CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

25 de junho de 2012

Coronel Ilmar Faria (1946-99)

Coronel Ilmar Faria
Hoje, meu saudoso amigo Ilmar, Faria sessenta e seis anos, oito dias mais novo que eu, não fosse a antecipação tomada em “atravessar o rio Negro” em 1999. Quero lembrar o coronel Ilmar, da Polícia Militar, que deixou nesta cidade e outros cantos do país manifestas recordações, devido sua ativa e vibrante participação em vários campos de atividade.

Encontrei-o ao ingressar na Polícia Militar, como tenente, ambos prestes a festejar os vinteanos. Quanta juventude, quanta empolgação na caserna da praça da Polícia que, ao contrário, estava destituída de muitos atributos.


Dona Isis Faria, em foto de
jornal, 1943
Ilmar morava na rua Saldanha Marinho, na residência dos pais, o bacharel Olavo Faria, dedicado homem do direito, atuante e destemido. Às vezes, até demais... A mãe, dona Isis Faria, bela mulher que, para resumir, fora Miss Manaus, nos idos de 1940. Também ela afoita e resolvida. O filho, sempre elegante e bem vestido, inovava a cada dia na PM. Criou junto com os colegas Medeiros e Alfaia (hoje dois volumosos) o CDP “clube do pão” (pão=homem elegante).

Meu colega já empolgava a sociedade como dançarino e integrante de grupo musical, que dublava os grandes sucessos. Os jovens de então assistiram seu desempenho no Ideal e no Rio Negro e no Cheik Clube.

A corporação policial militar ganhou um futebolista, além da técnica, que o levou a clube profissional da cidade, sabia conduzir seus pupilos. Quando a idade não mais permitia o esforço dentro do campo de futebol, passou a treinar os jovens.

No campo do CIM (Centro de Instrução Militar), na rua Dr. Machado e depois no do Clube dos Oficiais, houve encontros memoráveis entre duas equipes de oficiais. Coronel Ilmar era um dos incentivadores, mais que isso, armador competente.

Morto em abril de 1999, em sua homenagem e para premiar seu nome, o governo do Estado construiu uma quadra esportiva na Manaus Moderna, junto a dois quarteis – da Polícia Militar e dos Bombeiros. Ontem, os dois foram transferidos e, hoje, a quadra vai se transformando em DIP (Delegacia Integrada de Polícia), assim  desaparecendo a única homenagem a este oficial.

A partir da esq., coronéis Roberto, Brandão, Oscar (da PMESP) e
Ilmar Faria, então secretário de Segurança
Em uma eleição municipal, que não recordo a data, coronel Ilmar candidatou-se a vereador. Recomendei-lhe que mudasse o sobrenome Faria para Farah. Não foi eleito pelos manauenses, mas seguiu estimado pelos inúmeros amigos e colegas da briosa corporação da Praça da Polícia.

Sei que há muito para relatar, quem sabe amanhã ou no próximo encontro. Na sexta-feira, os colegas reúnem-se para o almoço mensal, nele saberemos recordar este companheiro.  

24 de junho de 2012

Deu na Veja e no Jornal do Commercio


Rebeca Garcia
na Veja
O Holofote do semanário Veja, desta semana, publicou a nota sobre a politica amazonense, ou melhor, sobra a candidatura da deputada federal Rebeca Garcia a prefeitura de Manaus. A deputada pertence ao partido de Maluf, aquele que recebeu "um beijo" de Lula, em troca de 1 minuto e 30 segundos na TV.
Portanto, Maluf pode desembarcar em Manaus, muito breve.




Enquanto isso, o Jornal do Commercio, deste domingo, em sua coluna Frente & Perfil trata da pena de morte do brasileiro Marco Archer com subterfúgios. As inverdades sobre o penalizado começa com a manchete: O triste final de um amazonense de boa família.  

Marco não é amazonense, é carioca. A família Archer Pinto chegou a Manaus na década de 1930, certamente convidado pelo interventor Álvaro Maia para explorar o espólio de um jornal.  Este assunto já demonstrei neste blog.
Os Archer Pinto tiveram sucesso em Manaus, pois, em terra de cego, montaram O Jornal e o Diário da Tarde, cuja empresa era dirigida a partir do Rio de Janeiro. Um dos sucessores casou com dona Maria de Lourdes, a qual dirigiu a empresa após a morte do marido. Não teve competência, razão pela qual a empresa desapareceu.

