CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

sexta-feira, abril 13, 2018

POLICIAMENTO RODOVIÁRIO, EM MANAUS


Governo cria Guarda Rodoviária para zelar pela segurança do trânsito nas estrada

O governador Arthur Reis [1964-67] assinou ontem decreto criando no Departamento de Estradas de Rodagem do Amazonas, a Guarda Rodoviária, que terá entre outras atribuições a de zelar pela segurança do trânsito nas rodovias sob a jurisdição do DER-Am; exercer completa vigilância para prevenir quaisquer atentados contra a integridade das rodovias; promover a imediata prestação de socorro às vítimas de acidentes nas rodovias etc.
O recrutamento do pessoal se fará mediante Edital, através contrato de trabalho com vigência de um ano e podendo ser renovado por igual período.

O Chefe da Guarda Rodoviária terá função gratificada (FG-2), e uma gratificação correspondente a 2/3 dos respectivos vencimentos.
Os salários dos componentes da Guarda Rodoviária são fixados em 130 mil cruzeiros, com o acréscimo de 30% como gratificação pelo risco de vida e de saúde a que estão expostos no exercício de seu mister.

Anotações sobre o post:

A publicação acima compartilhei do Jornal do Commercio (6 agosto 1965). Durou pouco a existência da Guarda Rodoviária integrante do Departamento de Estradas de Rodagem do Amazonas (Deram). Criada em 5 de agosto de 1965, como se viu, passou à subordinação da Polícia Militar do Estado em dezembro de 1970, ao final do governo Danilo Areosa. As razões dessa mudança já escrevi e estão postadas em 15 agosto 2010. 

quarta-feira, abril 11, 2018

MARTINHO DA VILA

Recorte do citado jornal
Em Manaus, esta deve ter sido a estreia de Martinho da Vila. Aconteceu em outubro de 1969, portanto, às vésperas do cinquentenário. A iniciativa coube ao Olímpico Clube, alcunhado de Clube dos 5 Aros, que o contratou para comemorar o aniversário de fundação. Acredito que o clube ainda estava situado no cruzamento da avenida João Coelho com rua Leonardo Malcher. Ou seja, ainda não havia migrado para a bola da Constantino, endereço atual. 

A nota abaixo foi compartilhada de O Jornal (15 de outubro) e nela se pode recordar dois conjuntos musicais (um dos quais ainda em semi-atividade) e a nomenclatura de nosso dinheiro, e o valor da mesa para quatro. Era tempo de cruzeiro novo (NCr$).


Recorte de O Jornal, 15 out. 1969
Martinho da Vila, o inconfundível sambista da Vila Isabel, será o cartaz absoluto de hoje à noite no Olímpico Clube, dentro das promoções sociais do Clube do Século XX relativas ao 31° aniversário de sua fundação. UM SUCESSÃO
Martinho da Vila apareceu no cenário musical nacional quando da realização do III Festival Internacional da Canção Popular, tendo sido classificado entre os seis primeiros que defenderiam São Paulo no Rio de Janeiro. E saiu-se bem. Chegou em segundo lugar.
Daí pra frente, o seu sucesso aumentou consideravelmente, tanto que outros cantores passaram a gravar as suas composições como Jair Rodrigues e outros.
Hoje à noite, o sambista autor de O Pequeno Burguês, Quem é do Mar não Enjoa e outros sucessos, estará se apresentando no Olímpico Clube sendo uma oportunidade que ninguém deve perder. Para esse promoção, as mesas que já estão quase esgotadas. Estão sendo vendidas a NCr$ 60,00, na sede do Olímpico e na Loja Vitrine.
O espetáculo começará às 22 horas devendo ser animado pelo conjunto “Os Embaixadores” especialmente contratado, enquanto que o baile será animado pelo não menos famoso “The Blue Birds”. 


