CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

30 de novembro de 2011

Convite

A Livraria Valer convida para o lançamento do novo livro - Bússolas - do professor José Seráfico, no próximo sábado 3, no seu espaço cultural.
Convite do evento

Bombeiros do Amazonas: 135 anos

MENSAGEM do Comandante Geral do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), divulgada em 25 de novembro.


À esq. Coronel Vital, secretário de
Segurança, é saudado pelo coronel
Dias, comandante do
CBMAM 

 Contra as chamas em lutas ingentes,/ sob o nobre alvi-rubro pendão,/ dos soldados do fogo valentes,/ é na paz a sagrada missão...

Eis a estrofe inicial do Hino do Soldado do Fogo, cujas palavras evoco hoje para trazer à lembrança a data que este dia precede, 26 de novembro, em que comemoramos o aniversário do CBMAM, data de extrema importância não só para o Corpo de Bombeiros, como também para toda a sociedade amazonense.

Tendo sido criado em 11 de julho de 1876, por ordem do então presidente da Província, Nuno Alves Pereira de Mello Cardoso (oficial da Marinha, fundador da Capitania dos Portos), inicialmente sem caráter militar, dirigido pelo então diretor de Obras Públicas, coronel Leovigildo Coelho, o Corpo de Bombeiros tem assim o privilégio de ser o segundo organismo estabelecido no País.

O primeiro, o Corpo de Bombeiros Provisório da Corte, foi criado em 2 de julho de 1856, no Rio de Janeiro, pelo decreto nº 1.775, do imperador Dom Pedro II, patrono dos Corpos de Bombeiros do Brasil.

No Amazonas, a natureza militar do serviço só foi concedida no governo de Eduardo Ribeiro (1892-1896), quando da subordinação ao Batalhão Militar de Segurança, a Polícia Militar do Amazonas (PMAM) de nossos dias. No governo de Antônio Bittencourt (1908-1912), o serviço de bombeiros passou ao encargo do município de Manaus, retornando ao Estado em janeiro de 1911.

Durante o governo do presidente Getúlio Vargas, este serviço passou entre o governo estadual e o municipal. Na posse do governador Álvaro Maia (1951-1955), o Serviço de Combate ao Fogo retornou à Prefeitura de Manaus e, em janeiro de 1973, retornou definitivamente a esfera do Estado, sob a administração da PMAM.

Depois de um quarto de século sob a direção da PMAM (1973-1998), o Corpo de Bombeiros, em 26 de novembro de 1998, através da Emenda Constitucional nº 31, disciplinada pela Lei nº 2.523, de 30 de dezembro do mesmo ano, conquistou sua autonomia. Tanto operacional quanto administrativa, desvinculando-se da briosa Polícia Militar do Amazonas e tomando a denominação de Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, motivo este de nossa comemoração.

A velha e as novas armas
dos Bombeiros

Os desafios da jornada que se iniciou há 135 anos foram enormes, porém, maiores são as conquistas que as seguiram, pois o Corpo de Bombeiros sempre percorreu seu caminho tendo como princípio basilar a melhoria dos serviços prestados à sociedade. Isto tem sido nosso guia, nossa bússola! Muito já se fez, muito ainda se fará. Como verdadeiros guerreiros do fogo, que na hora decisiva correm riscos para salvar uma vida, lutaremos também, com a mesma determinação, para continuar engrandecendo esta Corporação.

Durante esse período, muitos foram os integrantes da corporação, cuja dedicação foi determinante para sua perenidade. Homens abnegados, que empenharam suas vidas com coragem e ousadia, a despeito de dificuldade ou perigo, para bem servir à sociedade nos diversos momentos de angústia e desespero, quando labaredas inflamadas ameaçavam vidas alheias e bens. A esses heróis do passado, deixamos aqui registrado nosso sincero reconhecimento.

Enaltecemos também os relevantes serviços prestados pelos atuais integrantes – bombeiros militares e funcionários civis. Motivos pelos quais os parabenizamos e os concitamos a permanecer com a mesma perseverança, a fim de que possamos entregar aos futuros soldados do fogo uma corporação forte e coesa. Na certeza de que, a cada geração, estágios ainda mais elevados possam ser alcançados.

Neste momento de comemoração, não poderíamos deixar de agradecer ao Governo do Estado pelo reconhecimento da importância desta Corporação, para o bem-estar da sociedade amazonense. Reconhecimento refletido em investimentos destinados à aquisição de equipamentos necessários à capacitação da Corporação para a prestação de melhores serviços.

