CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

30 de abril de 2016

TÓPICO PARA O CENTENÁRIO DO IGHA

Antonio Loureiro e
Zemaria Pinto
Ao completar seu quadragésimo aniversário, o IGHA (Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas) recebeu de um antigo associado – Agnelo Bittencourt – o artigo que aqui se reproduz. O articulista elaborada um sucinto retrospecto desta agremiação.
Escrito no Rio de Janeiro, com data de 25 de março de 1957, foi estampado em página especial de O Jornal, circulado em Manaus no domingo, 28 de abril daquele ano.
Às vésperas de seu centenário, o IGHA tem por presidente o dr. Antonio Loureiro (foto)


INSTITUTO GEOGRÁFICO E HISTÓRICO DO AMAZONAS

Agnelo Bittencourt


Completa hoje 40 anos de utilíssima existência o nosso Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, pois foi a 25 de março de 1917 que teve lugar a sua instalação festiva, sendo governador de Estado o saudoso Dr. Pedro de Alcântara Bacellar, que presidiu a sessão e se fez um grande animador do novel Sodalício.
Estiveram presentes à cerimônia, como era natural, muitas autoridades, pessoas gradas e gente do povo, segundo o nosso testemunho e o noticiário dos jornais da época. Como homenagem à memória dos muitos que não mais existem, mas tomaram parte nas alegrias do momento, lembramos, apenas, os que nos ocorrem: dom Irineu Joffily (bispo), des. Hamilton Mourão, drs. Alfredo Augusto da Matta, Vivaldo Lima, Manoel Francisco Machado (barão do Solimões), Manuel de Miranda Simões, Alcides Bahia, Pedro Luiz Simpsom, Alexandre de Carvalho Leal, Astrolábio Passos, Francisco Pedro de Araújo Filho, Armando  Barbuda, Plácido Serrano Pinto de Andrade, Elviro Dantas Cavalcante, professores Raimundo de Carvalho Palhano, Vicente Telles de Souza, José Estevão, coronéis [Guarda Nacional] Antonio C. R. Bittencourt, José Cardoso Ramalho Júnior, Adrião N. Ribeiro, padre José Thomaz de Menezes, capitão Sérgio Pessoa Filho, drs. João Batista de Faria e Souza, João Henrique dos Santos e major Lobato de Farias.

Devidamente eleitos, pela Assembléia Geral, segundo os Estatutos já aprovados pelo Governo do Estado, a primeira Diretoria do Instituto foi assim constituída: Coronel Bernardo de Azevedo de Silva Ramos, presidente; D. Irineu Jofily, 1º vice-presidente; Dr. Antonio Ayres de Almeida Freitas, 2º vice-presidente; prof. Agnelo Bittencourt, 1º secretário; Coronel Henrique Rubim, 2º secretário, e coronel Antonio C. R. Bittencourt, tesoureiro.

Pelo Decreto nº 1191, de 18 de abril 1917, o governo do Estado cedeu ao Instituto o usufruto perpétuo dos prédios nº 19 e 20 de sua propriedade, situados na antiga rua São Vicente (hoje Bernardo Ramos), onde funciona, e pela Lei de nº 897, de 24 de agosto do mesmo ano, foi reconhecido de utilidade pública.

Desde logo, o Instituto começou a formar suas preciosas coleções preparando mostruários, arquivo, biblioteca e publicações, além de constantes reuniões festivas de caráter cultural e cívico. Raro era o mês em que, ali, não se fizessem conferências, exposições, aulas e homenagens à memória de homens notáveis e a visitantes ilustres.

Nenhuma data patriótica deixava de ser comemorada, sempre com o sentido de exaltação de que tanto precisam as gerações novas. Dentre tantas solenidades que o instituto realizou, recordamos, tão somente, por falta de espaço, apenas as seguintes, umas comemorativas, outras de recepções e conferências:

·      Sessão em homenagem à memória do Conselheiro João Alfredo Corrêa de Oliveira e sobre o abolicionismo, em 13-05-1919.
·      Idem, em 07-09-1922, celebrando o 1º Centenário da Independência Nacional.
·      Idem, conferência da profª. Eulália Barroso Ramos sobre a necessidade da implantação da língua Esperanto, em 02-07-1933.
·      Idem, em memória de Theodore Roosevelt, ex-presidente dos Estados Unidos da América, em presença do Cônsul desse País e da Comissão científica norte-americana que nos visitava, em 16-05-1924.
·      Idem, em memória do Coronel Bernardo Ramos, ex-presidente do Instituto, em 05-04-1931.
·      Idem, conferência do comandante Braz Dias de Aguiar, chefe da Comissão Demarcadora de Limites do Setor Norte, sob o título “Cinco Anos de Demarcação”, em 05-11-1935.
·      Idem, homenagem à memória de Carlos Gomes, no transcurso do 1º Centenário do seu nascimento, em julho de 1936.
·      Idem, por motivo do falecimento do cientista italiano Guglielmo Marconi, em26-06-1937, sessão em conjunto com o Consulado da Itália, em 21-08-1937.
·      Idem, em memória de Aureliano Cândido Tavares Bastos, à passagem do centenário de nascimento, 20-04-1939.
·      Idem, à memória de Irineu Evangelista de Souza, visconde de Cairu, no cinquentenário do seu falecimento, sessão em 13-02-1941.
·      Idem, pelo 4º Centenário do descobrimento do rio Amazonas, em 12-02-1940.
·     Idem, no transcorrer do centenário de nascimento do botânico e etnólogo brasileiro, Barbosa Rodrigues, que tantos anos viveu em Manaus, em 23-06-1942.                                                                                                                                                                                                                                                    

