terça-feira, setembro 15, 2026

IMIGRAÇÃO JAPONESA NA AMAZÔNIA

 Para abrilhantar o cinquentenário da imigração japonesa na Amazônia, em junho de 1978, o casal – príncipe herdeiro Akirito e a princesa  Michiko – realizou uma visita oficial ao Brasil, incluindo passagem pelo Amazonas. Como forma de manifestação de apreço, o Jornal do Commercio, em Manaus, veiculou o artigo que integra esta postagem, sem eu que conseguisse detalhes sobre o autor.



Jornal do Commercio, 24 junho 1978

(...) No acontecimento da imigração japonesa cumpre ressaltar, a bem da verdade histórica, e parte que se relaciona com a Amazônia. Em nossa região a entrada do japonês não resultou de um simples desdobramento da imigração que se destinara ao Sul do país. Partiu de negociações diretas entre o governo do Pará e o governo do Japão. A iniciativa coube ao Dr. Dionísio Auzier Bentes [1925-90], então governador do Estado, e para esse fim foi até Belém, o Embaixador japonês no Brasil, Sishita Taksuke. Encerradas as negociações com êxito favorável, passou-se ao empreendimento, em termos econômicos, surgindo a Companhia Nipónica de Plantações do Brasil, sob a responsabilidade do industrial Hachiro Fukuara. Nessa fase preliminar, contribuíram, com capacidade e dedicação, o brasileiro Mario Guimarães e o japonês Conde Koma [Mitsuyo Maeda - 1878-1941], este há muito radicado em Belém, onde se tornou popular como professor de jiu-jitsu, tendo como discípulo predileto, neste esporte, o paraense Jacinto Ferro, que por sua vez prosseguiu na missão do velho mestre.

A imigração japonesa na Amazónia data, portanto, de cinquenta anos, e merece uma comemoração especial.

A par das culturas hortigranjeiras, que vieram melhorar a padrão alimentar do povo, são dignas do registro duas verdadeiras revoluções de caráter econômico operadas por essa imigração. Refiro-me à pimenta do reino e à juta. Até então a sacaria para exportação brasileira era tecida na base da fibra importada da Índia. A pimenta do reino, que não é só um tempero de cozinha, mas ingrediente indispensável na indústria de carnes em conserva, constituía outro déficit no plano da economia. Iniciou-se em Tomé-

Açu, no rio Acará, sede pioneira da ação japonesa, a grande batalha pela cultura da pimenta, daí estendendo-se até tornar-se em produto básico da industrialização, um fator de autossuficiência da riqueza nacional.

A juta tem uma história que merece ser contada. Ryoto Oyama, localizado em Parintins (outra área escolhida pelos imigrantes) consagrou-se à cultura do precioso vegetal. Investiu praticamente uma fortuna, nesse programa. Aconteceu que germinaram alguns pés, e desses restaram cinco, ainda tenros, quando a enchente do Amazonas começou a se expandir, ameaçando sua existência, pois, como se sabe, trata-se de planta da várzea. À medida em que o rio subia a ribanceira, aumentavam as preocupações de Oyama. Houve uma noite de SUSPENSE: a distância entre o rio e os frágeis arbustos era tão pequena que bastaria um avanço normal da enchente para afogá-los. O pioneiro ficou em vigília, mas ao fim da madrugada recebeu uma gratificação inesperada pelo seu heroico trabalho, pois o rio se deteve e daí em diante passou à vazante.

Recordando esses fatos, saúdo o 50° aniversário da imigração japonesa na Amazônia, como um dos mais decisivos acontecimentos para o desenvolvimento econômico da região.

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