CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS
domingo, maio 03, 2015
HOSPITAL DO EXÉRCITO
quarta-feira, abril 29, 2015
HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO AMAZONAS (1)
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Ginásio Amazonense, ainda em construção |
No segundo
governo dos irmãos Nery (1904-07), circulava em Manaus uma “Revista destinada a
vulgarização de documentos geográficos e históricos do Estado do Amazonas”, intitulada
ARCHIVO PÚBLICO. Tais documentos constituíam o acervo desta repartição que,
ainda em nossos dias, sem o brilho anterior, prossegue funcionando.
Em 17 de outubro
de 1907, Bento de Figueiredo Tenreiro Aranha (filho do 1º presidente da Província
amazonense e dirigente do referido órgão), proferiu uma palestra sobre a História e Geografia do Amazonas. Essa
alocução, realizada no Ginásio Amazonense diante de respeitável plateia e do próprio
governador, Constantino Nery, foi reproduzida no volume II, datado de 23 de
janeiro seguinte.
Dado a
extensão do texto, farei a publicação em partes.
Ilustre
e seleto auditório, dando começo a minha tarefa submeto desde já à
imparcialidade e justiça de vossa crítica, o seu produto, que outro merecimento
não tem senão ser meu, e este mesmo ser proveniente da força de vontade que me
caracteriza e de documentos autênticos que hei lido.
I
O
Amazonas foi descoberto em 26 de janeiro
de 1500 por Vicente Yanez Pinzon, data anterior ao descobrimento do Brasil por
Pedro Alvares Cabral, que se realizou a 22 de abril do mesmo ano, achando-se
este então em frente da serra dos Aimorés, a que deu o nome de Pascoal.
Alguns
índios, nesse tempo, denominavam Paranayaçu
(Paranaguaçu ou Paraná Guaçú) e outros Paranatinga o Amazonas, e em vista da resposta: Mar ah non de Ayres Pinzon à pergunta: Ainda isto é mar? de Vicente Pinzon, foi
que tomou o nome de Marañon, havendo,
entretanto, à respeito a versão de ter provindo este nome de um capitão
Marañon, que servia às ordens de Pizarro, citado como primeiro explorador de
suas nascentes. Teve além deste mais
o de Orellana, que lhe deu em 1540
Francisco Orellana, lugar tenente de Pizarro, na excursão deste feita ao rio
Casca, próximo de Quito, ao rio Napo, com o fim de descobrir o País das Caneleiras, que se dizia estar
no Paranayuaçu, onde aquele saiu, e
por ele desceu até o oceano.
Este
mesmo aventureiro, nesse ano, substituiu-o pelo nome Amazonas, em consequência de haver encontrado entre os rios Uatumã e Jamundás (Nhamundá)
hostes intrépidas e valorosas de índios esbeltos e imberbes, que lhe pareceram
mulheres guerreiras, armadas de arco e flechas e as quais investindo sobre ele
e a sua força para impedir a sua navegação, arremessaram nuvens de flechas
contra o seu bergantim, e de tal sorte, que o impeliram a fugir.
Depois
disto, em 1560, foi que Pedro Ursua, encarregado pelo vice-rei do Peru de
verificar as notícias levadas à Espanha por Francisco Orellana, sobre o rio das
Amazonas, empreendeu a sua viagem de Cusco
pelo rio Jutai (Hiutahy), donde
passou ao rio Juruha (Juruá ou Hiuruha) destinado a descobrir o império do El Dorado.
Não
logrou este os louros da sua aventurosa incumbência, em consequência de ter
sido assassinado em meio da viagem por um seu soldado, que fazia parte da
comitiva. Depois dessa malograda viagem só em 1636 partiu de Quito com destino aos Encabelados João
de Palácios, onde por estes índios foi, no rio de igual nome, assassinado, e,
nessa ocasião, podendo escapar da morte, fugiram os leigos, freis Domingos de
Briebas e André de Toledo, que pertenciam à sua comitiva.