A essas festas não faltavam o apoio oficial, nem brilhantes oradores e assistência.
Para o Arquivo do Instituto, entrou, aos poucos, um acervo bem valioso. Lá, estão documentos seculares referentes a fatos da nossa evolução política.
Convém não esquecer, na riqueza desse Arquivo, a coleção de jornais e revistas que se editaram, quer no regime imperial, quer no republicano, desde a Estrela do Amazonas (1852) até 1946, coleção adquirida pelo Instituto, aos herdeiros do saudoso sócio, o amazonense João Batista de Faria e Souza. No citado Arquivo entraram e, lá, devem estar autógrafos não menos valiosos, inclusive um Parecer do Conselheiro Rui Barbosa; bem assim, dois “Livros de Atas”, autênticos, sendo o mais antigo, de janeiro de 1852, no qual se encontram o Têrmo da Instalação da Província do Amazonas; o do lançamento da pedra fundamental da Igreja da Matriz desta capital; o da libertação dos escravos, de 10 de julho de 1884; o da Ponte de Ferro da Cachoeirinha etc. etc.
Há, ainda, uma autobiografia inédita de Pedro Luiz Símpson, autor da Grammatica da Língua Brasílica, de 1876.
Na biblioteca, que pensamos possuir mais de dois mil volumes, há obras verdadeiramente raras e, por isso, de um valor inestimável. Lembramos, entre outras, as seguintes:
História Natural, de Caio Plínio Segundo. Madrid, dois grossos volumes, traduzida para o espanhol, ed. 1624;
            Paradisos, de Ludivici Blossi, Antuérpia, 1632;
Compendi Historici. Affonso Loschi, Vicenza, 1668;
Memórias para a História que compreende o governo del rey d. João 1º. Lisboa, quatro grossos volumes, 1746.
       
Não menos admirável, pela abundância e raridade é a sessão etnográfica, que enche um salão contendo objetos indígenas, de ornato, caça, pesca, trabalho, guerra, religião etc. A nosso ver, o mais interessante e singular desse mundo selvícola é a coleção de machados de pedra, em geral de diorito. Cerca de 130 exemplares, de formas e tamanhos diferentes, e atribuidos a tribos algumas já desaparecidas, há mais de um século, como podemos constatar nas listas que encontramos em Barbosa Rodrigues, Araújo Amazonas e outros.
É, possivelmente, a maior coleção do Brasil. Onde estariam semelhantes peças, se não fosse a coleta do Instituto? E, sem dúvida, um ótimo elemento entregue às investigações de etnólogos empenhados na descoberta da origem das tribos que vieram ocupar a Amazônia, antes da Descoberta.
Em mostruários diversos, ali estão blocos de pedras, vidros contendo areias, terras, argilas, sementes, resinas, óleos. Mais além, couros e peles, coleção de madeiras, fibras, borracha.
Convém que o Instituto não pare, na sua coletânea, nos seus estudos e na conservação desse precioso acervo das riquezas, naturais e espirituais da Hiléia. É um dever dos governos e, particularmente, de cada um de nós, homens de pensamento e de ação, pela grandeza da Amazônia.
O Instituto tem tido, como presidente, desde sua fundação, os seguintes sócios: coronel [GN] Bernardo Ramos (por dois triênios), coronel [GN] Antonio Clemente Ribeiro Bittencourt, prof. Agnelo Bittencourt (durante quatro triênios), dr. Alfredo Augusto da Matta, dr. Franklin Washington da Silva e Almeida, des. Anísio Jobim e, atualmente, o prof. Mário Ypiranga Monteiro.
Na relação dos secretários, que mais trabalharam pelo desenvolvimento e renome da instituição, é de justiça salientar os professores Arthur Cezar Ferreira Reis e Paulo Eleutério Alvares da Silva, não só organizado o Arquivo, como realizando conferências e colaborando assíduamente na Revista. Ficaram memoráveis as aulas de História do Amazonas, que o primeiro proporcionou à mocidade estudiosa de nossa terra, trabalho esse que depois, foi publicado acrescido de novos e importantes capítulos sobre a matéria.           
Na lista dos Governadores do Estado, no interregno de 40 anos da vida do Instituto, devemos distinguir a valiosa cooperação de Pedro Alcântara Bacelar e Álvaro Maia, como do Interventor general Nelson Mello, sendo aqueles declarados Beneméritos, e, este, Presidente de Honra.
O Instituto sempre viveu em aperturas financeiras, isto é, sem fontes de recursos para manter a publicação de sua Revista e manter um porteiro-zelador (que, por isso, era mesquinhamente pago) nas subvenções do Estado (Cr$ 300,00 mensais) e do Município (igual quantia) não davam para aquisição de material de expediente e de conservação dos mostruários. Por muitas vezes, a Diretoria fê-lo à sua custa.
Registrem-se, porém, dois ou três vultosos auxílios do Governo da União, obtidos por iniciativa do saudoso orador perpétuo do Instituto, Dr. Vivaldo Palma Lima, quando Deputado Federal pelo Amazonas, na última legislatura.
Esses auxílios permitiram que o atual presidente, prof. Mário Ypiranga, ampliasse o prédio, cujas obras se acham inacabadas, na esperança de um novo e urgente impulso.
O Instituto precisa sair do período de estagnação em que se encontra, recuperando o fio de sua brilhante finalidade, pois, ninguém deve desconhecer o papel que os estudos geográficos e históricos desempenham na comunhão social, no bem-estar dos povos adiantados. Faz-se, cada vez mais útil, para a amplificação da cultura, a existência de museus, arquivos e bibliotecas, nos quais se possam haurir conhecimentos sôbre o que foi e o que é em relação à Natureza e ao Homem. Completam as escolas no enriquecimento da inteligência.