Jornal do Commercio, Manaus, desse domingo
A outra questão, o triste final do Archer está ligado a boa família. Se fosse de pessima família, não seria triste? Quanta insensatez, pois, entendo que pertencer a uma boa família, implica em criação e educação adequada dos filhos. Não foi isso que Archer demonstrou, vivia como surfista e decidiu traficar droga, quando foi preso e condenado à morte. Nenhuma surpresa para ele, que conhecia os princípios legais da Indonésia.
E mais, homem decidido, sabedor de sua morte em breve estabeleceu que seu último anseio fosse uma garrafa de uísque. Gostaria de ajuda-lo. Para isso vou remeter-lhe uma Natu Nobilis, é tudo quanto posso. Ah, sim, vou rezar por ele, para que a terra lhe seja leve.

23 de junho de 2012

Anúncios comerciais (4)

A utilização da mulher
na propaganda da cerveja
 Bohemia. Jornal do
Commercio, 1955

Na primeira metade do século passado predominava o jornal impresso. Do periódo da Segunda Guerra, em que facilmente se observa  a relação com o conflito, e do matutino O Jornal, que dominou a informação no Amazonas por anos, saquei os cartazes seguintes:

Kolynos, outubro 1943

Combatente anuncia o Elmo, para a Souza
Cruz, em dezembro 1943 

A edificação ainda existe na av. Duque de
Caxias, famosa pelo chinelo Perereca.
O Jornal, janeiro 1959

Muito lembrado em
nossos dias aos políticos.
O Jornal, fevereiro 1942

Presente em Manaus para construir o aeroporto Ponta Pelada,
hoje Base Aérea de Manaus. O Jornal, maio 1943

Ainda auxiliando na limpeza de reupas. O Jornal,
março 1942 
RCA também utiliza a Guerra para vender
seu rádio, em janeiro 1942




20 de junho de 2012

Momentos de nossa história

Sede do IGHA, em 2002
Com esse título, o finado acadêmico Ruy Lins escreveu no Informativo do IGHA, em maio de 2002, sobre os acontecimentos mais destacados ocorridos em junho de diferentes anos.

1833 - 25 DE JUNHO
Pelo Conselho Provincial, em Belém, a Comarca do Rio Negro passa a denominar-se Comarca do Alto Amazonas. Das vilas antigas foram mantidas Barcelos e Ega, sob os primitivos nomes de Mariuá e Tefé. As de Serpa, Silves, Borba, São Paulo de Olivença, São José do Javary, Moura, Thomar, passaram a simples termos, subordinados as duas vilas conservadas e as duas criadas - Manaus e Luzéa (atual Maués).

1835 - 25 DE JUNHO
Nasce em Salvador (BA), Guilherme José Moreira. Veio para Manaus com 19 anos, onde passou 44 anos da sua vida. Inicialmente, como comerciante, teve oportunidade de conhecer os principais rios do Amazonas, nos negócios com borracha e castanha. Nomeado alferes da Guarda Nacional, galgou todos os postos até coronel comandante superior na comarca da capital. Na política, foi vereador da Câmara Municipal de Manaus, deputado provincial, 2º vice-presidente da província do Amazonas.
Já no período republicano, foi governador do Estado em duas oportunidades, a última de 01-07 a 01-09-1891. Mereceu o título de barão do Juruá. Como lembrança de sua passagem, nobre e fecunda, no Estado, , em Manaus, uma artéria com seu nome - rua Guilherme Moreira.

1851 - 7 DE JUNHO
Por decreto imperial, João Batista de Figueiredo Tenreiro Aranha é nomeado presidente da nova Província do Amazonas, criada pela Lei nº 582, de 5 de setembro de 1850.

