CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

sexta-feira, março 04, 2011

FACULDADE DE MEDICINA DO AMAZONAS

Desejo apenas acrescentar um resumidíssimo capítulo à história da Faculdade de Medicina, que já se consolidou em nossa Universidade centenária. Capítulo da pré-história da instituição, pois aconteceu um decênio antes que a Ufam tomasse forma legal e cerca de quinze, até a primeira aula na atual faculdade.

É do conhecimento geral que, na metade do século passado, havia em funcionamento em Manaus apenas a Faculdade de Direito. Os jovens interessados ou estimulados ao curso de medicina ou odontologia eram obrigados a buscar outros recantos do País. Durante anos, os graduados na Faculdade de Medicina da Bahia dominaram o mercado, curaram as doenças de nosso povo.

No entanto, o anseio dos amazonenses por outros cursos superiores era latente. Uma das iniciativas coube ao Dr. Miguel Martins que, no início da década de 1950, criou o Instituto Amazonense de Estudos e Pesquisas Médicas. A entidade assumiu o compromisso de instalar uma faculdade de medicina em Manaus. Para isso, conta o Dr. Martins, o Instituto adquiriu o prédio para essa finalidade.

Situado na rua Duque de Caxias, onde funciona o Amazonprev
A ilustração não deixa dúvida de que o edifício estava situado a rua Duque de Caxias, o mesmo que abrigou recentemente o Ipasea, hoje é ocupado pela Amazonprev e, breve, será leiloado.

Edifício pertencente a Amazonprev
 Na reportagem de O Jornal sabe-se que as instalações estavam prontas, faltavam os equipamentos e outros apetrechos para as aulas. Para contornar esses empecilhos, o presidente do Instituto conseguira se entrevistar com o presidente Getúlio Vargas, que prometeu verbas para a consolidação do sonho.
Tudo indica que nenhuma verba foi alocada, ou veio pelo Guaramiranga. A faculdade não saiu do papel, o prédio depois passou para a gerência do governo estadual, e o ensino de medicina é ministrado no entorno do Hospital Getúlio Vargas (quanto contrassenso).

O Jornal. Manaus, 5 agosto 1952
Fica assim registrado o empenho do Dr. Miguel Martins.

quinta-feira, março 03, 2011

PRAÇA DA POLÍCIA

Como todas as praças de Manaus, também esta é mais conhecida por seu codinome. Em verdade, praça Heliodoro Balbi, situada no centro da cidade.

Praça da Polícia vista pelos zuavos, anos 1990
A existência desse logradouro vem dos tempos provinciais, tendo se destacado quando o argentário Custódio Pires Garcia, capitão da guarda nacional, construiu seu palacete nos arredores. Depois o governo adquiriu o prédio para nele abrigar repartições públicas. Foram diversas essas repartições, mas a mais destacada foi a Polícia Militar que o ocupou desde 1890. Dessa presença vem a alcunha da Praça. Que o imortal Heliodoro Balbi absolva o gosto popular.
Largo do Palacete Garcia, a primeira foto da praça, c1870
É certamente a praça com maior número de denominações. A primeira foi a de Largo do Palacete. Quando o presidente da Província proclamou a liberdade dos escravos no Amazonas, mudaram-lhe o nome para 28 de Setembro. Mais adiante, da Constituição, quando o Amazonas se tornou estado federado.

Tomou o nome de João Pessoa, no alvoroço do golpe de 1930. Durou pouco tal escolha. Logo foi conhecida por Gonçalves Ledo, ao tempo em que a Polícia Militar foi extinta e perdeu o quartel da praça.

Na metade do século passado, havia três praças: a Roosevelt, num apêndice limitado pela rua Marcilio Dias (onde hoje funciona o Café do Pina); a parte central, a Heliodoro Balbi, e na “ilha” em frente ao cine Guarany, a praça Gonçalves Dias.
A partir de 1975, o prefeito Jorge Teixeira deu-lhe o formato que desfrutamos. Ligou as praças, eliminando o Pavilhão São Jorge ou Café do Pina e o segmento da rua Marcilio Dias para a av. Sete de setembro.
As fotos que postamos têm a finalidade de ilustrar a conversa sobre a Praça da Polícia.
Praça João Pessoa, com a Escola Normal no quartel
A legenda indica praça Gonçalves Ledo, deve ser engano

Detalhe da praça da Polícia, anos 1950

Detalhes da Praça da Polícia, ao fundo, quartel da Polícia

terça-feira, março 01, 2011

MEMÓRIAS AMAZONENSES (XLIX)

Março, 1º

1955 – Morreu em Manaus, o filólogo João Leda. Acompanhando seu pai, quando este aceitou trabalhar nos Correios da capital da borracha, aqui chegou no início do século XX. Trabalhou em jornais locais, assim como no Diário Oficial, do qual foi diretor. Seu desempenho literário capacitou-o a participar da fundação da Academia Amazonense de Letras. Nela ocupou a Cadeira nº 16, de José Veríssimo, hoje Leda patrocina a cadeira.
O tratamento que Leda dispensava a língua portuguesa consentiu ao jornalista Afonso de Carvalho (O Jornal, 6 dez. 1953), após entrevista, cognominá-lo de “Doutor do Vernáculo”.
Seus livros: Vocabulário de Ruy Barbosa; Os áureos filões de Camilo; Nossa língua e seus soberanos e Quimera da língua brasileira.
Quando de sua morte, o acadêmico Moacyr G. Rosas, que escrevia sob o pseudônimo de Pablo Cid, dirigiu-lhe modelar despedida.

Nascido no Maranhão (1889) encontra-se sepultado no cemitério São João.

1983 – Criado o Sétimo Comando Aéreo Regional (VII Comar), com sede em Manaus. A sanção do Decreto nº 88.134, coube ao presidente João Batista Figueiredo. Para seu funcionamento ocupou as dependências do aeroporto de Ponta Pelada, que já se transformara em Base Aérea.

Aeroporto de Ponta Pelada, ao final da construção
Cartão postal do aeroporto de Ponta Pelada, Manaus, anos 1950

DELMO PEREIRA (Final)

Março, 1º

1953 - Encerrado o julgamento dos matadores do estudante Delmo Pereira, os jornais do dia publicaram um bizarro placar.

Consultei O Jornal, que abriu a primeira página com o resumo geral. Somou os anos aplicados aos condenados e chegou ao espaçoso intervalo de 367 anos. Destacou o homem que serviu de “escrivão” (Cesário) durante o crime e o que serviu de “julgador” (Cruz). Indicou o mais apenado, Carioca, com 30 anos de prisão.

Manaus, 1º março 1953.
Repito: o cronista Simão Pessoa fará este mês o lançamento de seu livro sobre o caso Delmo Pereira. Assim, encerro com essa postagem a lembrança de tão malfadado momento de Manaus.