Uma cidade que não possua centros nos quais se aninhem as ciências e as artes, o comércio e as indústrias, os bons costumes e o civismo, não se honra a sí própria, não dá ensanchas ao progresso. O Instituto precisa de amparo. Ajudem o seu Presidente, que é um amazonense ilustre e compreensivo, publicista e membro da Academia Amazonense de Letras.
Está operando proveitosamente em Manaus o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, que tem à sua frente o dinâmico historiógrafo prof. Arthur Reis. Acaba esse nosso coestaduano de soerguer do abandono em que se encontrava o outrora renomado Museu Goeldi (Museu Paraense). Aplausos têm surgido, em louvor dessa providência salvadora. A Entidade, de vivas e esplêndidas tradições, resurge e retoma seu destino cultural.

Após entendimentos com o Governo do Estado e com a sociedade responsável pelo nosso Instituto, de um lado; de outro, com aquele Professor, e tudo se conseguirá. É oportuno lembrar, repetindo Samuel Smiles, que, para a prática de uma boa ação, “convém imediatamente dar o primeiro passo, e estará conquistada a metade da vitória”.

Trata-se de um Sodalício que é, nos termos dos seus estatutos (Decreto nº 1.190, de 17 de abril de 1917), como a nossa Academia Amazonense de Letras, um patrimônio do Estado e uma sentinela avançada da nossa civilização.

29 de abril de 2016

INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS DA AMAZÔNIA

Em 1952, circularam as primeiras notícias sobre a criação do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia). Poucos sabem, mas este estabelecimento foi instalado inicialmente à rua Guilherme Moreira, quase esquina da rua Teodoreto Souto, onde em nossos dias encontram-se lojas comerciais. Eram, obviamente, precárias as instalações, ainda assim o governo foi adequando para os fins prioritários.

Arthur Reis (1964-67), o primeiro governador do Amazonas no Regime Militar, foi o primeiro dirigente do INPA. A ele coube o esforço em conseguir parte do progresso da instituição, fato que o jornal A Crítica tomou como tema de editorial, publicado na coluna Nossa Opinião, em edição de 27 de julho de 1957, postado abaixo.
Oito anos depois, fui atendido naquele endereço, enviado pelo Hospital Militar do Exército, quando recebi o diagnóstico de portador de repulsiva leishmaniose.
Em nossos dias, o instituto funciona em próprio instalado à avenida André Araújo, no entroncamento do viaduto Gilberto Mestrinho. 

