CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

domingo, dezembro 05, 2010

Cinemas de Educandos, em Manaus II

Cine-Teatro Rio Negro (1949-1953)


Nos jornais, não se encontra referências acerca do Cine-Teatro Rio Negro, apenas que esteve localizado no bairro de Educandos. Ainda assim retirada de um brevíssimo apontamento, compulsado em O Jornal (30 out.1950), sobre o bairro. Assinada pelo então jornalista Arlindo Porto (1929 - hoje membro da Academia Amazonense de Letras), a matéria assegura que no local “há um cinema em funcionamento e outro em construção.” Em funcionamento, o Rio Negro, e em construção, o Vitória.

As únicas informações sobre este cinema estão registradas em um livro de Cláudio Amazonas (1945-) sobre o Educandos. Cláudio assegura que este cine fora inaugurado a 7 de setembro de 1949, situado na esquina da rua Amâncio de Miranda com o beco dos Passos.
Tem mais, o imóvel pertencera a Walter Scott da Silva Rayol (1905-1970), político e cronista esportivo. Mas, que logo o transferira para Gonçalo Batista dos Santos (1918-2001), pernambucano, aqui chegado em agosto de 1945 para participar da 1ª Exposição-Feira da Amazônia (Feira de Amostras). Gonçalo, por suas atividades mercantis, adquiriu a alcunha de "Marreteiro".

O Rio Negro possuía 200 assentos de madeira, dispostos em fila que formava uma espécie de arquibancada íngreme. Largas brechas no assoalho permitiam aos garotos assistir a sessão das 20h, sempre proibida aos menores de 14 anos.

A programação e, em especial, a publicidade do cine Rio Negro era realizada pelo próprio Gonçalo, que anunciava em cartazes as atrações do dia: “Hoje vai sem bom. Porada (com um “r” apenas) é mato”. Isso era motivo de gozação. Seja para quem o conhecia e tinha alguma intimidade, seja para quem o detestava, em maior número.

Gonçalo empregava como ajudante o cômico Canela, também chegado a Manaus na mesma época, que circulava pelas ruas de Educandos montado em longas pernas-de-pau e em megafone improvisado anunciava de forma bem-humorada:
Venham assistir o grande sucesso de hoje no Cine-Teatro Rio Negro, o maior cinema do mundo, porque nunca enche!
Enfim, recorda Cláudio, o cine Rio Negro não teve uma existência duradoura, desaparecendo em meados de 1953. Gonçalo dos Santos parece ter se desiludido com a atividade cinematográfica, preferindo buscar outros empreendimentos mais lucrativos.

Além disso, a proximidade da abertura do cine Vitória terminou por sepultar os sonhos de “Marreteiro” com relação à sétima arte. A despeito de sua curta trajetória, o Cine-Teatro Rio Negro exibiu alguns filmes famosos; e até assistiu ao surgimento do cine Constantinópolis, logo transmudado em cine Rex (1952-1954).

Mestrinho visita Educandos. O Jornal. Manaus, 16 fev. 1959

Ainda que sem relação com o cinema do Marreteiro, a foto com o governador Mestrinho mostra o início da urbanização do bairro.

sábado, dezembro 04, 2010

AVENIDA EDUARDO RIBEIRO

O relato visa apenas mostrar as “cores e formas” que constituem nosso olhar sobre a avenida mais central de Manaus. Não pretendo analisar a evolução que perpassa por esse logradouro, que vem acontecendo desde quando esta via de circulação perdeu a exuberância e o referencial. A partir de quando o crescimento de Manaus transferiu para outros cantos o poder de atração desta avenida.

O patrono da avenida estende seu olhar sobre a esquina mais
conhecida de Manaus. Os bondes dominavam
Os bondes ingleses marcavam a pontualidade

A bomba de gasolina efetua o encontro do bonde com o onibus


Nos primeiros momentos, em que se destacava a exuberância do verde e a ausência de transeuntes:

O prédio em destaque desapareceu, ali funcionou a Justiça
eleitoral
Muito depois, mais comércio e menos árvores

Postal da avenida com a invasão dos carros
Hoje, o comércio rasteiro predomina
Desapareceu o verde em troca do vermelho-barraca

quinta-feira, dezembro 02, 2010

Cinemas de Educandos, em Manaus

Situado às margens do rio Negro, o bairro de Educandos liga-se ao centro de Manaus pela ponte Antonio Plácido de Souza e, ao bairro da Cachoeirinha, pela ponte Juscelino Kubitschek. Um dos mais antigos de Manaus, o bairro teve origem e denominação a partir da ativação do Estabelecimento dos Educandos Artífices, criado em 1856, pelo presidente da província, João Pedro Dias Vieira.
O estabelecimento objetivava ensinar a música, as primeiras letras e os ofícios de marcenaria, carpintaria e tornearia às crianças pobres da capital. Com o passar dos anos, em seu redor, diversas famílias fixaram residência; surgia assim o primeiro núcleo populacional denominado de Alto da Bela Vista.