terça-feira, abril 10, 2018

CLUBE FILATÉLICO DO AMAZONAS



Nelson Porto, 2003
No início dos anos 1980 ingressei no colecionismo, acabando por frequentar o Clube Filatélico, então reunindo-se na agência central, situada no cruzamento das ruas Marechal Deodoro com Teodoreto Souto. Era o tempo da comunicação por escrito, que gerava a fartura de selos e cartas, indo e vindo. De selos valorizados porque raríssimos – os Olhos de Boi, por exemplo. Tanto movimento, que permitiu ao presidente Nelson Porto manter uma coluna dominical sobre filatelia no Jornal do Commercio.
Da Marechal, a filatelia passou à agencia da Praça do Congresso, onde aos sábados a turma se reunia em volta do “eterno” presidente Nelson Porto, cargo ocupado até seu falecimento.
Então a comunicação foi rapidamente mudando, deixando de lado os impressos e escritos para acompanhar a evolução da telefonia. Assim, foram sumindo tanto os colecionadores quanto os jovens que, sem atrativos, não se aventuravam a tanto.
Os embaraços financeiros dos Correios levaram esta repartição a tomar medidas extremas que definharam por completo, refiro-me a Manaus, a Filatelia. Bem que o atual presidente Jorge Bargas se esforça, mas não há sequer local para adquirir ou permutar selos e afins.

Abaixo, a nota histórica da inauguração do Clube Filatélico, postada em O Jornal (15 outubro 1969).

Recorte de O Jornal, 15 outubro 1969
FOI fundado no dia 11 do corrente o Clube Filatélico do Amazonas, órgão principal da filatelia em nosso Estado. A primeira diretoria foi eleita no dia da reunião de inauguração, sendo constituída de elementos ligados diretamente à filatelia no Amazonas, os quais por ocasião da solenidade de posse prometeram desenvolver intensivamente aquela arte na capital com ramificações para o interior.

DIRETORIA
A primeira diretoria do Clube Filatélico do Amazonas segundo fomos informados ficou assim constituída: presidente:  Dr. Nelson Ribeiro Porto; vice-presidente: Sr. Manuel Lucas Batatel; 1° secretário: Ubirajara Almeida; 2º secretário: Dr. José Joaquim Marinho; 1º tesoureiro: Sr. Wagner Vieira; 2º tesoureiro: Sr. Fernando Mara nho: 1º diretor de permutas: Dr. Mário Xavier; 2º diretor de permutas: Dr. Emílio Garibaldi.
A solenidade de fundação do Clube Filatélico do Amazonas contou com as presenças de destacados filatelistas do nosso Estado, sendo realizada no Instituto Cultural Brasil Estados Unidos, cuja sede foi gentilmente cedida pelo professor Rui Alencar, diretor daquela entidade.

BRASILJUTA – NOTAS HISTÓRICAS



No início da década de 1950, Adalberto Valle promove a implantação do Hotel Amazonas e da Brasiljuta, em Manaus. Diante da necessidade de sacaria, empenhou-se no aproveitamento da plantação da juta no Amazonas.
Brasiljuta - Cartão Postal de A Favorita
Sua empresa cresceu enquanto não surgia um competidor. Este concorrente revelou-se em 1981, com o aparecimento dos sacos de polipropileno e rafia. Este material foi desbancando a juta gradativamente.
Trinta anos depois, houve uma séria mudança na empresa que, renovando-se, modificou a razão social para Brasjuta. Tal aconteceu diante do novo apelo pelo desenvolvimento sustentável. No entanto, em 2016, fechou a fábrica no PIM e arrumou-se na rodovia Manoel Urbano.  
As notas abaixo retirei da Revista Primeiro Centenário da Associação Comercial do Amazonas, circulada em 18 junho 1971. 