Desceram
os dois leigos o rio Amazonas, arrastados pela sua vertiginosa corrente,
conseguindo aparecer em Belém do Grão-Pará, donde partiram então em direção do
Maranhão e ai expondo ao governador do Estado a sua aventura, esta lhe despertou
o mais vivo interesse pelo descobrimento das terras do Amazonas, até então dos
portugueses desconhecidas, e só por isso designou para esse fim a Pedro
Teixeira, e fê-lo incontinente seguir de Belém
a Quito, a frente de 70 soldados e 1200 índios armados de arco e frechas
uns, e como remadores de 45 canoas outros, levando debaixo de suas ordens o
coronel Bento Rodrigues de Oliveira, sargento-mor Felipe de Mattos Cotrim e
capitães Pedro da Costa Favela e Pedro Baião de Abreu.
Comandante-geral da expedição, e revestido das honras e poderes de capitão-general
governador do Estado, o famoso capitão Pedro Teixeira, deu este então execução
a sua importante missão, partindo do porto
de Cametá em 28 de outubro do mesmo ano de 1637.
Durante
o tempo de sua excursão entrou no rio
Tapajós, reconheceu as embocaduras dos
rios Madeira, Negro e Coari, e subiu o Napo e seus afluentes Aguarico ou
Ouro e dos Encabelados, deixando nestes, por prevenção, destacados os seus
dois capitães com uma força suficiente, sob as ordens dos mesmos. A sua entrada
em Quito foi em setembro de 1638,
donde só retirou-se a 16 de fevereiro de 1639, chegando a Belém a 12 de dezembro deste mesmo ano.
___________________________
Antes
desta extraordinária conquista, ainda no domínio colonial espanhol, e no
reinado de Felipe III da Espanha, e II para Portugal, o governador e capitão
general do Estado do Brasil baixou em 8 de outubro de 1612 as instruções para a
Conquista e descobrimento das terras do
rio Maranhão, a vista do projeto de Diogo Botelho submetido, quando
governador geral, em 1604, ao governo de Lisboa, cujo projeto tendo sido adotado pelo seu sucessor
Diogo de Menezes em 1610, só depois disto executou-o Gaspar de Souza em 1612,
ordenando que a sede das operações para o bom êxito dessa conquista devia ser Pernambuco, e sem perda de tempo
transferiu-a para aí em 1613.
Encarregado
por Alexandre de Moura em 1615 Francisco Caldeira Castelo Branco do
descobrimento do Grão-Pará, nome que
deram os portugueses ao Amazonas,
consegue este emissário ancorar na baia
do Guajará em 3 de dezembro de 1616, fundar a cidade de Belém e instalar sob o governo das Conquistas do Maranhão e Grão Pará o da capitania do Grão Pará como
seu conquistador, fundador e 1º governador e capitão mor.
O
governo das Conquistas do Maranhão e
Grão-Pará, formado pelas duas Capitanias do Maranhão e Grão-Pará, uma
independente da outra, esteve subordinado diretamente ao governo geral do
Brasil durante o tempo decorrido de 1616 a 1626, por passar, então, a Capitania do Grão-Pará a ser subordinada
ao governo geral do Estado do Maranhão e
Grão-Pará, inaugurado em virtude da posse do 1º governador e capitão-geral,
em 3 de setembro de 1626, cuja nomeação fora de 23 de setembro de 1623.
A
lista dos governadores e capitães-mores da Capitania
do Grão-Pará, no governo das Conquistas do Maranhão e Grão-Pará, com as
datas das suas posses, é a seguinte:
1.
Francisco Caldeira Castelo
Branco
–
3 de dezembro de 1616
2.
Baltazar Rodrigues de Melo
–
setembro de 1618
3.
Jeronimo Fragoso de
Albuquerque
–
30 de abril de 1619
4.
Matias de Albuquerque
–
1º de setembro de 1619
5.
Custodio Valente, frei
Antônio Marciano e Pedro Teixeira
–
20 de setembro de 1619
6.
Pedro Teixeira
–
maio de 1620
7.
