Moraes provocou no país um surto emocional de saudade e ternura em torno do astro que se apagou no tempo, mas continuará a luzir na posteridade, nas páginas antológicas de suas soberbas produções. Poeta, teatrólogo, cronista e compositor, legou-nos uma obra literária digna do maior apreço, pelo alto quilate de suas mensagens.

Vinicius convenceu-se de que o super comodismo dos novos tempos já não dá oportunidade triunfal para o poema papel, o poema-livro. O homem moderno, ultra comodista, já não suporta segurar o volume e volver as páginas do livro. Isso importa em cansaço e cafonice.

A vez é do poema canção, poema-musical. A poesia não entra mais no espírito pelo vestíbulo das pupilas, mas pelas arcadas auditivas, envolta nas sororidades fascinantes da melodia. Embora não aceite integralmente esse ponto-de-vista do saudoso e pranteado poeta, talvez por ter herdado do berço o culto do livro, coisa para mim inseparável da cultura, esse ângulo visual não deixa de ter seus atrativos.