COMPANHIA BRASILEIRA DE FIAÇÃO E TECELAGEM DE JUTA

Dentro do programa de recuperação da Amazônia, nasceu a ideia da instalação de uma moderna fiação e tecelagem de juta, na própria fonte da matéria-prima, isto é, Manaus no Estado do Amazonas. Nesse sentido, o Dr. Adalberto Ferreira do Valle iniciou estudos necessários, tendo como principais colaboradores em São Paulo, os Srs. John Buxton e Júlio da Cruz Lima e, em Manaus, os Srs. Isaac Sabbá e Erminio Fernandes Barbosa. Posteriormente, aliou-se a essa iniciativa, a convite do Dr. Adalberto Valle, o Dr. Mario Expedito Neves Guerreiro.
Em 14 de abril de 1951, após convocação pela imprensa local, reuniram-se em Assembleia Geral de Constituição, na sede da Associação Comercial do Amazonas, à rua Guilherme Moreira, 281, às 16 horas, sob a liderança e entusiasmo de Adalberto Valle e dos principais incorporadores da empresa. Assumiu a presidência da reunião o Dr. Adalberto Valle, convidando para secretariar os trabalhos os Drs. Lucio Fonte de Rezende e Mário Expedito Neves Guerreiro.
Inegavelmente, a Companhia Brasileira de Fiação e Tecelagem de Juta – Brasiljuta foi o primeiro marco de industrialização no Amazonas.
Em janeiro de 1954 foram inauguradas as instalações industriais da empresa, com a presença do presidente da República, na ocasião o Sr. Getúlio Dornelles Vargas. Daquela data em diante, passou a Brasiljuta a produzir fios, telas e sacaria para todos os consumidores nacionais.
Em 12 de janeiro de 1957, o Dr. Adalberto Ferreira do Valle, pretendendo dedicar-se a outros empreendimentos, resolveu vender o controle acionário para o Grupo Empresarial União Manufatura de Tecidos, no Rio de Janeiro, com sede na avenida Rio Branco, 250 20º andar. Naquela data foi constituída a nova Diretoria, tendo como presidente, Numa de Oliveira; vice-presidente, Álvaro Souza Carvalho; diretor-superintendente, Sr. Joao Lucio de Souza Coelho; diretor-gerente, Sr. José Rebuzzi e diretor-comercial, Dr. Mário Expedito Neves Guerreiro (foto A Crítica, 0ut. 2015) 
Esses novos dirigentes da Brasiljuta, com grande experiência do ramo, passaram a reestudar o funcionamento da empresa em novos moldes técnicos, administrativos e comerciais, tendo como consequência, em janeiro de 1961, iniciada a ampliação da fábrica para o dobro de sua capacidade de produção.
A Federação das Indústrias do Estado do Amazonas, reconhecendo o alto trabalho da empresa e o dinamismo de sua Diretoria, resolveu eleger em 1969, como Industrial do Ano, o Dr. Mario Lucio de Souza Coelho, Diretor-Superintendente da Brasiljuta.
A nova Diretoria, composta hoje [1971]dos Srs. Álvaro Souza Carvalho, diretor-presidente; Dr. João Lucio de Souza Coelho, diretor-superintendente; Dr. Geraldo Martins Ourivio, diretor-financeiro; Sr. José Rebuzzi, diretor-gerente e Dr. Mario Expedito Neves Guerreiro, diretor-comercial, continua dedicada a industrialização da fibra de juta do Amazonas, confiante de que essa primeira atuação industrial criara uma mentalidade ao trabalhador amazonense, preparando-o para outros e grandes empreendimentos da área.
 A Brasiljuta, hoje, emprega mais de 1.000 operários, possuindo creche, ambulatório médico, funcionando 24 horas, gabinete dentário, centro de recreação dos operários e tudo o mais necessário para uma perfeita assistência aos seus empregados.
Ainda por iniciativa do Dr. Adalberto Ferreira do Valle e proporcionando inteira segurança à cultura da juta, já através da aquisição de suas safras, já por meio de abundante distribuição de sementes e até mesmo de financiamentos específicos, foi instalado em Manaus, nas proximidades do aeroporto internacional de Ponta Pelada, uma das mais modernas tecelagens de juta ainda hoje existentes no Brasil. Através de sucessivas ampliações, apresenta-se, atualmente, com as enormes dimensões reveladas pela fotografia panorâmica, que ilustra a presente nota.
O grande jutifício amazonense é de propriedade e está sendo operado pela Companhia Brasileira de Fiação e Tecelagem de Juta, presidida pelo Sr. Álvaro de Souza Carvalho, e gerenciada em Manaus por um dos seus esclarecidos diretores, o Dr. Mário Expedito Neves Guerreiro, atualmente presidindo a Diretoria desta Associação Comercial.