Bento Maciel Parente
–
18 de julho de 1621
__________________
Anteriores
às conquistas e descobrimentos enumerados até aqui, outras mais são citadas,
que por ora não passam de crenças populares em toda a Amazônia, e de infrutíferas pesquisas científicas de viajantes sábios,
que as empreenderam e ainda as exploram, após estudos profundos das duas Américas,
da raça dos seus primitivos habitantes, da origem das suas línguas, usos,
costumes, religiões, formas de governos, artes e civilização.
Em
geral, crê-se, em toda a América, que a origem da população americana proveio
do Oriente, do Velho Continente, por via do Estreito de Behring. Onesime
Reclus, tratando de Cristovão Colombo e seus precursores escandinavos, no seu livro “A Terra”, avançou as
seguintes proposições arrojadas: “No século X, muito antes do descobrimento de
Cristovão Colombo, já o Novo Mundo ou Novo Continente, denominado América,
havia sido visitado pelos europeus. Alguns noruegueses saídos da Islândia, que então florescia, a crer na
história ou na lenda, estabeleceram-se por esse tempo na Groelândia,5
fizeram depois um reconhecimento na direção sul, e chegaram talvez até a
colonizar o litoral a que puseram o nome de Vinland
ou país da Vinha”.
Como
Onesime Reclus, citam-se muitos outros da mesma opinião a respeito da
descoberta da América, somente divergindo na era e nos descobridores. Visconte
Onofri de Thoron, nos seus Les pheniciens
a l’ile de Haiti, referindo-se a Diodoro da Sicilia transcreve deste,
provavelmente no intuito de afirmar que aceitou a sua opinião, nela acreditou e
repetiu que “aos 45 anos da era cristã, assinalava Diodoro a América, sob o nome de Ilha, por ignorar-lhe a configuração”.
Dele
cita também, referente a essa Ilha, o
seguinte: “Está afastada da Líbia muitos dias de navegação, e situada no
Ocidente. Seu solo é fértil, de grande beleza e banhada por muitos rios navegáveis”.
Além
disto, De Thoron atribui aos Cares,
1600aC, a descoberta da América, seguindo-lhes logo os cartagineses na navegação dos mares de Oeste; e, por último, Salomão, que incumbe aos marinheiros
fenícios de Irã das viagens à Ofir e Tarschisch, situadas no interior do
Amazonas, revestidos da missão de transportarem para Jerusalém, daquelas
terras pouco conhecidas, todo o ouro necessário à construção do seu templo.
Destas
viagens supõe ter provindo o nome de Solimões,
dado ao Amazonas, desde a sua confluência com o rio Negro até a foz do rio Napo, o qual, segundo lhe parece, deverá
ter sido primitivamente Salomão. (segue)
domingo, abril 26, 2015
PONTE DE EDUCANDOS
Em outubro, a ponte que liga este bairro com o Centro de Manaus, intitulada de Padre Antonio Plácido de Souza, completa 40 ANOS (fotos). Trata-se da terceira ponte construída naquele subúrbio, e a denominação contempla o primeiro vigário da paróquia de Educandos.
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Padre Antonio Placido
segunda-feira, dezembro 01, 2014
DE: GENERAL PARA: ALMINO AFONSO
Almino Afonso, no IGHA, em 2003 |
Almino Álvares Afonso, cumprindo o segundo
mandato de deputado federal, foi contemplado com a escolha de seu nome para
liderar o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro). Aconteceu em 1961, ano que
ficou marcado pela renúncia do presidente Jânio Quadros e a complicada disputa
pela posse de Jango Goulart.
A criação da Petrobras, a mesma que hoje não
consegue sair do noticiário policial, ocorreu em 1954, ainda no governo de
Getúlio Vargas. Na época, cruzou o país um movimento pela instalação desta
estatal, com a denominação de “O petróleo é nosso”.
Na campanha, Almino Afonso entrou de cabeça, enquanto
estudante da Faculdade de Direito de São Paulo. Conhecedor dessa atuação, o
general Leonidas Cardoso, pai do futuro presidente FHC, enviou ao então deputado
a missiva que abaixo reproduzo.