Agradecemos também às Forças Armadas (Marinha, Exército e Aeronáutica), que tantas vezes nos apóiam em nossas operações de salvamento, busca e resgate, em áreas as mais diversas e inóspitas de nosso Amazonas; e a todos os órgãos estaduais, parceiros no melhor desempenho de nossa função constitucional, em especial a Polícia Militar do Estado, em cujo seio forjou-se a célula que deu origem ao atual Corpo de Bombeiros.

Aos ilustres agraciados com a Medalha Imperador Dom Pedro II, a maior comenda concedida pelo Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, nosso sincero agradecimento e reconhecimento pelas relevantes contribuições dispensadas a esta Corporação e a sociedade amazonense.

Enfim, nesta data, em que temos muito a comemorar e do que nos orgulhar, reforçamos o compromisso, como afirma o Hino do Soldado do Fogo: Nenhum Passo Daremos Atrás... A qualquer hora, na calada da noite ou no barulho do dia, tenham a certeza de que, quando a sirene ecoar, estaremos sempre prontos a atender mais uma vez o chamado de socorro.

FOGO!!!

Coronel Antônio Dias dos Santos – comandante geral do CBMAM


No desfile, a Guarda bandeiras

27 de novembro de 2011

L. Ruas: 80 anos


L. Ruas pelo J. Maciel, 1982
Luiz Augusto de Lima Ruas será homenageado no IEPES, pela manhã, e a tarde-noite no ICHL, da Ufam.
Nascido em Manaus, em 1931, na av Joaquim Nabuco, no seio de uma família de posses. Do lado materno, teve por tio ao artista plástico Branco Silva (+1959), criador de um presépio que alegrou aos meninos da década de 1950. Eu tive esse privilegio, o de sonhar junto aos animais “falantes”.
  Manaus, todavia, já enfrentava dura realidade econômica. Desde o início da segunda década do século, com a primeira guerra mundial, que afetou a navegação marítima. Seguida da entrada da borracha asiática no mercado. Enfim, o desastre da Bolsa americana, em 1929.

  Foi sob esse clima que a capital amazonense acolheu ao Luiz Augusto. Mas, ainda havia recursos aqui. O curso primário (como se denominava à época), ele realizou no Grupo Escolar Farias Brito (ainda existente, depois de várias mudanças).

  Agora, um ligeiro retrospecto da existência do Seminário S. José. Criado em 1848, era o único colégio secundário de então. Desaparecido no inicio do século XX, funcionou onde hoje se encontra a agencia do BB, próximo da Matriz. Dom João da Mata Andrade e Amaral, um pernambucano destemido, decidiu reabrir o SSJosé. Não mediu os desafios imensos, sem local, sem verbas.

  No dia de São José de 1943, o bispo abriu as portas do SSJosé. Localizado na residência episcopal, ao lado do Colégio Dom Bosco. Cuidavam do SSJ os padres salesianos. Ruas, Normando, Bessa, Orígenes e outros fizeram parte deste grupo. O seminário deu certo.

  Ao final do seminário menor, em 1949, os concludentes foram encaminhados a outros centros religiosos. Ruas e cinco colegas foram encaminhados para o Seminário da Prainha, em Fortaleza. Este, por motivo de intervenção, era dirigido pelos padres lazaristas, da província mineira. Ali, Ruas aprende com o padre Josaphat (professor de filosofia), depois este passaria aos dominicanos. Nessa situação, entre 1961-64, com Ruas integrariam a corrente revolucionária da Igreja.

  Encerrado o curso de filosofia, e já matriculado em teologia, o clérigo Ruas desembarca, em 1952, na Capital Federal. O Rio era então o centro político e literário do país. Tem contato com poetas e escritores da época: Bandeira foi o mais marcante. O colega Antonio Carlos Villaça definiu o Ruas em Nariz do morto (1970).
Facsimile extraído de livro


  Apesar do pouco tempo no seminário do RJ, Ruas foi presidente do Centro Acadêmico “Santo Tomás de Aquino”. Conta uma lenda religiosa que Ruas impressionou ao cardeal Barros Câmara, ao apresentar trabalho teológico. E mais outra: em função de sua competência, teria sido convidado para ingressar no clero do RJ.

Não aceitou, pois, em 1954, Dom Alberto Ramos inaugurou o seminário maior, ainda na rua Emilio Moreira. E fez recolher ao seu abrigo os seminaristas espalhados pelo país. Ruas estava cursando o quarto ano de Teologia.

