CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

quinta-feira, abril 03, 2025

L. RUAS: 25 ANOS DE FALECIMENTO (3)

 José Seráfico, destacado mestre de nossa Universidade Federal, escreveu em seu blog, homenageando ao padre-poeta L. Ruas pela passagem desta relevante efeméride. Segue abaixo esta manifestação, com meus agradecimentos. Aproveito para informar - a quem possa interessar - que a arquidiocese de Manaus programa para este final de mês uma Missa pela alma do saudoso padre Luiz Ruas. 

Capa do livro

Ruas e seu mundo


 

·         De Roberto Mendonça, L. Ruas - Itinerário de uma vocação é rememoração justa e indispensável. O livro homenageia um intelectual e sacerdote que faz falta no cenário destes conturbados dias. O editor deste blog foi aluno do Padre Ruas, em curso realizado na Escola de Serviço Público do Estado do Amazonas, a ESPEA, descriada quando se iniciava o processo obscurantista que temos a infausta experiência de testemunhar. Ruas ministrava aulas de Psicologia. Na missa de 1 de abril, na Matriz de Manaus, será rendido preito ao sacerdote e professor amazonense.

terça-feira, abril 01, 2025

L. RUAS: 25 ANOS DE FALECIMENTO (2)

 Hoje (1º de abril), completam-se 25 anos do falecimento do padre-poeta L. Ruas (Luiz Augusto de Lima Ruas), autor de Aparição do Clown, longo poema religioso, editado em 1958. Intentei realizar uma homenagem pública ao poeta, porém, fracassei. Lamento, mas a direção da arquidiocese de Manaus – procurada - não acolheu minha pretensão. A fim de reverenciar ao poeta, reproduzo (com ligeiras correções) o texto próprio que incorporei ao livro L. Ruas: poesia reunida (2013).

Minha paixão por L. Ruas

Possuo um raro privilégio: o vínculo escolar com o padre Luiz Augusto de Lima Ruas (L. Ruas), quando matriculado no Seminário São José, de Manaus. Ali, em 1956, alcancei o padre Ruas no frescor de sua juventude, ordenado sacerdote dois anos antes. Sapiente e entusiasmado demais com sua vocação, liderança comprovada em qualquer reunião de seminaristas. Versado em diversas matérias curriculares, ensinou aos futuros padres ou não de línguas vivas e mortas (latim e grego), passando por Gramática e Literatura Brasileira, Filosofia e Teologia. Seus inúmeros alunos da Universidade Federal do Amazonas lembram-se dele como mestre em Psicologia. No Seminário, ainda adolescente, não tive capacidade de auferir a ciência que dele emanava. Recebi de suas mãos o majestoso livro — Aparição do clown, longo poema religioso, quase indecifrável, de certo um marco na literatura amazonense. Mas, tudo isso somente compreendi décadas depois.

Em 2004, a cidade comemorava vários cinquentenários: de sua ordenação sacerdotal; da criação do apagado Instituto Christus; da inauguração da Rádio Rio Mar e da fundação do Clube da Madrugada. Para minha admiração, em todas estas organizações, Ruas havia participado, e de forma categórica.

L. Ruas morreu em 1° de abril de 2000, há vinte e cinco anos, portanto. A fim de homenageá-lo no limite de minha competência, projetei e estou cumprindo o recolhimento de sua obra literária dispersa nos jornais de Manaus. A propósito deste empreendimento, o saudoso Renan Freitas Pinto designou-me com a incumbência esdrúxula de "curador da massa literária” de L. Ruas. Devo confessar que a faina foi dificultosa, emperrada e, às vezes, desanimadora. Foi-me, porém, benevolente, por ter-me permitido comprovar a sapiência e a erudição do meu saudoso mestre.

Enfim, ainda encontro, aqui e ali, fuçando em jornais da época, alguma contribuição dele. A Poesia Reunida de L. Ruas, aqui organizada, objetiva não somente assinalar sua morte. Mas, e principalmente, revitalizar a arte otimamente praticada por ele. Espero ter cumprido satisfatoriamente o ônus assumido, e que o leitor se satisfaça com este conjunto de "estrelas e de pérolas".

segunda-feira, março 31, 2025

L. RUAS: 25 ANOS DE FALECIMENTO

 Amanhã (1º de abril), completam-se 25 anos do falecimento do padre-poeta L. Ruas (Luiz Augusto de Lima Ruas), autor de Aparição do Clown, longo poema religioso, editado em 1958. Intentei realizar uma homenagem pública ao poeta, porém, fracassei. Lamento, mas a direção da arquidiocese de Manaus – procurada - não acolheu minha pretensão. Assim, vou republicar algumas páginas do mestre, para cumprir meu desígnio.

Nesta homenagem, começo com as palavras do professor Marcos Frederico (doutor em Literaturas de Língua Portuguesa), expostas no livro L. Ruas: Poesia Reunida (Manaus: Travessia, 2013):

“Luiz Augusto de Lima Ruas (L. Ruas) é, sem qualquer favor, uma das mais expressivas vozes da poesia do Clube da Madrugada, essa agremiação que renovou as letras amazonenses da década de 50, no século passado.

Sem exagero, diria que seu livro de estreia, Aparição do clown, cuja primeira edição consta ter sido em 1958, o coloca entre os poetas com participação eficaz na literatura brasileira. Entretanto, não é conhecido nos meios acadêmicos brasileiros, porque poucos são os artistas locais que conseguem “furar” o bloqueio dos meios de comunicação e ser divulgados nacionalmente.

Graças a Roberto Mendonça, esse pesquisador incansável da obra de L. Ruas, temos agora a totalidade da produção lírica desse vigoroso artista. Além dos poemas de Aparição do clown, encontram-se também reunidos neste livro aqueles que constituíram o Poemeu, livro que, tendo sido premiado em 1970, só encontrou a luz de uma publicação em 1985.

Afora estes, encontram-se os textos que, circunstancialmente, foram inseridos em outras obras. Se não bastasse este trabalho, Mendonça ainda coletou produções inéditas do grande poeta, um dos quais – o poema “Mar” – nos mostra uma faceta original de seu trabalho: as técnicas do Concretismo.”

A seguir, um dos poemas coletados em Poemeu ou O (meu) sentir dos outros. 

SONETO (*)

Estas aves vêm sempre, ao fim da tarde,

Descansar seus remígios agourentos

No pomar de onde colho doces frutos

Com que faço meus vinhos suculentos.

Elas vêm de bem longe. Me olham sempre

Com desdém. E nas asas trazem ventos

Que uma vez, já faz tempo, naufragaram

Minha nave que nautas desatentos

Dirigiam. E estas aves que me espiam

Lá de cima das árvores crescidas

No pomar irrigado com águas verdes.

Bem conhecem meu fim. Vencido nauta

Pus-me, agora, a plantar frondosas copas

Que sugerem veleiros em meu canto.

 

(*) Também publicado na Seleta Literária do Amazonas, de José dos Santos Lins (1966).

domingo, março 30, 2025

DA POLÍTICA AMAZONENSE

 Ao final do segundo mandato do governador Gilberto Mestrinho (1983-87), tudo indicava que o sucessor seria o vice-governador Manoel Ribeiro. No entanto, como os caminhos da política são imprevisíveis, foi eleito governador o jovem Amazonino Mendes (1939-2023), e para confortar ao Ribeiro, este foi eleito prefeito de Manaus (1985-88). A postagem mostra um "santinho" distribuído pelo prefeito Manoel Ribeiro.