 
Recorte do matutino A Crítica

FORAM inaugurados, ontem, pela manhã, no edifício em que se encontra instalado nesta cidade, à rua Guilherme Moreira, o Instituto de Pesquisa da Amazônia, vários de seus laboratórios, agora colocados em salas apropriadas, dispondo de aparelhagem técnica recém-adquirida,
O ato teve caráter solene, ainda que revestido da maior simplicidade, contando com a presença do Sr. Governador Xenofonte Antony, de representantes dos Poderes Legislativo e Judiciário do Estado, da Divisão de Manaus da SPVEA, do corpo consular, da Guarnição Federal e da Polícia Militar, e de outras autoridades e figuras do maior destaque dos nossos meios culturais, classes conservadoras etc.
Contou, também, com a presença de um representante especial para o ato até aqui enviado pelo Conselho Nacional de Pesquisas, toda a equipe de cientistas e servidores do INPA, e mais alguns cientistas que se encontram de passagem por esta capital.
Coube ao Dr. Arthur Reis, que dirige, entre nós, a respeitável entidade de cunho científico e cultural, explicar para os presentes a significação daquele ato, mostrando o que ele representa, como marco de uma nova etapa do INPA rumo aos seus objetivos pesquisadores, nos quais repousará, indiscutivelmente, daqui por diante, a continuação dos trabalhos ingentes aos que, numa labuta ora individual e ora coletiva, há três séculos, tem procurado revelar a Amazônia, suas riquezas, as imensas possibilidades do seu solo e subsolo, suas florestas, dos seus rios e dos seus recursos minerais, ao próprio resto do Brasil e ao mundo.
E, foi feliz, na verdade, o abalizado historiador e (...) conterrâneo, indiscutivelmente um dos mais credenciados amazonólogos dos nossos dias, na breve exposição que fez, deixando bem patente que o INPA, apesar dos obstáculos naturais aos empreendimentos da sua natureza, é uma realização que caminha com passos seguros para cumprir suas elevadas finalidades.
Os laboratórios agora inaugurados, realmente, dizemos nós, é uma prova bastante expressiva de que o IN PA, com a consciência de trabalho em que está estruturado, já se vai firmando solidamente para a vitoriosa realização dos seus objetivos de ciência e de cultura.
Arthur Reis, 1970
Desses objetivos, o primeiro resultado, é o aproveitamento dos próprios valores regionais, do elemento humano já categorizado ou ainda com a mentalidade em formação, como é o caso das gerações mais novas, nas equipes que, sob orientação de cientistas mais experimentados, de dentro ou de fora do Brasil, atuam nos múltiplos setores da pesquisa e do estudo em geral, nas especialidades do INPA.
Não há negar que é uma obra que só poderá ser dinamizada ao impulso de recursos materiais e técnicos; postos a serviço do amor ao trabalho e do patriotismo dos que assumem as suas diferentes responsabilidades nos seus setores. E aí se devem casar, para o trabalho ser mais completo, um profundo amor à ciência com um não menos acendrado nacionalismo, pois que a revelação dos nossos recursos naturais ao mundo, as suas possibilidades de aproveitamento em favor do progresso da região e do Brasil, nos dias que correm, cada vez mais se divorciam dos objetivos puramente literários ou mesmo científicos, de outrora, para se relacionarem com os destinos políticos da nossa nacionalidade.

Todas as grandes nações hodiernas, assim se revelam pela forma científica e técnica que fazem do aproveitamento das riquezas de que dispõe. Aproveitamento que não implica, certamente, egoísmo anti-humanitário, mas que, ao contrário, se traduz pelo desejo de se transformarem os benefícios do progresso um patrimônio em disponibilidade e ao alcance do maior número possível dos componentes da grande grei humana.

Essa a compreensão que se colhe da forma de trabalho, e no espírito que informa o INPA, agora entregue por uma excepcional coincidência, à esclarecida orientação desse verdadeiro homem de ciência e de cultura, desse amazonense patriota e digno, que é o Dr. Artur Reis.
x x x

O historiador Arthur Reis realiza, indiscutivelmente, na direção daquele serviço de larga expressão cultural e científica, a figura tão acariciada pelo idealismo inglês do “the right man in the right place”.
 Por isso mesmo, vai ele desempenhando, sem dificuldade, o seu papel de catalizador para as inteligências do nosso meio que, constantemente, vai atraindo aos setores do INPA, para integrar as suas equipes de trabalho. Basta que se assinale, em abono dessa assertiva, o que vem de suceder com o Dr. Djalma Batista.
Djalma, o consciente e incorruptível Djalma, ali já se encontra dirigindo um dos mais importantes setores do INPA. Trata-se, incontestavelmente, de uma instituição que cada dia mais se credencia no conceito público pela forma com que se prepara para o desempenho da sua grande missão.
Por isso, sentimo-nos bem em fazer aqui, entusiasticamente, o registro da sua festa de ontem.

***

À guisa de informação, queremos dizer aqui que ontem, por ocasião da inauguração em apreço, tivemos ocasião de ouvir do professor Bercigle, do Laboratório de Química Inorgânica, que após reações feitas num minério oriundo do rio Jatapu, no município amazonense de Urucará, foi constatada a existência do famosíssimo “urânio”, hoje de grande procura em todo o mundo. Parte do mencionado minério, será enviado, imediatamente, ao Conselho Nacional de pesquisas, no Rio de Janeiro, onde será submetido a outros exames e reações.

Recorte de O Jornal, Manaus, 11 setembro 1952

26 de abril de 2016

CORAL JOÃO GOMES JUNIOR

Maestro Nivaldo e o Coral
O autor deste texto, extraído do matutino A Crítica (14 abril 1956), era o então repórter Jorge Tufic, que se iniciava nas lides jornalísticas e se preparava para o grande salto, o de poeta consagrado em Manaus. Seu artigo homenageava a outro artista, ao maestro Nivaldo Santiago, que acabara de fundar o Coral João Gomes Junior, que ele tratou como o estabelecimento de um conservatório.