Assim, em 31 outubro, o bispo do Amazonas ordena o padre Luiz Ruas. Esse ano ficou marcado no Brasil pelo suicídio de Vargas (agosto). Mas, em Manaus, tivemos outras marcas: fundação da Rádio Rio Mar; criação do Instituto Christus, hoje CIEC; e fundação do Clube da Madrugada (22 novembro). Em todas essas organizações, o padre Ruas foi participante.

Programação do ITEPES
Logo começou a escrever em jornais. Começou pelo Universal, da igreja católica. Uma publicação malcriada – A inutilidade do padre, circulada em outubro de 1955, o excluiu do semanário. Apesar da aparência, em contraponto, ele publicou no Jornal do Commercio (1959) – Padre: mistério de fé e caridade (em cinco partes).

    Esteve em A Crítica, escrevendo a coluna Ronda dos fatos (1957-58). Mais adiante, e com maior ênfase, contribuiu com a página do Clube da Madrugada, encartada em O Jornal. Também encontrei trabalho literário de L. Ruas no Diário Oficial e Jornal Cultura.

 Seus livros: Aparição do clown (1959), mas tido como lançado em 1958. Após severa pesquisa, encontrei a reportagem sobre o lançamento do livro, em 31 de janeiro, mesma data da posse de Gilberto Mestrinho (1959-63). A segunda edição é de 1998, pela Valer. Depois, Linha d´água: crônicas (1970), foi um resultado de seu trabalho em A Crítica. Um “livro legendário”, pelos obstáculos superados até seu lançamento.

O terceiro: Os graus do poético (1979) traz a chancela da Rádio Rio Mar, que o produziu em comemoração aos 25 anos de sua fundação. São ensaios sobre autores brasileiros e, quase todos, já então publicados na imprensa.

O quarto e último foi Poemeu (1985). Um livro de poesia, vencedor de prêmio do Governo estadual em 1970. A edição aconteceu 15 anos depois, e ocorreu pela dedicação dos amigos do autor.

Vasculhei todos os arquivos possíveis, em busca das publicações com a chancela de L. Ruas, que não foram inseridas em livros. Da expressiva quantidade, consegui publicar Cinema e Critica literária de L. Ruas (2010). E organizei, sob o título de Intérpretes de Aparição do Clown (2010), as matérias circuladas na imprensa e em outros compêndios sobre este poema.

Acabo de conhecer a “interpretação” de Alencar e Silva, morto em setembro, em cujo livro póstumo – Quadros da Moderna Poesia Amazonense (2011) – reverencia ao amigo-poeta L. Ruas.

Enfim, tenho ainda organizado: Reconstrução do clown (prosa de ficção), primeira parte, e Poesia reunida. No prelo, pois.

L. Ruas também cuidou de cinema e teatro. Três apontamentos: os cineclubes que funcionaram em Manaus nas décadas de 1950 e seguinte tiveram a participação dele. Colaborou na revista Cinéfilo, do professor José Gaspar, que foi “orientado” pelos militares a encerrá-la no 4º número.

No teatro, em 1959, o padre participou da peça Auto da Compadecida, no papel do Palhaço. Teve respeitável desempenho, mas deixou traumas na hierarquia sacerdotal. No Parque Amazonense, em 1963, dirigiu o Auto da Paixão. Este trabalho ficou apenas na estreia, pois, no ano seguinte, o padre Luiz Ruas passou a Semana Santa encarcerado.

Recolhido ao quartel do 27º BC, hoje 1º BIS, em São Jorge, onde foi o primeiro vigário. Permaneceu preso por quarenta dias, e se sabe da visita de Dom João de Souza Lima, ao menos em uma oportunidade. Entre outras motivações: a atuação “revolucionária” deste sacerdote, conforme se deduz da edição da revista Nosso Século, em estudo sobre a Igreja no Brasil.

   Debate entre L. Ruas e Jefferson Péres. Na transposição de fevereiro de 1958, os dois jovens travaram pelo jornal uma disputa séria. Para saber mais, consultei ao senador Péres sobre o incidente. Ele o esclareceu em respeitosa carta.

 L. Ruas e a Academia Amazonense de Letras. Em 1971, este intelectual, apesar de candidato único para a vaga de Sebastião Norões, não obteve quorum. Foi reprovado, em observância ao regulamento da Casa de Adriano Jorge. Então, ele virou as costas ao sodalício.

