"VELHOS TEMPOS" era uma coluna escrita pelo saudoso André Jobim, circulada em O Jornal, que transcreveu este poema na edição de 27 de janeiro de 1963, com as devidas explicações.
A página poética de hoje é dedicada ao velho e saudoso poeta, já falecido, Júlio Olímpio da Rocha (o Catingueira), publicada em seu livro de poesias “Ocaso”, em 1933, e que, nos foi gentilmente presenteado por um amigo dileto, que também partiu para o Oriente Eterno — Octávio Pires, com a seguinte dedicatória: "Para o André Jobim, brilhante espírito e ótimo amigo, com a homenagem sincera do Octavio Pires." Manaus, 29.11.1946.
— Eis o magnífico
soneto:
O demo da cabocla era um feitiço,
Ditoso aquele que a possuísse um dia;
Porém, no amor, se lhe falavam nisso,
Voltava as costas e a sorrir fugia.
De redondos quadris, tronco roliço,
Um cheiro à priprioca rescendia,
E o seio farto e ereto em pleno viço,
A volúpia da raça prometia.
Dos lábios grossos os cheirosos pomos
Deixavam ver entre dois rubros gomos
Minúsculo teclado de marfim...
Nos olhos prometia o paraíso,
Mas ai! nos dava o inferno num sorriso,
Nunca mais encontrei mulher assim!
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