Temos um Conservatório



Jorge Tufic


MANAUS tem a honra de hospedar um verdadeiro maestro. Que aqui veio para cumprir a espinhosa missão de, arrostando com as maiores dificuldades, fundar um Conservatório de Música. Maestro Nivaldo é um desses espíritos que, coroados pelo próprio destino de realizar uma obra grandiosa, com muito de loucos, naturalmente, nada há que lhes dificulte o mister.

E assim foi que recebemos, dias passados, a notícia alvissareira: fundara-se o “Instituto Musical Santa Cecília”. Estão, por isso, de parabéns todos aqueles que se dedicam ou admiram a divina arte. Pois o Instituto, com suas portas abertas, recebe e aprimora talentos, Maestro Nivaldo cujos conhecimentos ainda mais se aprofundam, mercê de uma cultura musical bem formada, através de estudos e ensaios consecutivos, não se ponha em dúvida a sua capacidade de trabalho, que reconhecemos altamente profícuo.
Nivaldo Santiago, em out. 2010
Pelo menos foi essa a impressão que tivemos, levados que fomos a conhecer o artista. A palestra que mantivemos, numa atmosfera agradável e serena, o que dela lucramos, a lição de entusiasmo e perseverança que aprendemos, tudo isto ainda perdura, indelével, em nossa memória.

A brevidade do espaço, porém, impede um possível extravasamento da nossa parte. Damos apenas os parabéns desta coluna, ao maestro e seus auxiliares.

Lá encontrareis também a senhora Neuza Ferreira, que vos há de ser útil e atenciosa. Nesta terra em que poucos são os que se voltam para as coisas da Beleza, meu caro Nivaldo, é com o mais vivo interesse que as jovens vocações musicais do Amazonas recebem a boa nova. Porque em verdade era esta a sua aspiração máxima. Era este o seu desejo. Que se fundasse um Conservatório, e o mesmo estivesse ao alcance de suas mãos.


Estão-lhes, portanto, abertos os horizontes da música. 

25 de abril de 2016

CENTENÁRIO DO IGHA - NOTAS

Escrivaninha existente na Sala Arthur Reis - sede do IGHA
Na passagem de seu cinquentenário, o IGHA (Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas) promoveu festas jubilares. Sob a presidência do saudoso desembargador João Pereira Machado Júnior, na semana de aniversário, a Casa de Bernardo Ramos ofereceu um encontro literário a cargo do falecido padre Raimundo Nonato Pinheiro, que proferiu palestra sobre um vulto nacional.
Quem nos detalhou essa reunião foi o jornalista André Jobim, em sua coluna dominical -Velhos Tempos, encartada no matutino O Jornal (edição de 30 de abril de 1967), aqui reproduzida.    


VELHOS TEMPOS

Abrimos colunas para registrar a segunda noite de esplendor literário e histórico, que realizou o instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, com a conferência do Professor João Mendonça de Sousa, sobre o tema “Sílvio Romero na Literatura Luso-brasileira”.
Noite de encantamento foi, inegavelmente, a de 20 de março de 1967, que surgem aos nossos olhos, magnífica, em prosseguimento às festividades de comemoração do cinquentenário.

Precisamente às 20h30, com a presença de elevado número de pessoas convidadas, autoridades civis e militares, o Des. André Vidal de Araújo, assumindo a presidência, na falta justificável do presidente Des. João Pereira Machado Júnior, disse dos propósitos e da elegância das festividades do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, tecendo comentários elogiosos ao conferencista da noite, sem favor uma das brilhantes figuras da intelectualidade amazonense, dando a seguir a palavra ao Orador Oficial, padre Raimundo Nonato Pinheiro, que, na sua proverbial e bonita oratória, completou a  apresentação do conferencista, dissertando também, sobre a personalidade de Sílvio Romero, seu patrono na Academia Amazonense de Letras.

Com a palavra, o conferencista depois de saudar os presentes, com a beleza da sua linguagem, desenvolveu o seu belo tema sobre o grande brasileiro, prendendo o auditório pela vibração de sua conferência, marco que plantou uma oportunidade naquele silogeu, para que, possam as gerações futuras continuar a estudar e a cultuar o belo da literatura brasileira e o valor histórico de nossa raça.
Ao finalizar, recebeu o professor João Mendonça de Souza os aplausos merecidos da seleta assistência, tendo o presidente Des. André Vidal de Araújo reafirmando o seu agradecimento aos presentes, destacando a presença do Dr. Djalma Batista, intelectual de finos méritos e Presidente da Academia Amazonense de Letras, a nossa festa, bem como a presença dos representantes dos Srs. Secretário da Fazenda, do Ministério do Trabalho e demais autoridades civis e militares à grande noite vivida pelo Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, nas solenidades do seu cinquentenário.