Pássaro ferido, bem ferido. O AVC sofrido pelo padre L. Ruas aconteceu na sacristia da igreja dos Remédios. Levado ao hospital salvou-se, mas com graves sequelas, as quais o incapacitaram de escrever e de falar. Foi um martírio para quem passara a vida como pregador e professor e jornalista e cantor e poeta e prosador e cronista radiofônico.

     Professor José Seráfico escreveu uma memória sobre o autor de Aparição do Clown. A finalização dela transcrevo abaixo:

   Não foi dado sequer o tempo de colher o fruto de seu canto. Tão cedo se foi, quando havia tanto a fazer – e a ensinar. Convenhamos que antes dos setenta anos deveria ser crime morrer. Talvez sua missão já se tivesse cumprido. Quem o saberá?

Se a parca encerra em si mesma, além do luto e da dor dos que ficam, o simbolismo tão parco na mente dos sobreviventes, ela não nos terá poupado da coincidência com que às vezes se manifesta: Luiz Ruas, perseguido pelo golpe militar de 1964, deixou-nos na mesma data em que a ofensa cívica ocorrera – era primeiro de abril do último ano do século XX.

Pena que, nesse caso, não havia mentira. Luiz Augusto de Lima Ruas partia para nunca mais.

26 de novembro de 2011

L. Ruas: oitentanos


Linha d´água: crônicas,
de L. Ruas


Em homenagem ao saudoso mestre das artes, na antevéspera de seu aniversário, reescrevo dele um texto constante de Linha d´água: crônicas (Rio: Editora Artenova, 1970). A festa que os amigos e ex-alunos do padre Luiz Ruas, ou simplesmente L. Ruas, organizam, será na segunda-feira 28, evocando os títulos herdados e outras manifestações de sua mente.


A VOLTA

Quando ouviu o ruído de uma chave sendo introduzida na fechadura, por uma
dessas intuições inexplicáveis do coração, ela não pensou que se tratasse de
um salteador, mas de alguém que estava acostumado a fazer inúmeras vezes
aquele mesmo gesto.

- É ele, pensou.

E conservou-se imóvel na cadeira perto do quebra-luz. Apenas repousou o
livro sobre as pernas e retirou os óculos.

Como há vinte anos atrás, depois do jantar, ela se sentava naquela cadeira
e ficava lendo ou bordando alguma coisa. Passados quinze ou vinte minutos, a
empregada lhe dizia boa-noite e fechava a porta atrás de si. Ela ficava só com o seu
silêncio.

No começo foi muito difícil. Foi muito difícil mesmo. Muitas vezes esperava
que a empregada saísse logo e, apenas a porta se fechava atrás dela, o
pranto irrompia incontrolável. Não foi nem uma nem duas vezes que ela
pensou em se vestir e ir para a rua. Ao cinema, ao teatro ou a um bar. Uma
noite chegou mesmo a subir ao quarto, abrir o guarda-roupa. Mas, depois,
se sentou na cama larga e macia e tão vazia e chorou até o sono chegar.

Seus pais vieram buscá-la.

- Que vai você ficar fazendo sozinha nesta casa? Você pode recomeçar uma vida nova.
Você ainda é muito jovem.

Naquele tempo era mesmo. Sete anos mais moça do que ele, poderia muito
bem, como diziam seus pais, ter recomeçado uma vida nova. Poderia ter
viajado. Ido para a Europa. Ou para os Estados Unidos. E lá, recomeçado uma
vida nova. O que, porém, parecia tão fácil para os outros, lhe era
infinitamente difícil. Não teria coragem. Não teria forças. E se deixou ficar
sentada naquela cadeira.
Com a cabeça entre as mãos, apenas ouviu o rumor dos passos de seu pai e
de sua mãe que se dirigiram, em silêncio, para a porta que se abriu e fechou.
Quando sentiu a porta fechada, levantou os olhos e ficou olhando-a. E pensou
consigo mesma sem dizer nada:

- Eu sei que ele vai voltar.

O que mais a torturava, de início, foi o medo. Sempre fora medrosa. Era um
sentimento que nunca chegara a vencer. Quando menina tinha medo de tudo
e não podia dormir sem que sua mãe se sentasse à beira da cama e aí ficasse
até que dormisse completamente. A luz ficava sempre acesa. Quando ficou
mocinha o medo continuou a persegui-la. Casou-se. E as piores horas de
casada eram as horas das noites em que ele voltava tarde do clube. Duas
horas da manhã e ela sem poder dormir. De medo.