1855 - 15 DE JUNHO
Por determinação do presidente da Província do Amazonas, João Pedro Dias Vieira (11-03-1855 a 25-02-1857), a antiga vila de Ega é elevada a condição de cidade, com o nome de Tefé. Com uma área de 22.904 km-e uma população de mais de 65 mil habitantes, sob a proteção de Santa Teresa d’Avila, é um dos mais influentes municípios amazonenses. Em breve, confirmada as expectativas, deverá ser um importante polo petrolífero do Amazonas.

1871 - 18 DE JUNHO
Fundação da Associação Comercial do Amazonas. Desde o seu primeiro presidente, José Coelho de Miranda Leão, ao presidente atual, José de Moura Teixeira Lopes, nestes 131 anos de gloriosa jornada, sempre representou um inexpugnável baluarte na defesa dos interesses do Amazonas.

1874 - 24 DE JUNHO
Depois de 205 anos, as ruínas do Forte de São José do Rio Negro são destruídas por um incêndio. Apagado o fogo, estavam também apagados os derradeiros vestígios do embrião da cidade de Manaus.

1875 - 29 DE JUNHO
Nascimento de Pedro de Alcântara Bacelar. dico pela Faculdade de Medicina da Bahia, sua terra natal, veio para o Amazonas, fixando-se em Humaitá, rio Madeira, onde chegou a ser prefeito municipal. Eleito governador do Estado para o período 1917/1921, cumpriu o seu mandado com rara eficiência e equilíbrio. No seu quadriênio foram fundados o Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (25-03-1917) e a Academia Amazonense de Letras (01-01-1918). Mesmo com as dificuldades da época, a história registra ter feito um governo isento e justo, próprio de um cidadão honesto e competente.

1881 - 9 DE JUNHO
Pela Lei Provincial nº 539, na administração do presidente Alarico José Furtado (16-05-1881 a 06-03-1882), é criado o município de Barreirinha, com território desmembrado do município de Parintins.

1881 - 20 DE JUNHO
Morre, em Manaus, Alexandre de Paula de Brito Amorim, um bravo lusitano que contribuiu fartamente para o desenvolvimento do Amazonas. Chegou a Manaus em 1851, quando, após frenética atividade comercial, organizou a Companhia Fluvial do Alto Amazonas, cobrindo os principais rios da grande bacia, vencendo toda sorte de dificuldades. A partir de 1874 estabeleceu a navegação dos seringais amazônicos via Manaus direto a Liverpool (USA). Foi cônsul de Portugal em Manaus e comendador da Ordem de Cristo, concedida por Dom Pedro II. A cidade de Manaus, em sua homenagem, atribuiu o seu nome a uma de suas vias, a rua Comendador Alexandre Amorim, no bairro de Aparecida.

1911 - 28 DE JUNHO
Nascimento do português José Cruz. Assim como no passado, em anos mais recentes (e ainda hoje), a gente lusitana continua deixando no Amazonas a sua marca de grandeza e fidelidade. O comendador José Cruz é exemplo dessa incomensurável participação. Homem honrado, incansável empreendedor, deu os melhores anos de sua vida pelo progresso desta cidade.
A Fábrica Magistral e a Sociedade Beneficente Portuguesa são os emblemas mais flagrantes dessa estupenda atuação
. Atuou com afinco e dedicação em clubes de serviços e sociais, e na maçonaria; é benemérito de numerosas instituições de Manaus. Lançou em 1943 o consagrado guaraná Magistral, fabricado até hoje pelos seus descendentes. O comendador José Cruz faleceu em Manaus em 28 de abril de 1992.

1915 - 11 DE JUNHO
Morreu no Rio de Janeiro o coronel Gabriel Salgado dos Santos, senador da República pelo Amazonas, sua terra natal. Faria e Souza assim destacou: "Espírito culto, aliado a um caráter cristalino e sem jaça, o pranteado extinto era, nesses tempos de decadência moral, um belo exemplo de homem probo e varonil, diante de cujos princípios de nobreza romana e consciência impoluta se despedaçavam os vícios e torpezas". Também foi Deputado Federal. Escreveu numerosas obras, principalmente sobre temas militares.