A carta ficou conhecida, em Manaus, devido a
veiculação no jornal A Gazeta, que a
publicou com destaque. No entanto, o original da carta desapareceu do arquivo
do destinatário, que a buscava sem sucesso. Certo dia, procurando eu “papeis
velhos roídos” pelo tempo, encontrei a carta. Noutro dia, encaminhei-a ao meu confrade
do IGHA que, prontamente, me agradeceu a “descoberta”, relatando alguns
pormenores.
CARTA-ABERTA A ALMINO AFONSO (*)
Leonidas Cardoso (General)
Prezado amigo Deputado Almino Afonso.Afetuosas saudaçõesJamais deixarei de preocupar-me com os acontecimentos políticos de nossa pátria. Venho-os acompanhando, mais diretamente, desde 1909, quando meu saudoso pai, Joaquim Inácio Baptista Cardoso, então tenente-coronel do glorioso Exército Nacional, reuniu em torno do mesmo ideal os velhos republicanos Quintino Bocaiuva, Lopes Trovão, José Mariano, Coelho Lisboa, J. da Penha, Andrade Silva e muitos outros.
Recorte da carta, em A Gazeta
Habituei-me, daí, ao trato dos homens e aprendi a julgá-los também através os ensinamentos de Emerson: “Usa a linguagem que quiseres, nunca poderás dizer senão o que fores”, porque segundo a sabedoria popular: “Ninguém se deve fiar nas aparências. O tambor, apesar de todo barulho que faz, está cheio de ar, simplesmente”.
De instante a instante – retomando as minhas palavras iniciais – os fatos da nossa vida social se sucedem e de todos eles o que mais me atraiu a atenção, ultimamente, foi a escolha de seu nome para líder do Partido Trabalhista Brasileiro, na Câmara Federal. Considero-a uma consequência lógica das campanhas nacionalistas que, em São Paulo, tiveram em você um dos seus mais eficientes elementos.
Lembro-me do acadêmico Almino Afonso, na tradicional Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, sempre na primeira linha dos combatentes, consciente e atuante. Tudo que aconteceu aquela época – e longe seria enumerar os ingentes esforços dos patriotas – podemos nós hoje afirmar, foram em suma verdadeiras e corajosas pregações cívicas, em defesa do monopólio estatal do petróleo, principalmente, nas quais contamos com o decisivo apoio dos brasileiros independentes de todos os quadrantes do país.
Tenho minha confiança na firmeza da sua posição, face aos legítimos interesses nacionais. O que vem impedindo a muitos homens públicos de se conservarem fiéis às necessidades do povo no desempenho dos cargos administrativos e dos mandatos eletivos que lhes têm sido confiados, são os VISCOSOS EMBARAÇOS DE ORDEM MATERIAL. Destes, entretanto, você está livre, graças aos principados da moral política que segue e da perfeita compreensão dos seus deveres de cidadão.
Moço que você é, já com grandes responsabilidades nas lutas pela emancipação econômica do Brasil, quero aqui recordar um exemplo histórico: FLORIANO! Jovem, com 26 anos de idade, segundo-tenente do Exército, marchou ele para os campos de batalha do Paraguai, de lá regressando galardoado com três promoções por bravura. O major Floriano, mesmo no governo imperial, sem ser um áulico, cedo atingiu o generalato, imposto pelo seu passado militar e patriotismo. Filho de lavradores, modesto, bom cidadão e bom soldado, sem os artifícios da palavra exuberante, acompanhou o desenrolar da política do povo brasileiro, até a implantação do regime democrático em 1889.
Coube ao seu caráter de homem íntegro, independente, de ação discreta mas enérgica, a grandiosa obra da Consolidação da República, que constituiu a fase brilhante da nossa nacionalidade em que os brasileiros viram agitada a bandeira do nacionalismo até o paroxismo, na célebre frase de Floriano: “A BALA!”.
Concluindo, retorno a sabedoria popular: “As ações são sempre mais sinceras do que as palavras”, ou em sentido mais completo, na opinião de Frederico Bricha: “A multidão julga os homens pelas palavras, a história julga-os pelas ações”. À sua inteligência e perspicácia, deixo o trabalho de pesquisa e identificação, para uma justa aplicação, nos nossos dias, dos conceitos contidos nos provérbios citados.
(*) A Gazeta, 5 abr. 1961
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