Naquela noite ela não dormira. Passou a noite toda, sentada na cadeira sem poder
dormir. O mesmo aconteceu na outra noite. E a terceira noite foi igual às duas
primeiras. Foi muito difícil e doloroso se acostumar com seu medo. Mas, vinte anos
de solidão, fizeram com que se acostumasse.

A porta se abriu. Ele apareceu na soleira, emoldurado pela noite. Parou e
a ficou olhando sem dizer qualquer palavra. Ela o olhava, também, e lhe
veio a impressão de que parecia um pássaro ferido. Ferido e cansado. Não
se via a ferida, mas existia em alguma parte dele.

Perdera aquele porte altivo. Seus cabelos, outrora negros e abundantes,
estavam agora quase completamente brancos. E o rosto cheio de rugas. Era
um homem machucado.

Em silêncio fechou a porta atrás de si e subiu para o quarto.

Ela encostou a cabeça no espaldar da velha cadeira e cerrou docemente os olhos.

Corpo de Bombeiros Militar


Roberto Mendonça e a
Medalha do Imperador
Com a formatura da noite anterior, o Corpo de Bombeiros Militar, sob o comando do coronel Antonio Dias, comemorou duas efemérides: o 135º aniversário de fundação do “serviço de extinção de incêndios” em Manaus, portanto, sua data magna. A outra, foi a emancipação do atual Bombeiros da subordinação à Policia Militar do estado, fato que ocorreu em 1998.

A solenidade costumeira teve a presença do novo secretário de Segurança, coronel Vital de Menezes, representando o governador do Estado.  

No curso desta, foi entregue a Medalha Imperador Dom Pedro II a diversas autoridades e outros premiados, todos com trabalhos em prol desta instituição centenária. A medalha do Imperador constitui-se na maior comenda da corporação dos “homens e mulheres do fogo”.

Leva o nome do imperador brasileiro, por ter sido este que criou o primeiro corpo de bombeiros no Brasil, precisamente na Corte, hoje cidade do Rio de Janeiro.

Concluo esta postagem agradecendo a condecoração que recebi. Julguei-me bastante consciente do prêmio, e que não haveria emoção, mas, a noite escondeu as lágrimas que teimaram em marcar, para mim, a gostosa festa.

Gratíssimo mesmo, do íntimo do peito, aos “homens e mulheres do fogo”, de ontem e de hoje, por essa significativa dádiva. Fogo!!!!

Diploma respectivo da comenda

24 de novembro de 2011

Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas

Amanhã à noite, a festa no quartel de Petrópolis celebra a criação deste serviço no Amazonas. São passados 135 anos, desde que o governo provincial o instituiu em 11 de julho de 1876, consoante a Portaria n.° 268-1.ª Seção, que ordenava “observar as instruções para o serviço de extinção de incêndios”.

Convite expedido pelo Corpo de Bombeiros

A sanção coube a Nuno Alves Pereira de Mello Cardoso, presidente interino da
Província. E restou à responsabilidade do diretor de Obras Públicas, capitão EB
Joaquim Leovigildo de Souza Coelho, o encargo deste serviço.

Os Bombeiros também recordam a desvinculação deste Corpo da Polícia Militar,
fato que ocorreu em 1998. Condecorações serão distribuidas, e a Medalha Dom
Pedro II, criador primeiro corpo de bombeiros no Brasil, foi-me concedida pela
fidalguia do coronel Antonio Dias. Registro aqui meu fraternalmente
agradecimento.

23 de novembro de 2011

ICHL homenageia L. Ruas

Professores preparam a homenagem para celebrar os 80 anos do saudoso poeta Luiz Ruas no dia 28 de novembro, a partir das 15h, no Pavilhão Luiz Augusto de Lima Ruas (Hall do ICHL).

Identidade sacerdotal de Luiz Ruas
A homenagem está sendo organizada pelo diretor do Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL), professor Nelson Noronha, e pelas professoras do Departamento de Língua e Literatura Portuguesa, professora Maria Sebastiana de Morais Guedes e professora Rita do Perpétuo Socorro Barbosa de Oliveira.

A abertura do evento será feita pelo maestro Adelson Santos e, em seguida, será realizado um recital de poemas do livro “Aparição do Clown”, de Luiz Ruas, pelos discentes do curso de Letras – Língua e Literatura Portuguesa, orientados pela professora Maria Sebastiana de Morais Guedes.