1935 - 29 DE JUNHO
Falecimento, em Manaus, de Henrique de Souza Rubim. Exerceu numerosas atividades, todas com alta competência e dignidade. Foi juiz municipal e de órfãos, professor do Ginásio Amazonense Pedro II, diretor do Arquivo Público e Biblioteca do Estado. Foi coronel da Guarda Nacional. Colaborou ativamente na imprensa de Manaus. Sócio fundador do IGHA, a 25 de março de 1917, foi eleito para a sua primeira diretoria na posição de 2º secretário.
Jonas da Silva

1947 - 5 DE JUNHO
Morre Jonas da Silva, nascido em Parnaíba (PI) a 17 de dezembro de 1880. Veio para Manaus com apenas 11 anos de idade. Foi um odontólogo de grande competência e clientela, todavia, foi na poesia que ganhou notoriedade. Fundador da Academia Amazonense de Letras, hoje é o Patrono da Cadeira 18, ocupada pelo poeta Jorge Tufic.

Deputado Pereira da Silva
1957 - 6 DE JUNHO
Projeto do deputado federal Francisco Pereira da Silva, aprovado e transformado na Lei 3.173, é criada a Zona Franca de Manaus. Por razões burocráticas, somente foi operacionalizada dez anos depois, quando reformulada pelo decreto-lei nº 288, de 28-02-1967.

1963 - 15 DE JUNHO
Morre, no Rio de Janeiro, Antóvila Rodrigues Mourão Vieira, homem de excepcionais qualidades de cultura e dignidade. Agrônomo pela Escola Agronômica de Manaus. Professor de matemática, fundou em Manaus o Instituto Alexandre Herculano. Prefeito de Manaus, deputado estadual, deputado federal (dois mandatos) e Senador da República (idem).

1971 - 13 DE JUNHO
Manoel Anísio Jobim
Falece, em Manaus, Manoel Anísio Jobim, bacharel pela Faculdade de Direito do Recife. Juiz municipal e juiz de direito, Procurador Geral do Estado e desembargador. Lecionou na Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Amazonas; escreveu em rios órgãos da imprensa de Manaus; estudioso dos aspectos geográficos, históricos e sociais do Amazonas, publicou várias monografias sobre os municípios amazonenses; o seu livro O Amazonas na sua História integra a famosa coleção Brasiliana, v. 292; Senador da República, teve um brilhante atuação no Senado Federal; sócio efetivo da Academia Amazonense de Letras (ocupou a Cadeira nº 22 - Patrono: Farias Brito) e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (ocupou a Poltrona 22 - Patrono: Gabriel de Souza) , onde chegou a ser seu Presidente. Foi um homem dotado de excepcionais valores sociais e culturais.

17 de junho de 2012

Sessenta e seis anos


Roberto Mendonça
Bem sei que o domingo era propício para uma baita comemoração, mas resolvi esconder meu aniversário, oferecendo um “bolo” na comunidade. Tomei a família e zarpei para o Rio Preto da Eva, cujo fluxo de água é local adequado para esfriar a cabeça, o corpo e a alma. Para meu azar ou sorte, o recanto em que ancoramos fazia funcionar um potente som. Resultado: em nada adiantou a última tecnologia que portava, ou seja, o celular recolheu as marcas dos amigos e familiares.

Após o retorno e o futebol do domingo azul, zanzei pela internet e no feicibuque (é assim que se escreve, meu caro Zemaria Pinto?) recolhi outras mensagens. Assim, pois, tinha que agradecer.

Desejoso de me penitenciar dessa malvadeza, prometo antes do final do mês das (extintas) fogueiras, soprar as dezenas de velhinhas, acompanhado do aluá amigo e de outras iguarias.

Enfim, aproveito esse registro para agradecer com profundo respeito as manifestações expostas, que estou convicto que  partiram da sinceridade e do ânimo benfazejo de amigos e parentes.


16 de junho de 2012

Pré-bienal de Artes (2)

Encerro minha observação sobre a Pré-bienal de Artes do Amazonas colando informações do Festim das barrancas, rico livro que resume esta exposição e seus artífices. O compêndio foi produzido pelo Reggo Edições e impresso na Gráfica Santa Marta (Manaus?), contando com o patrocínio da Associação Amigos da Cultura.