Mais uma vitória recebeu a “Casa da Memória Amazonense” que, mais uma vez surge para o seu esplendor de outrora...

Suas fachadas, museus e salas de biblioteca bem iluminadas, deixou na retina de todos, a majestade de sua presença na vida atuante do povo amazonense e do Brasil, dando um adeus, muito reverente, ao esquecimento a que fora relegado, passagem negra de sua existência que a história jamais registra porque, nunca mais se repetirá...

Cumpre agora aos governos do Estado e do Município tomar nota de seu ressurgimento e colocá-lo devidamente, nas agendas de seus departamentos de Turismo e Propaganda, para que se saiba, lá fora, que o Amazonas possui uma casa de tradições gloriosas e esta é, sem sombra de dúvidas, o Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, que abertos estão os seus museus e salões de biblioteca, para estudo e pesquisa daqueles que nos visitam e desejam estudar.


Também, não deixaremos jamais de registrar a ajuda que nos deu, o ex-governador, professor Artur Cezar Ferreira Reis, secretário-perpétuo do grande sodalício.   

18 de abril de 2016

COLUNA FILATÉLICA

De autoria e responsabilidade de Nelson Porto, que nasceu em São Paulo, em 1923, mas foi criado no Rio de Janeiro, de onde partiu para Manaus, na condição de engenheiro da extinta Panair do Brasil. Aqui, foi professor e diretor da Faculdade de Engenharia da Ufam. 


Interessou-se pela Filatelia, em 1941, e nunca mais se livrou dessa paixão. Tanto que, em 1969, promoveu a criação do Clube Filatélico do Amazonas, e exerceu sua presidência até sua morte em março de 2005. O Clube segue funcionando, em nossos dias sob a presidência do Jorge Bargas.

Nelson era igualmente competente apreciador de música clássica, razão pela qual constituiu com amigos um clube e, sobre o assunto, apresentava aos domingos programa noturno na Radio Rio Mar. 

Sua coluna era publicada no Jornal do Commercio, donde retirei a pressente postagem, datada de 25 de fevereiro de 1986.


A ZONA FRANCA E A FILATELIA 

Próximo dia 28 a nossa Zona Franca de Manaus estará completando 20 anos de existência. Os primeiros anos foram de grande euforia para os amazonenses. Importávamos tudo: desde sorvetes alemães até carros americanos (Malibu etc). Depois, o decreto 288 começou a ser mutilado aos poucos. Restrições quase sempre exigidas pelos sulistas — iam sendo feitas. E hoje, se ainda podemos nos orgulhar de sua existência, devemos a alguns abnegados dirigentes que vêm lutando para sua preservação, sem o que, em nossa opinião, o Amazonas não terá chances de se desenvolver.
O primeiro selo brasileiro referente à Zona Franca surgiu em 13 de março de 1968. Um exemplar feio, com um facial de 10 centavos (saudosos tempos...) e uma tiragem de 3 milhões de exemplares (hoje este selo está cotado pelo RHM em Cz$ 2,00). Em 1972 e 1977 a data passou em brancas nuvens. Ninguém se lembrou...
Finalmente em 1982, mas muito atrasado, surgiu em agosto um [selo] comemorando os 15 anos da ZF. Com um facial de Cr$ 75,00 (que enorme diferença do primeiro!!!) um belo selo figurando três mãos e uma paisagem amazônica, apareceu. Agora, que vamos comemorar os 20 anos, somente se lembraram de mandar fazer um carimbo (pelo menos...).

E no dia 23, iniciando uma série de eventos, na Sala João Donizetti, no Cecomiz, será o carimbo aposto em selos e envelopes daqueles que lá forem. Ilustramos nossa Coluna com o desenho de tal carimbo.

NOTICIÁRIO  

Este mês de fevereiro em verdade não terá nenhum lançamento filatélico, a não ser o carimbo acima e outros especiais que a ECT mostra em seu Informativo 2/87. Selos, somente em março: dia 5, um selo comemorando o 1° Centenário do nascimento de Heitor Villa-Lobos; dia 20, dois selos focalizando o Correio Rural e o Correio Acelerado Internacional; e, sem data definida, um selo mostrando a participação da FAB no Programa Antártico Brasileiro. Maiores informações mais tarde.

Continua em exposição na nossa AF [Agência Filatélica], os "Máximos Postais" brasileiros de Jorge Bargas da Silva. E, para o dia 18, a ECT promete enviar a coleção: Tradição e Cultura Popular Brasileira. Aguardemos.

Anuncia a Administração Postal das Nações Unidas o lançamento em 30 de janeiro passado de três selos homenageando Trygve Lie, que foi secretário-geral da ONU por sete anos. Quem tiver interessado em adquirir tais selos pode escrever para: Comendador Adalberto Marcus, Praça da República 270—s1; CEP 01045, São Paulo.