A conferência de abertura, realizada no horário de 16h às 18h, contará com a presença de Roberto Mendonça e do professor Osvaldo Coelho, do curso de Filosofia. A professora Matilde Hosana assumirá o papel de mediadora da conferência.

L. Ruas rubrica livro pessoal,
adquirido na centenária livraria

A conferência final, das 18h às 20h, terá como mediador o professor da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Marcos Frederico Krüger Aleixo. Estarão presentes na conferência o poeta e membro da Academia Amazonense de Letras, Tenório Telles, que abordará Ruas: poesia e espiritualidade. O poeta e mestrando Zemaria Pinto abordará o tema Poemeu, a metafísica do profano e o mestrando Alexandre Serrão que falará sobre os seus estudos das obras de Luiz Ruas.
O encerramento da homenagem ao poeta Luiz Ruas será realizado pelos discentes, membros do Centro Acadêmico de Letras, que farão um recital de poemas do livro “Poemeu”.

22 de novembro de 2011

Clube da Madrugada: 57 anos


Mulateiro-sede do Clube
da Madrugada
Novembro, 22 

1950 – É concedida uma área para a construção do Pavilhão São Jorge, mais conhecido por Café do Pina (sobrenome do favorecido), o português José de Brito Pina. Instalado na então praça João Pessoa, em frente ao Cine Guarany e fronteiriço ao quartel da Polícia Militar do Estado. A concessão foi realizada pelo prefeito de Manaus, Raimundo Chaves Ribeiro. Tornou-se o café que, entre tantos frequentadores, congregou os "madrugadistas".

1954 – Aconteceu a fundação do Clube da Madrugada, na madrugada desse dia, sob o mulateiro da praça da Polícia ou de Heliodoro Balbi. Apesar de se manter em ambiente de liberdade, em 1961, foram aprovados seus Estatutos. Tudo indica, porém, que esse diploma legal “não pegou”.
Art. - O Clube da Madrugada, fundado e sediado nesta cidade de Manaus, órgão que permite a livre manifestação do pensamento e tem por propósito o estudo, o desenvolvimento e a divulgação dos diversos ramos das ciências, das letras e das artes.

Parágrafo único - Essa finalidade não se restringe ao âmbito da agremiação, mas visa também levar ao povo, através do trabalho escrito, oral ou divulgado, o conhecimento do que se fez no campo da cultura em geral.
Art. 2º - Para cumprimento do que se propõe, o Clube promoverá:

- a organização de uma biblioteca;

- a instituição de concursos anuais, com prêmios aos autores de obras de poesia, ficção, ensaio, teatro, artes plásticas e rítmicas, com regulamento previamente discutido em sessão convocada pela Presidência da Sociedade;

- a realização de conferências, seminários, palestras e debates sobre assuntos de caráter científico, literário, artístico ou outros que, por sua oportunidade ou magnitude, atendam ao interesse geral;

- o lançamento e a exposição de livros ou trabalhos de arte em geral, especialmente de autores pertencentes ao Clube.

Assinaram o documento referente aos Estatutos do Clube da Madrugada, os seguintes membros: Raimundo Theodoro Botinelly de Assumpção, Carlos Farias de Carvalho, Jorge Tufic, Arthur Engrácio da Silva, Jefferson res, Evandro das Neves Carreira, Aluísio Sampaio Barbosa, Pe. Luiz Ruas, Pedro de Amorim,
Saul Benchimol, Álvaro Reis Páscoa, Elson Farias, Edison Bentes Farias, Luiz Bacellar, Moacir Couto de Andrade, Sebastião Norões, Francisco Ferreira Batista, Nivaldo Santiago, Afrânio de Castro, Djal
ma Passos, João Bosco
Araújo, L
uiz Bezerra, Antônio Gurgel do Amaral, Miguel Barrela, Benjamin Sanches e Francisco Vasconcelos. Diário Oficial do Amazonas, Manaus, 20 dez. 1961.  (
Extraído de As artes plásticas no Amazonas: o Clube da Madrugada, de Luciane Páscoa, 2011).

Na Livraria Valer, Elson Farias, Zemaria Pinto e Max
Carphentier (a partir da esq.)
Para recordar os 57 anos de criação do Madrugada, o espaço Livraria Valer recebeu dois integrantes daquel clube, os quais esclareceram alguns dos passos daquele movimento. Prestaram depoimentos os poetas Elson Farias e Max Carphentier, mediados pelo escritor (e poeta) Zemaria Pinto.