O resultado do Festim... foi surpreendente e festivo, tanto que o governador Omar Aziz quanto o secretário de Cultura Robério Braga estão retratados com um largo sorriso. Somente me resta parabenizar.


Cobra-grande, de Olivença
Copio aqui o labor do artista plástico Olivença, autor de Cobra-grande (uma tela de arame em formato hexagonal, com fios metálicos galvanizados e bonecas plásticas, com 230cm x 90cm). Este artista “renova sua prática com a criação de esculturas em ferro carregadas da existência dos ribeirinhos amazônicos”, na análise da curadora da Pré-bienal. Olivença homenageia com seu nome artístico a cidade de origem - São Paulo de Olivença (AM).
Piracema, de Mário de Paula

 O outro é Mário de Paula, que começou neste ofício em 1966, ainda com o Clube da Madrugada, e registrou sua exposição individual em 2009, no Centro de Artes da Universidade Federal. Ainda “mantém suas figuras veladas e protegidas pelo invólucro de seus traços vibrantes, comuns a todas as suas obras”, registra o Festim...

15 de junho de 2012

Pré-bienal de Artes

Capa do album

Encerrada a mostra de artes do Amazonas, realizada em preparação a Bienal prevista para o próximo ano, o Governo do Estado distribuiu um álbum do material exposto e seus autores. Produzido pela Reggo Edições e impresso pela Gráfica Santa Marta, contou com o patrocínio da Associação Amigos da Cultura.

Noleto
Este material tornou possível compreender melhor as diversas manifestações artísticas, expressas pelos pincéis e tintas e outros recursos dos artistas. Alguns, já de nosso maior reconhecimento, outros, nem tanto, e, em especial, as gratas surpresas de amigos que recolhidos ao ateliê produzem, e muito bem.

Obra do Noleto
Reproduzo o trabalho do artista plástico Noleto, destacado pela sua capacidade de criar “um ambiente ilusório em suas obras, seja pela fixação do olhar do observador, seja pela manipulação matemática de Vasareli”.
Erre Nascimento
O outro é Romulo Nascimento, que assina Erre Nascimento, que “apresenta o livro do artista e vídeo, entre um gesto e outro, busca através dos sentidos o contato com o expectador num encontro quase perfeito entre ‘o eu e o outro’ ’’. As anotações pertencem à Cléia Viana, curadora da exposição.

Composição apresentada pro Erre Nascimento

14 de junho de 2012

Lauro Adriano Barbosa

O casal Barbosa e
o primogênito
Morreu na madrugada de hoje, Lauro Adriano Lima Barbosa, nascido em Manaus, mais precisamente no Educandos, em 1934.  Ainda quando este bairro se chamava Constantinópolis (em homenagem ao governador Nery) e os insulados moradores, sob a tutela de Jacques Souza Lima, construíam a estrada (hoje avenida Leopoldo Peres) que os ligariam ao bairro da Cachoeirinha. O governador Efigênio Sales completou a obra inaugurando a ponte, a primeira deste subúrbio, que perdeu sua finalidade com as obras do Prosamim.

Morreu na cidade de Jau (SP), mas será velado em São Vicente (SP), onde morava, depois de enfrentar com altivez um câncer que o acometeu por anos.

Lauro era o primogênito do seu Manoel Barbosa, da Paraíba, e de dona Raymunda Lima, do Anveres, que apesar do nome excêntrico, existe à ilharga do Cambixe, um subúrbio do Careiro da Várzea. E muito importante, eu era seu primo, porque dona Raymunda e dona Francisca, minha mãe, eram irmãs.

Nasceu na Estrada, onde seu pai possuía uma padaria, isso mesmo, funcionando no térreo da casa de “dois andares” ou sobrado, que servia de residência. Esteve construída ao lado da fábrica de castanha. Um pouco depois do extinto cine Vitória. Lauro foi aluno do Colégio Dom Bosco, usando aquele uniforme militarizado, e do saudoso padre Agostinho.
Residência dos Barbosa, na
estrada de Constantinópolis
Mais adiante, ao tempo do serviço militar, obrigação que os pais, mais que o governo, impunham ao filho, para que este se tornasse homem, Lauro foi servir no 27º BC. Aproveitou a obrigação e seguiu no serviço. No meado dos 1950, teve sua primeira oportunidade na vida. O desastre árabe-sionista ofereceu o mote, quando o governo brasileiro cedeu uma tropa de paz, como a que frequenta hoje o Haiti, para manter a paz no Canal de Suez.

