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segunda-feira, agosto 03, 2026

MEUS OITENTANOS (12)

 FASCÍCULO 12

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No início de 1973, fui nomeado subcomandante da Companhia de Trânsito, que operava no quartel da Praça com entrada pela rua José Paranaguá, nas proximidades do Detran. Pouco durou minha atividade naquele setor, pois logo fui transferido para a Companhia de Bombeiros, operando em quartel na avenida Sete de Setembro, cujo serviço de combate a incêndios e afins fora encampado pelo governo estadual. Até então era este emprego exercido com bastante deficiência pela Prefeitura. Sem nada entender das atividades dos homens do fogo, cuidei do sucesso administrativo da nova unidade, para isso, busquei aprender com os bombeiros municipais incorporados, ainda assim acredito que o mais estravagante enfrentado foi o único teste em mergulho em igarapé de Manaus.

Quartel do Corpo de Bombeiros, quando
incorporado à Polícia Militar, em 1973

Em outubro, o comandante dos Bombeiros viajou a Paris para frequentar um curso sobre atividades do ofício; em função de seu afastamento, assumi o comando. Já havia de certo modo assimilado as atividades da companhia e nessa condição assisti ao início da construção do novo quartel erigido no bairro de Petrópolis. Permaneci no comando até o Carnaval de 1974, quando, na quarta-feira de Cinzas, fui afastado do comando por mau comportamento, ante as várias transgressões cometidas no “reinado momesco”. Uma, em dose dupla, distribui garrafas de uísque que ganhei de cortesia, no baile de carnaval que o comando promoveu na sede do Atlético Rio Negro Clube, no qual levei convidadas fora da minha família.

À época, o governo de João Walter (1971-75) ansioso por melhorar a atuação dos Bombeiros disponibilizou elevados recursos financeiros, tais que possibilitavam a farta aquisição de materiais específicos às operações. Óbvio que interessados em vendas se aproximaram com seus materiais e bastante agrados ao quartel. A subsidiária local da empresa Bucka Spiero (fabricante de equipamentos de combate a incêndios) era gerenciada pelo Orlando Novaes e possuía notável vendedor, o cearense desembaraçado Gonçalves, que possuía moderno veículo e frequentava as dependências do quartel, da cozinha ao alojamento. Ante tamanha mordomia, seu automóvel estava à disposição; uma tarde, no intervalo do almoço, tomei este carro e sai para um rolê, cujo passeio marcou minha vida, pois nesse giro alcancei a jovem C. que vivenciou comigo incontáveis aventuras. Nesse interim, aconteceu um desarranjo familiar devido meu envolvimento com a jovem Conceição Valois, ardor que durou décadas.

Dos Bombeiros fui transferido para o 1º Batalhão, em quartel recém inaugurado que era um primor de arquitetura, porém cercado por vielas mal cuidadas, com pouco transporte e nenhuma comunicação, sequer telefone, no distante bairro de Petrópolis. Por essas mazelas era tido como local de castigo para oficiais, assim fui apresentado ao comandante coronel Hélcio Motta que, de tanto verborrágico, era alcunhado de “caixa d’água”. Afinal a instalação deste aquartelamento foi fundamental para a evolução do bairro. Afastado da direção, seguia a rotina e as obrigações deste batalhão. Bom que após a formatura, ocasião em que o comandante falava “pelos cotovelos”, fazíamos a educação física, que se encerrava no futebol de salão, hoje futsal. Sequer a Faculdade de Direito me atraía, depois que me desencontrei da turma e passei ao crédito, em cada disciplina, a novos colegas. Preferia seguir pela noite alimentando as paixões, que me trouxeram tormentosas encrencas. Em minha residência, em 2 de agosto, a esposa deu à luz a filha Gabriela, hoje moradora de Brasília, com os filhos Caio e Gabriel.

Quartel do 1º Batalhão, em Petrópolis, hoje
servindo ao Comando-Geral da PMAM

Ao final de74, viajei a Santos e de lá prossegui para Curitiba, onde festejei o Ano Novo que pouco havia para me alegrar. A motivação da viagem era ver Roberto, filho da Conceição Cortez, a jovem que conheci no rolê, nascido em 20 de dezembro. De Santos, onde festejei o Natal, segui no carro emprestado por meu irmão Antonio e, em Curitiba, alcancei o descendente na residência da cunhada no bairro Mercês, então um simples arrabalde, onde me hospedei. Permaneci parte de janeiro em Curitiba cuidando do recém-nascido acometido de deformidade em ambos os pés. A partir do cuidado ortopédico ali dispensado, e sustentado em Manaus, não restou qualquer deficiência. Hoje, o Roberto Cortez se encontra servindo à Polícia Militar amazonense.

 

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