Há setenta e um anos, precisamente em 23 de julho de 1955, foi aberta ao público a então denominada Praça Ribeiro Junior, instalada no canteiro central da avenida Leovigildo Coelho e delimitada entre as ruas José Paranaguá e Lima Bacuri. 2 anos depois, ela foi soterrada. A postagem – dividida em duas seções – expõe o texto do saudoso jornalista e acadêmico Arlindo Porto, publicada em A Crítica, em 23 julho de 1978.
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| Recorte do livro editado em Manaus |
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| Detalhe do artigo de Arlindo Porto |
Arlindo Porto
Tudo isso ocorreu após os eventos golpistas de 1964, nada tendo eu podido fazer a respeito, nem mesmo protestar contra a agressão à memória de Manaus, pois tangido pelas circunstâncias, me auto exilara e fixara residência por mais de 10 anos, no Rio de Janeiro. Manda a justiça que se proclame, no entanto, que atendendo a uma solicitação que eu lhe fizera, o prefeito Paulo Pinto Nery, no que se obedecia a uma recomendação do próprio mestre Branco e Silva, então já falecido, mandou pintar todos os anos, enquanto esteve à frente da Prefeitura, a herma de Ribeiro Junior com a cor bronzeada apropriada, o que levou muita gente, até hoje, a pensar que a peça fora elaborada naquele precioso metal. Esse trabalho na conservação somente deixou de ser feito após a saída de Paulo Nery da Prefeitura, com o consequente escorraçamento da herma da praça que tinha o nome do homenageado.
Quanto à herma, em nova avalanche modernizadora, esta já ocorrida na gestão atual do sr. Manoel Henriques Ribeiro, foi derrubada da anônima e anódina mureta em que fora depositada, e desapareceu. provavelmente soterrada nos trabalhos de nivelamento ocorridos na praça da Saudade.
Quanto à praça em si, penso que esta continua existindo oficialmente, tal como já afirmei antes. Pelo menos não é do meu conhecimento a aprovação de qualquer lei extintora da homenagem, pela Câmara Municipal. É bem verdade que ela não aparece na planta de Manaus impressa no catálogo telefônico da cidade, mas este não é um documento plenamente confiável, pois até chega a grafar o nome do grande Heliodoro Balbi, como “Heliodora Balisa'”... Até bem pouco tempo o nome de Ribeiro Júnior continuava aparecendo nas contas de água, luz e telefone. Agora já não sei.
É bem verdade que, com a expulsão e degredo da herma para a praça da Saudade e desaparecimento da passarela central, o logradouro que homenageava o “Redentor” perdeu visualmente a condição de praça, nada mais tendo que possa sequer lembrar haver existido ali, algum dia, aquela característica urbana.
Creio ser chegado o tempo daqueles que pugnam pela manutenção da memória de nosso Estado, tendo à frente o Instituto Geográfico e Histórico, de encetar uma campanha junto às autoridades competentes, no caso a Câmara Municipal e a Prefeitura, para que se nomeie uma outra área da cidade com o nome de Alfredo Augusto Ribeiro Junior e para ali se devolva, renovada, a sua herma, a fim de que as gerações que nos sucederem tenham a oportunidade de recordar a figura brava de um homem que, mesmo aqui não tendo nascido, não vacilou em arriscar sua carreira e o seu futuro em bem do povo amazonense.


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