Desativado em 1914, o prédio esteve abandonado por anos, até que na década de 1940 acolheu o Grupo Escolar Machado de Assis, que segue funcionando como Escola Estadual.
O bairro, todavia, ganhou o nome de Constantinópolis pela Lei nº 67/1907, com área de 130.693m2. No correr de 1928, surge na Vila Neuza (construída em 1891) a primeira sala de exibição cinematográfica do bairro. Trata-se do “cinema” do seu Austriclínio Duarte Ribeiro, funcionando no subsolo de sua residência, situada na rua Delcídio Amaral, nº 80.

Possuía 25 assentos do tipo “escolar”, para duas pessoas, e cobrava vinte réis por entrada. O pequeno “cinema” funcionava apenas à noite, exibindo filmes mudos, de cômicos como Max Linder (1883-1925); Buster Keaton (1895-1966), Harold Lloyd (1893-1971); Charles Chaplin (1889-1977), entre outros. Também exibiu filmes produzidos por Silvino Santos (1886-1970), entre os quais, o celebrado No País das Amazonas, mostrado anteriormente no cine Polytheama.
As informações aqui expostas pertencem ao Ed Lincon. É ele que segue rememorando o assunto.
No início dos anos 1930, outro “cinema” surgiu em Constantinópolis: na residência de Antonio do Carmo (prestamista, conhecido por Cartolinha), situada na rua São Pedro, nº 129, esquina com o Boulevard Sá Peixoto. Utilizando um projetor Pathé, Cartolinha exibia filmes tanto em sua residência, quanto pelas ruas do bairro, ainda de terra batida.

As duas salas tiveram duração efêmera, de alguns anos apenas. Em especial, porque seu Austriclínio, telegrafista dos Correios durante o dia, mudou-se para a rua Manoel Urbano, onde no começo dos anos 1920 abrigava aquela repartição. Compelido a se dedicar por completo ao seu ofício, Austriclínio deixou de lado a paixão pela Sétima Arte.
Quanto ao “cinema” de Cartolinha: a diversão desapareceu quando o proprietário vendeu sua casa e, pior, mudou-se do bairro, levando consigo o equipamento de projeção.

Cine Vitória, nos últimos dias, em 1973. A casa ao lado, na
entrada do beco São José, continua no mesmo lugar.
Dessa maneira, o subúrbio que já havia sido rebatizado de Educandos viu-se privado desse divertimento. Cerca de vinte anos depois o cinema voltaria, em salas como: Rio Negro, Constantinópolis (depois Rex) e Vitória. Esta, a maior de todas, abrigando quase um milhar de freqüentadores. Teve a mais longa duração, perdurou por duas décadas.

quarta-feira, dezembro 01, 2010

PM AMAZONAS: SERVIÇO DE SAÚDE (3)



O Jornal. Manaus, 22 fev. 1934,
quando a PM estava desativada
Dissemos na postagem anterior que a Polícia Militar do Amazonas esteve “fora do ar” por seis anos, entre 1930 e 1936. Que, ao ser reintegrada ao serviço público, foi contemplada com um serviço de saúde. Ainda que incipiente.
Mas, antes do passo seguinte, vou relembrar a maneira como eram tratados os integrantes do Corpo de Bombeiros, que sucedera a força estadual no período.


Em 1936, retorna a Manaus, depois de formado em medicina e realizado a etapa da residência, o doutor Ramayana de Chevalier. Homem bem relacionado, muito em função da ascendência paterna, encontrou acolhida em Alvaro Maia, interventor federal, que o designou para dirigir o Serviço de Saúde da PMAM.
Apesar do disposto em Regulamento, uma severa dificuldade sitiava o pessoal dos bombeiros: o atendimento médico. Como se tratava de efetivo bastante limitado, o recurso encontrado, ou já utilizado pela administração municipal, foi a designação temporária de facultativos, assim designados os médicos, para o atendimento. Em 1932, sucedem algumas indicações. Em fevereiro, ocorreu a substituição do Dr. Kronge Perdigão pelo Dr. João de Paula Gonçalves, ambos do quadro da municipalidade. Três meses depois, o Prefeito Antonio Rogério Coimbra designou “para revezadamente fazer a visita médica desta companhia os facultativos da municipalidade, doutores João de Paula Gonçalves e Leão Ezagui, residentes à rua Monsenhor Coutinho, 51, e avenida Joaquim Nabuco, 232“. Outros três meses adiante foi a vez do médico Paula Gonçalves largar o rodízio para entrar o doutor Fulgêncio Vidal, residente à rua Henrique Martins, 60. (Nota extraída do meu livro Os Bombeiros do Amazonas, em finalização)
Não se conhece qualquer outro auxiliar. O atendimento, portanto, seguiu a rotina anterior. Talvez, pior, pois o doutor Ramayana não possuía vocação para este ofício. Sua vocação era a do jornalismo, do jornalismo combativo, polêmico. Assim, algum tempo depois, quando Getúlio Vargas assumiu ditatorialmente o governo, em 1937, Ramayana seguiu para o Rio de Janeiro, onde se instalou em definitivo, salvo algumas passagens por Manaus para secretariar o governo de Gilberto Mestrinho (1959-1962).
O Serviço de Saúde, então, foi suprido pelos médicos Antonio Hosanah e Correia Lima, além do dentista Francisco Menezes. Esses profissionais dariam início a uma nova etapa, que será contada na próxima postagem.