Lá esteve o sargento Lauro Adriano, acumulando tempo de serviço e uma reserva financeira. Obteve mais, sabedoria e disposição para enfrentar a vida. Primeiro, noivou. O cerimonial da época foi cumprido pelo “velho” Barbosa em casa da noiva. Veio o casamento com a Ada, vizinha da “estrada”, que o escoltou por toda a vida, dando-lhe as filhas Andrea e Adriana.

Em 1956, estando no Rio de Janeiro, recebeu os pais e os irmãos, na época uma dúzia. Cresceram e multiplicaram-se...  Hoje, espalham-se por alguns estados do País, cuidando de filhos e netos. Lauro seguiu no Exército, onde alcançou o oficialato na reserva. Mas, antes desse desiderato, concluiu o curso de bioquímica, e ingressou na loja maçônica, da qual sempre deu sinais de ativo e vibrante membro. A aposentadoria desfrutava na cidade de São Vicente (SP), ao lado da mulher, depois que as filhas cuidaram da vida própria.

Sargento Lauro, no início da
vida militar
Exercia sobre os irmãos e os descendentes a legítima autoridade do primogênito, vigiando para que a prole construída pelo seu Manoel e dona Raymunda não fenecessem, ao contrário, prosperassem com disciplina e com dignidade. Estou certo de que o Lauro alcançou. Mesmo gravemente enfermo, suas palavras, enquanto pode falar, e seus escritos depois, utilizando os vários meios da tecnologia, abonam minha perspectiva.

Despeço-me do primo Lauro, ecoando um dístico que encima o portão de um campo santo: Ide, em paz, que seus ossos descansem, “enquanto esperam pelos nossos”.

12 de junho de 2012

Medição jornalística (2)

Na sexta 8, mostrei aqui a discrepância dos matutinos locais na medição do público que acompanhou a festa católica de Corpus Christi. Apenas para recordar: esse número foi de, mais comedido, 30 mil a, mais excessivo, 70 mil.
A Crítica, 11 junho 2012

No sábado 9, ocorreu a Marcha para Jesus, empreendida pelos evangélicos. E a contagem dos participantes oscilou entre 800 mil e um milhão de pessoas. Absoluto exagero. Autêntico devaneio dos organizadores, apoiado pela imprensa.

O exagero pode ser demonstrado em uma breve conta. O IBGE indica que Manaus possui 1 milhão e 800 mil habitantes, mas admitamos que chegue a dois milhões. A igreja católica, seguida por mais da metade desta população, conseguiu levar cerca de 5% de fiéis. Os evangélicos, curiosamente, marcharam com a metade da população. Quanta insensatez! Visto que a fonte consultada (se o foi!), a Polícia Militar, nunca possuiu esse gabarito.

Por falar nisso, a Folha de São Paulo, de ontem, rompendo com a tradição de apoiar a divulgação de executores, contestou com fundamentos a cifra de presentes a festa gay de São Paulo.  Apenas para cotejar, ano passo compareceram à festa cerca de 4 milhões de pessoas.

A 16ª edição da Parada Gay de São Paulo, um dos principais eventos turísticos da cidade, reuniu ontem 270 mil pessoas, de acordo com o Datafolha - 65 mil delas fizeram o percurso inteiro do evento.

Pela primeira vez na história, a manifestação teve uma medição de público com caráter científico. O Datafolha inaugurou o método em maio na 28ª Caminhada da Ressurreição, procissão católica por ruas da zona leste da capital.

Segundo o instituto, nenhum evento similar no mundo tem medição científica de público. Em alguns países, ele é estimado a partir do lixo produzido. Em outros, pela concentração de pessoas ao longo da parada - este método, no entanto, não leva em conta o público flutuante.