Uma interessante série que os Estados Unidos vêm lançando com certa regularidade refere-se à "Herança Negra" em sua história. Foram os personagens de cor que muito fizeram para o progresso americano, em todos os campos. Neste 1987, já surge mais um deles: homenagem a Jean Baptiste Point Du Sable, com um facial de 22 cents. Também ilustramos nossa Coluna com este selo.

Próximo mês de março deverão estar à venda os classificados que a ECT lança todos os anos, com os selos do ano anterior. Já informamos a nossos leitores que, o de agora, com os selos de 1986, não trará bloco da Copa. Este ano já está sendo vendido no Rio de Janeiro a Cz$ 100,00.

— Continuam as dificuldades para se conseguir “classificadores” do Sul. Os habituais fornecedores informam que ainda não podem enviar lista, aguardando novos preços. E dizem que o novo RHM, que certamente virá em abril, terá aumentos substanciais em nossos selos...

 Toda correspondência para esta Coluna pode ser enviada à CP 581—69011 Manaus-Amazonas.







14 de abril de 2016

JORGE DE MORAES (1872-1947)

Moraes foi um excelente prefeito de Manaus (1911-13), segundo os memorialistas da cidade seus
Jorge de Moares
contemporâneos. Um deles, Ildefonso Pinheiro, é o falecido autor do artigo que compõe esta postagem. A circulação deste ocorreu no centenário matutino Jornal do Commercio, edição de 6 de fevereiro de 1972. 


RECORDANDO O PASSADO

Ildefonso Pinheiro


O Dr. Jorge de Moraes foi no meu tempo de rapaz, um dos homens mais impressionantes e sedutores que conheci. O seu ser era um conjunto de beleza que se harmonizava dentro do ritmo, e da harmonia espiritual. Vestia-se elegantemente com indumentárias colhidas nos mais perfeitos figurinos parisienses e londrinos onde a casimira e as sedutoras gravatas se salientavam a impor-lhe respeito e encanto pelo gosto.
Este homem era médico; um médico muito viajado e, como tal, granjeou grande nomeada, na medicina. Foi o maior cirurgião operador da sua época. Ainda hoje existe na Beneficente Portuguesa uma sala de operação em homenagem a sua afeiçoada dedicação à medicina.

A sua cultura assombrosa fez com que os políticos da época o afastasse da medicina, levando-o para a Câmara Federal onde ele, com a sua rutilante e privilegiada oratória, fizesse-o dentro daquele recinto um representante excepcional, a exaltá-la, pelos grandes conhecimentos que era possuidor. Já na Câmara, em pouco tempo tornou-se líder entre os seus pares, pelos dotes de que era senhor e por todos os requisitos com os quais Deus o constituiu. Era um homem de luz, saber e de um poder de atração que se manifesta nas criaturas, pela criação divina.

A sua estada na Câmara não durou muito tempo porque a complexão da sua cultura e a sua expressiva facilidade de oratória, fizeram com que fosse conduzido ao Senado. A sua entrada no Senado foi triunfal, revestida de todos os galhardões com os quais um gênio privilegiado podia ser premiado. Como senador também chegou a ser um líder. Foi o mais querido e admirado por todos os colegas e pelos homens de imprensa.
Neste caminhar de ascensões e de glórias, foi indicado pelos seus pares para saudar Georges Clemenceau, presidente do conselho da França, na beleza e na sedução do idioma de Vítor Hugo, que possuía uma castidade sábia de confeccionar e harmonizar as imagens, com um brilho fascinante!

Esta saudação ainda hoje se encontra vibrante, nas antologias, a convocar a mocidade para estudá-la e senti-la na beleza do seu conteúdo.
Entre todas essas ascensões, o maior desejo de Jorge de Moraes, era ser prefeito de Manaus, para dar a sua terra o encanto e a realeza que ele havia visto e sentido nos grandes centros europeus. Assim, como homem de gosto e apaixonado pelas coisas belas, deixou o Senado e veio administrar a Prefeitura de Manaus. Como Prefeito, teve ação e ordem, no cumprimento da lei.

As saudosas recordações vivem ainda hoje na lembrança daqueles que, como Jorge de Moraes, sonham realizar obras que tenham continuadores conscientes dos deveres e do amor ao Brasil. Embelezou as ruas e cuidou da limpeza com grande carinho. Mandou vir para Manaus um carro-pipa para jogar água nas ruas, nas tardes de verão. O jardim da Catedral (antiga igreja da Matriz), mantida pela Prefeitura, tinha um belo plantio de fícus-benjamins, donde retiravam as mudas para o plantio na cidade. Ali se plantavam também uma grande variedade de rosas e de cravos.

As nossas ruas e praças tinham os seus fícus-benjamins podados por exímios podadores, dando um aspecto impressionante à cidade. O chafariz que ainda hoje se encontra na Praça Osvaldo Cruz, foi uma das suas grandes realizações. O nosso Mercado Municipal primava na limpeza e na arrumação. Tudo ali era feito com gosto e arte.

