CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

quarta-feira, agosto 07, 2019

SUBDELEGACIAS DO MORRO E DE OUTROS


Jornal do Commercio, 8 agosto 1969
O texto seguinte saquei do matutino indicado na legenda:

Com a inauguração ontem [7 agosto] das subdelegacias dos bairros do Morro da Liberdade, Flores, Raiz e Parque 10 (Conjunto Castelo Branco) ocorridas ontem, o governador Danilo de Mattos Areosa partirá, agora, para a construção de mais oito subdelegacias nos bairros da Matinha, Colônia O. Machado, Nova Betânia, Crespo, Japiim, Petrópolis, São Lázaro e Santo Antônio, sendo que estas quatro últimas deverão ter suas obras de construção concluídas dentro de dois meses, conforme previsão da Secretaria de Obras do Estado.
A construção de subdelegacias nos referidos bairros e constante do Plano Quinquenal do Governo Danilo Areosa, e obedece a uma planta padrão, dotada de instalações adequadas ao perfeito funcionamento das atividades daqueles órgãos subordinados à Secretaria de Segurança, possuindo, inclusive, alojamento para policiais de plantão.
O governador Danilo de Mattos Areosa procedeu, na manhã de ontem, a inauguração das subdelegacias de Flores, Parque 10 (Conjunto Castelo Branco), Raiz e Morro da Liberdade, detendo-se nesta última, onde pronunciou um discurso, presentes o sr. Moacyr Alves, secretário de Segurança do Estado, funcionários daquela secretaria e outras autoridades.
As construções das delegacias seguiam um padrão; este é a de Flores, porém a inauguração geral ocorreu na do Morro

A abertura da solenidade foi feita pelo sr. Moacyr Alves que ressaltou a ação do Governo em dotar os bairros de Manaus de subdelegacias em prédios e instalações condignas, em substituição às antigas, em sua maioria de madeira. “Isto é mais uma demonstração da seriedade com que o Governo de V. Exa. encara o futuro, porquanto são obras duradouras, como têm sido todos os demais empreendimentos, pois a administração atual realiza sempre visando o futuro”.No discurso que fez por ocasião dessa solenidade, o sr. Danilo de Mattos Areosa ressaltou, mais uma vez, a preocupação do seu governo pela segurança pública, pois entende que nenhum povo pode progredir e desenvolver sem que haja ambiente de paz e tranquilidade. “Nenhuma obra pertence ao Estado, que apenas administra e aplica dinheiros públicos, e sim, ao povo”, disse o governador Danilo Areosa em sua alocução. Cabe, portanto, prosseguiu — “à população deste bairro zelar por este imóvel, pois em seu benefício, ele foi construído”, concluiu.

Nota pessoal:
Estive morando no Morro entre 1959 e 1966, quando fui engajado na Polícia Militar do Estado. Ainda assim, não participei da inauguração deste órgão de segurança. Que, por óbvio, prestou estimado auxílio à segurança do Morro, então tido como um pedaço de “mau caminho”. A ligação que hoje utilizamos para alcançar o bairro da Cachoeirinha ainda não existia, o igarapé do Quarenta impedia. Como o passar do tempo, a delegacia foi perdendo sua importância, assim viu-se aproveitada para abrigar a Associação de Mães, que ainda hoje ocupa o cinquentenário prédio.
No entanto, recordo-me bastante do Campo do Bariri, onde foi construída a delegacia, que era onde a moçada do Morro se divertia, antes de alcançar o Quarenta para o banho reconfortante. Apesar da estatura (1m64), era eu o goleiro do Botafogo, da rua São Pedro. E, no Bariri, não foram poucas vezes que fiz raiva ao adversário, mas, bem mais, aos colegas botafoguenses. Depois da delegacia, veio o Centro de Saúde. Mas isso é outra história.

terça-feira, agosto 06, 2019

EDIFICAÇÕES EM MANAUS

Há 50 anos, com a instalação da Zona Franca, a cidade vê retomar o ciclo das edificações. Postagem com texto e fotos do Jornal do Commercio, em agosto de 1969 

Jornal do Commercio, 02 agosto 1969

Nasce Mais Um
Neste amplo terreno, situado na rua Saldanha Marinho, serão levantadas duas grandiosas obras: à esquerda, a Escola do SESC-SENAC, e à direita, o Edifício “Alfredo Cunha”, de dez pavimentos. O edifício, constituído de dois, um para a [rua] Saldanha Marinho; outro só de escritórios, de frente para a rua Barroso, — será o primeiro da nossa capital dotado de uma galeria de lojas, com acesso para as duas artérias antes referidas.
O lançamento do “Alfredo Cunha” ocorrerá ainda este mês, em data a ser previamente marcada.

