domingo, junho 21, 2026

POEMA DE DOMINGO (9)

 O poema circulou em periódico da cidade, como era hábito de outrora. Lamento não dispor de qualquer dado sobre o autor, porque a publicação igualmente traz apenas o nome do autor e a filiação ao grêmio literário.

Circulado em O Jornal, 9 novembro 1958

    

A L E N T O

Joacy Sebastião dos Santos

(Do Grêmio Cultural "Coelho Neto")

 Batista, procurei em Finados teu jazigo,

Busquei incessantemente o lugar onde descansas,

Chorei lágrimas sinceras e puras de criança

Por não encontrar o sepulcro do amigo.

Viste, bem sei, a claridade das velas a iluminar noite a dentro

Os demais túmulos, o Cruzeiro, tudo enfim;

No teu sepulcro nenhuma vela fez centro

Mas, Deus te tenha na Sua Glória assim. 

Examinei cruzes, li livros abertos, vi letreiros,

Procurei teu nome entre o dos Josés: 

Encontrei Oliveira, Clemente, Silva, Arteiro,

Só não encontrei Batista Gonçalves, quem realmente és.

Não encontrei teu ataúde... atribulado busquei-o ontem,

[hoje o dia inteiro.

Levei velas pra você, meu camarada,

Porém, como dos teus restos não encontrei nada,

Acendi-as todas no Cruzeiro. 

Nosso Grêmio, chefia o Paiva com desvelo,

Caro colega, venho alentar a tua fé,

Como pediste nos últimos momentos ao Campelo

Nossa Casa não descaiu, permanece de pé.

Recebe Batista, minhas saudades, minhas lágrimas que aqui vão,

Até quando os teus companheiros no dia do Juízo,

Possam unidos cantar no Paraiso,

A mais sublime e singela oração.

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