Ele encontrou a Prefeitura, na sua parte financeira, completamente desiquilibrada. Procurou manter a ordem com a lei que impõe o cumprimento do dever. Essa imposição causou celeuma entre os políticos que se escusavam de o ajudar na sua ação construtiva; pagando os impostos daquilo que era devido à Prefeitura.

Com isto, incompatibilizou-se com os seus coestaduanos. Voltou a clinicar; mas, por novas imposições políticas, voltou ao Senado em 1928. Em 1930, quando veio a revolução, perdeu o seu mandato por força da lei. Nesta data começou a sua odisseia, como se pode sentir nesta narração de Viriato Corrêa:
"No penúltimo domingo, num fim de tarde chuvoso e melancólico, numa rua de Santa Tereza, morreu o Dr. Jorge de Moraes. E morreu em completa obscuridade e em extrema pobreza.
De tudo que Deus botou neste mundo, senhores, a coisa mais feia é a vida. A gente não sabe nunca o que ela é. O homem que, na tarde daquele domingo, morreu angustiado, foi uma das criaturas mais brilhantes e mais impressionantes e mais curiosas que já passaram pelos meus olhos.
Nestes mistérios se desenvolve a existência das criaturas em sua passagem pela terra; sem uma definição sequer da vida, porque somente Deus pode defini-la.”

Até a rua onde ainda hoje existe o antigo e belo palacete que foi do Dr. Jorge de Moraes, deixou de ser Jorge de Moraes para ser Rui Barbosa.


PS. Em homenagem a este prefeito da Capital, seu nome identifica o mercado municipal no bairro de Educandos. 

12 de abril de 2016

JULIO UCHOA: CURIOSIDADES

Júlio Uchoa, saudoso professor e homem de letras, escrevia sobre a história dos homens e do Estado do Amazonas, escritos quase sempre publicados em jornais da cidade. O post abaixo recolhi do Jornal do Commercio (25. set. 1955). 





Júlio Uchoa
Da Associação Amazonense de Imprensa

EXTENSÃO TERRITORIAL 
O Estado do Amazonas, com a criação dos Territórios Federais do Guaporé e Rio Branco, perdeu 472.643 quilômetros quadrados, ou seja, uma área superior à de 15 Estados brasileiros, continuando, mesmo assim, à dianteira das demais Unidades Federadas, com a superfície de 1.586.473 quilômetros quadrados.

 CURIOSIDADES DA AMAZÔNIA 
Sob o título acima, o escritor Otto Schneider, em Curiosidades Brasileiras, à página 154, escreve: “Manaus é antiga cidade da Barra ou Fortaleza da Barra do Rio Negro. Em 1846, com o nome de Vila de São José da Barra do Rio Negro era elevada à categoria de cidade. Em 1856, o primeiro presidente Tenreiro Aranha mudou essa denominação para Manaus”. 
Repare o leitor: três períodos, três “heresias” contra a história regional. Se não, vejamos:
1)   – Barra do Rio Negro era a sede do nascente povoado, Fortaleza da Barra – o fortim, destinado à sua defesa, aquela deu nome a essa; o autor, com aquele “ou”, parece confundir uma cousa com a outra;
2)   – elevação da Vila da Barra à categoria de cidade se verificou a 24 de outubro de 1848, pela Lei nº 145, e não em 1856;
3)   – em 1856, era chefe do governo, o doutor João Pedro Dias Vieira (3º presidente), ano em que, de fato, ocorreu a mudança de nome, de cidade da Barra do Rio Negro para cidade de Manaus, em virtude da Lei n° 68, de 4 de setembro; entretanto, João Batista de Figueiredo Tenreiro Aranha nada tem a ver com o acontecimento, pois que, tendo assumido a suprema direção da Província do Amazonas, na qualidade de seu primeiro presidente, a 1º de janeiro de 1852, aí se conservou até 27 de junho do mesmo ano, quando transferiu estas funções ao 1º vice-presidente, doutor Manoel Gomes Correa de Miranda, não mais retornando ao cargo, do qual foi exonerado a 31 de dezembro.

 FORTALEZA DE SÃO GABRIEL 
“A fortaleza de S. Gabriel foi fundada em 1763 de ordem do governador Manuel Bernardo de Melo e Castro. Serve de registra à navegação do Rio Negro. É um pentágono irregular cujo maior lado, extremado por dois meio baluartes, deita para o rio; os dois pequenos lados não passam de singelos e fracos muros.
Dezesseis canhoneiras para insignificante artilharia, três guaritas fazem toda a sua importância, que além do lastimável estado a que está reduzida se torna quase nula por ser dominada por uma colina que deveria abranger, e que lhe proporcionaria um ponto de vigia de longo alcance.” (Araújo e Amazonas, Dicionário Topográfico)