Anotação pessoal
Exatos 50 anos nos separam desta foto, porém era dessa maneira que acontecia a construção.  Era “na marra”, para lembrar um esquecido caboquês. Observe que não há tapume para proteção de transeuntes ou de operários; operários trabalhando sem proteção individual e, melhor notando, vê-se um, somente de calção; a caçamba da empresa Oliva lembra a tragédia que abateu os proprietários, mortos por um familiar; enfim, talvez pelo entusiasmo da iniciante Zona Franca, tudo era permitido. Avaliei melhor este edifício, já em atividade, ao visitar o escritório do advogado Amazonilo Castro. E, entrando pela rua Barroso, quando visitei o consultório do dentista Sady  e o escritório de advocacia de Tude Moutinho.


Acima, vê-se um folder de lançamento do Edifício Maximino Correa, construído ali no alto da avenida Eduardo Ribeiro. A família destruiu o palacete para erguer este arranha-céu. Já contei esse detalhe, mas vou repetir:  era comandante do Corpo de Bombeiros, em 1974, quando fui alcançado em minha residência, creio que era sábado, para assinar o termo de vistoria (ou coisa parecida) elaborado pelos Bombeiros. Além do poder da família em âmbito local, o então ministro do Interior (general Albuquerque Lima) era casado com uma Maximino Correa. Que poderia fazer, pois, um “ilustre desconhecido” major-comandante?  Não pestanejei, confesso, “se é para o bem da cidade”, subscrevi o termo. E o edifício, desprovido de encanto, e mais, intruso no visual para quem desejasse fotografar o Teatro Amazonas, prossegue seu rumo num Centro Histórico cada vez mais degradado.

sábado, agosto 03, 2019

DIA NACIONAL DO SELO


DIA NACIONAL DO SELO

Ainda que claudicante, o CFA (Clube Filatélico do Amazonas) continua organizado e, mais, preparando-se para comemorar 50 anos de existência. Diante da incerteza, com a prometida privatização dos Correios, a direção local dos colecionadores de selos vem se empenhando em manter viva a tradição. As reuniões acontecem todas as sextas-feiras, à tarde, na sede do Correio, na praça do Congresso.
Para lembrar o Dia Nacional do Selo, o presidente Jorge Bargas escreveu o texto aqui compartilhado.


DIA DO SELO BRASILEIRO (1843 -2019)

Introdução
A criação do selo postal foi idealizado na Inglaterra, país precursor do serviço postal no uso da estampilha com valor impresso, cujo objetivo era sanar o problema da entrega de correspondência ou encomenda enviada a uma pessoa que normalmente se recusava a pagar a despesa de envio ao portador (entregador) pelo serviço não autorizado pelo destinatário.
Ao ser regulamentada e aprovada a proposta da taxa de pagamento antecipado pelo Parlamento, surgiu em 1840 a primeira emissão postal do mundo. A invenção deu tão certo que a Suíça aprovou a primeira emissão de selos em seu território (cantão), em seguida, foi adotada pelo Brasil.

Cronologia dos primeiros selos do Brasil
Ao adotar a novidade criada pela Inglaterra, o Brasil foi a segunda nação a praticar o uso do seio adesivo nas correspondências postais, porém, o terceiro país na emissão, ao autorizar, inicialmente, a primeira série de três selos que, posteriormente, ficou conhecida mundialmente pelo nominativo de “Olhos-de-Boi”. Vejamos um pouco que nos conta sua trajetória:
Em 1623, a 25 de janeiro, foi iniciado em nosso país o serviço postal. Em 1798, foi criada a Administração dos Correios do Rio de Janeiro, pelo Alvará de 20 de janeiro, adotando-se a prática do uso dos carimbos postais.
Em 1801, foram criadas as caixas postais, com a finalidade de organizar a entrega de cartas; em 1826, foi estabelecido o sigilo da correspondência; em 1901, foi votada e aprovada a Lei que instituiu o selo postal, assinada por Dom Pedro II, a 20 de novembro de 1842.
Série de Olhos de Boi
Entretanto, pela ausência de máquinas adequadas e por dificuldades técnicas, os selos brasileiros somente entraram em circulação no ano seguinte, apesar desses obstáculos, em 1º de agosto de 1843 foi lançada a série de três, nos valores de 30, 60 e 90 réis. Com isso, foi atribuído a novidade ao Brasil os primeiros selos postais, fato incontestável na história dos Correios das três Américas e do mundo.

Fatos relacionados à primeira emissão
Regime político do Brasil: Império
Monarca: Imperador Dom Pedro II
Cidade de lançamento: Rio de Janeiro, metrópole do Império Gravadores dos selos: Carlos Custódio de Azevedo e Quintino José de Faria.
Tipo de gravação: Em talho doce, gravação diretamente no aço, o que conferia às unidades postais brasileiras extraordinária segurança contra falsificações.
Tonalidade: preto (cor única).
Destino de circulação: Nacional, os valores de 30 e 60 réis; Internacional: o valor de 90 réis.
Valor 90 réis, uso internacional
Curiosidade: "... conta-se que a Diretoria dos Correios planejou cortejar o então jovem imperador Pedro II, colocando sua efigie no selo. Entretanto, esbarrou na indignada recusa da Corte, que recebeu a proposta como um desrespeito à figura do monarca. Resolveu-se então simplesmente desenhar os algarismos indicativos do valor do selo sobre um fundo de linhas onduladas e entrelaçadas". Alcunha: Devido os traços artísticos, os selos foram apelidados de “Olhos-de-Boi”.

Emissão subsequente
Em 1845, foi lançada a primeira série chamada Olhos-de-Cabra, composta de sete valores, tendo os algarismos desenhados no sentido inclinado(s), desse modo ficou conhecida. Em 1850, passou a circular a segunda série, contendo oito valores, com os números gravados na posição vertical, ambas as séries sem picotes.

O dia do selo
Em 1943, na comemoração do centenário dos Olhos-de-Boi, o 1º de agosto foi instituído o Dia do Selo. (...)

Aspecto cultural  
As administrações postais cumprem a obrigação de lançar as emissões programadas para a comercialização na fonte, contendo seu respectivo valor facial, mas, fora dos Correios os selos ganham o aspecto cultural, que podem apresentar raridade e diferenças de impressão, conferindo às unidades preços centenas de vezes maiores que do valor facial, características normalmente detectadas e consequentemente valorizadas por colecionadores filatelistas.
Em 1º de agosto de 2019, os selos “Olho-de-Boi” completam 176 anos, marco histórico mundial através dos Correios do Brasil.
FILATELIA — cultura sem fronteiras.

Manaus, julho de 2019

Jorge Bragas, presidente do CFA

MÁRIO YPIRANGA: SUAS CRÍTICAS




Vasculhando a “Biblioteca Mário Ypiranga Monteiro existente no CCPA (Centro Cultural Povos da Amazônia), encontrei em livros e revistas ali examinados notas críticas expressas pelo formador desta coletânea. Ou seja, ali se encontram apreciações do saudoso mestre Mário Ypiranga em compêndios manuseados pelo próprio. Anotações nem sempre elogiosas, quase sempre tóxicas.
Folha de rosto do livro

Dou partida à série com a observação inserida no livro Aparição do Clown, de L. Ruas (padre Luiz Augusto de Lima Ruas), de 1958, mas com lançamento em fevereiro de 1959, vide a data manuscrita pelo apreciador. Este livro se constitui de um longo poema religioso, bastante controverso, que segue desafiando sua interpretação. Já relacionei meia dúzia de intérpretes e, em parceria com o saudoso Jorge Tufic, publiquei-os em Intérpretes de Aparição do Clown. (Fortaleza: Realce, 2010)

O prefácio deste livro-poema pertence ao acadêmico André Araújo (da Academia Amazonense de Letras), desembargador e católico atuante, portanto, o primeiro a encarar a difícil trajetória do “pássaro ferido”. Sua análise se encerra com esta sentença: “ Que o entendam os que mergulharem no profundo de sua dialética; que tenham ouvido aqueles para quem o poema é dirigido; que vejam os olhos d’alma daqueles que devem ver os símbolos e os mistérios que estão contidos nos versos áureos do imortal poeta de APARIÇÃO DO CLOWN”.

Texto final do Prefácio, com a observação do leitor

Pois bem. Mario Ypiranga grifou “... versos áureos do imortal poeta...”. E à margem da página, sintetizando sua leitura e descrença, escreveu somente um palavrão: Porra!